30 junho 2011

O preço das guerras

Em 1781, George Washington disse que o custo da guerra da independência americana era para ser reembolsado imediatamente, para que a geração presente não deixasse esse fardo nos ombros das futuras gerações.

A guerra contra os Ingleses trouxe a independência aos Americanos. mas o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, o que trouxeram?

1.200.000 milhões

Por enquanto sabemos que o custo das campanhas no Médio Oriente é de, pelo menos, 1.200.000 milhões de Dólares.
Oficialmente.

O custo real, no entanto, estimado pelo Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, deverá ascender a mais de 3.000.000 milhões. Todos recursos económicos subtraídos dum sistema, o dos Estados Unidos, cada vez mais dificuldades.

No final de 2001, quando as forças dos EUA invadiram o Afeganistão, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA ascendia a cerca de 10.100 milhões de Dólares, agora é de 14.700 milhões de Dólares, aumentou a uma taxa de crescimento de cerca de 2% ao ano.

Em outras palavras, a economia dos EUA tem sido capaz de expandir-se, apesar dos custos enormes da guerra, pelo menos até o colapso de Wall Street em 2008.

Hoje, a economia americana é afetada pelo desemprego e pela perda de competitividade, a dívida total equivale a três vezes o PIB.

O que teria acontecido se o dinheiro tivesse sido injectado no sistema de produção do País, em vez de ser desperdiçado nas guerras?


Obviamente, um menor gasto militar não se traduz num maior crescimento económico das mesmas proporções, pois os dois parâmetros são baseados em determinantes diferentes e não estão directamente relacionados.
Mas não há dúvida de que cada Dólar de despesas (e, portanto, de deficit) significa um Dólar de riqueza a menos para a economia dos Estados Unidos.

Adicionando os custos da guerra ao sistema económico a partir do qual foram subtraídos, o PIB dos Estados Unidos hoje ascenderia cerca de 16.000 milhões de Dólares, um crescimento de 3% na última década.

Parece pouco: afinal é apenas 1 ponto percentual mais do que a taxa de crescimento real, que foi de 2%.
Na verdade, este 1% significa um rio de dinheiro e de prosperidade. Significa mais oportunidades de empregos para as pessoas. E menos ansiedade para a Casa Branca.

Obama apostou em conceito simples para a sua campanha eleitoral: após os anos desgraçados de Bush, as promessas era focadas nos problemas domésticos: saúde, segurança e, acima de tudo, trabalho

Agora, a figura de Obama não encanta mais ninguém. As promessas eleitorais não passarm disso: promessas, e tais permaneceram.
Sim, verdade: o peso que o Presidente recebeu de seu antecessor era muito enorme. Mas era precisa, no mínimo, uma mudança de direcção, e esta não aconteceu.

A economia não recuperou e o orçamento público está cada vez mais em perigo.

Guerras e velhos hábitos

Os recursos utilizados para enfrentar a crise de 2008 foram obtidos através da impressão de dinheiro e não através de reformas estruturais.

E sem alargamento do limite da dívida no próximo dia 02 de Agosto, o Governo federal não terá os recursos para os pagamentos do fundo de pensão dos funcionários públicos, ficando assim insolvente.

Por outro lado, as guerras no Iraque e no Afeganistão estão sempre lá a pedir dinheiro. E agora abriu outra frente, na Líbia, e outros dois Países, Yemen e Síria, exigem cada vez maior atenção.

A fonte das dificuldades actuais dos Estados Unidos não reside apenas na voracidade dos gastos militares dos últimos anos.

A pesar como uma enorme pedra sobre o destino da economia de Washington também contribuíram as irracionais escolhas macroeconómicas, como a decisão obstinada de manter as taxas de juros artificialmente baixas para incentivar o crescimento, a desregulamentação excessiva no sector financeiro e o hábito de adquirir recursos através da dívida.

No entanto, aqueles 1.200 milhões (3000?) desperdiçados nos desertos do Médio Oriente teriam garantido ao País um presente melhor, e disso não há dúvida.

Uma hemorragia de riqueza que continua, inabalável.

Números

Até agora a única certeza são os números.

Na semana passada, a Casa Branca admitiu que os ataques aéreos na Líbia custaram mais de 716 milhões de Dólares, um total que poderia aumentar para 1,1 mil milhões até Setembro.

Números.

Como os 1,2 mil milhões desaparecidos no Iraque e no Afeganistão, o 10% de deficit, 9% de desemprego, em 9%, a proporção de relação dívida/PIB total igual a três e uma economia estagnada, apesar das taxas estarem perto de zero.

Números que pesam sobre as gerações futuras.

E pensar que o Presidente Washington, o Pai de Pátria, achava triste que a posteridade pagasse os preços das guerras anteriores.


Fonte: GeoPoliticaMente

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