21 julho 2011

Fora daqui

Não existem apenas notícias negativas.

E gostaria de dedicar algumas linhas a um dos maiores resultados do Homem.

Qual Homem? Não, digo, o Homem no geral.
Ah.

Falo da missão dos rovers Spirit e Opportunity, em Marte.
Pensamos nisso. Ok, pensamos.
Já acabou? Não, nem comecei.

O Homem conseguiu construir algo que não destrói nada, não mata, não tenta vender produtos financeiros e nem vive de juros. Já isso é digno de nota.
Os mesmos técnicos da Nasa ficaram tão maravilhados que tentaram repetir a obra, o que resultou, com grande espanto geral. Nasceram assim as sondas Spirit e Opportunity.

Depois pegou nas duas criaturas e enviou-as em Marte, um lugar bem mais seguro do que aqui.


Havia desconfiança.
"Como assim? Não roubam? Não invadem? Então fazem o quê? Epá, não podem aguentar, tempo três meses e abrem o primeiro banco".

Mas as duas sondas não abriram um banco e continuaram a fazer uma coisa maravilhosa: explorar um mundo desconhecido.

Após sete anos, uma delas ainda está a trabalhar. A outra, Spirit, devolveu a alma ao Criador. Mas não antes de ter passado seis anos a percorrer o Planeta Vermelho.

Segui as aventuras dos rovers ao longo destes anos.
Spirit aproxima-se duma pedra. Spirit observa a pedra. A pedra observa Spirit. Spirit dá um pontapé na pedra.
Parece estúpido, mas é impossível não ver nesta criação do Homem, feia, desajeitada e lenta, uma representação do mesmo Homem: que não sabe, que tenta perceber, que se mexe como uma criança perante algo de terrivelmente grande e desconhecido.

Haverá algo de bom naquela direcção? Parece, pode ser. Vamos tentar.
Este é o espírito.

Spirit, como afirmado, já foi. Provavelmente não resistiu ao Inverno marciano.
Opportunity, pelo contrário, continua.

Agora fica perto da cratera Endeavour, um buraco parecido com as contas públicas portuguesa.

Opportunity não está tão bem: tem problemas no braço-robot, uma das rodas não funciona. É normal, está muito velho: 7 anos nas condições ambientais de Marte correspondem a 70 anos na Terra.
Praticamente a mesma idade do Presidente da República Portuguesa. Só que no caso da Opportunity o cérebro ainda funciona.

Por do Sol em Marte
E continua, no meio dum panorama que faz lembrar o interior do Algarve, a enviar mensagens, imagens, dados.

Muitos acham estas missões um desperdício de dinheiro.
Errado, profundamente errado.

Não é por causa do dinheiro gasto nestes ou noutros projectos espaciais que o Mundo está como está. Bem outros são os problemas.

A sede de conhecimento é uma parte fundamental do Homem. Não reconhece-la significa desconhecer a natureza humana. Um homem sem vontade de aprender é um morto.

E depois, porque fechar os olhos perante uma das poucas coisas pelas (ou "para"? Raio de idioma...) quais o Homem pode sentir-se orgulhoso?


Ipse dixit.

Imagens: Jet Propulsion Laboratory

4 comentários:

  1. Descobrindo outras terras e lugares desconhecidos é que podemos aprender a enxergar nossa terra de uma maneira diferente.

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  2. Anónimo21.7.11

    Muito interessante sua visão sobre as coisas.

    Adoro este blog!

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  3. Anónimo21.7.11

    A maior ambição do homem, o que faz com que o homem se "mexa", é o desconhecido.
    O desconhecido, não conhecendo, só por si já é fantástico. :)

    Gostei muito de ler o artigo, em especial atenção para o traço cómico que é exposto no texto. É esta tua (permite-me tratar por tu) maneira de escrever que me prende ao computador todas as noites.
    Lamechices à parte..

    Parabéns! ;)

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  4. A PROVA - Martyn Stubbs


    http://www.viagemastral.com/gva/viewtopic.php?f=9&t=4774

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