04 maio 2011

Breve história das Quatro Irmãs - Parte I



Em 1975, o escritor britânico Anthony Sampson usou o termo "As Sete Irmãs" para indicar, por meio de um nome coletivo, um cartel de empresas petrolíferas, que, no decurso de sua história, conseguiu eliminar todos os concorrentes e controlar os recursos petrolíferos do mundo.

Uma vaga de fusões que ocorreram no final do milénio tornou as "Sete Irmãs" Royal Dutch/Shell, British Petroleum, Exxon, Mobil, Chevron, Texaco e Gulf, num vartel ainda mais exclusivo, "As Quatro Irmãs" (que talvez seria melhor indicar com o nome de "Os Quatro Cavaleiros da Apocalipse"): Exxon Mobil, Chevron Texaco, BP Amoco e a holandesa Royal / Shell.

Mas como é possível que um recurso espalhado em muitos Países do globo seja hoje controlado por apenas quatro grandes empresas? Vamos fazer um breve resumo.



No final do século XIX, John D. Rockefeller tornou-se conhecido como o "Comerciante Iluminado",  numa época em que o petróleo fornecia a energia para as luzes de todos os lares americanos. Rockefeller percebeu que era o refino de petróleo para a obtenção dos derivados, em vez da extracção de petróleo bruto, que permitiria controlar o mundo.

Em 1895, a sua Standard Oil Company detinha 95% de todas as refinarias nos Estados Unidos, enquanto expandia as operações no exterior. Ao resumir própria ambição de criar um monopólio do petróleo, Rockefeller disse uma vez: "Chegou o tempo das associações. O individualismo não existe mais. "

A Standard Oil Trust de Rockefeller começou a iluminar o Novo Mundo através do financiamento de Kuhn Loeb e da família de banqueiros Rothschild. Enquanto o Rockefeller estava a trabalhar para formar a estrutura do mercado de energia d lado americano, os Rothschilds consolidavam o controle sobre os recursos petrolíferos no Velho Mundo.

Desde 1892, a Shell Oil, sob a direção de Marcus Samuel, começou a enviar o petróleo South Sea através do Canal de Suez para fornecer a indústria europeia.

A Shell derivou o próprio nome a partir da abundância de conchas nas praias dos arquipélagos controlados pelos holandeses e que hoje é conhecido como Indonésia.

A família de Samuel controla o maior banco comercial em Londres, o Samuel Hill, bem como a trading house Samuel Montagu.

Em 1903, a sueca Nobel e a francese Far East Trading (controlada pelo Rothschild e ambas financiadas pelo rei William III) juntaram-se a Shell Oil de Samuel Oppenheimer para formar Asiatic Petroleum Company.

Em 1927, a Royal Dutch Petroleum descobriu petróleo descoberto petróleo em Seria, ao largo da costa de Brunei, cujo sultão se tornaria o homem mais rico do mundo graças a sua lealdade à coroa holandesa.

Os soberanos britânicos e holandeses que controlaram a Royal Dutch fundiram a empresa com a Shell Oil de Oppenheimer e Samuel, e a Far East Trading de Nobel e Rothschild: nasceu assim a Royal Dutch/Shell da qual o maiores accionistas foram a Rainha holandesa Beatrix da Casa de Orange e o Senhor Victor Rothschild.

Em 1872, o Barão Julius Reuter obteve uma concessão de 50 anos para a extração de petróleo no Brasil. Em 1914 o governo britânico assumiu o controle da Anglo-Persian Company que foi rebatizada como Anglo-Iranian, depois British Petroleum e no final BP. A Casa Real britânica tem um óptimo posicionamento na BP Amoco enquanto a monarquia do Kuwait detém 9,5% das acções.

Em 1906, o governo dos EUA ordenou o desmantelamento da Standard Oil Trust de Rockefeller, uma vez que havia violado o Sherman Anti-Trust Act.

Em 15 de Maio 1911, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou: "Sete homens e uma máquina corporativa conspiraram contra os nossos cidadãos. Para a segurança do País decretamos que esta perigosa conspiração acabe no dia 15 de Novembro".

Mas a cessação das actividades da Standard Oil dentro das fronteiras nacionais serve apenas para aumentar o capital da família Rockefeller, que detinha 25% das ações em cada das sete empresas. Em breve novas empresas começaram a fundir-se.

