12 julho 2011

A miragem da anestesia

No Quênia, em áreas como Turkana, no Vale Rift, e as províncias do Nordeste, Leste e Oeste, as intervenções cirúrgicas são realizadas sem o uso de anestésicos.

Esta é a queixa do Presidente da ONG Kenya Treatment Access Movement (Ketama), James Kamau, que também diz que o anestésico pode ser encontrado apenas em Nairobi e em alguns hospitais provinciais geral.

Segundo os especialistas e as associações da sociedade civil, a responsabilidade pode ser atribuída a um nível corrupção na burocracia particularmente elevado.

Enquanto isso, Willis Akhwale, chefe do "Controle das doenças" do Ministério da Saúde, pediu aos fabricantes dos medicamentos para desempenhar um papel importante nesta batalha, especialmente no que diz respeito à produção local de medicamentos.


O Quénia e o negócio dos medicamentos

No Quénia não é novidade a escassez de medicamentos, aparentemente causada pela lentidão da burocracia na aquisição.
Este ponto, todavia, gera uma enorme contradição pois o Quénia é também um grande centro de negócios farmacêuticos da região e é absurdo, bem como irônico, que seja continuada a importação de medicamentos básicos como a anestesia em vez de promover a produção local.

MedPages , um banco de dados on-line que mantém o registo dos centros e das associações para a protecção da saúde em toda a África Sub-saariana, conta em Nairobi bem 11 centros de formação (clínicas, day surgery, etc.) que praticam anestesia e apenas dois em Mombasa.

Enquanto o problema pode ser de origem burocrática, o que tem implicações na gestão e na distribuição, também não podemos esquecer as variáveis ​​económicas e financeiras, que acabam por ser um apêndice nada secundárias do aspecto burocrático.

A Agência para a subministração de medicamentos, uma entidade mista público-privada, é responsável pelo planejamento e a gestão da distribuição dos medicamentos em todos os centros de saúde pública no País, mas as autoridades reclamam a falta de fundos para cobrir todo o território.


Sida, vacinas...  

É, portanto, um problema de gestão financeira?

Embora o governo tenha atribuído ao Ministério da Saúde 870 milhões Dólares, 12 milhões foram gastos para a compra de anti-retrovirais, 2 milhões para a compra de equipamentos modernos para o estudo do câncer cervical e de mama, 79 milhões para as vacinas, enquanto os anestésicos foram postos na cauda da lista de prioridades.

Reparem: anti-retro-virais (Sida) e vacinas conseguem a fatia maior dos financiamentos...quem quer entender, que entenda.

O Ministro Anyang Nyong disse que estava ciente do problema, mas ao invés de usar o dinheiro disponibilizado pelo governo prefere esperar para os fundos recolhidos com as doações para a compra de medicamentos, inclusive anestésicos.


Sem anestesia

Assim, os pacientes são submetidos a cirurgias, suturas, remoções, amputações, totalmente acordados e conscientes.
Muitas vezes os médicos são obrigados a operar com equipamentos improvisados ​​e, nos casos particularmente sensíveis, têm de transferir os pacientes para os hospitais provinciais, com melhores equipamentos e com anestésicos.

Todavia, quando as circunstâncias são especialmente graves e não há tempo suficiente para o transportes, as intervenções devem ser feitas no local.

Palavras para quê?


Ipse dixit.

Fonte: Il Cambiamento, Ketam

1 comentário:

  1. No final do dia... "Who gives a shit"

    As Maioria das pessoas não estão nem aí, e como tudo neste Planeta apenas se altera quando as Maiorias fazem algo... isto vai continuar...

    Quanto à referência que fazes à SIDA... o Síndrome existe mas para recuperar alguém com o Síndrome não são precisas drogas Anti-Retrovirais... para aqueles seres daqueles Países basta água potável, nutrição em quantidade e qualidade e eventualmente o tratamento da verdadeira doença que possam ter (tuberculose etc)...

    Se gastarem todo o dinheiro dos ARV com isto a Síndrome pufff

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