07 abril 2011

O míssil é o melhor amigo do homem


Guerra? Que guerra?

Ahhh, a Líbia, pois...é que este conflicto está a tornar-se uma espécie de habito. Nos telejornais aparece entre as noticias económicas e o desporto, a altura certa para ir até a cozinha a buscar o queijo.

Porque novidades não há. Que dizer, por haver há: mas são novidades esquisitas.

Não sei se repararam, mas este parece ser o primeiro conflito da história sem vítimas. Os únicos mortos dignos de aparecer nos canais das televisões foram alguns rebeldes atingidos, por engano, pelas forças da Nato.
Outras vitimas? Não há.

Pelo que, surge uma dúvida: mas onde acabam todos os misseis disparados? Provavelmente no deserto. Deve ser isso. Talvez erros de pontaria, se calhar defeitos de fabrico, sem esquecer o calor.
Eis explicada a razão pela qual as forças do Bem não conseguem derrotar Khadafi (que, lembramos, é o Mal).

Na realidade, quem mais está a sofrer nesta guerra são os camelos, que já não sabem abaixo de qual duna ir a esconder-se.

Mas será mesmo assim?




Sabia que...?

Sabia o leitor que com o Mau, Khadafi (cujas culpas estão fora de discussão), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Líbia, é o maior da África? E que a taxa de alfabetização é superior à da população dos Estados Unidos?
Que os Líbios não morrem de fome, como em Marrocos, Tunísia e Bahrein, e que os salários foram multiplicados por 2 ou 3 enquanto os serviços sociais e médicos foram reforçados?

Sabia o leitor que o Mal (sempre Khadafi) fez uma proposta para instituir uma comissão independente das Nações Unidas para indagar acerca das alegadas violações dos direitos humanos no País?
E que tal proposta, embora apoiada pelos embaixadores de Italia, Hungria, Roménia, Bulgária, Grécia, Holanda, Malta e Chipre, ficou sem respostas? Curioso, não é?
E que por isso Alemanha, Rússia, China, Polónia, Turquia e alguns Países da América Latina (mas não o Brasil) votaram contra a intervenção?

 Sabia o leitor que a resolução do Conselho de Segurança a ONU foi aprovado tendo como objectivo a criação duma No Fly Zone mas sem autorizar o bombardeamento de tropas ou cidades líbias?
Não faz mal, pois vimos que afinal os misseis não provocam mortos: mas fica a notícia como simples curiosidade.

Sabia o leitor que só no dia 22 de Março forma lançados 151 mísseis modelo Tomahawk, cada um dos quais custa 1.160 mil Dólares?
E que o preço para estabelecer a dita No Fly Zone estará entre 400 e 800 milhões de Dólares?
E que o preço da manutenção da dita zona será de 100 milhões de Dólares por semana?
E que todo este dinheiro não foi ganho numa lotaria?

Sabia o leitor que os heroicos revoltosos, com sede na Cirenaica, têm objectivos religiosos? E que a mesma região é um dos melhores reservatório árabes de militantes de Al-Qaeda, os quais já combateram (e ainda combatem) a invasão do Iraque por parte do Estados Unidos?

Sabia o leitor que Khadafi (o Mal!) foi acusado de massacres de civis (tal como Milosevic no passado), mas, apesar dos refinados meios tecnológicos, não existe um só imagem de tais acontecimentos, nem um indício, nem uma fotografia satelitar, nada de nada?
A tal propósito, a explicação mais lógica é de Khadafi ter utilizado para o fim as armas de destruição maciça antes na posse de Saddam Hussein.

Sabia o leitor que, após a saída das forças americanas, as forças da Nato não têm aviões suficientes?
Actualmente resultam empenhados 30 caças franceses (que, todavia, operam por conta própria, sem uma real coordenação com as restantes forças), 17 aviões ingleses (mas nem todos de ataque) mais alguns aparelhos da Bélgica, da Dinamarca, do Canada, e da Noruega, que conduzem operações contra objectivos em terra e não simplesmente para manter uma No Fly Zone?

Sabia o leitor que a Nato justifica o insucesso com o facto das forças de Khadafi (o Mal absoluto) utilizar escudos humanos (que todavia ninguém consegue fotografar ou filmar), esconder os tanques nas cidades (uma superfina táctica revolucionária) e transportar os meio antiaéreos com simples tractores agrículas (!!!)?
Contra forças assim, nunca poderão existir exércitos suficientes.