A nova Standard Oil of New York juntou-se com a Vacuum Oil para formar a Socony-Vacuum, que tornou-se a Mobil em 1966, Standar Oil of Indiana juntou.se com a Standard Oil of Nebraska e Standard Oil of Kansas e em 1885 tornou-se Amoco. Em 1882 a Standard Oil of New Jersey tornou-se a Exxon. Em 1984, Standard Oil of California juntou-se a Standard Oil of Kentucky para formar a Chevron. A Standard Oil de Ohio (Sohio), manteve a denominação origrinal até ser comprada pela BP, que também englobou a recém-formada Atlantic Richfield (ARCO). Rockefeller, assim, conseguiu ter uma grande fatia das acções da BP.

Em 1920, a Exxon, a BP e a Royal Dutch/Shell dominavam o mercado mundial do petróleo, em franca expansão, com as famílias Rockefeller, Rothschild, Samuel, Oppenheimer e Nobel que, juntamente com os governantes britânicos e holandeses, detinham a maioria das ações. Duas outras "criaturas de Rockefeller, Mobil e Chevron, não estavam tãolonge do controle. A família Murchison do Texas, apoiada pela Fundação Rockefeller, detinha o controle da Texaco, junto com a família Mellon.

O castelo de Achnacarry
As primeiras tentativas feitas pela Setes Irmãs para sufocar a concorrência começaram em 1928, quando Sir John Cadman da British Petroleum, Sir Henry Deterding da holandesa Royal Dutch/Shell e Walter Teagle da Exxon e William Mellon da Gulf, reuniram-se no castelo de Cadman, perto de Achnacarry, na Escócia. Nesse local chegaram a um acordo para dividir as reservas e o mercado do petróleo.

O acordo de Achnacarry tornou-se conhecido como o acordo "Está bom assim", porque o objetivo era manter o status quo através do qual as Sete Irmãs controlavam o petróleo do mundo, através da repartição das quotas de mercado, da partilha das instalações de refinação e de armazenamento, e concordando em limitar a produção para manter os preços altos.

Entre 1931 e 1933, as Sete Irmãs cortaram impiedosamente o preço do petróleo bruto East Texas: desde 0,98 cêntimos de Dólar até 0,10 por barril. Muitos wildcatters (os proprietários de pequenos poços pouco rentáveis, geralmente em áreas remotas) texanos foram afastados do mercado e aqueles que permaneceram foram obrigados a reduzir as cotas de produção sob a ameaça das grandes empresas.

Cotas que sobrevivem ainda hoje; e são estas mesmas cotas que servem para manter os EUA dependentes do petróleo do Golfo Pérsico, onde as grandes empresas dominam o jogo.

John D. Rockefeller não controlava as reservas de petróleo. Investiu pesadamente na refinação do petróleo e a realização de acordos com as ferrovias controladas pela Morgan consentiu cortar os custos de transportes.

Os wildcatters do Texas eram obrigados a pagar mais.

Eles nem tinham o conhecimento para refinar o petróleo, nem o capital para comprar refinarias: todos os bens eram encaminhados para os equipamentos de perfuração, também caros.

Hoje, a fortuna da família Rockefeller ainda é baseada principalmente em operações de downstream (as operações que seguem a extracção), como a petroquímica, os plásticos, e como as indústrias dependentes do petróleo, incluindo bancos e veículos aeroespaciais.


E acaba assim?
Sim, mas só a primeira parte. Amanhã a segunda.


Fonte: Globalresearch

2 comentários:

  1. Osga4.5.11

    Já conheces isto?!

    http://royaldutchshellplc.com/2010/11/09/royal-dutch-shell-nazi-secrets-exposed/

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  2. Ja nao comentava aqui ha algum tempo, mas tenho acompanhado diariamente os teus posts - sempre interessantes.

    Achei este artigo bastante interessante. Fizeste um belo apanhado da historia das petroliferas, que sao, juntamente com os bancos, quem manda no mundo actualmente. O nome Rothschild mais uma vez la vai aparecendo ligado a estas empresas lucrativas.Impressionante como esta familia se mantem incognita para 99% da populacao.

    Viste os lucros da Exxon? So recentemente soube que nos EUA, as petroliferas pagam um imposto especial e recebem apoios do Estado...incrivel!

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