Segunda parte do artigo.
Que, repito, é comprido. Mas vela bem a pena.
Cidadãos participativos "desactivados".
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| Samuel Huntington |
O objectivo era torna-los apáticos e incapazes de agir em público.
Dois pensadores norte-americano, Walter Lippman e Edward Berneys, deram o arranque para a manipulação já na década de '30, de acordo com a crença de que os cidadãos são "outsiders aborrecidos"; depois foram os profetas da Existência de Negócios e da Cultura da visibilidade mediática, com em destaque os nomes de Lewis Power (O Memorando, 1971), Samuel Huntington, Joji Watanuki e Michel Crozier (A Crise da Democracia, 1975).
Resultado: as massas de todos os Ocidentais modernos paralisados e manipulados.
Evitar a qualquer custo que os Estados possam usar o próprio dinheiro soberano e criar bem-estar social.
Em 1971, o presidente Nixon, por decisão unilateral, ressuscitou o dinheiro criado a partir do nada e sem limites de criação.
Com este tipo de dinheiro, os Estados podem gastar com quase nenhum limite de deficit para criar o pleno emprego, pleno bem-estar e plena infra-estrutura. Ou seja, a plena riqueza social pública.
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| American Enterprise Institute |
Os fantasmas da dívida, do deficit e da inflação foram criados especificamente para incapacitar os Estados nessas funções, ou seja, paralisar os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, mas também toda a Europa nos 20 anos que eram necessários para aniquila-la com a criação da União Europeia e do Euro.
O trabalho de colonização dos cérebros em posição de gestão (ou seja, economistas, professores, técnicos do Ministério, os tecnocratas dos vários departamentos, jornalistas e políticos) foi implementado por uma rede de Fundações pelas quais quase todos os ditos cérebros passaram ao longo da formação ou como membros.
Os principais são:
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| Adam Smith Institute |
Reino Unido: Adam Smith Institute, Institute of Economic Affairs, Stockholm Network, Bruges Group, International Policy Network;
França: Association pour la Liberté Economique, Eurolibnetwork, Institut de Formation Politique
Italia: CUOA, Adam Smith Society, Istituto Bruno Leoni, Acton Italia, Arel, CMSS, Nomisma, Prometeia;
Alemanha: Institut fuer Wirtschaftsforschung Halle, Institut fuer Weltwirtschaft, Institut der Deutschen Wirtschaft Köln;
E praticamente em todo o mundo: Mont Pelerin Society.
Os políticos devem ser treinados (e lubrificados) depressa.
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| Paul Volcker |
Tinha nascido a lobby da indústria e os lobistas.
Financiados com montanhas de dinheiro, eles têm acesso aos políticos ao longo de todo o ano, e agora são os que verdadeiramente decidem nos mais altos níveis.
Em Washington encontram-se 16-40 mil lobistas por ano, com orçamentos de 3 ou 4 mil milhões de Dólares, em Bruxelas são 15-20.000, com um orçamento de mil milhões de Euros por ano.
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| Larry Summers |
Larry Summers (ligações com o Citigroup), Bob Rubin (ex-Goldman Sachs), Tim Geithner (Federal Reserve de New York), Henry Paulson (ex-Goldman Sachs), William Daley (ex JPMorgan Chase) Gene Sperling (ex-Goldman Sachs), Paul Volcker (Rothschild, Rockfeller).
Na verdade, nos Estados Unidos o conflito de interesses é o maior do mundo, aliás, a política é conflito de interesse.
Na Europa, entretanto, foram organizados grupos específicos, cujos principais nomes são:
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| Trans Atlantic Business Dialogue |
Removida a soberania legislativa, política e monetária do Estado, cancelada a cidadania participativa: morta a Democracia.
Marcos históricos modernos: o ataque ao trabalho
Os trabalhadores ganham proporcionalmente à produtividade?.
