30 maio 2011

Christine: La Gard. De la banque.

Com Dominique Strauss-Khan empenhado em conversações com os juízes americanos e no controle dos próprios instintos sexuais ("Volta para o teu lugar!", "Sou eu que mando, não tu!" são os gritos que é possível ouvir à noite na casa-prisão onde o bom Dominique vive sozinho), a sucessora mais provável para o cargo do Director do Fundo Monetário Internacional parece ser uma mulher, ou algo de muito parecido: Christine Lagarde.

Vamos conhece-la melhor.

Francesa (começamos logo com os defeitos), 55 anos, é ex membro da nacional francesa de natação. Se é que isso interessa.
E para continuar com as trivialidades, é divorciada e tem dois filhos, nenhum dos quais herdou os característicos cabelos em liga leve.
Seu companheiro é o empresário Xavier Giocanti, é vegetariana e nunca bebe álcool
As suas paixões são yoga, mergulho, natação e jardinagem.
Como passatempo é Ministro das Finanças.


Mas, convenhamos: nada disso é particularmente entusiasmante. Por isso, vamos ver qual o seu passado profissional.

Lagarde começou a própria actividade na empresa de advogados Baker and McKenzie, Chigago (EUA), onde, diz Wikipedia, tornou-se "advogada associada adjunta em 1991, membro do Comité Executivo em 1995, Presidente da Comissão Executiva entre 1999-2004 e membro do Comité de Estratégia Global desde 2004".

A Baker and McKenzie é uma empresa que conta entre os próprios clientes multinacionais como a holandesa Unilever (Axe, Lynx, Dove, Becel, Hellman's, Knorr, Lipton, Lux, Omo, Surf, Rexona, Carte d'Or, Olá), Honeywell (informática e armas), William Wrigley Jr. Company (gomas alimentares: Freedent, Doublemint, Spearmint, Orbit, Juicy Fruit), Searle (farmacêutica, agora Pfizer) e Eli Lilly and Company (Methadone, Prozac).


Empresas das quais já fizeram parte pessoas como George H.W. Bush ou Donald Rumsfeld. Sempre que isso tenha alguma importância, claro.

Em 2005 entra como conselheira na multinacional financeira  ING Group.

Dúvida: mas será que a boa Christine conseguirá realmente ocupar o cargo de chefe do FMI?
Resposta: entre 1995 e 2002 foi membro do Center for Strategic and International Studies (CSIS) de Zbigniew Brezinski, o que deixa entender como a sucessão de Strauss-Khan seja de facto uma questão já fechada.

Doutro lado parece ter todas as cartas necessárias.
The Guardian:
Christine Lagarde está no local certo para proteger os grandes bancos ... é a mais favorável ao resgate dos bancos em dificuldades.
Os americanos estão a tentar inserir na lista, como número dois, o assessor da Casa Branca David Lipton. Lipton é o "Senhor Ajuda aos Bancos".
Trabalhou para o Citigroup. Se conseguissem juntar Lagarde e Lipton, o que poderíamos dizer? Assistiríamos  à realização do plano para proteger o sistema bancário. Seria um desastre.
 
Segundo o The New York Times, Lagarde não é apenas uma mulher na moda, mas tem um monte de amigos em Washington e Wall Street:
A Sra. Lagarde, o ex-diretor do escritório de advocacia de Chicago de Baker and McKenzie, tem vivido nos EUA por 25 anos.Mulheres de alta classe, com cabelos de prata e uma propensão para jaquetas Chanel, tem os seus bons contactos e é respeitada em Washington e Wall Street, assim como na Europa.
 
Lagarde é também contrária a uma maior regulamentação do sector bancários. Porque os bancos sofrem com regras apertadas e a boa Christine não suporta ver um pobre banco sofrer. 
Declaração à Reuters:
 Vejo um perigo num regulamento muito rígido, pois leva a uma fuga de capitais para o estrangeiro.

O cenário muda se a sofrer for um País. Aqui a boa Christine usa o punho de ferro. Os Gregos? Que trabalhem, este parasitas!Wall Street Journal: 
A ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, disse nesta Segunda-feira, após uma reunião com os funcionários de toda a União Europeia, que uma reestruturação da dívida da Grécia não é possível [...]
A implementação dos programas de austeridade já está definido A implementação bem sucedida das privatizações e dos esforços de todo o espectro político grego são a solução chave para a Grécia, são as palavras de Lagarde.

Uma mulher fria? Nem por isso. Como já vimos, sabe comover-se perante as dificuldades dos banqueiros. Mas também sabe ser feliz com a notícia do assassinato duma outra pessoa.
Reuters:
A economia dos EUA é como o povo americano. Reage rapidamente tanto para a positivas como para as negativas. Eu não ficaria surpresa se este evento [a alegada morte de Bin Laden, NDT] implicasse um aumento da confiança.
 
Resumindo: Lagarde é a substituta natural de Dominique Strauss-Khan.

E faz tesouro dos ensinamentos do mestre: já está a ser indagada por abuso de poder.

Como Ministro das Finanças, a boa Christine teria facilitado a indemnização multimilionária pedida (e obtida: 230 milhões de Euros) pelo empreendedor Bernard Tapie.

A pessoa certa no lugar certo.


Ipse dixit.

Fontes: France 2 via Reuters, Reuters, Guardian, Lettera 43Information Clearing House

1 comentário:

  1. Anónimo31.5.11

    Em primeiro lugar, eu gostaria de saber de onde você tira tantas coisas interessantes. Você é uma pessoa só ou são mais??? Gosto de saber mais sobre quem eu leio. Quem é Max???
    Quanta à dona lagartixa, a única coisa que eu posso dizer é que essa muié é feia pra daná, feia pra diabo!!! Tá louco, meu, é uma tremenda briga de foice!!! E o pior é que ela vai desembarcar aqui no Brasil... Vou fazer minhas malas e sumir daqui, ainda dá tempo! Ufa!

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