10 fevereiro 2011

Pensamentos nocturnos

Duas da manhã, já deveria estar a dormir. Já aconteceu ao leitor ter que dormir e ficar sem sono? Não? Ok, desculpe. Mas é uma boa altura para reflectir: silêncio na rua, não há rumores...
Música de fundo: Lotus Eaters, The First Picture of You dos longínquos anos '80.

Então reflectimos.
Muitas pessoas têm internet. Com uma conexão é possível aceder a um mundo de informação, e com uma pesquisa no Google é fácil encontrar sites ou blog que oferecem uma verdade diferente da oficial.

A história contada pela televisão não convence? É só procurar, fontes alternativas não faltam.

Quando comecei este blog, a minha ideia era falar basicamente de economia e geopolítica, pois as duas coisas estão ligadas.
Mas lentamente o tema central de Informação Incorrecta começou a incluir assuntos nos quais antes nem tinha pensado.



Por "culpa", por assim dizer, dos comentários dos leitores e da curiosidade, percebi que falar apenas de economia não ajudava a ter um quadro completo da situação. Era preciso mais. Mas para escrever "mais" era preciso informar-me "mais". Assim, neste blog aparecem agora temas que no início até tinha descartado.

Claro, na procura é preciso um mínimo de atenção: não podemos "beber" as histórias contadas pela primeira página internet que abrimos. O risco é de perder o contacto com a realidade, pois em internet há tudo e mais alguma coisa. Sou bastante aborrecido neste aspecto: gosto de confrontar datas e dados, e não acabo uma pesquisa após ter encontrado apenas uma fonte. Isso para não acreditar e publicar disparates.

Mas porque estou a contar tudo isso? Por uma razão extremamente simples: o que eu fiz, e continuo a fazer, os colegas blogueiros fazem, e os leitores fazem, pode ser feito por qualquer pessoa. E não é preciso escrever um blog:, é um tipo de pesquisa que pode ser feita simplesmente porque o nosso desejo é tentar perceber melhor o que se passa à nossa volta.

Esta a teoria.
Depois vem a prática.
E a prática é bem diferente.

No mundo real, o que conta não é o que nós procuramos com os nosso esforços, o que conta é o que diz a televisão e os media no geral. Porquê? Por várias razões.

Em primeiro lugar porque é fácil. É só pegar no comando, no caso da televisão, temos uma centena de canais já prontos. E com uma antena parabólica o total aumenta. Tudo o que precisamos é mexer um dedo. Mais simples é impossível.

Depois há outra questão.
Pode a televisão mentir? Podem 100 canais mentir? E os jornais? E as rádios?
"Não" é a lógica resposta. É difícil acreditar numa conspiração que envolva tantas pessoas. E digo mais. Há alguns tempos falei com uma pessoa que trabalha num órgão de informação e perguntei: há censura? Resposta: "Não, não há". Conheço bem esta pessoa, não mente.

E, de facto, estou convencido de que não haja conspiração nenhuma. O que se passa é diferente. O que se passa é que os órgãos de informação, e os media no geral, são os espelhos da nossa sociedade. Não é preciso mentir, é apenas dar ao público o que o público quer.
Triste, mas é assim.

Não estão convencidos? Querem uma prova? Muito bem, eis a prova.

Informação Incorrecta tem várias centenas de leitores por dia (yahooooo!!!...e obrigado também); mas é apenas um blog com menos de um ano de idade. Há blogues abertos há mais tempo com mais leitores. Algumas páginas de informação alternativa totalizam milhares de leitores por dia.

Ao somar todos os leitores (no sentido figurado, óbvio) obtemos vários milhares de pessoas que diariamente têm uma visão alternativa dos factos.

Muitas vezes são as mesmas pessoas que visitam vários sites ou blog? Ok, então juntamos os visitantes ocasionais, que não são poucos (e posso confirmar isso com os dados deste blog).
O total continua elevado.

Multipliquem este valor pelas páginas de informação alternativa nos vários idiomas, não apenas as em Português. E não podemos esquecer as páginas desactualizadas, os blogues ou sites que já "morreram" mas que desenvolveram a própria função na altura.

É um total bem significativo. Existem muitas pessoas que "sabem". Mesmo assim, nada acontece.

Num mundo "normal", a dúvida estaria bem difundida. Mas, sobretudo, muitas pessoas estariam a pensar em fazer algo. Difundir as notícias, por exemplo, convidar parentes e amigos para ver o que se passa. Falar destas coisas nas ruas, nos cafés, no trabalho.

Acontece? Não. Então, como é? Culpa dos media ou culpa nossa?

O discurso é um pouco mais complicado. Agora é tarde. Prometo voltar amanhã sobre o assunto.
Prometo? Prometo.
Boa noite.


Ipse dixit.

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