04 maio 2011

Las drogas, la muerte y la vida en México


Mario é o autor do blog "Astratti Pensieri" e foi para o México.
Nada de Acapulco o Riviera Maya, mas o México verdadeiro, os das pessoas que trabalham e tentam sobreviver num mundo feito de governos corruptos, drogas e violência.


La vida y la muerte aquí en México


Enquanto eu gozava da noite, nos jardins chegaram quatro carros da polícia federal.
Viajam em coluna, quatro sentados e voltados para a rua com metralhadoras bem à vista, e um pé sobre uma espécie de torre com uma metralhadora apontada para a frente. A maioria usa um capuz preto debaixo dos capacetes de guerra.
Desceram rapidamente, um par a guardar os veículos, os outros entraram num prédio aqui, em Durango, no centro da cidade. Ouvi gritos, barulhos e objetos deitados para o chão.
Dois rapazes com blusas coloridas tentaram descer por uma janela, um daqueles na rua apontou uma metralhadora na cara deles, e os rapazes acabaram atiraram-se ao chão, imóveis.


Também eu fiquei no chão como todos aqueles que estavam interessados, observando a cena. Felizmente não houve consequências, apenas um grande susto e nada mais.
Colocaram os dois num caminhão, com as mãos amarradas atrás das costas, uma arma apontada à cabeça, e desapareceram.
Surpreendido, sentei-me no banco, um homem idoso aproximou -se e perguntou: "O que achas da nossa cidade, é uma cidade horrível ou gostas dela?"
Lembro do taxista, o que este tinha dito enquanto eu entrava no carro:
"Está aqui para quê? Para os monumentos ou para os traficantes?"

"Para os traficantes", respondi, pensando que teria entendido a ironia.
"Bem-vindo, então, você está no lugar certo. Esta depois de Juarez é a cidade mais violenta do México, ainda mais de Sinaloa. Por aqui passa de tudo:drogas, armas, emigrantes...de tudo mesmo. A cidade está a expandir-se, há cada vez mais pessoas, mas o trabalho falta e, então, uma pessoa tem que desenrascar-se".

No México há uma guerra em curso, que envolve diversos segmentos da sociedade. Há a guerra dos Narcos, os traficantes de droga, mas o estado aproveita da situação para ajustar muitas contas, em particular com os militantes da Esquerda ou com pessoas envolvidas na defesa dos direitos humanos. Uma destas pediu oficialmente aos Estados Unidos para ser aceite como refugiado político. 


Os episódios desta guerra são dignos de um romance da Guerra Fria. O último foi acerca do sobrevoo do território mexicano por parte de aviões militares dos Estados Unidos, para controlar as zonas nas quais houver trânsito de armas e de drogas. Tudo sem que o Parlamento fosse informado. 


Outro episódio que tem encontrado espaço nos jornais aconteceu durante uma ação da polícia nos Estados Unidos, efectuada contra os traficantes de droga: os Americanos apreenderam um arsenal de armas de guerra.
A surpresa foi grande quando as autoridades americanas notaram que estas armas eram parte dum fornecimento dos EUA ao México para combater o tráfico de droga. O governo mexicano emitiu uma declaração para dizer as arma tinham sido roubadas e tinham-se esquecido de informar os fornecedores.  


Neste magma, existem interesses de todo o tipo; as fronteiras entre o que viaja no legal e o que está fora dele são cada vez mais difícil de traçar. 

"Repara, os Americanos dão-nos as armas de que precisamos para nos matar uns aos outros. Nós fornecemos droga e braços a baixo custo para as fábricas e as casas deles. Quem você acha que limpa o rabo dos niños deles?" . Assim fala o idoso.
Hoje é um dia bonito, esta área é duma beleza que fere os olhos. Convivem desertos, canyons e lagos, paisagens agrestes e lugares cheios de vida, animais e homens. 

Este é o México, com a capacidade de receber-te ou deitar-te fora se espreitas coisas que não te dizem respeito. Em suma, um lugar onde não ficas aborrecido se o desejo é mexer-se e olhar.

Acerca do México podem também ler a trilogia Bancos e Droga e 12 anos, profissão killer.


Fonte: Astratti Pensieri 
Tradução e adaptação: Informação Incorrecta

1 comentário:

  1. Max, eu fiquei quatro meses no México, de norte a sul, leste a oeste, isso em 2001. Percorri centenas de quilômetros da fronteira com os EUA, de Ciudad Juarez até Tijuana. Dois destaques:
    1) Se não fosse o mexicano os EUA teriam tomado todas as terras da América Central. Eles, os mexicanos, conseguiram barrar o avanço norte-americano.
    2) A cultura mexicana é sentimentalista, mas extremamente agressiva, só vi algo parecido na Colômbia.
    Em 2001 eu vi coisas e pensava: O mundo discursa um México belo, com progresso após a aliança com os EUA, mas isso aqui é uma loucura, e só vai piorar.
    Futuro do México? - Na minha opinião, igual ao seu passado e igual ao seu presente.
    Abraços

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