23 fevereiro 2011

A tempestade antes da tempestade

Há um problema acerca do qual pouco se fala. O problema tem um nome: guerra.
Não a guerra civil da Líbia, entendo uma guerra bem maior.

Iminente? Não. Mas também não tão longínqua.
"Coitado do Max, se calhar não digeriu o pequeno almoço".
Não, não é isso. É que temos de olhar o que temos. E não é muito.

Por enquanto existe apenas uma potência mundial: os Estados Unidos. A China cresce e de forma rápida também, mas ainda tem muita estrada para fazer. Idem Rússia ou Índia. Por isso a leadership de Washington não está em discussão nesta altura.

Mas os Estados Unidos têm outros problemas, internos e externos.


Cofres? Vazios.

Cedo ou tarde um Presidente terá que aparecer nos ecrãs das famílias americanas e dizer: "Meus caros compatriotas, foi bom, foi divertido, mas agora a festa acabou: os cofres estão vazios".

Os cofres já agora estão vazios. Há falências ao nível da administração local, Washington não consegue fazer frentes aso empenhos com os seus cidadãos.
Por enquanto isso passa ainda em segundo plano: a ideia vendida é que a retoma já começou e entretanto a Bolsa drogada apresenta resultados dignos dum filme de ficção científica.

Mas quanto pode durar?
Este é o mapa dos Estados que já viram ou estão a ver manifestações de protestos organizadas pelos cidadãos americanos. Falta a Florida, recém chegada.


Inútil esperar uma revolta ao estilo da África do Norte, esta é América. Mas mesmo por isso não podemos não perceber os sinais.

Os Americanos terão de baixar o nível de vida: é a única maneira para poder começar a baixar a enorme dívida pública. Em breve será preciso criar neologismos para poder quantificar a dívida dos Estados Unidos, é uma situação não sustentável. E o mesmo pode ser afirmado ao falar da Grã Bretanha.

Única maneira...bom, se calhar não é mesmo a única maneira, pois haveria outra: que tal uma guerra que eliminasse todos os triliões de Dólares falsos mas legais que circulam no Globo?


 China? Cresce.

O Irão acabou de obter a autorização para transitar no Canal de Suez. Por enquanto estamos perante dois navios construídos pelos Ingleses e adquiridos nos tempos do Xá. Ou seja, navios que não afundam graças a doses maciças de fita-cola: não constituem uma ameaça.

Representam todavia um sinal: o facto da questão iraniana estar longe de ser resolvida.

E Israel não esquece. Israel nunca esquece.
Mas nem a China, que nos últimos tempos aproximou-se aos ayatolás de Teheran.

Os Estados Unidos ainda não atacaram o Irão por várias razões: pouco dinheiro, acção militar extremamente complicada, resultados incertos. E também para não enervar Pequim.

Mas cedo ou tarde haverá uma confronto entre os Estados Unidos e a China. Por enquanto é um choque comercial e de moedas, no futuro poderá tornar-se algo mais. Com a presente taxa de crescimento, nos próximos 8 anos o Pil da China será o dobro do actual.
1.200 milhões de Chineses cada vez mais ricos num planeta com recursos cada vez mais limitados.
 
Detonadores não faltam: não apenas o Irão, mas também a Coreia do Norte.
E caso estes não fossem suficientes, uma Pearl Harbor não se nega a ninguém.


Dólar? Mah...

A economia dos Estados Unidos pode melhorar, todos esquecem dos triliões de Dólares falsos mas legais, o Irão torna-se democrático, a Coreia do Norte abre McDonald´s. Mesmo assim os Estados Unidos representam uma ameaça.

Na última reunião do Grupo Bilderberg na Grécia, em Maio de 2009 foi discutida a destruição do Dólar. É claro que destruindo o Dólar significaria destruir a economia mundial.

Por exemplo: os créditos da China são em Dólares, sem Dólares a China perderia boa parte do próprio poder. Agora. Mas no futuro?

A China, por exemplo, está diversificar as próprias reservas: menos Títulos de Estados americanos, mais dívida em Euro, mais ouro.

Alguns Países (o Irão, por exemplo) tratam o petróleo em Euro, já não em Dólares.
Mas uns Estados Unidos com um Dólar não predominante são uns Estados Unidos acabados. A enorme dívida, a balança comercial deficitária e a dependência energética do exterior seriam os ingredientes perfeitos para uma implosão.

Eu não acho que os Estados Unidos chegarão ao estado final sem antes ter jogado todas as cartas. E sabemos que a opção "guerra" não ocupa sempre o último lugar da lista.


Então?

Então, um futuro já escrito? Não, para boa sorte não é.
Os Estados Unidos já no passado mostraram de ter uma capacidade de recuperação invulgar: não é por acaso se ainda hoje são a primeira potência no planeta. Por isso não é preciso acumular comida na despensa.

Mas não deixa de ser um cenário com probabilidades de tornar-se realidade.
Quando? Isso é fácil: o mais tarde possível.

Uma última nota.
Que fique claro: este não é um artigo anti-americano ou anti-Dólar. Sim, pode ser chic uma atitude assim e está na onda. Mas não podemos esquecer, por exemplo, que a Europa (e não só) está ligada de forma sólida ao destino dos Estados Unidos.

O sistema americano entra em queda? E acham que a Europa, sozinha, teria a força para inverte o próprio rumo?

A desintegração do modelo americano ou até ocidental não é um opção atractiva.
E um discurso "Quanto pior, tanto melhor" é um sem sentido.
Não sei o leitor, mas eu não quero ficar pior.
Nunca.


Ipse dixit.

Nota: Kafe Kultura contém mais informações acerca das jangadas, desculpem, dos navios iranianos.

2 comentários:

  1. foi muito bacana encontrar seu blog, seus textos são imprecionantes, parab3ens.

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  2. Obrigado Maxwell e bem vindo!

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