14 abril 2011

Nada de pânico

E agora? Que fazemos?

Acreditamos nas notícias oficiais ou consideramos também as outras vozes?

Sim, verdade: informação alternativa, tudo bem.

Mas a ideia não é criar o pânico, não é gritar "o lobo, o lobo!".

Por isso vamos ler o seguinte artigo com o benefício da dúvida.

Quantas dúvidas?
Algumas.
Poucas.



O CRIIRAD, nada mais, nada menos

Em França de interessante há os croissants e Carla Bruni. E, desde hoje, podemos acrescentar uma organização ONG (Organização Não Governamental), a CRIIRAD.

Com sede em Valence, no Sul do País, a CRIIRAD (Commission de Recherche et d'Information Indépendantes sur la Radioactivité) passa o próprio tempo na medição dos níveis de radiação.
Bastante aborrecido.

Aborrecido até os níveis ficarem baixos, óbvio: ao aumentar, a coisa torna-se muito mais empolgante.
Agora o CRIIRAD afirma que não podemos mais considerar insignificantes os riscos decorrentes da contaminação prolongada entre os grupos mais vulneráveis ​​da população, sendo necessário evitar comportamentos de risco.
Mas, ao mesmo tempo, salienta não ser o caso de ficar fechados em casa ou tomar comprimidos de iodo.

Por isso: nada de alarmismos.

Na Europa, os riscos associados à contaminação de iodo-131 não podem mais ser ignorados: se o leitor for uma mulher grávida ou uma criança (uma criança? Mas não deveria estar na escola? Ah, férias, tudo bem...), cuidado na ingestão de leite ou vegetais com folhas largas.

Isso porque, depois da nuvem radioativa da central nuclear de Fukushima ter chegado à Europa no final de Março passado, o Criirad tem encontrado iodo radioativo 131 na água de chuva do Sul-Leste da França.
 
Em testes paralelos, o Instituto Francês de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN), a instituição pública que faz a monitorização dos riscos nucleares e da radiação, também encontrou iodo 131 no leite.

Mas qual o problema com iodo 131? Não será como o leite enriquecido? Tipo o com Ómega 3 ou Cálcio?
Sim, de facto o leite com iodo131 é um leite enriquecido: só que pode causar problemas, nomeadamente o surgimento de tumores na tiroide. O que é outra coisa aborrecida.

E, normalmente, não há iodo 131 no leite ou na água de chuva (nem o Ómega 3, em boa verdade...). E isso algo significará.

Mas qual o nível de risco?
Como já afirmado, e repetimos ainda uma vez: não há razões para o pânico.
Todavia há algumas medidas que podem ser implementadas para reduzir o já baixo risco, sobretudo nos sujeitos mais vulneráveis.


Algumas medidas

Para as mulheres grávidas, bebés ou crianças:
  • Evitar o consumo de leite fresco, vegetais de folha larga e queijo cremoso.
  • Não há riscos se ficarem molhados após uma trovoada, no entanto, afirma o CRIIRAD, é melhor não beber a água de chuva.
  • Em relação ao regar o jardim com água da chuva, o Criirad alerta para molhar a terra e não as plantas, pois a absorção é mais rápida neste último caso (e o Iodo 131 tem uma emivida de apenas 8 dias).
  • Espinafre, alface, couve e outros vegetais folhosos são particularmente sensíveis ao iodo 131, se cultivados ao ar livre e expostos à água da chuva. Lavar as plantas não ajuda, porque o iodo-131 é metabolizado pelas plantas de forma muito rápida. Melhor abdicar ao longo de alguns tempos.
 
E a carne? O CRIIRAD afirma que a carne do gado que pastou alegremente nos campos tem que ser monitorizada.

E aqui começam os problemas. Experimentem perguntar ao vosso talhante se a carne pertence a uma vaca que vivia ao ar livre, se tinha comido relva molhada nos últimos 8 dias, se tinha um olhar esquisito ou a cauda fluorescente. Não é simples.


Os valores 

A Directiva Euratom de 13 de Maio de 1996 estabelece o quadro das normas de segurança em matéria de radioactividade na Europa. Nos termos da directiva, o impacto das actividades nucleares pode ser ignorado se as doses da radiação não ultrapassarem 10 microSieverts (mSv) por ano. Acima desse valor, melhor considerar as medidas possíveis para reduzir a exposição.

Embora o iodo radioativo 131 esteja mais presente na forma de gás, nota o CRIIRAD que, no caso de Fukushima, o maior problema é limitar a ingestão do dito elemento.

O instituto realça como a quantidade de iodo-131 que pode fornecer uma dose de 10 mSv varia muito com a idade do consumidor.

As crianças com menos de 2 anos são as mais vulneráveis ​​e a ingestão de 50 Becquerel (Bq) é suficiente para fornecer ao corpo uma dose de 10 mSv.

Se o alimento (verduras, leite etc.) contém entre 1 e 10Bq ou mais por cada quilograma, é possível que o valor de 10 mSv seja ultrapassado em duas ou três semanas.
 
Os valores de iodo131 medidos pelo Instituto Francês de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN) nos últimos dias indicam os seguintes níveis de variação:
 
- 0,08 Bq / kg em alface, espinafre, alho-porro em Aix-en-Provence (Sul-Leste da França)
- 0,17 Bq / litro de leite em Lourdes (milagre!) (Sul-Oeste do País)
- 2,1 Bq / litro do leite de cabra em Clansayes (Sul)
 
O Criirad observa que "grandes quantidades de material radioativo foram liberados a partir da central nuclear de Fukushima desde 12 de Março e que quase um mês após o acidente a libertação de substâncias continua.


E no resto da Europa? 

O CRIIRAD afirma que os níveis medidos são iguais aos encontrados em outros Países do Velho Continente, nomeadamente Alemanha, Bélgica e Italia.

E Portugal?

Almaraz, olé
As últimas notícias são do dia 28 de Março, quando foram reveladas partículas de Xénon nos Açores.
Depois nada.

Provavelmente a chegada do FMI imunizou o País.

No site de Rádio Renascença informa:
Existe risco para Portugal?
O acidente nuclear ocorrido no Japão não representa riscos para o país. Por outro lado, em Portugal não há produção de energia a partir de reactores nucleares.

Justo. Não podemos esquecer que a central nuclear espanhola de Almaraz despeja as águas de refrigeração no Tejo, um rio com conhecidas propriedades anti-radiação, e que afinal a mesma central encontra-se a nada menos de que 150 km de Castelo Branco.

Mas o que interessa pode ser encontrado no site do já citado Instituto Francês de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN). A partir dos modelos de previsão de Meteo France, o Instituto estimou o modelo de dispersão da nuvem radioactiva, em escala global.

Peguem nas pipocas e vejam a animação neste link.


Ipse dixit.

Fontes: CRIIRAD (Homepage), CRIIRAD (Realtório, em Francês, Pdf), EURATOM (em Inglês, Pdf), Rádio Renascença, IRSN 

1 comentário:

  1. Cabuloso isso aí.

    Se marcar não precisamos lançar mais bombas atômicas pra fuder com o mundo.

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