28 março 2011

Emergências

A palavra de ordem é "emergência".
Vale a pena começar esta semana com um breve resumo, tanto para não perder de vista a situação.

Japão? Fukushima? Um mar de mentiras. África do Norte, Médio Oriente, Líbia? Mesma coisa. União Europeia? Nem falar. E os Estados Unidos, o Dólar? A confiança dos consumidores americanos?

Ordem, ordem. Boa ideia.
Emergência Fukushima

Difícil encontrar palavras para descrever o que se passa no Japão.

Não falo do terramoto, do tsunami ou do incidente nuclear, mas de como está a ser gerida esta situação.

A empresa gestora da central de Fukushima mentiu. Antes do incidente (o que é muito grave), depois do incidente (o que é gravíssimo). Com o resultado de expor dezenas de milhares de pessoas aos efeitos das radiações.

Mas o pior é que o corrupto governo japonês também mentiu. E que um governo submeta os cidadãos aos perigos letais duma emergência nuclear apenas para salvaguardar os interesses duma companhia privada (além da própria imagem), não encontra justificação nem um adequado adjectivo.
Aabemos agora que os valores de radioactividade medidos eram, na verdade, alguns milhões de vezes superiores aos declarados. Valores escondidos para evitar o pânico.
O teu corpo está a ser alvo de um ataque que em breve terá come consequências alterações celulares, com provável efeitos quais leucemias, tumores e até alterações genéticas que irás transmitir aos teus filhos.

Mas eu, Estado, não digo nada, assim não ficas preocupados. E sem preocupação não há pânico.
Com certeza.

Quais os limites que um governo, um Estado, não pode ultrapassar?
Não sabemos. Mas no Japão estes limites parecem não existir.

Emergência África e Médio Oriente

Aqui é preciso distinguir entre:
  • Países que produzem petróleo, que compraram os nossos políticos e ameaçam apresentar as provas;
  • Países que produzem petróleo, que compraram os nossos políticos e não ameaçam apresentar as provas;
  • Países que não produzem petróleo.
No primeiro caso, estamos perante Países que, por decisão unânime, não precisam de democracia: pelo que as revoltas dos cidadãos devem ser suprimidas e as notícias das mortes abafadas.

No segundo caso, a falta de democracia é intolerável, pelo que é necessária uma intervenção externa, como o caos da Líbia.

O terceiro grupo, os que não produzem petróleo, são os mais azarados. Simplesmente a coisa não interessa. Na Síria há motins, manifestações, repressão, mortos? Paciência, são coisas que acontecem.

Toda a nossa atenção é concentrada na Cruzada Democrática: quanto resistirá Khadafi? Como é que as dezenas, talvez centenas de milhões de revoltosos ainda não conquistaram Tripoli?
É questão de tempo, pois o destino do Senhor do Mau está escrito nas estrelas da bandeira da Nato. O Bem triunfa, sempre. Sobretudo quando o Bem trabalha com caças e o Mal é impedido de faze-lo.

"Sim, mas a Síria?"
Ainda? E basta com esta raio de Síria...

Emergência União Europeia

Este psico-drama continental continua, enriquecendo-se com cada vez mais episódios.

Após ter brilhantemente resolvido a crise da Grécia (substituída com uma crise bem pior), após ter vendido a Irlanda. agora a situação é bem clara.
Portugal irá receber a ajuda internacional, mas por enquanto o governo recusa admitir esta possibilidade.

Entretanto há problemas acerca do fundo de resgate: tem que ser aumentado? A Finlândia diz "nem pensar, agora temos as eleições", França e Alemanha continuam com as próprias seculares divergências, os mercados já espreitam o próximo alvo, Espanha.

Assim voltam as vozes acerca duma possível Europa divididas: País ricos dum lado (e com uma moeda), País pobres do outro (e com outra moeda), e há já quem consiga prever o fim do Euro.

O sonho dos Padres Fundadores nos anos '50, sem dúvida.

Emergência Dólar

Emergência Dólar? O que é isso?

Pois, a notícia está a passar despercebida. Mas a confiança dos consumidores americanos atingiu os níveis mínimos. E isso enquanto Wall Street voa.

E há mais: o FBI fala duma..."conspiração"! Mesmo isso, pois alguém quer destruir o Dólar.
E o FBI já encontrou o culpado: um fulano, Bernard von NotHaus, presidente dum associação extremista, que imprimia Dólares de prata. Mas de prata mesmo!

Reporto algumas frases da sentença: 
As tentativas de minar a legitimidade da moeda desse país são apenas uma forma de terrorismo doméstico.[...]
Embora essas formas de actividades anti-governamentais não envolvam violência, no entanto, são igualmente insidiosa e representam uma clara ameaça para a estabilidade nesta economia deste país.[...]
Estamos determinados a interceptar essas ameaças, infiltrar, destruir e desmantelar as organizações que contestam a legitimidade da nossa forma de governo democrática.
Mas conseguimos entender o lado paradoxal desta história? 
Uma vez os falsários eram perseguidos por tentar vender dinheiro falso, sem cobertura. 
Agora os falsários são aqueles que vendem dinheiro real, o único que tenha um valor! E agora logo parte a acusação: conspiração.

E é o mesmo FBI que conclui com esta pérola: 
O artigo 1, Secção 8, n º 5 da Constituição delega ao Congresso dos Estados Unidos o poder de cunhar moeda e regular o seu valor. Esse poder é delegado ao Congresso, a fim de estabelecer e manter um padrão uniforme de valor e assegurar um sistema monetário único para o comércio e a dívida nos Estados Unidos, públicos e privados.
Mas nos Estados Unidos quem trata da moeda é exclusivamente a Federal Reserve, uma entidade privada: o Congresso nem sabe quanto dinheiro existe nos cofres (privados), e para obter algumas informações é até obrigado a promulgar leis específicas.

Bom, querido leitor, seria possível continuar (emergência climática, por exemplo), mas por enquanto chega.

A verdade é que nem conseguimos interpretar estes factos que, em qualquer período histórico normal, seriam considerados dramáticos e seriam fontes de instabilidade ao longo de décadas.
Nesta altura é a emergência a ser considerada normal.

Sintoma ou causa?
Difícil responder. O acaso existe. Mas quando os acasos começarem a acumular-se, talvez seja boa altura para parar e reflectir.
E perguntar: porquê tudo isso acontece? Como acabará?


Ipse dixit.

Fontes: FBI, Bloomberg, Intermarket&More

2 comentários:

  1. Anónimo29.3.11

    como acabara ? ...

    bem segundo gerald celente esses emergencias irão convergir numa grande guerra ,a primeira grande guerra do seculo XXI...

    bem so resta esperar,

    e bom artigo max ;) , e te recomendo dar uma olhada no blog do gerald , e bem interessante. tirando os videos de conspiracionistas... ,

    http://geraldcelentechannel.blogspot.com/

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  2. Geral Celente conseguiu recortar o seu espaço, e acho bem: as suas analises muitas vezes acertaram.

    Sinceramente, espero que não acerte ao falar da próxima grande guerra. Mas os ingredientes estão ai, todos...

    Abraço e obrigado!

    ResponderEliminar

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