Só como curiosidade, e para que o leitor não tente ver nisso uma possível razão da guerra, os planos do Mal (sempre ele, Khadafi) previam a nacionalização das companhias petrolíferas que operam no País, tal como Shell, BP, ExxonMobil, Hess Corp., Marathon Oil, Occidental Petroleum, ConocoPhillips, Repsol, Wintershall, OMV, Statoil, ENI e Petro-Canada.
Um operação, esta, que teria fornecido uma entrada de 5.400 mil milhões de Dólares.

Tudo isso seria muito triste se o resultado tivesse sido uma guerra convencional, com mortos e feridos até entre os civis.
Mas tal não acontece e por uma razão muito simples: nós somos o Bem.
Sempre.

Guerras modernas


 
Ipse dixit.

Fontes: Mondialisation, Corriere della Sera

13 comentários:

  1. Perfeito Max, perfeito!
    Maravilha, vou divulgar...

    Beijão

    ResponderEliminar
  2. Anónimo7.4.11

    libertador....

    ResponderEliminar
  3. 5 estrelas !

    Bora divulgar...

    Essa imagem tá qualquer coisa !

    Abraço

    ResponderEliminar
  4. Meta7.4.11

    Brasil tem a presidência do Conselho no momento, se absteve na resolução 1973, em conjunto com Bric + Alemanha. Todos demais votaram a favor inclusive os países da União Africana, isso se deve a falta de independêcia econômica dos demais países em relação as três nações belicosas US, UK e França.

    http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/aprovacao-da-resolucao-1973-do-conselho-de-seguranca-da-onu-sobre-a-libia

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Resolu%C3%A7%C3%A3o_1973_do_Conselho_de_Seguran%C3%A7a_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas

    ResponderEliminar
  5. Hahahah!!!!

    Essa foto ainda estará registrada na história, se esta futuramente for levada à serio.

    ResponderEliminar
  6. Bem... fato curioso esse da falta de mortos. Lembra-me um filme em que os EUA promovem uma guerra fictícia na Albânia para desviar a atenção de um escandalo sexual do presidente.

    Max tem razão: é uma guerra de boatos!

    ResponderEliminar
  7. Doce Ravena, como sempre curvo-me perante a Sua Graça e agradeço.

    Grande abraço para Ravena!

    ResponderEliminar
  8. Olá Meta, bem visto, Alemanha & C. não votaram a favor.

    Mais complexo é o caso da União Africana e da Liga Árabe: as coisas não estão exactamente da mesma forma como foram transmitidas.
    Nada de unanimidade.

    Mas enfim, a voz do patrão é que conta, como sempre...

    Abraço!

    ResponderEliminar
  9. Olá Prova Final! Olá Tony!


    Encontrei a fotografia ontem, é um espanto.

    Se o concurso "Melhor fotografia 2011" fosse uma coisa séria, esta ganharia, pois é a perfeita representação das guerras assim como são criadas e vendidas, das notícias construidas pelos média, e todo o resto.

    Abraço!

    ResponderEliminar
  10. Olá Getulio!

    "Guerra de boatos" é sem dúvida uma boa definição!

    Acho ser esta uma guerra relatada de forma ainda pior de que a do Iraque.
    No Iraque havia combates, mortos. Aqui aparentemente não há nada: somos tratados como autênticos deficientes, levados a acreditar num conflito "indolor", sem vítimas, sem nada.

    Obrigado e um abraço!

    ResponderEliminar
  11. Anónimo8.4.11

    O teu ídolo foi patrocinador de vários atentados terroristas.

    ResponderEliminar
  12. Olá Anónimo!

    Ídolo?
    Quando uma pessoa não percebe o que está escrito, é um prazer esclarecer.

    Quando é apenas provocação, então é o leitor que tem de desenrascar-se.

    Lamento.

    ResponderEliminar
  13. Excelente blogue,
    partilha as ideias em todos os domínios que tente desde à dois anos fazer partilhar.
    Toma a liberdade de reproduzir este artigo no meu blogue: octopedia.blogspot.com
    Espero poder partilhar convosco mais informações.
    Penso que juntos podemos alterar a visão que muitas pessoas têm das informações "oficiais".
    Gostaria de participar e partilhar o nosso ponte de vista comum cooperando da melhor maneira.
    Octopus

    ResponderEliminar

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...