11 abril 2011

Resistir? Boa ideia.

Ok, ok...não é com o hip-hop que podemos mudar o mundo. Nem gosto de hip-hop.
Se tenho que escolher, então que seja rock. Progressivo, se for possível.
Mas nem com o Prog Rock vamos mudar o Mundo, eu sei.

Não é isso que interessa.
O que interessa é que algo está a mexer-se.

Com certeza não irão encontrar esta noticia nos telejornais do próximo dia 15 de Abril. Mas naquele dia, algo de bom terá acontecido: uma manifestação em frente do Bank of America, em New York.

Só isso? Só isso.
É pouco? Sim, nem uma manifestação vai mudar o Mundo, não há dúvida. Mas o que pode mudar o Mundo é a consciência de que algo está  a acontecer; a consciência de que as pessoas começam a perceber. E não apenas a perceber, mas a fazer.



Pequenos passos, sem dúvida.
Mas como vão percorrer 10 quilómetros? Com pequenos passos ou com um único salto?
Mais fácil com pequenos passos, um atrás do outro.

Um pequeno passo é a desobediência civil.
Esqueçam as revoluções com as bandeiras encarnadas, estas são boas para os nostalgicos e para quem não quer perceber qual a realidade de hoje. A revolução com bandeiras no punho seria fácil vitima das repressões.
Mas a desobediência civil? Bom, neste caso as coisas mudam.

A seguir um artigo de Chris Hedges, do seu blog Truth Dig.
Sim, tudo bem, é um jovem idealista.
Então? É pecado ter ideais?
E se aos ideais juntarmos um mínimo de acção, como neste caso?
Pena só acrescentar o hip-hop, mas ninguém é perfeito...


Este é o que resistência parece
Não há nenhuma maneira de votar contra os interesses da Goldman Sachs. A desobediência civil é o único instrumento que pode ser tem mantido.

Não vamos poder parar os despedimentos dos professores e dos outros funcionários públicos, a eliminação dos subsídios de desemprego, o fecho de bibliotecas, a redução dos empréstimos para os estudantes, a dissolução da educação pública e dos programas para as crianças ou o desmantelamento dos serviços sociais essenciais, como o subsídios para o aquecimento dos idosos, até quando não serão decididos contínuos actos de desobediência civil contra as instituições financeiras responsáveis ​​pela nossa tragédia.

Os bancos de Wall Street, que criaram o estado corporativo que obedece aos seus interesses, à nossa custa, causaram a crise financeira. Os banqueiros e as lobbies deles criaram paraísos fiscais que representam cerca de um trilhão de Dólares em impostos não pagos a cada década. Reescreveram as leis fiscais para que as empresas mais produtivas do País, incluindo a Bank of America, pudesse evitar completamente o pagamento dos impostos federais.
Participaram numa farsa e uma fraude que destruiu cerca de 40 trilhões de Dólares da riqueza global. Os bancos devem ser forçados a pagar a crise financeira. Não nós. Por esta razão, os próximos 15-11 Abril vou participar na manifestação em Union Square, New York, em frente ao Bank of America.

Diz Kevin Zees, director da Prosperity Agenda e co-organizador da manifestação de 15 de Abril:
A política já não faz sentido. A economia é controlada por uma pequena elite económica. Os Americanos não têm ninguém que se preocupa com as necessidades deles. A única maneira de mudar isso é forçar uma cultura de resistência. Este será o primeiro de uma série de eventos organizados para ajudar as pessoas a recuperar o controlo da própria vida económica e política.

Se vocês fazem parte de 16% de desempregados do País (a sexta parte da população), se você está entre os 6 milhões de pessoas que perderam a casas porque o banco ficou com ela, se você está entre as muitas centenas de milhares de pessoas que entraram em bancarrota por não serem capazes de pagar a saúde ou se você está farto desta cleptocracia, junte-se no Sounds of Resistance Concert em Union Square Park, com o poderoso hip-hop rock político dos Junkyard Empire, Broadcast Live e Sketch the Cataclysm. 
Os organizadores criaram um site e é possível encontrar mais informações na página Facebook .

Vamos fazer um piquete em frente da filial do Bank of America, em União Square, uma das maiores instituições financeiras responsáveis ​​pelo roubo de cerca de 17 trilhões de Dólares em salários, pensões e poupanças.
Vamos construir diferentes modelos em papelão, com a representação do que desejamos ter, como boas bibliotecas públicas, hospitais gratuitos, bancos transformados em cooperativas de crédito, escolas ou universidades gratuitas e subsidiadas, agências de emprego fechadas (os jovens não devem partir para o Iraque ou Afeganistão como soldados ou fuzileiros para poder conseguir um emprego).
Vamos pedir o fim das prepotências bancárias,  o fim dos grandes monopólios dos próprios bancos, um sistema de tributação justa e um governo no qual as pessoas possam confiar.

Os 10 maiores bancos, que controlam 50 por cento da economia, determinam as nossas leis e os nossos tribunais, decidem como são articulados os debates públicos nos meios de comunicação, quem é eleito para guiar o País e como somos governados.
O consentimento dos governados é uma frase que os dois maiores partidos transformaram numa piada cruel. Não há nenhuma maneira de votar contra os interesses da Goldman Sachs. Quanto mais cedo serão desmantelados e regulados esses bancos e grandes corporações, tanto mais cedo seremos livres.

