14 fevereiro 2011

Sociedades Secretas: 1 - Os Assassinos

Ao passear num centro comercial, encontrei um pequeno livro com um nome pomposo: "O Manual das Sociedades Secretas". Custo: 1 Euro.

1 Euro? É comprar, já.
O autor é Michael Bradley, que nada tem a ver com o futebolista americano, e o volume não é grande coisa. Mas é um bom ponto de partida para uma breve viagem nas sociedades secretas, antigas, menos antigas e modernas.
Desde os Assassinos, até os Illuminati, passando pelo Essex Junto, a Maçonaria, Clube Boémia e outros ainda.

Obviamente não posso transcrever as páginas do volume: a editora poderia não apreciar e, pior ainda, o resultado não seria satisfatório. Será precisa um pouco de pesquisa.

Uma última pergunta: mas se são secretas, como podemos falar delas?



Tá bom, não importa.
Começamos com uma das seitas menos importantes (não estando relacionada com os acontecimentos presentes) mas bem conhecida: os Assassinos.


Os Assassinos

Hasan-i Sabbah
A primeira das sociedades secretas analisada é também a mais antiga das tomadas em consideração.

Os Assassinos (حشّاشين em árabe, também Ḥashāshīn, Hashishin or Hashashiyyin) era uma seita islamita fundada no século XI pelo simpático Hasan-i Sabbah, pouco antes da Primeira Cruzada.

Hasan teve conhecimento do Ismaelismo (uma corrente do Islamismo) quando tinha 17 anos de idade, mas o missionário não conseguiu convence-lo.

Mais tarde, Hasan ficou gravemente doente e, perto da morte, mandou chamar o missionário para converter-se logo. Uma vez restabelecido, começou a própria actividade religiosa.

Figura austera, gostava de escrever e aplicar as leis sagradas, pelo que mandou executar um dos filhos culpado de ter bebido vinho. Hasan, de facto, não apreciava as bebidas alcoólicas.

Alamūt

Estabeleceu o próprio quartel geral na cidade de Alamūt, no Irão, entre Teheran e o Mar Cáspio.
Os primeiros relatos no Ocidente foram divulgados por Marco Polo: mas o explorador veneziano limitou-se a reportar anteriores testemunhos, pois na altura das suas viagens Alamūt já tinha sido destruída.

Marco Polo relata que a cidade era um verdadeiro paraíso: com um magnifico jardim, bonitas raparigas, fontes e, obviamente, Assassinos.

As ruínas de Alamūt
Estes eram recrutados de forma simples: rapazes comuns eram drogados, raptados e transportados para Alamūt; onde tinham a possibilidade de apreciar as maravilhas do paraíso; a seguir eram obrigados a regressar ao mundo deles.
E, claro, ofereciam-se voluntários para alistar-se entre os Assassinos e poder assim viver em Alamūt.

Os Assassinos serviam os interesses de Hasan e dos sucessores deste. O objectivo era aterrorizar os adversários políticos com um método outra vez simples mas eficaz: o assassinato.  

Os Assassinos eram classificados em diferentes graus, desde principiante até  Grão-Mestre, de acordo com o nível de confiança, instrução e coragem, na sequência de um nível intenso de doutrinação e treino físico.

Em caso de missão, eram enviados individualmente ou em pequenos grupos, com o objectivo de matar uma pessoa importante. As execuções, a fim de impressionar mais, eram realizadas em público, nas mesquitas, de preferência no dia de sexta-feira, dia sagrado no mundo islâmico.

Normalmente, os Assassinos eram mortos ao longo da acção e a serenidade com a qual se deixavam massacrar fazia pensar no influxo de haxixe, razão pela qual nasceu o termo de Hashashīn ou Hashīshiyyūn,  que irá produzir a palavra assassino.


O declínio

Hulagu Khan
A seita prosperou ao longo de dois séculos.

Embora atacados por parte das outras correntes islâmicas, Alamūt conseguiu resistir até a chegada dos Mongóis. Estes, conduzidos pelo neto de Gengis Khan, Hulagu Khan, bem pouco ficaram impressionados com os métodos dos Assassinos.

Muito pragmaticamente, destruíram Alamūt e trucidaram todos os ocupantes.

A seita não desapareceu por completo: alguns descendentes, conhecidos também como Nizarytos, mudaram os hábitos e conseguiram sobreviver.

Ainda nos século XIX, Ḥasan ʿAlī Shāh (legitimo herdeiro) recebeu o título de Aga Khan na Pérsia.

Obrigado a abandonar o País por razões políticas, fugiu para Índia, onde o grupo tomou o nome de Khoja e ainda hoje existem.

Mas, como já afirmado, hoje não matam ninguém.
Ah, os bons velhos tempos...


Ipse dixit

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