03 fevereiro 2011

Telemóveis, antenas e radiações prejudiciais



Levantem a mão os leitores que não possuem um telemóvel.

Levantaram? Pena, pois daqui não consegui ver. Mas acredito terem sido poucos, poucos mesmo.

De facto, o telemóvel (ou "telefone celular", ou simplesmente "celular") entrou de forma prepotente nas nossas vidas e hoje é difícil viver sem o pequeno aparelho: muitos até têm mais do que um.

O telemóvel é útil? Sem dúvida.
Mas isso não justifica as vendas, que continuam em alta mesmo nos Países onde boa parte da população já está dotada do aparelho.

Na verdade, o telemóvel tornou-se uma moda, cúmplices as campanhas de marketing dos produtores que enchem o aparelho com cada vez mais novas funcionalidades: o telefone portátil hoje tira fotografias, indica a direcção a tomar, desperta, converte, grava, toca e muito mais.

Até aqui nada de grave. Há males bem piores no mundo.
Mas se o telemóvel fosse prejudicial à saúde? E se existissem as provas disso?

Há alguns dias encontrei um artigo num diário on-line indiano, o DNA, com um titulo bem interessante:
Agora é oficial: as radiações do telemóvel podem matar.
Não é a primeira vez que alguém enfrenta o assunto: mas onde estão as provas? Dizer que as radiações do telemóvel podem comprometer a nossa saúde, até inclusive provocar a morte, é uma afirmação pesada que necessita de provas bem fundamentadas.

Por isso decidi contactar o autor da pesquisa, o Professor Girish Kumar.




O Professor e o Telemóvel

O Prof. Girish Kumar é engenheiro electrónico.

Em 1979 foi assistente de pesquisa no Departamento de Engenharia do Indian Institute of Technology Kanpur; para mais tarde tornar-se pesquisador-chefe na mesma instituição; trabalhou no Departamento de Engenharia da Universidade de Manitoba, no Canada, e da Universidade do North Dakota, Estados Unidos.

Actualmente é Professor catedrático no Indian Institute of Technology de Bombay, Índia, e Director da Wilcom Technologies Pvt. Ltd. em Navi Mumbai. 

No seu curriculum podemos encontrar diversas honorificências,  atribuídas por várias instituições internacionais.

Recentemente, o Prof. Kumar apresentou um extenso relatório, no qual afirma que uma utilização excessiva do telemóvel coloca os usuários numa situação de um risco aumentado, nomeadamente face a doenças quais o câncer, tumor no cérebro e muitas outras. Risco que é aumentado no caso das crianças e dos adolescentes. 


Eis os pontos-chave do relatório, realçando que os riscos devem ser relacionados com a utilização dos telemóveis, como afirmado, mas também com a exposição aos campos energéticos criados pelas assim chamadas "torres", antenas e repetidores das redes de comunicação.


Os efeitos
  • Aumento de 400% do risco de câncer do cérebro entre os adolescentes com o uso de telefones celulares, pois as crianças são mais vulneráveis à radiação do telefone celular. Quanto mais nova for a criança, tanto mais profunda será a penetração da radiação electromagnética, pois os ossos dos crânios das crianças são mais finos.

A penetração das ondas electromagneticas nas diversas idades.
  • Utilização excessiva dos telefones celulares podem causar câncer em qualquer pessoa. O uso do telemóvel por mais de 30 minutos por dia durante 10 anos aumenta o risco de câncer no cérebro e neuroma acústico.
  • As radiações do telefone portátil provocam danos irreversíveis na capacidade reprodutora dos homens. Estudos constataram um total de espermatozóides 30% menor nos utilizadores intensivos de telemóveis.
  • As frequências utilizadas pelos telemóveis podem causar danos ao DNA das células do corpo. As radiações causam a formação de radicais livres, e estes são conhecidos por serem agentes cancerígenos.

Esquerda: imagem termográfica duma pessoa em condição de repouso.
Direita: imagem termográfica após 15 minutos de utilização dum telemóvel.

  • As frequências dos telemóveis interferem com o funcionamento de outros aparelhos salva-vidas, incluindo pace-makers, e pode, portanto, causar a morte súbita.
  • A exposição aos telefones celulares pode provocar o stress das células de origem humana e animal, o que causa a produção das "proteínas de stress". Isto é prova suficiente de que o corpo reconhece as radiações dos telefones celulares como potencialmente nocivas.
  • Os campos electromagnéticos gerados pelos telemóveis e as relativas infra-estruturas (repetidores, antenas) degradam o sistema imunológico e estimula reacções alérgicas e/ou inflamatórias, incluindo erupções cutâneas, feridas, lesões.
  • As pessoas que utilizam os telefones celulares por mais de 30 minutos por dia para mais de quatro anos estão sob um maior risco de perda auditiva. As radiações dos aparelhos portáteis podem causar zumbido e danificar as células ciliadas auditivas na orelha interna. Uma vez danificadas, essas células não podem ser regeneradas.
  • Uma utilização frequente do telemóvel também pode causar danos ao sistema da visão e de várias maneiras. As frequências típicas dos aparelhos celulares (900, 1800 MHz e 2450 MHz) danificam as células epiteliais e aumentam a temperatura no interior do olho.
  • As emissões dos telemóveis enfraquecem os ossos e podem causar redução dos níveis de melatonina, um tipo de antioxidante que é potenciador do sistema imunitário.
  • O aumento do risco de cancro das glândulas salivares está associado também ao uso dos telefones celulares.
  • Os campos eletromagnéticos podem causar distúrbios do sono e doenças neuro-degenerativas, como as Doenças de Alzheimer e de Parkinson.
  • Devido ao consistente "ruído de fundo" eletromagnético, abelhas e pássaros ficam desorientados e não conseguem voltar para as suas colmeias ou ninhos. Isso tem efeitos negativos nos animais, nas plantas e no meio ambiente.


A seguir...

Esta é apenas a primeira parte dum artigo bem maior, que tem como base as pesquisas do Prof. Girish Kumar e a actividade da filha, Neha Kumar.

Esta última é também editora dum blog dedicado ao assunto, blog que podem encontrar neste link (o blog é em língua inglesa).

É evidente que ninguém quer convencer a humanidade a deixar de utilizar o telemóvel; o qual, é bom lembrar, tem uma utilidade que não pode ser posta em causa.

O fim desta pesquisa é outro: alertar as pessoas para uma correcta utilização e isso para evitar consequências bem desagradáveis.

Na prática, o trabalho que deveria ser feito pelos construtores de telemóveis, gestores de redes telefónicas, serviços sanitários nacionais. E que, pelo contrário, ninguém faz. Não é difícil imaginar as razões.

Informação Incorrecta continuará a seguir o "caso dos telemóveis" com próximas publicações, utilizando os documentos citados neste primeiro artigo, nomeadamente as publicações do Prof. Kumar e o trabalho da filha Neha.

Teremos assim a possibilidade de perceber o "como" e o "porquê".


Por isso, já sabem: stay tuned!


Agradecimentos

Desejo agradecer a disponibilidade, a cortesia e a colaboração do Professor Kumar e da filha dele, Neha.


Ipse dixit.


Fontes: DNA, Neha Kumar

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