15 fevereiro 2011

Pausa café

Wi-fi grátis na praça, grande luxo. É possível sentir-se uma espécie de executivo, não chovesse seria perfeito.

O café está quente, abro as páginas de internet, o Egipto, ah pois, o Egipto, mas também o Irão; Hillary Clinton elogia os manifestantes iranianos.
Algo me diz que antes de morrer a senhora Clinton não ficará assim contenta ao ver as pessoas nas ruas.
Mas esta é outra história.

Página da Economia. A Alemanha cresceu mais do dobro da França após a maior recessão desde a guerra.
A guerra.

Revolução Industrial. Primeira Guerra Mundial. Segunda Guerra Mundial. O medo.Vivemos um trauma colectivo, somos levado a gastar sem parar. Um terrorismo psicológico que tem como momento fundamental o 11 de Setembro de 2001, que derrubou todas as aparências. Um liberalismo que nasceu das nossas alucinações, mesmo agora que, dizem alguns, "o Capitalismo tem os dias contados". 
Capitalismo? Onde?
O Capitalismo começou a morrer ainda antes do Comunismo, hoje temos o filho bastardo, o Capitalismo Parasitário.



Aquecimento global ou não, vivemos num ecossistema em perigo, em 2020 um em cada quatro crianças vai passar a fome. 

18% da população mundial tem 83% dos rendimentos mundiais, o 17% que sobra é dividido entre os outros. As migalhas, nada mais. Existem 10 pessoas com 133 mil milhões de Dólares, enquanto outros nunca tiveram a possibilidade de saborear um bife de três dedos de altura com uma montanha batatas fritas. de fichas.

Contava John Adams, no distante 1765:
A prioridade do monopólio ou na posse de poucos é uma maldição para a humanidade.
Onde está, então, o capitalismo "criativo" citado por Bill Gates, o terceiro homem mais rico do mundo?  

O mesmo Bill Gates que é um dos maiores contribuidores da One Fundation de Bono, dos U2. 

O mesmo Bono que entrega apenas o 1% das doações em obras de caridade: 14.993.873 Dólares de doações, 184.732 Dólares em obras de caridade, mais de 8.000.000 de Dólares para pagar o pessoal. 

"I Still Haven't Found What I'm Looking For" cantava em 1987.
Acho que agora encontrou.

Seria bom poder entrar no Banco Central Europeu ou na Federal Reserve e perguntar "mas que raio se passa aqui?", mas não é possível, não é permitido, não fica bem, não se faz  Temos que pagar os impostos e confiar. E quando tudo desmorona, manter a confiança.

"Estamos a trabalhar para vocês, não pedimos desculpa pelo incomodo mas prometemos ser breves". Desde 2008 e a crise ainda não acabou, os mercados trabalham porque drogados, os indicadores são manipulados, as Bolsas são o parco de diversão para quem tem quantias enormes de dinheiro, digam a verdade uma vez por todas, estamos a passear sobre uma fina camada de gelo.

Os leitores e eu temos algo em comum:: fazemos perguntas que permanecem sem resposta.
Muito poucas pessoas entenderão o sistema, e aqueles que entendem serão ocupados a fazer dinheiro. O público provavelmente não vai entender que é contra o próprio interesse
Música e letras de Jacob Rothschild, banqueiro britânico.  
Chamam-nos estúpidos e ainda agradecemos.

Por amor de Deus, peguem num livro de História e leiam como é que ruiu o Império Romano. Os conflitos internos entre as várias correntes de poder, a crise económica, a inflação, a despesa pública fora de controle, a pressão fiscal, os comércios que diminuíram, a perda dos valores, a desigualdade entre as várias províncias do Império.
E fora dos confins, algo de novo. Povos mais atrasados, mas com fome. Fome de comida, de luxo, de bem estar, de conquista, de riqueza. Poucas ideias mas simples.
Não é preciso inventar nada, está tudo aí. 

Pessimismo? Não, que fique longe o pessimismo, não precisamos dele.
É abrir os olhos, perceber o que se passa.

Nós, aqui, a falar de subprimes. Dos derivativos.
Encontraram uma maneira de multiplicar o dinheiro deles, nós o que ganhamos com isso? É uma fraude? Não, explicam, é um instrumento financeiro. Legitimo, ora essa.
Antes tinham multiplicado o dinheiro com a reserva fraccionaria. Legitimo? Claro, legitimo.
E antes ainda tinham eliminado a conversão entre moeda e ouro. Legitimo? É sempre legitimo.

Esqueci-me de pagar uma multa de estacionamento. Isso sim que é ilegítimo, não podemos ter dúvidas. Mas agora quero pagar. Sim, mas há uma penalidade, tenta perceber, tu és quase um criminal.

E eu pago, com sentimentos de culpa. Traí a confiança da sociedade. Sou uma vergonha.

Mexo o café que esfria, quem sabe donde vem, mexo numa escolha que acaba na caixa de quem sabe qual franchising, felicidade dos centros comerciais, numa macroeconomia difícil de perceber, mas isso não interessa pois por enquanto funciona.
Por enquanto.


Talvez as coisas têm mesmo que funcionar assim, penso demais no meu Português imperfeito.
Bebo o meu café enquanto os Países as redor colapsam e pergunto como é que o café é tão amargo.
Ah, esqueci do açúcar, como sempre.




Ipse dixit.

3 comentários:

  1. Anónimo16.2.11

    Além dos parabéns ao blog, deixo apenas a nota para o "11 de Setembro", que deve ser de 2001...

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  2. Obrigado Anónimo, mas não é um erro: é uma previsão.

    Não acredita na minha palavra? Ok, vou corrigir...

    ResponderEliminar
  3. Adorei o texto!

    Parabéns MAX - excelente reflexão.


    Cumprimentos,
    -- --
    R. Saraiva

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