14 abril 2011

Os desejos do povo

Na Líbia a situação é caótica.

Difícil afirmar quem ganha terreno, qual o êxito a curto prazo, pois as certezas são apenas duas:
  1. As bombas da Nato (o Bem) não provocam mortos nem feridos 
  2. Khadafi (o Mau) perderá
O resto, afinal, é acessório.

Por isso os rebeldes (os Bons) não perdem tempo. As balas ainda não tocaram o chão e já temos as primeiras medidas essenciais em cada País livre e democrático digno destes adjectivos.


Os desejos do povo: Banco e Petróleo

Medida nº 1: um novo Banco Central.

"Como assim? É esta uma das medidas essenciais? Mas não seria melhor, sei lá, um governo, um..."

Shhhht!. Basta, chega: um novo Banco Central é a melhor medida possível, e ponto final.
E prioritária também, outro ponto final.

Perguntem, perguntem ao povo: "Qual a primeira coisa que sonham uma vez obtida a liberdade?".

Resposta, em coro: "Um novo Banco Central!". Estes são factos, não palavras.

Demonstração: os rebeldes são expressão do povo, de todo o povo Líbio, por isso os desejos dos rebeldes são a encarnação dos desejos frustrados ao longo das décadas, de todos os Líbios.



Conforme relata Bloomberg, o Conselho Nacional de Transição designou o Banco Central de Bengasi qual autoridade monetária competente nas políticas monetárias da Líbia e nomeou um gestor do Banco Central da Líbia, com sede provisória em Bengasi.

Como explica Wikipedia versão inglesa
O Banco Central da Líbia é 100% estatal, é a autoridade monetária do Grande Povo Socialista Líbio e goza do estatuto de entidade autónoma.
Um Banco Central 100% do Estado? Deve ser brincadeira, só pode...


Medida nº 2: petróleo ao Qatar.

Esta é outra medida que faz felizes grandes e pequenos.

"Como assim? Mas algumas leis, uma nova Constituição, um..."
Shhhhht!. Chega. O petróleo ao Qatar (e, indirectamente, aos Estados Unidos) sempre foi o sonho secreto de todos os Líbios, camelos incluídos.

Explica a BBC:
Os rebeldes líbios assinaram um contrato de petróleo com o Qatar para exportação a partir do território controlado pelos revoltosos.
"Estamos a produzir cerca de 100.000 barris por dia, podemos facilmente chegar aos 300.000 por dia", diz o porta-voz dos rebeldes, Ali Tarhouni.
E acrescentou que as entregas podem ter início em "menos de uma semana".

Ali Tarhouni, o porta-voz dos rebeldes.
Podemos imaginar um homem de barba malfeita, com a pele queimada pelo sol e um kalashnikov entre os braços. Mas não é esta a verdadeira imagem de Ali.

Ali Tarhouni, ex emigrante nos Estados Unidos de América: licenciado em 1978 na Universidade do Michigan, professor de Economia Empresarial na Universidade de Washington.

O professor, uma vez chegado ao quase-poder, decide exportar o petróleo da Líbia.
Justo, é petróleo do povo, do povo tem que ser a riqueza.

Por isso o primeiro cliente é uma monarquia absoluta (cujos principais fornecidos em termos de ouro negro são os EUA, o Reino Unido, a Alemanha) que nos meses passados enviou militares no Barhein para suprimir a revolta popular.

Sim, deve ser desejo do povo, acho que faz sentido.


Ipse dixit.

Fontes: Bloomberg, Wikipedia, BBC,

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