22 março 2011

Os medíocres e a normalização

Alt, pára tudo.

As revoltas na Africa do Norte, o terramoto do Japão, o pesadelo nuclear, a guerra na Líbia. A Esquerda que vota a favor da intervenção. E Israel que bombardeia a Palestina. E a intelligence dos Estados Unidos que admite que o nuclear iraniano tem finalidades pacificas (notícia que ninguém divulga). E o Bahrein. E a Síria. A explosão de H1N1 na Venezuela. E Dilma com amuletos maçónicos.


Bla-bla-bla

Um constante bla-bla-bla televisivo onde todos choram, mas nada tem um impacto na realidade.
Porque a opinião pública já não existe.

Não sabemos se uma coisa for verdadeira ou não, hoje são os media que dizem quais os factos e quais as alucinações.

O mundo árabe está em chamas: Iemen, Bahrein, Oman, Síria, Emirados Árabes. Já não é África, mas nesta aparente democracia as notícias não chegam, ou chegam em "pedaços", oportunamente tratadas.

Israel bombardeia Gaza. No Fly Zone? Não.
No Barhein as forças de segurança atacam os rebeldes. No Fly Zone? Não.
No Iemen está em curso uma guerra civil. No Fly Zone? Não.

Na África os "rebeldes" têm que ser protegidos e ajudados. No Médio Oriente não.

Khadafi mata? Com certeza, e não desde hoje. Mas há outros lugares onde as pessoas são presas, torturadas ou mortas. Então porque não uma série de intervenções em nos Países em sofrimento?




 O helicóptero da Merkel

Porque as democracias ocidentais intervêm de acordo com a oportunidade. Antes era a exportação da democracia no"mau" Iraque. Agora a causa é humanitária. E não é uma guerra.

O Presidente da República italiana recusa o termo "guerra". "Não estamos em guerra", afirma. Enviar aviões que descarregam bombas não é guerra. É uma acção humanitária.

O Presidente da Republica portuguesa nem fala. E tem razão, afinal o País não está em guerra: limitou-se a aprovar a intervenção, mas é de tipo humanitária, não bélica. Usam-se armas? Não importa, é humanitária. Bombas contra Tripoli? Sim, mas bombas humanitárias. Bombas "boas", não "más". A diferença é abismal.

Autodeterminação dos povos? O que é isso? E serve para quê? A ONU desconhece o termo. A ONU conhece um adjectivo: humanitário. Por isso a maioria dos Países votam em favor da intervenção.
E quem não votar em favor, arrisca perder a vida num curioso acidente, no qual não um mas os dois rotores do helicóptero param de funcionar ao mesmo tempo. Como no caso e Angela Merkel.

Quem sabe o que passou pela cabeça da Chanceler alemã enquanto o helicóptero precipitava. O seu não voto na Assembleia das Nações Unidas? O acidente do Presidente polaco? O facto de ter logo desligado as centrais nucleares do seu País? Terá entendido a mensagem? Acredito que sim.


O petróleo, o gás e os medíocres

Petróleo e gás. Prato rico, sem dúvida.
Em verdade não há muito para dizer, a história já é conhecida. São os recursos.

Vale a pena atropelar o direito internacional?
Vale a pena enterrar os relacionamentos de amizade cultivados ao longo das décadas com o equivoco Coronel líbio?

A resposta deve ter sido um "sim". O petróleo serve agora, o gás no futuro.

A Europa não teve a coragem de atacar sozinha. Nem nas acções mais covardes estes políticos medíocres sabem ir em frente sem as ordens do chefe.

E o chefe teve os seus problemas.
O Pentágono não queria uma nova acção no estrangeiro. Já há as operações sem fim no Afeganistão. Há as rápidas intervenções no Paquistão. Há um exército privado no Iraque. Falta dinheiro.
Os Democratas também não queriam uma guerra.

Mas o bom Obama é o chefe das Forças Armadas. E se não houver o apoio do próprio partido, há sempre a ajuda dos Republicanos. Mesmo sem a aprovação do Congresso. E assim foi.
O truque? Simples: vender esta não como uma guerra mas como uma intervenção. Humanitária, óbvio.


Normalização

Poucos dias antes dos acidentes em Bengasi, em Fevereiro, o Fundo Monetário Internacional publicava uma avaliação quase entusiástica da Líbia:
Um ambicioso programa de privatização dos bancos e o desenvolvimento do sector financeiro. Os bancos foram parcialmente privatizados, as taxas de juros agora estão livres e a concorrência é encorajada

Então, qual o problema? A crise, ainda ela. O ponto de ruptura foi este: a crise financeira começada em 2008, reduziu em 40% as receitas dos poços de petróleo, afectando os relacionamentos entre o chefe e as tribos, que com as rebeliões estão a quebrar o pacto económico.

E há o racismo também. Khadafi abriu as fronteiras, favorecendo a imigração de Africanos dos Países meridionais, como Mali, Níger, Nigéria, Sudão. Quantos? Muitos, um milhão e meio, talvez dois. Consequência: tensão social muito elevado entre os Líbios e os "novos".

Já aturar um chefe paranoico era difícil: mas se o chefe perder os poços de petróleo e cria situações de tensão num País tão rico de ouro negro, aturar para quê?

Uma vez acabada a guerra, a Líbia será como nós, um País normalizado: democrático, com livres eleições, governado por medíocres à espera de ordens.

É possível desejar algo melhor?


Ipse dixit.

4 comentários:

  1. Vitor22.3.11

    Excelente Max!
    Sabe o que tudo isto lembra? O famoso Duplipensar, de '1984' G. Orwell.

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  2. Xenofonte23.3.11

    Muito bom! Tou cada vez mais farto das mentiras dos media e o que me chateia e' que e' uma receita que funciona na perfeicao pois a maioria das pessoas nem investiga minimamente. Aceitam imediatamente o que os "mainstream media" lhes mostra.

    So te esqueceste de uma coisa. Referiste o petroleo e o gas, mas nao referiste a AGUA. Deixo-te este projecto como um "teaser" e veras a importancia da Libia no que toca a este recurso fundamental em todo o norte de Africa.

    Link:
    http://www.galenfrysinger.com/man_made_river_libya.htm

    Cumprimentos

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  3. Obrigado Vitor!

    Eheheh, o mítico 1984...

    Abraço!

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  4. Água.
    Pois é, Xenofonte: falei há muito da água, mas depois abandonei o discurso. E foi mal, porque a água é vida e, ao mesmo tempo, fonte de problemas. Não agora, mas provavelmente no futuro.

    Uma nota acerca do link.
    Quando abri a página, fiquei surpreendido: a ideia de construir um canal para que as águas do Mediterrâneo possam ser desfrutadas no interior da Líbia, é uma minha velha fixação.

    Qual o impedimento? Os custos? Sim, verdade, os custos seriam elevados pois haveria as obras (abrir um canal no meio de areia e rochas), as infraestruturas (as estações de dessalinização, por exemplo) e uma rede de irrigação.
    Mas acho que as vantagens seriam imensas.

    E agora descubro que os Líbios já estão a trabalhar nisso. O que faz sentido.

    Bom, eu nos meus sonhos sem custos ia até o lago Chad, o que se calhar é demais. Mas já um começo é uma optima coisa...

    Obrigado!

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