29 março 2011

Algo está a acontecer

Algo está a acontecer.
O difícil é perceber o que.

Vamos ver os sintomas.

1. A Federal Reserve pensa acabar mais cedo com o Quantitative Easing 2.

Excelente. A economia dos Estados Unidos melhor das expectativas? Basta de QE 2 e nada de QE 3?
Talvez, mas ainda não é certo.
A economia melhora unicamente porque ajudada. E é bom não confundir a economia "real" com a finança "virtual" de Wall Street: são duas coisas bem diferentes.

Então? Terá a operação Quantitative Easing atingido o limite?



O que está acontecendo com o Dólar nos dias de hoje é uma anomalia histórica, nem guerra nem cataclismos trouxeram novos fluxos de capitais nos Estados Unidos, a política de flexibilização quantitativa pode ter atingido o limite além do qual há apenas uma crise monetária profunda com no o próprio Dólar. O controle dos metais preciosos é totalmente "saltado" e o perigo mortal de um efeito de substituição entre o Dólar e o ouro / prata tornou-se actualidade.

2. O FMI e o fundo de resgate. Nos Estados Unidos.

Com inesperada rapidez, o Fundo Monetário Internacional cria uma "reserva" de 580 mil milhões de Dólares para enfrentar um possível efeito contagio após os problemas de Portugal.
Um novo fundo? Tão depressa? Criado nos Estados Unidos' E porque não foi coordenado com o Banco Central Europeu?

3. O BCE limita a massa monetária

Há pouco dinheiro que circula. Aliás, há uma crise de liquidez da qual ninguém fala.

"Mas como", pode observar o leitor, "com todos os resgates, os milhares de milhões de Euros distribuídos..."
Justa observação. Mas eis um gráfico:


M1: moeda em circulação + verificados depósitos (verificação depósitos, oficialmente chamado depósitos à ordem, depósitos e outros que funcionam como verificar depósitos) + cheques de viagem. M1 representa os activos que rigorosamente conformes com a definição de dinheiro: activos que podem ser usados para pagar por um bem ou serviço ou o reembolso da dívida.

M3: M2 + grandes depósitos a prazo, institucional dinheiro do mercado de fundos de curto prazo, acordos de recompra, juntamente com outros grandes activos líquidos. M3 já não é publicado ou revelados ao público dos E.U.A. pelo banco central americano. (Wikipedia)

Não há dúvida, M1 está em descida. E acentuada. Mas porquê?
Uma coisa é limitar a massa de dinheiro em circulação para controlar a inflação: outra coisa é limitar esta massa até criar uma crise de liquidez.

Por enquanto não há respostas. Só cenários apocalípticos que não interessam.
Ficamos com as antenas ligadas.


Ipse dixit.


Fontes: Intermarket&More, Rischio Calcolato, The New York Times

6 comentários:

  1. Xenofonte29.3.11

    Para alem desses problemas os estados unidos enfrentam nova crise imobiliaria. A descida do preco das casas e' evidente e isso contribuira para nova paralizacao economica. A oferta e' demasiado grande para a actual procura. O facto de os bancos estarem menos afoitos a emprestimos desta natureza faz com que o potencial consumidor(aqueles que ainda tem algum dinheiro) tenha receio em fazer esse investimento.

    E claramente ainda nao se atingiu o fundo do poco.Estaremos perto de assistir a um double dip?

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  2. @Xenofonte

    Eu quero assistir é à revolta das foices e das enchadas. Vamos todos voltar à agricultura, que é onde deveria estar baseada a nossa economia.

    Não haveriam guerras, nem fome, nem dívidas com juros, nem lucro e consequentemente não haveriam concorrência e o perigo de alguém falir.

    Possivelmente só haveria gente perversa que tentaria manipular a tua opinião provocando-te o medo e vendendo-te os produtos deles dizendo:
    - Amigo, a nossa comida é melhor, pois é cultivada em ambiente controlado (ISO-123456789) e não há o perigos das ténias da fruta e as lombrigas da couve. Existem graves riscos na cultivação em terras sem ambiente controlado e todas as doenças, e bichos, e epidemias, e etc. Resumidamente: você está prestes a morrer se continuar a comer aquilo que semeia.

    Mas a humanidade é muito inteligente e não cairia nessa conversa, excepto se andasse completamente adormecida, a ver novelas, futebóis, Reality-Shows, Talk-Shows e Shit-Shows...

    ...

    Pensando bem...

    Isso é o que muitos fazem...
    Pobres cérebros adormecidos.

    Assim, a humanidade (quase que) fica condenada.

    Cumprimentos,
    -- --
    R. Saraiva

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  3. Ao que parece a Austrália e o Canada estão prestes a estoirar a bolha imobiliária.
    Se a crise no Japão não chegar para desencadear o colapso do sistema financeiro, candidatos não faltam hoje em dia....

    Eu pergunto-me qual será o primeiro a cair os E.U.A ou a U.E.....

    Saudações

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  4. Olá Xenofonte!
    Pois. E podemos acrescentar o Quantitative Sushi, uma operação cujo realizador com certeza não está em Tokio.
    Mau sinal: os mercados precisam de liquidez, desvalorizar o Dólar já não é suficiente.

    Eu pensava que o fundo do poço já tivesse sido atingido: o problema é que o que sobrou não parecem simples arestas.

    A economia real não parte. E "dopar" o mundo da finança não adianta, como vimos

    Double Dip?
    Se fosse útil para individuar as causas e para pôr remédio, até poderia dar jeito. Claro, teria custos enormes: mas ficar com o paciente neste estado vegetativo não faz sentido.

    Abraço!

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  5. Olá Saraiva!

    Sim, a humanidade anda adormecida, concordo. Mas existe um ponto que obrigará a acordar e este ponto tem um nome: fome.

    E não deve ser obrigatoriamente fome de alimentos.

    Por enquanto a situação está sob controle. Mas quando o preço do petróleo (que agora é forçosamente limitado) disparar e atingir os valores reais?
    Quando um País, como Portugal por exemplo, não conseguirá produzir energia suficiente para satisfazer os nossos "vícios inocentes"?

    Imaginem um País, ou grande parte dele, sem electricidade. Ou sem gasolina. Sem televisão.

    As revoltas da África do Norte, instigadas ou não, tiveram o mérito de mostrar o que pode acontecer. E hoje o Mundo é fortemente interligado: o efeito domino é o maior perigo.

    Abraço!

    Ainda estamos longes duma situação como esta. Mas menos longe de quanto seria possível pensar.

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  6. Olá Carlos!

    "Se a crise do Japão..."
    Ora bem, à sombra da crise japonesa foi colocada a fundação duma vaga de inflação ou até de hiperinflação.

    Agora é só esperar: como reagirá o mercado mundial?
    Se a inflação chegar nos Estados Unidos ou na Europa, quais as consequências?

    É muito difícil responder. Mas esta parece mais uma operação fruto do desespero, do género "tá bom, e experimentamos esta agora, pior não pode é difícil".
    De facto é difícil, mas não impossível.

    Todas estas "bolhas" indicam que algo está mal. A crise de 2008 começou com uma bolha e após três anos, com a crise não resolvida, ainda estamos aqui a falar de bolhas.
    Esta é loucura.

    Abraço!

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