05 abril 2011

Porque existimos

Assim, Informazione Scorretta não fecha.

Tal como alguns leitores tinham adivinhado.
Outros não, mas é por isso que existe o dia 1 de Abril  :)

Apenas uma graçola?
Não.

Felice Capretta, o autor do blog em questão, é pessoa simpática e inteligente. Desta forma, a "graçola" tornou-se em algo de mais importante.

Entre razões secundárias (uma espécie de "vamos ver quantos somos"), o post foi uma ocasião para pôr pontos firmes. Quais? Os que podem encontrar a seguir.

Traduzo quanto escrito por Felice. E faço minhas as palavras dele. Todas, sem excepções.




Porque escrever, porque existimos, porque não vamos embora

Há quem pergunte porque faço tudo isso. O que fez-me pensar e levou ao conteúdo deste post.

Deixem-me esclarecer que não escrevo por dinheiro: com as receitas de Informazione Scorretta poderia talvez  viver uma cobaia, desde que em boa saúde.

Não escrevo pela fama ou poder: prefiro evitar os holofotes, a fama geralmente não ajuda. Basta pensar em quantas pessoas podem pensar bem de você, ou mal, quanta atenção você provoca. Céus, não. E, de facto, uso uma identidade de fantasia [Felice Capretta, em português "Cabra Feliz", não é o verdadeiro nome do autor, NDT].

Tampouco escrevo para fundar um culto de acólitos que se reunirão no planalto de Gizé, no sopé da Grande Pirâmide, no dia 21 de Dezembro de 2012, para subir nas naves dos irmãos das estrelas e fugir assim do iminente fim do mundo. Oh, até pensei um pouco nisso, mas o fim do mundo já começou e agora já é tarde . E depois quem sabe, se um dia acontecer cada um irá escolher o que fazer, nunca se pode dizer.

Então, se não for pelo dinheiro, pelo poder, pelo sexo ou pela seita de seguidores, um respeitado blogueiro escreve para quê?


O prazer, a diversão, a informação

Escrevo porque gosto de escrever , porque sou o primeiro a rir das coisas que escrevo. Lady Capretta vê-me muitas vezes escrever e rir, sozinho, enquanto preparo o post na manhã seguinte.

E continuo, enquanto eu gostar; no dia em que a diversão acabar, adeus.

Escrevo porque tento dar informações correctas num mundo onde a informação é incorrecta, a informação incorrecta torna-se informação correcta e vice-versa. Sim, quero dizer, Informazione Scorretta .
Estava a entrelaçar os dedos na tentativa de escreve-lo de forma correcta.
Ou incorrecta.

Okay.

Escrevo porque o que me dá mais satisfação é saber que o que escrevo é útil para o leitor, e com "útil" entendo vários tipos de utilidades.

Eis quais.

Economia: a visão ampla

O benefício económico de comprar ouro físico, abrigar os investimentos ou sair da empresa antes que seja tarde demais, e assim por diante, tudo bem. No final, estou feliz se posso ajudar a ter menos dívida, ou melhor, a ser mais livres. Um dia o leitor pode considerar uma doação via Paypal, se isso fizer sentir melhor.

Eventualmente vou colocar um botão "fazer uma doação" no blogue.

Mas não olhem para ele, não há.


Sócio-política: para abrir os olhos

Escrevo pela utilidade sócio-política de lembrar sempre que temos dado o poder político, económico e religioso a um grupo de pessoas sem escrúpulos, sejam eles de direita ou de esquerda, bancos ou complexos industriais e militares, Israelitas ou Islâmicos ou Cristãos.

Eles gozam connosco com as eleições, com  estratégias económicas, ou com o sequestro e o desvio dos ensinamentos originais religiosos.

Fingem que nós podemos escolher, quando na verdade as grandes decisões já estão tomadas.

O comboio corre para o destino escolhido, mas deixam-nos escolher a cor da pintura dos  vagões, então deixam-nos dar a tinta e pagam-nos para fazer isso bem, é claro, em competição entre nós. Também permitem-nos decorar a carruagem com os símbolos religiosos que mais preferimos.

Assim nós lutamos e estamos divididos sobre a cor e competimos para ver quem pinta mais e melhor para ser pago mais do que outros, e lutamos sobre os ornamentos do transporte enquanto o comboio corre e corre e corre.

E quando não brigamos entre nós o suficiente para escolher a cor ou as decorações, para obter o dinheiro, quando algumas pessoas começarem a perguntar se isso não é um embuste, quando alguém for falar ao maquinista para perguntar onde raio estamos a ir , então põem bombas entre nós, para nos podermos matar uns aos outros.


E cada vez que gritamos entre nós, com violência física ou até mesmo na Internet ou no café, ao invés de procurar o que nos une e ajudar a construir, cada vez fazemos o jogo desses indivíduos sem escrúpulos.


O momento histórico

A utilidade histórica e humana de entender que o comboio está lançado numa linha sem saída no sentido geopolítico, bem como geofísico e ambiental, e que estamos a viver um momento memorável na História como poucos.

Temos a sorte de ver dois impérios caírem: poucas gerações tiveram essa oportunidade.

E estamos apenas no começo, vamos ver muitos mais, mas muitos, muitos mais. E tudo condensado em poucos anos, talvez um ano e meio mais ou menos. A consciência de viver o maior momento da História da Humanidade (e não sabendo exatamente o que vestir para a ocasião).


Algo mais do que isso

A utilidade de entender que há algo mais nesse mundo além do que está perante os nossos olhos, para além do banal que tentam apresentar nos jornais, televisões e tudo o resto. E é talvez esta a parte mais relevante.

E quando digo algo mais entendo a consciência que temos quando estamos numa fila de trânsito, com alguém atrás ligado à buzina como se fosse uma metralhadora, e em frente um camião do lixo que recolhe resíduos e mais em frente ainda mais carros, uma infinita fila de carros.

Numa certa altura paramos, tudo fica mais lento, olhamos em volta como se fosse um filme e sabemos que há algo de muito estranho em tudo isso.

Então perguntamos se esta não será uma lúcida e muito bem organizada loucura, até os ínfimos detalhes, até a recolha do lixo de casa, mas basicamente sempre uma loucura.

E perguntamos se a vida é realmente ficar numa fila, entre um louco que buzina e um camião do lixo, ou se há mais alguma coisa, que nem sabemos o que é, mas que está ai, que todos os dias bate à porta do coração.

E bate, bate, bate e bate sem parar.

Mesmo agora.

Toc toc.

(... e abre este raio de porta!)

Saudações Felizes

Todas, sem excepções.
Gostaria de ter escrito um post assim.

Não será chegada a altura de fazer algo?
Sim, acho que sim.


Ipse dixit.

Fonte: Informazione Scorretta

4 comentários:

  1. O puro gosto de escrever e BEM informar.

    Ámen,
    -- --
    R. Saraiva

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  2. Completamente de acordo !

    Grande post !

    Abraço

    Eduardo

    ResponderEliminar
  3. Totalmente demais.

    ResponderEliminar
  4. Obrigado, obrigado para todos!

    Mas, repito: eu traduzi um post de Informazione Scorretta, não quero ficar com os méritos de outros...

    Abraço!

    ResponderEliminar

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