10 março 2011

Portugal, Grécia, Europa, América...uuuuhhhh...

Portugal está a pagar juros cada vez mais elevados, perto do 8%. Encontrar dinheiro fica cada vez mais caro, por isso fala-se novamente da "ajuda" do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.

Nestas condições, seria lógico observar o que aconteceu no primeiro dos Países que foi "ajudado", a Grécia.
Mas esta comparação não é feita.
Pelo contrário, ignora-se totalmente o que se passa, como se os problemas de Atenas não fossem os próximos problemas de Lisboa.

Fala-se em "ajuda" como se esta fosse uma medida dolorosa mas resolutiva: sim, verdade, custa, mas depois, uuuhhh!!!...


A Grécia: como antes, pior do que antes

Há cerca de um ano, a Grécia enfrentava uma situação extremamente delicada: parecia destinada ao colapso, ao ponto de ser necessária uma intervenção do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu para "salva-la".

Na altura, a recém-nascida Informação Incorrecta avisava: vender a Grécia não teria ajudado sem uma resolução do problema de fundo.

Após quase 12 meses, a situação é a mesma. Aliás, um pouco pior.

De facto, o resgate da Grécia faliu e os mercados vêem uma reestruturação da dívida grega como cada vez mais provável nos próximos 5 anos.

Reacções na Europa? Nenhuma, a não ser uma nova discussão acerca dum mecanismo de resgate com um valor de 500 mil milhões de Euros.

Isso, claro, além duma serie de medidas para "apertar o cinto" dos cidadão, como aumentar a idade da reforma, abandono dos automatismos para a adequação dos salários ao custo da vida, menos serviços.

Mais: a proibição inserida nas Constituições de criar deficit públicos e um mecanismo automático de sanções para quem não normaliza a própria situação em matéria de dívida pública excessivas.


O tabu da reestruturação


Tudo para evitar a reestruturação.

Porque isso afectaria os bancos em primeiro lugar, a seguir as multinacionais. Isso é, os que mais ganharam com as "vacas gordas" e que não tencionam perder um cêntimo, mesmo em tempos difíceis.

Ainda mais importante: porque reestruturar constituiria um perigoso precedente, significaria que a dívida não é um valor absoluto, pode ser negociada, pode ser reduzida, pode ser abatida.

Neste sentido não são admitidas dúvidas: o sistema funciona lindamente assim como está, o que aconteceu foi só um acidente de percurso.

Uma analise séria deveria sublinhar como os PIGS, mas também a maioria dos outros Países da União, tem algumas características negativas que não podem ser tratada com uma lei constitucional: poucas indústrias, a maioria das quais inúteis para exportar produtos, tal como a construção, a venda ao retalho ou varejo, os transportes, os serviços.

Esta situação não é o fruto do acaso, mas a lógica consequência das políticas da União ao longo das últimas décadas.
Quem conseguiu destruir a agricultura de inteiros Países?
Quem facilitou a Diáspora das empresas produtoras?

Os Países gastam mais do que a riqueza que conseguem produzir, simplesmente porque deixaram de produzir; a única forma de sobreviver é a dívida. E sem a possibilidade de reestruturar, o destino é a sobrevivência até o inevitável default.


O plano de Bruxelas: ???

A Europa parece não ter um plano de longo prazo: porque não pode haver.

Um plano construído com base em quê? Na construção civil? Nos transportes públicos?

A palavra de ordem das Mentes Pensantes de Bruxelas parece ser "aguentar" esta altura complicada, esperando que o vento mude.

A expectativa, nem muito escondida, é que o gigante americano possa despertar, de forma que o Velho Continente possa desfrutar do brilho reflectido.


Problemas da América

Como possa despertar o gigante americano fica bem demonstrado pelas últimas notícias.

Como alguns leitores podem lembrar, o governo dos Winsconsis estava com alguns problemas relativos aos cortes pesados em matéria de função pública.

Ontem a mudança: o governo local alterou a lei que previa o número mínimo de representantes necessários para aprovar as leis.
Os Democratas desapareceram (literalmente) e o governo, livre da questão do quórum, aprovou os cortes.

Um golpe de Estado. E o cidadãos não parecem ter apreciado, pelo que voltaram a ocupar o Senado.

Ohio, Indiana, Florida, Illinois e Texas têm situações de tensão também.

E o Utah, o Estado dos Mormons, acabou de aprovar uma lei para tornar legal a criação duma própria moeda.
Dólar, adeus.

Esta é a situação do gigante americano...

Ipse dixit.


7 comentários:

  1. GilsonSampaio10.3.11

    Um quadro tenebroso pintado com tintas tenebrosamente reais sobre a crise da UE e dos EUA. É a verdade nua, crua, dura e cruel sobre como a elite mundial, alguns chamam de Ordem Mundial e outras nominações, exploram e escravizam os povos. Exagero? Pois. A canalha bancária produziu a crise, foi socorrida pelos Estados com trilhões de dólares e querem que os trabalhadores paguem a conta com os direitos sociais duramente conquistados, até mesmo com sangue. Sob a ótica da canalha bancária, aposentadoria, salários, saúde pública, distribuição de renda, educação etc são luxos que devem ser reduzidos ao patamar da sobrevivência, o mínimo que garanta que a produção de bens materiais não tenha problemas de continuidade.

    Sem susto de errar, pode-se prever que as motivações das rebeliões árabes serão as mesmas que provocarão mobilizações populares ocidente a fora, com já estão ocorrendo no império.

    Pode o capitalismo se reciclar para garantir os anéis, mas a sensação de servidão ao que os povos são submetidos pode exigir mais do que será oferecido.

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  2. Vem ai o caos absoluto...

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  3. Eu acho que eles sabem que é impossível pagar divida no futuro.....

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  4. Olá Gilson!

    Nada a dizer, o que escreveu é uma óptima fotografia da situação actual.

    Eu continuo a pensar que as revoltas da África do Norte foram "ajudadas" (e não poucos) por outros, mas também há sinais de que esta coisa possa ter ido além do planeado. É só ver o que se passa na Arábia e nos mesmos Estados Unidos.

    Jogar com as revoluções foi sempre arriscado...

    Quanto ao capitalismo. Este é um discurso muito complicado. Acho que estamos a viver uma altura de novo capitalismo, o que já chamei de "capitalismo parasitário", baseado já não na produção mas na exploração dos recursos financeiros.

    É um capitalismo extremamente perigoso porque precisa duma forte autoridade para pode existir. Mas onde houver forte autoridade há também forte resistência. Por isso acho que a estrada seja bem perigosa...

    Grande abraço!

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  5. Olá Mário!

    Caos? É uma hipótese. Eu acho que temos de observar os desenvolvimentos da Arábia.

    Se a revolta triunfar, então os problemas não faltarão: com o preço do petróleo em continua subida, a tão desejada "retoma" ficará ainda mais afastada. Há já quem esteja a prever uma grave recaída.

    Espero que caos não seja, pois no meio da confusão há sempre quem pense em medidas radicais, que acabam sempre com o aleijar alguém...

    Grande abraço!

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  6. Olá Carlos!

    Concordo ao 100%. É por isso que existem as guerras (!!!)

    Grande abraço!

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  7. Max,
    "Eu continuo a pensar que as revoltas da África do Norte foram "ajudadas" (e não poucos) por outros."
    Obama chega ao Brasil, já temo pelo pre-sal. Nosso futuro com alguma glória corre sérios riscos. E a IV Frota banhando-se nas águas do Caribe ...

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