O Bank of America é um dos piores. Não pagou os impostos federais no ano passado ou no anos anterior. Agora é um dos bancos mais agressivos no sector das expropriações das casas, às vezes usa grupos de segurança privada que actuam com brutais invasões de casas para atirar famílias para a rua.
O banco recusa emprestar a pequenos comerciantes e consumidores os bilhões que recebeu do governo. Voltou às atividades delinquências e às especulações que criaram o colapso com um espírito de vingança, uma atitude possível porque o governo recusa estabelecer sanções efectivas ou uma supervisão dos órgãos reguladores, legisladores ou dos tribunais.
O Bank of America, como a maioria dos bancos que venderam lixo para os pequenos accionistas, tem o hábito de esconder as próprias enormes perdas através duma ferramenta criativa que chamou de "acordos de recompra". Usou esses acordos durante a crise financeira para eliminar as perdas temporárias dos registos, transferindo a dívida "tóxica" para empresas fictícias antes de entregar os registros.
É uma fraude. E o Bank of America é realmente bom nisto.

US Uncut, que estarão envolvidos no evento de 15 de Abril em Nova York, tem organizado protestos em frente das 50 filiais do Bank of America no passado dia 26 de Fevereiro.
UKUncut, a versão britânica do grupo, produziu um vídeo-guia de como organizar um bail-in (uam "resgate" através de recursos internos ao contrário do bail-out que recorre aos recursos externos, NDT).

A desobediência civil, como explicado no vídeo, como aquela que será realizada em Union Square, é a única ferramenta que temos.
Um quarto das maiores corporações do País, incluindo General Electric, Exxon Mobil e Bank of America, não pagaram impostos de renda em 2010. Mas, ao mesmo tempo, essas empresas agem como se tivessem o direito divino de ter centenas de milhares de milhões dos contribuintes.
No Bank of America receberam 45 mil milhões de fundos federais como "ajuda". O Bank of America tem esse dinheiro, que você pagou com os impostos, e está a esconde-lo numa junto com os seus lucros numa das 115 contas em paraísos fiscais que evitam pagar impostos.

Observa Zees: 
Se o Bank of America tivesse pago a sua parte dos impostos, os cortes previstos de 1,7 bilhões de Dólares na educação básica, incluindo os programas Head Start e Title I, não teriam sido necessários. O Bank of America, evitar o pagamento dos impostos utilizando subsidiárias em paraísos fiscais. Para eliminar o pagamento dos impostos, investe os lucros no exterior ao invés de mante-los em casa, e com isso prejudica a economia dos EUA e evita o pagamento de tributos federais. As grandes empresas, tais como o Bank of America, ajudam a formar os déficits que resultam em cortes pesados ​​nos serviços essenciais do Estado e do Governo Federal.

Os grandes bancos e as grandes corporações são parasitas.
Devoram as entranhas do País em nome do lucro, conduzem até a escravidão, poluem e envenenam o ecossistema que sustenta a espécie humana.
Engoliram mais de um trilhão de Dólares do Departamento do Tesouro e da Federal Reserve, criaram pequenos enclaves de riqueza e privilégio, onde os gerentes corporativos replicam a decadência de Versalhes ou da Cidade Proibida.
Quem fica de fora luta para encontrar um emprego e não pode fazer nada, mas vê o preço dos alimentos e das mercadorias subir.
A elite que governa, incluindo Obama, é feita de cortesãos, de hedonistas de poder, sem qualquer sentimento de vergonha, que ajoelham-se perante Wall Street e nos traem todos os dias.
Os plutocratas das grandes empresas ganham 900.000 Dólares por hora, enquanto um em cada quatro dos nosso filhos depende dos vales-refeições para jantar.
Não precisamos de líderes.
Não precisamos de qualquer directivas do topo.
Não precisamos de organizações formais.
Também não precisamos de perder tempo apelando ao Partido Democrata ou escrevendo cartas ao editor.
Não precisamos de mais batalhas em Internet.
Temos que ir fisicamente numa praça pública e criar um movimento de massa. Nós precisamos de você e do seu vizinho para começar. Uma vez feito isso, terá desencadeado um poder que essas elites estão sempre a tentar de impedir: a resistência.

Fonte: TruthDig
Tradução e adaptação: Informação Incorrecta 

3 comentários:

  1. Apesar de idealista, ele está fazendo muito mais do que eu. Portanto tem o meu respeito.
    Temos que aprender a ver a história para decifrarmos e descobrirmos o que vamos fazer para acabar com essa tirania, esse monopólio econômico. O modelo da cooperativa de crédito é interessante, pelo menos no nome. Até faço parte de uma, mas desconheço o que ela faça para merecer esta alcunha.

    Max, eu como fã de rap tenho que dizer: vc tá por fora cara (uahiuahauiauh)!!! Hip Hop e principalmente rap são muito bons, quando politicamente e socialmente aplicados. Esses hip hops com os caras com correntes de ouro com um desenho de cifrão realmente são uma porcaria, mas bom, atrás desses caras, patrocinados pelas gravadoras, existem bons rappers, como o Racionais Mc's, daqui do meu Brasil.

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  2. valquiria12.4.11

    se eu tinha duvidas em votar no bloco de esquerda? com este texto acabaram, sim voto em quem defende "os bancos que paguem a crise"! bora lá culpabilizar os verdadeiros culpados e responsabiliza-los pelo que fizeram

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  3. Anónimo20.4.11

    agora sim, vão rebentar os verdadeiros problemas http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/exercito-falha-primeiro-dia-de-pagamento-de-ordenados_1490645

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