26 abril 2011

A lista da comida


Muito gostam os Americanos de listas.
Que, de facto, ajudam em perceber melhor alguns aspectos.

A crise alimentar, por exemplo.
Entramos em qualquer super ou hiper mercado e podemos observar filas e filas de expositores cheios de comida. Faz sentido falar de crise alimentar perante um espectáculo como este?

Sim, faz sentido, pois a riqueza de hoje não necessariamente indica a riqueza de amanhã. Aliás, os indicadores apontam para outra direcção. Vamos ver qual.



  • De acordo com o Banco Mundial, 44 milhões de pessoas no mundo foram arrastadas em situações de extrema pobreza desde Junho passado por causa dos preços dos alimentos.
  • O mundo está a perder terra cultivável a um ritmo excepcional. De facto, nas palavras de Lester Brown, "um terço da terra arável do planeta está a perder a camada superficial mais rapidamente de quanto a Natureza seja capaz de reforma-la."
  • Biocombustíveis? Como resultado, quase um terço do milho cultivado nos EUA é usado para a produção de combustíveis, nomeadamente etanol. Tudo isso coloca forte tensão no preço do milho.
  • Devido à falta de água, alguns países do Médio Oriente são forçados a confiar quase totalmente na importação de alimentos básicos. Por exemplo, estima-se que não haverá mais produção de farinha na Arábia Saudita desde 2012.
  • As águas subterrâneas em todo o mundo estão a diminuir a um nível alarmante por causa da excessiva exploração. De acordo com os dados do Banco Mundial, existem 130 milhões de pessoas na China e 175 milhões na Índia que têm sido capazes de alimentar-se com cereais cultivados com água bombeada das reservas subterrâneas naturais, mas com uma taxa superior à recuperação natural destes. O que vai acontecer quando a água esgotar?
  • Nos Estados Unidos, a redução sistemática do reservatório aquífero natural da Ogallala tornará o celeiro da América uma balde de pó.
  • Doenças como a ferrugem Ug99 estão a espalhar-se com taxas altas taxas de propagação em todos os segmentos da cadeia alimentar mundial.
  • O tsunami e a consequente crise nuclear no Japão tornaram vastas áreas agrícolas do País inutilizáveis. De facto, muitos acreditam que uma área significativa do norte do Japão será declarada inabitável. Sem considerar o facto de que a economia japonesa, a terceira maior do mundo, provavelmente terá que enfrentar um grave colapso.
  • O preço do petróleo poderia ser o factor chave nesta lista. Os alimentos são produzidos de forma totalmente dependente do petróleo. A maneira como a comida é entregue é totalmente dependente do petróleo. Ao ter subidas do preço do petróleo, a cadeia alimentar torna-se muito mais cara. Se os preços do petróleo continuarem a ser altos, teremos preços de alimentos muito mais caros e algumas formas de produção de não terão mais a possibilidade de ser praticadas.
  • O mundo pode ter que enfrentar uma grave escassez de fertilizantes. Segundo os estudiosos do Global Phosphorus Research Iniziative, não teremos fósforo suficiente para atender às demandas dos agricultores nos próximos 30 ou 40 anos.
  • A inflação dos preços dos alimentos já devastou muitas economias mundiais. Por exemplo, a Índia está a lidar com a inflação dos preços dos alimentos de 18 por cento com base anual
  • Segundo a Organização das Nações Unidas, o preço global dos alimentos atingiu um novo recorde no passado Fevereiro. 
  • Segundo o Banco Mundial, os preços globais dos alimentos aumentoaram 36% nos últimos 12 meses.
  • O preço da farinha quase dobrou desde o último Verão.
  • O preço do milho quase dobrou desde o último Verão.
  • O preço da soja aumentou cerca de 50% desde Junho do ano passado.
  • O preço do sumo de laranja dobrou desde 2009.
  • Há cerca de três bilhões de pessoas no planeta que vivem com o equivalente a dois Dólares por dia ou menos, e o mundo está à beira dum desastre econômico que poderia ocorrer até antes do final deste ano.
  • A elevada instabilidade internacional é também um outro factor de risco na produção mundial de alimentos.
  • Há rumores persistentes de que vamos ter escassez de alguns alimentos de emergência nos Estados Unidos. O seguinte é um excerto do "alerta vermelho" publicado recentemente em Raiders News Network:
As maiores fábricas de alimentos, de iodeto de potássio e de outros produtores de itens de emergência fecham as lojas online e publicam informação, tais como a do site oficial de Mountain House e de Thyrosafe, onde explicam que, devido à grande procura, fecham as portas ao longo de alguns tempos, na esperança de reabri-la no futuro.


O que isso significa? Durante anos, as várias Cassandras gritaram e falaram duma crise alimentar prestes a ocorrer.

A crise chegou? Nem por isso: os nosso armazéns ainda estão cheios de comida.

No entanto, é preciso ser cegos para não ver. E para não perceber que o nosso é um equilíbrio bastante delicado.
Basta olhar o que aconteceu no Japão, após o terramoto: a procura de comida disparou de repente, causa o medo, e as prateleiras das lojas foram escovadas quase instantaneamente.

Claro, foi um caso excepcional, um terramoto assim não é coisa de todos os dias.
Mas fica o sinal.


Fonte: The Economic Colapse 

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