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| John B. Clark |
De facto, significa explora-los com salários parados ou até abaixo do normal, como no caso da Alemanha. Todavia, os mesmos esforços não são pedidos ao managers ou aos bancos.
Os ideólogos da super-produtividade dos trabalhadores e dos salários estagnados são os seguidores do Neomercantilismo (ver abaixo) e, entre os economistas, John B. Clark, Dennis H. Robertson, e os seus seguidores do neoliberalismo económico.
Para obter o pleno emprego são precisos salários mais baixos.
Apesar de ter nascido duma crença verdadeira, este dogma é hoje utilizado com muitos outros fins. Foi reconhecido como falso, mesmo por Henry Ford na década de 30-40s.
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| Gerard Debreu |
A maior pobreza decorre do fato de que salários mais baixos significam cortar o poder de compra dos cidadãos; os quais, obviamente, irão comprar menos bens e serviços, e isso, por sua vez, reduz os lucros das pequenas e médias empresas que os oferecem.
As pequenas e médias empresas sabem que não podem vender e, obviamente, e não apenas não investem como também limitam a oferta de empregos. Finalmente, despedem e criam emprego precário, o que completa o círculo infernal do aumento do desemprego.
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| Greg Mankiw |
Este é o "evangelho" de todos os economistas neoclássicos como Gerard Debreu, Kenneth Arrow, Hahn Frank, mas também da Escola Austríaca de Von Mises e Hayek, dos conservadores New Keynesias como Greg Mankiw e os Neo-Liberais em geral.
"A futura supremacia será dos Estados que acumulam riqueza e impõem pobreza no trabalho."
Esta ideia foi descrita pelo economista francês François Perroux em 1933 e passará a ser a lei suprema do Neomercantilismo franco-alemão que mencionei acima.
Hoje está em voga na Europa completa. No passado, a única arma dos estados europeus para se defenderem do Neomercantilismo franco-alemão era o poder de desvalorizar a própria moeda soberana (Escudos, Liras, Pesetas, Dracmas, etc.) para vender produtos a preços competitivos em relação à França e à Alemanha.
Para evitar isso, a Alemanha impôs em 1979 o Sistema Monetário Europeu e, depois de seu colapso, o Sistema Monetário Único: o Euro.
Hoje, os Estados da Zona Euro não podem desvalorizar a moeda soberana (já não há), portanto são obrigados a desvalorizar o custo do trabalho ou dos rendimentos.
Diminuir o desemprego gera inflação.
Esta ideia foi gerada pelo monetarista Milton Friedman, da Escola de Chicago, nos anos 60 e 70.
Ele argumentou que existe uma taxa de desemprego "natural" que nunca deve ser alterada por intervenção do governo, porque ao fazer isso desencadeia-se uma espiral de inflação fora de controle, e isso destrói a economia.
Essa ideia foi usada como truque ideológico para manter o desemprego existente e utiliza-lo como instrumento político de chantagem com o mundo do trabalho; mas poderia ser completamente eliminados, pois falsa.
Acaba aqui a segunda parte.
Em breve a terceira.









2 comentários:
Post muito bom.
Como já falei em outros comments, adoro olhar para a história, para constatar coisas boas ou ruins. Esta aula sobre escola econômica deveria ser ensinada nas escolas.
Será que falam disso nas universidades?
Excelente artigo, Max!!
Brilhante exposição dos fundamentos econômicos!
Pois é Tony, nas universidades eles até falam, mas com o objetivo de doutriná-lo, fazendo desses pensadores os deuses de uma nova religião... ai de quem por em duvida seus dogmas...
E quando não são os deuses do Neoliberalismo, são os deuses jurássicos de vermelho...
A imparcialidade não é o forte nas Universidades, são grandes centros de conversões ideológicas. E os fatores cultivados em nossa sociedade proporcionam milhares de incautos que desprevenidos, saem feito papagaios repetindo o que aprenderam 'ad nauseam'.
Abraços!
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