20 junho 2011

Guerra-Não-Guerra


Barack Obama defende vigorosamente o próprio direito de empreender uma acção militar na Líbia sem a luz verde formal do Congresso.

Porquê? Porque, segundo o Prémio Nobel da Paz, não é uma verdadeira guerra.

Nos últimos dias, a o leader republicano na Câmara dos Deputados, John Boehner, havia escrito que Obama, ao abrigo do War Powers Act de 1973, é obrigado a obter a aprovação do Congresso para a campanha militar na Líbia.

A Casa Bianca respondeu com um documento de 38 páginas, argumentando que a lei (que estipula que deve haver uma votação no prazo de 90 dias a partir do momento em que os EUA entrarem na guerra) não é aplicável à participação na campanha militar da Nato na Líbia, porque não é um conflito real, mas uma missão para remover do poder Muammar Khadafi.

A Administração argumenta que desde que a Nato tem assumido o comando das operações militares, em Abril, o papel dos EUA é limitado ao apoio das ações militares da Grã-Bretanha, da França e dos outros Países, com missões de reabastecimento e vigilância.

O Governo dos Estados Unidos reconhece, no entanto, o uso de drones em alguns casos, tais como aqueles usados no Paquistão e no Yemen: aviões não pilotados, que entram em território inimigo e atacam objectivos de vária natureza.

Esta, segundo o Nobel da Paz, não é guerra. E é um ponto de vista extremamente interessante.


Segundo o bom Obama, "guerra" não quando o espaço aereo dum País é invadido e os civis bombardeados: esta é uma missão humanitária.

Depois alguém poderia sempre lembrar o facto da Líbia ser um Estado independente, soberano, com o direito de auto-determinar o próprio destino etc. etc.
Uma treta, sem dúvida.

O que interessa é o seguinte: ao abrigo das palavras do Nobel da Paz, o ataque às Torres Gémeas não foi um "acto de guerra", tal como ficou apresentado, mas uma acção humanitária que tinha como objectivo a libertação do povo americano.

O que muda de forma radical a nossa perspectiva.

Mas estas são finezas: os Republicanos ficam mais preocupado com os custos desta "guerra-não-guerra".

A Casa Branca tranquiliza: toda a operação Líbia terá custado mais ou menos 1,1 mil milhões de Dólares (1,1 billions), um bom negócio se considerarmos as graves dificuldades económica do País, as administrações locais em falências e os milhões de desempregados.

Todavia Boehner disse não ter ficado satisfeito:
A Casa Branca diz não existirem hostilidades em curso, mas aqui temos os ataques com drones, estamos a gastar 10 milhões de Dólares por dia e parte da missão é lançar bombas sobre o pátio de Gaddafi.
Então não há resposta acerca do facto mais importante do meu ponto de vista, ou seja, que estamos no meio das hostilidades.

Nada, há pessoas que não entendem mesmo.
Não "guerra", mas "acção humanitária".


Ipse dixit

Fonte: Bye Bye Uncle Sam

2 comentários:

  1. Assim que alguém corta a dose diária de droga aos Americanos (petróleo) tenham cuidado que os Mercenários entram logo em acção!

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  2. Boa 0db!

    A cada dia que passa, e como sempre escrevo, o mundo parece cada vez mais com uma piada! O que é isso, é para rir? Além deles mesmos estarem falidos, ainda tem que levar desgraças pros outros? E a inconsequência de gastar todo este dinheiro enquanto países vivem com menos que isso?
    Parece piada. Sério.

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