25 julho 2011

EUA: mais além. E ainda um pouco mais.

Enquanto os media gostam de entreter-se com as aventuras de Anders Behring Breivik, o alegado autor dos massacres da Noruega, o resto do Mundo continua a ir em frente. Ou a ficar parado, como no caso dos Estados Unidos.

143.000.000.000.000

Resumo dos episódios anteriores.

O simpático Barack Obama acabou o dinheiro. É uma pena, pois ainda há muitas contas para pagar.

Normalmente este não seria um problema: falta dinheiro? Vamos criar dívida. É só emitir Títulos de Estado, aplicar uns bons juros e pronto, dinheiro como se chovesse.

Só que nos Estados Unidos existem leis segundo as quais há limites: nem o bom Obama pode endividar-se até o infinito.

São leis que foram criadas mesmo para evitar que o País ficasse refém dos investidores, isso é, de quem compra os Títulos de Estado; e para obrigar os políticos a ter um mínimo de responsabilidade e não viver apenas à custa da dívida.

O simpático Obama sabe disso e responsavelmente pensa: vamos modificar as leis.


Problema: para modificar a lei do endividamento (e permitir que o Estado federal ultrapasse na boa os limites) são precisos os votos do Congresso. Não apenas os votos democratas, que já não são suficientes, como também aqueles dos Republicanos. Os quais poderiam dizer "Sim, porque não?", mas com grandes custos, pois o próprio eleitorado não gosta muito da ideia.

Resultado: até o dia 2 de Agosto Washington tem que emitir novos Títulos de Estado, caso contrário não terá dinheiro suficiente para pagar a dívida existente. E como se chama uma pessoa que não tem dinheiro para pagar as dívidas? Pois...

No dia 3 de Agosto a primeira conta é de 23 mil milhões de Dólares, causa Social Security;
no dia 4 de Agosto é preciso pagar 90 mil milhões de dívida (pois as dívidas têm de ser pagas, cedo ou tarde);
no dia 15 de Agosto é preciso pagar 30 mil milhões de Dólares de juros (pois a dívida custa, e muito).

Total: 143 mil milhões de Dólares até o dia 15 de Agosto. 143.000.000.000.000 de Dólares.

Então eis Democratas e Republicanos, sentados em redor duma mesa, que discutem, e discutem, e discutem...
Ontem discutiram e não conseguiram encontrar um acordo.
Também na semana passada tinham discutido, com o mesmo resultado.


Mais além. E ainda um pouco mais.

Afinal é um grande jogo: eu preciso dos votos do adversário, o adversário poderia ajudar-me mas quer também ganhar alguma coisa; então eu faço concessões, o adversário pensa "Ahhhh, foste até aqui, então vamos ver se consegues ir um pouco mais além". 

The American Dream no seu melhor.

Os Americanos adoram estas coisas, sobretudo aqueles que para viver dependem do subsídio federal, o primeiro a "saltar" caso não seja alcançado um acordo no prazo de poucos, muito poucos dias.

Até agora ninguém levou a sério a hipótese de bancarrota. Sim, jogam, mas depois vão encontrar uma solução para chegar lá, onde ninguém antes tinha chegado (uma dívida imensa, sem confins, um autêntico Nirvana de juros).
Por isso Wall Street e os mercados no geral não têm ligado muito. Até hoje.

Pois o tempo passa e os Grandes Estadistas continuam sem acordo. E algumas dúvidas começam a surgir. Será que...? Não, impossível.

Mas o ouro alcança novos máximos (nota? Fiquem vocês com o papel, eu fico com o ouro).
Shangai abre a Bolsa com um estrondoso -3.06%, pois a China está embutida de Títulos americanos e a confiança já não mora aqui.
E as outras Bolsas perdem. Já passou o "efeito resgate da Grécia 2ª parte"?. Parece. Agora os mercados esperam um "efeito tecto máximo da dívida ultrapassado".


O futuro? É até 2012

Como nos bons filmes de Hollywood, a bomba será desarmada no último segundo e todos ficarão felizes e contentes. Ou quase.

O secretário de Economia do governo britânico, Vince Cable:
Os direitistas loucos [o Partido Republicano, NDT] são uma ameaça ainda maior para a economia global do que a crise da zona euro 
Sem dúvida. Enquanto aumentar a dívida até limites nunca imaginados é sinónimo de responsabilidade e profunda inteligência económica.

E o futuro? O futuro é risonho.
Harry Reid, do Partido Democrata:
Buscamos una extensão do tecto da dívida que nos leve pelo menos até ao final de 2012. Não podemos enviar ao mundo uma mensagem carregada de ambivalência
Até 2012, um ano. Esta chama-se "visão de longo prazo", nada mal para um País com mais de 200 anos de história.


Alarme: a Grécia esgota os níveis

Mas se os políticos dos Estados Unidos são preguiçosos, há quem não durma. É caso de Moody's que, sem hesitação, baixou o rating...da Grécia.

A Grécia? Que fez agora a Grécia?

Nada, não fez nada.
Só que na Moody's tinham que baixar alguém, então lembraram-se de Atenas. Doutro lado na Grécia já nem ligam a estas coisas. Aliás, quando nenhuma agência baixa o rating, ficam preocupados, agarram os telefones e começam a gritar como loucos "Então, já não lembram de nós? Totalmente esquecidos? O que é isso?".

Moody´s e companhia deveriam prestar um pouco de atenção ao que se passa em casa, um País à beira da bancarrota, que só acordos extra-políticos podem salvar ("eu dou-te isso, tu da-me o quê?").
Talvez.
Mas baixar o rating dos Estados Unidos....epá, meus amigos, não se brinca com estas coisas, isso é muito delicado, vejam lá...

Melhor a Grécia.
Só que assim Atenas fica ao nível "Ca", apenas um degrau acima da bancarrota.

Que acontecerá uma vez atingido o degrau final?
Não há crise, Moody´s tem a solução.

Sob observação já está o Império Austro-Hungaro, cujo rating parece estável por enquanto.
Outlook negativo, pelo contrário, pelo Império Francês, cujo leader, Napoleão Bonaparte, não parece fornecer suficientes garantias no longo prazo.

De AAA para AAA- o Terceiro Reich, pois Goldman Sach's acha que o êxito batalha de Estalinegrado pode representar um duro golpe na economia de Berlim. Isso, claro, sempre que os Russos consigam ganhar.


Ipse dixit.

Fontes: Expresso, Diário de Notícias, Rischio Calcolato, Il Grande Bluff

2 comentários:

  1. Eu vejo uma saída/solução para esta dívida e para o problema da superpopulação consumindo sem parar de forma que o planeta não está conseguindo aguentar.
    Já tivemos duas antes, por que exitariam uma terceira?

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  2. Anónimo25.7.11

    Tenho receio de que sejam feitos acordos, e que sobre estes acordos algo ruim possa acontecer.

    Algo como uma guerra, ou coisa do tipo.

    Coincidentemente, uma das teorias paralelas para dezembro de 2012 é o fim do sistema monetário do qual conhecemos hoje, isso segundo um médium.

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