11 julho 2011

Um Segunda de ordinária loucura

Será desta? Quem sabe...

A reunião das Mentes

O facto é que as Mentes Pensantes hoje estão reunidas em Bruxelas e não estava previsto.
O Chefe das Mentes, Herman Van Rompuy, convocou uma reunião de emergência.

Crise? Não, explica o porta-voz com um nome que mais parece o duma personagem de Walt Dinsey,  Birk De Backer: não é uma reunião de crise, é "um encontro para concertar posições".
Ok, é uma reunião de crise.

À porta fechada vão estar o presidente da Comissão, Durão Barroso, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, e o comissário responsável pelos Assuntos Ecómicos e Financeiros, Olli Rehn. A nata da União, a elite das Mentes Pensantes. Que impressão!

Mas quais os assuntos? Basicamente dois:
1. Grécia (ainda...)
2. Itália


Grécia: falida mas com estilo

Oficialmente o tema central será Atenas.

Uma proposta francesa prevê genericamente o prolongamento da maturidade de 70 por cento dos Títulos detidos em obrigações.

Mas as agências de rating não gostam: Standard And Poor’s já avisou que vai considerar a Grécia em incumprimento selectivo (!!!), caso o novo pacote financeiro preveja esta condição.  

Ok, tentamos falar duma forma normal.

Existe uma proposta de França pela qual a Grécia pode adiar o pagamento de 70% da dívida.
Esta chama-se "reestruturação".

Só que não fica bem dizer isso. Porque ao assumir a reestruturação, a União tem também de assumir que a Grécia não pode pagar as próprias dívidas, nem após o "resgate" do Maio passado, nem com o novo previsto para breve.

As agências de rating são más mas não são totalmente estúpidas. E já deram a entender que, no caso, a Grécia será considerada em estado de "incumprimento selectivo". O termo é simpático e elegante, não há dúvida, mas seria melhor utilizar a expressão "bancarrota oficial", mais clara e directa.


Próxima paragem: Italia?

Este o tema em foco.
Aparentemente.

Pois na verdade o assunto principal será outro, nomeadamente a morte do Euro. Pois o novo País nas miras dos "especuladores" é a Italia, para a qual não existe "ajuda" ou "resgate": demasiado grande.

É desta? Talvez.

O Financial Times alerta que os fundos especulativos americanos estão a apostar na queda dos Títulos de Estado de Roma. E a altura parece favorável: o Ministro das Finanças, Giulio Tremonti, entrou em rota de colisão com o Primeiro Ministro, Silvio Berlusconi.

E não é apenas uma divergência: nas recentes eleições regionais, o Governo saiu derrotado de forma pesada, a suspeita é que a queda possa estar para breve, precipitando o País na incerteza.

Moral: melhor ter um olho nas Bolsas e os ouvidos em Bruxelas, pois o dia pode ser quente mesmo...


Christine: No travé la divíd! (mais ou menos...)

Uma última nota acerca do Fundo Monetário Internacional.

A directora-geral do (FMI), a simpática Christine Lagarde, interveio no debate político que divide democratas e republicanos sobre o endividamento dos Estados Unidos, pressionando o Congresso a um acordo para o aumento do limite da dívida pública.

Justo. Limites para quê? Afinal é a Terra da Liberdade ou não?
Então deixem a dívida correr feliz na vastas pradarias, deixem que possa crescer e multiplicar-se segundo os desenhos de Mãe Natureza.
Trava-la seria desumano, uma dívida em cativeiro é uma dívida que sofre.

Quanto devem os Estados Unidos? 14,3 milhões de milhões? Então, acham muito? As agências de rating não, por isso não fazem downgrade.

E a coisa mais divertida é que Washington será obrigada a aumenta-la, que goste ou não. Caso contrário, não terá capacidade para enfrentar as simples despesas de gestão.

A simpática Christine alerta para as “consequências devastadoras” que uma eventual entrada dos Estados Unidos em incumprimento teria a nível mundial, dizendo mesmo que não quer imaginar sequer um cenário desses.

Não quer? Eu não queria tantas coisas, mas mesmo assim....


Ipse dixit.

Fontes: Corriere della Sera, Público.

2 comentários:

  1. Estamos tão quase.
    As impressoras nos EUA querem imprimir mais papel....

    Saudações

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  2. Anónimo12.7.11

    Creio que só um calote generalizado, um perdão total das dívidas, entre todos os países, possa ser uma saída.

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