21 junho 2011

Israel escondida

Google Earth.

Como este programito podemos ver o mundo, todo o mundo.

É só mexer no rato, com zoom e setas é possível visitar lugares que ficam do outro lado do planeta, passear pelas ruas de New York, admirar os palácios de Roma ou as ramblas de Barcelona.

Sempre ficando sentados na nossa cadeira, claro.

Mas há uma coisa que Google não mostra. E não adianta fazer zoom ou pegar na lupa: Israel não aparece e ponto final.

Que dizer: há Israel no mapa, óbvio, não há um buraco negro no lugar dele. Só que não há imagens pormenorizadas.

Um caso? Não, uma lei.
National Defense Authorization Act, ratificado pelo congresso dos Estados Unidos em 1997, contempla uma secção cujo  nome é "Proibição de recolha e difusão de imagens pormenorizadas do satélite relativas à Israel".

Esperem um segundo: uma lei dos Estados Unidos proíbe a recolha e a difusão de imagens de Israel?
Sim, exacto. E existe uma agencia federal, a NOAA's Commercial Remote Sensing Regulatory Affairs, encarregada de vigiar acerca da correcta aplicação da lei.

National Defense Authorization Act, defesa nacional.
Curiosos: Washington considera assunto de defesa nacional a resolução da imagens de Israel.

E mais: de Gaza também.
Porque Google Earth nem os Territórios Ocupados mostra.
E aqui a coisa começa a tornar-se esquisita, não é? Porque se com muita boa vontade é possível justificar o facto de Washington não mostrar instalações militares israelitas, qual o problema com Gaza?

Em Gaza, supostamente, não há instalações militares secretas de Tel Avive. Evidentemente, há outras coisas que nem os EUA nem Israel querem mostrar ao mundo ao falar de Gaza.

Mas que diz Google de toda a situação?
As imagens de Google Earth provêm dum elevado número de fontes comerciais e públicas. Obtemos as nossas imagens de companhias que têm sede nos Estados Unidos e ficam sujeitas às leis dos Estados Unidos, entre as quais o National Defense Authorization Act de 1997, que limita a resolução das imagens de Israel que podem ser distribuídas.
Tradução: é assim e ponto final.

Todavia as coisas podem mudar.O satélite turco GokTurk, por exemplo, captará imagens de alta resolução de Israel em 2013 e as autoridades já anunciaram a divulgação desta últimas.

Israel não está muito satisfeito com isso.
Mas não parece simples convencer um Turco de que as imagens da Terra de David são uma questão de Defesa Nacional para Ankara.


Anexo

Após (justo) pedido dum Leitor, eis uma comparação:

Na primeira imagem podemos ver Praça He Be'lyar, em Tel Avive, a capital administrativa de Israel:


Na segunda imagem a localidade de Rimal, em Gaza:



Na terceira imagem, o Paço do Concelho de Almada:


Na última imagem, sempre como comparação, Praça Italia, em São Paulo, Brasil:



As quatro imagens foram retiradas do meu ecrã uma vez escolhido o zoom máximo e sucessivamente reduzidas na mesma percentagem (50%).

Obviamente nenhuma outra modificação foi operada e o leitor pode facilmente conferir procurando
He Be'lyar, Tel Avive, Israel
Rimal, Gaza
Rua Capitão Leitão, Almada, Portugal
Praça Italia, São Paulo, Brasil

As diferencias são notórias.


Ipse dixit.

Fontes: Uruknet, The Jerusalem Fund

2 comentários:

  1. Anónimo21.6.11

    Se possível Max, para ilustrar seu texto, gostaria que vc colocasse exemplos de lugares para a gente poder navegar no Google Earth. Se possível.

    ResponderEliminar
  2. E nem sequer têm as "vistas de rua"... óóóóóóó

    Caro MAX... Israel e EUA unha e carne do mesmo dedo!

    Falta falar aqui sobre o sismo no Japão de máx 6.7 que foi transformado em 9.1 para justificar um tsunami!!!

    ResponderEliminar

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