29 junho 2011

Stress testes. Outra vez.

Stress-test.

É um teste, de facto, que mede a capacidade de resistência perante um acontecimento "estressante".

Por exemplo: eu ligo a televisão e vejo que começa uma novela. Quanto tempo costumo aguentar?
Em média 0,12 segundos. Depois digo um palavrão e mudo de canal.

E os stress-testes dos bancos?
É um bocado diferente. Neste caso não há uma televisão nem uma novela.
Aqui é criada uma condição de crise virtual e os bancos são observados enquanto tentam responder perante esta situação.

Foram feitos há alguns meses e os resultados publicados em pompa magna: todos os bancos europeus tinham ultrapassado a crise com a máxima descontração.
Na altura apenas 7 instituições necessitaram de correções, mas nada de grave e, sobretudo, nada que pudesse pôr em causa a estabilidade da estrutura económica-financeira europeia.

Em verdade as coisas não foram bem assim, pois alguém tinha observado que determinados parâmetros tinham sido alterados para "facilitar" a vida das instituições bancárias. E que com dados "reais" o resultado teria sido bem diferente.

Mas que interessa? Todos os bancos promovidos, esta a mensagem que era preciso espalhar. E nós, felizes como crianças: todos os bancos passaram os testes, que alegria!

Teria sido preciso parar um segundo e pensar: como é possível? Como é que há empresas que fecham perante a pior crise desde a Grande Depressão do século passado enquanto os bancos (que sempre privados são) resistem perante tudo e mais alguma coisa? Onde fica o "truque"?

Porque um banco (lembramos: sempre empresa privada) não sofre dos males dos comuns mortais?
E que há para festejar?


São perguntas banais e sem sentido. Na altura havia uma prioridade: convencer o mercado (e nós, em medida menor) que, apesar das enormes dificuldades, o sistema económico-financeiro estava são e inabalável. E convencer os mercados significa" 1. atrair investidores 2. acalmar as praças.

Entretanto o tempo passa e chega a altura para novos testes. Agora o cenário é o seguinte: e se a Grécia entrasse em colapso?
Que dizer, a Grécia já está não apenas colapsada mas em coma mesmo, e em desde hoje. Mas se esta falência fosse tornada oficial?

A agência Reuter anuncia os resultados: até 15 bancos do Velho Continente não estariam em condição de ultrapassar a crise. Bancos da Grécia (olha só a surpresa), da Alemanha, da Espanha e de Portugal.

Tudo normal, afinal estamos perante uma das hipóteses piores na Zona Euro: a bancarrota dum dos Países Membros.
Mas não é bem assim.

Alguns, mas não muitos

Afirma uma fonte anónima do Banco Central Europeu:
Quanto bancos falidos? Entre 10 e 15
E acrescenta:
Para demonstrar a própria credibilidade, a Autoridade Bancária Europeia  precisa de mostrar que o número dos bancos falidos é significativo, sem ser substancial.[...] Se o resultado for o mesmo da última vez, ninguém acreditaria. Mas não podem ser 50, o sistema bancário ruiria.
Traduzimos: os resultados são construidos de forma a reflectir a grave situação sem por isso espalhar o pânico.

Ainda:
Cada autoridade nacional entrará na luta para que os bancos do próprio País não entrem na lista.

Tradução: é uma questão não apenas económica mas política também.

Síntese: os testes são o fiel espelho da realidade económica e financeira na qual vivemos. São construidos de forma a reflectir as exigências do sector bancário; são manipulados para espalhar um sentimento de "preocupação controlada".

Estes testes são falsos.

Nada de novo, portanto.


Ipse dixit.

Fontes: Rischio Calcolato, Reuters

1 comentário:

  1. "Estes testes são falsos" e para ajudar À falsidade são baseados em relatórios financeiros totalmente falsos, pois neles não estão espelhados as brincadeiras tipo CDS e outros instrumentos de malabarismos financeiro... Claro que isto muitos poucos sabem por isso é que a GRANDE MANADA se sente sempre segura, pois acredita que aquele BOI que está a mugir "TUDO ESTÁ BEM" muge a Verdade... ihih grandes idiotas

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