04 fevereiro 2011

O lobo perde o pêlo, mas...

 ...mas não perde o vício.

Os media estatais chineses evitam comentar os protestos no Egipto e as notícias são confinadas no segundo plano, ao contrário do resto do mundo. Os especialistas dizem que há muitas semelhanças entre a situação egípcia e a chinesa, e muitas conexões com os protestos da Praça Tiananmen, em Junho de 1989.

Os média não mostram as imagens de protestos ou os tanques nas ruas. Fontes jornalísticas afirmam terem recebido a indicação para utilizar apenas as notícias fornecidas pela agência estatal Xinhua. Alguns diários limitaram-se a dizer que os Chineses voltaram do Egipto com voos especiais.

Nos sites chineses são censuradas as palavra "Egipto" e "Tunísia", depois de terem sido colocados online artigos e fotos dos protestos com comentários como: "Estes são os verdadeiros soldados do povo. O exército egípcio não abriu o fogo contra os seus próprios pais e irmãos. "

O ex-jornalista Li Datong explica que "é uma história muito sensível para o governo, e relembra os acontecimentos de 1989."



O cientista político Liu Junning observa que os protestos no Egipto mostram que os regimes autoritários são mais vulneráveis e frágeis do que parecem.

A agência Xinhua, na edição inglesa, mostra que alguns egípcios são contrários aos protestos e, inclusive, "distribuem folhetos entre os manifestantes, pedindo às pessoas para evitar a violência e o caos."

A televisão estatal fala das festividades do Ano Novo chinês e relega em segundo plano os protestos no Egipto.

Única excepção é o Global Times, jornal do Partido Comunista, que falou sobre os protestos na Tunísia e no Egipto, em particular para sublinhar que é pouco provável que surja uma "democracia de estilo ocidental".

Enfim: mais de 50 anos de comunismo não podem ser apagados em poucos dias.

Especialistas observam que a situação na China é muito diferente, porque o poder do Partido Comunista da China é forte e o desenvolvimento económico tem resgatado milhões de pessoas da pobreza, ao contrário do Egipto, onde foram beneficiadas principalmente as classes dominantes e não a maioria da população.

Mas os utilizadores de internet pensam de maneira diferente, e nos primeiros dias de protestos têm florescido comentários sarcásticos como "Crescente corrupção, inflação, os altos preços de casas. Eu acho que há outro País como esse, mas qual poderia ser? "

Hu Xingdou histórico da Universidade Sun Yat-sen, em Guangzhou, adverte que "se a economia desacelerar ou cair, é provável que surjam na China protestos contra o governo."


Fonte: AsiaNews

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