12 setembro 2011

Nova Ordem Mundial? Parte I


Existe uma Nova Ordem Mundial?
Não sei, não posso saber tudo, e que raio.

Mas é verdade que ao olhar para a informação alternativa não é possível não encontrar notícias acerca de NWO (isso mesmo, a Nova Ordem Mundial), Grupo Bilderberg, Illuminati, Maçonaria...muitas coisas, demais.

Assim como demasiado é o número de teorias que circulam acerca do assunto: há quem veja no actual NWO os herdeiros dos Huguenotes franceses do século XVI, quem vai ainda mais atrás, até a época de Cristo, até os Sumeros e se houvesse mais informações também Noé estaria incluído na lista.

Tudo muito bonito, muito sugestivo, sem dúvida. Mas estamos, ainda uma vez, perante conjecturas, talvez fascinantes, mas sempre conjecturas e nada mais do que isso. Como este blog tenta sempre ficar na área das evidências, do historicamente provado, temos que abandonar estas hipóteses e olhar para algo de mais concreto.

Muitas peças, um único tabuleiro

Supor a existência dum grupo de homens que deseje governar o mundo não é uma ideia tão original: é por isso que sempre existiram os impérios, conjuntos de conquistas militares, domínios políticos, exploração económica e penetração cultural.

Mas ao falar de NWO entendemos algo de mais subtil: não a imposição, mas um governo mundial alcançado com a persuasão das massas e o recurso ao voto democrático (pelo menos, quando possível). Inútil esperar os soldados com as fardas pretas e as letras douradas NWO, pois não é assim que é suposto funcionar.

É uma ideia tão absurda? A resposta não está aqui mas no frigorífico do Leitor (tem uma lata de Coca-Cola?), na sua televisão (vai um filminho de Hollywood?), na urna de voto (há algum partido no governo que sugira a saída da Nato?).


Neste aspecto, o século americano pode ser interpretado como uma espécie de "ensaio geral" dum eventual NWO, ensaio bem sucedido, diga-se.

Mas os apoiantes da teoria do NWO vão além disso e imaginam algumas famílias (bem poucas) que com o poder e as riquezas conseguem condicionar as escolhas dos vários governos: tudo para que cedo ou tarde seja criado o tão desejado governo mundial.

Provavelmente o Leitor supõe que Informação Incorrecta apoie decididamente esta teoria, mas assim não é. Há dúvidas e não são nem poucas nem secundárias.

Como combinar, por exemplo, os Rothschild (os principais suspeitos), uma família de desgraçados até a segunda metade do século XVIII com as teorias que vêem o NWO como herança da Idade Média e com um pedegree bem diferente?

E porque não interpretar os mesmos Rothschild como uma família poderosa (provavelmente a mais poderosa) que tenta "simplesmente" desenvolver um sistema para ampliar e consolidar as próprias conquistas?
Se este fosse o plano dos Rothschild (e não seria uma surpresa), as estradas para serem percorridas não seriam muitas: e todas acabariam, quase com certeza, na tentativa de implementar uma governance mundial regida por um punhado de bancos.

Não é preciso chamar em causa os Huguenotes, o Sangue de Cristo, os Sumeros ou o Arcanjo Gabriel. Coisas que, além disso, retiram credibilidade à teoria aos olhos do leigo: problema bem conhecido no âmbito da informação alternativa...

Sim, tudo bem: os Rothschild podem ter procurado uma camada de verniz historicamente valiosa (embora duvidosa) para justificar a própria obra: não estava Hitler à procura do próprio nome nos antigos textos?

Mas tentamos ver as coisas sob uma nova luz: que tal introduzir propositadamente uma "áurea lendária" para retirar credibilidade à ideia?

Mas mais importante ainda: há uma tentativa para instaurar algo que podemos definir uma Nova Ordem Mundial, independentemente das conexões históricas (que, afinal, podem fazer a felicidade dos bibliotecários mas não mudam de muito a nossa situação)?

Em verdade não é preciso frequentar blogues de informação alternativa para responder: é suficiente ler o que os media costumam divulgar. Nos últimos tempos a ideia dum governo mundial esteve cada vez mais presente nas declarações dos políticos de primeiro plano.

Ignorando os vários Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e companhia, após:
  • a Comunidade Económica Eurasiática (CEEA, criada em Outubro de 2000);
  • a União das Nações Sul-americanas  (UNASUR, Maio de 2008);
  • o Sistema de Integração Centro-Americano (SICA, Dezembro de 1991);
  • a Organização pela Unidade Africana (OUA, 1963), da qual nasceram nos anos 1999-2002 a União Africana (UA) e o Novo Partnerado para o desenvolvimento da África (NEPAD);
  • o Conselho de Cooperação do Golfo (Golf Cooperation Council, GCC, 1981)
  • a Associação das Nações do Sul-este Asiático (ASEAN, Janeiro de 2010), formado com o apoio do Council on East Asian Community (CEAT), Network of East Asian Think Tank (NEAT) e East Asia Fórum (AEF);
  • a União da América do Norte (Março de 2005)
o que falta é mesmo um governo mundial. E falta pouco se temos de acreditar nas palavras do simpático Herman Van Rompuy, Presidente da União Europeia, segundo o qual:
O ano 2009 é também o primeiro ano do Governo Global com a instauração do G20 em plena crise financeira.
Para a felicidade de grandes e pequenos, vamos agora dar início a um artigo muito comprido que reúne as melhores informações acerca da criação desta Nova Ordem.

Lamento, nada de Templários: temos que começar em tempos muito mais recentes. Quando já os Rothschild existiam.
Olha o acaso.

Um pouco de História: o nascimento dum novo poder

Para entender melhor a terrível situação em que os defensores da causa nacional (as antípodas do NWO) se encontravam no início do século XXI, é necessário lembrar as suas principais características, o papel fundamental do poder financeiro e aristocrático no mundo anglo-saxão: este sempre foi um Estado dentro do Estado.

Podemos datar a sua tomada de poder após a introdução da Magna Carta, no longínquo 15 de Junho 1215.
Após a derrota do rei João de Inglaterra, no dia 27 de Julho de 1214 em Bouvines contra o rei Filipe Augusto, os barões Ingleses conseguiram os seus privilégios políticos e financeiros. A Coroa Britânica foi forçada a colaborar com uma classe que combinava a força, o poder financeiro e as ambições comerciais. 

A partir daquela altura, uma elite "gananciosa, vingativa e orgulhosa" tinha nascido, responsável pela existência de grupos de pressão (as lobbies) que, através de diferentes canais, como a finança, a espionagem ou os media, exercitavam pressão sobre o poder político. 

Este último dependia (e ainda depende) em grande parte do apoio e do dinheiro deste "novo" poder: ao qual tem que prestar atenção, do qual tem de seguir os conselhos e as orientações. Os Think Tanks (que podemos traduzir, de forma incompleta, com a expressão "Instituições de Pesquisa"), fundações e grupos de elite são a lógica continuação dum estado de espírito elitista e comercial. Estes pequenos grupos tornaram-se o ponto central duma activa minoria determinante no futuro anglo-saxónico e para o resto do mundo também.

Ao contrário de outras concepções políticas, que subordinam qualquer actividade à do Estado, essas organizações políticas e comerciais já não dependem duma autoridade nacional e começaram a exercer o próprio poder muito cedo. 

Desde a Idade Média, empresas como a London Staplers, a London Merces Company ou a British East India (BEIC no século XVII) representaram o ponto alto do imperialismo britânico. Assim, a aristocracia do comércio passou a tocha da conquista e do controle da riqueza duma geração para outra, cada vez mais. 

A derrota francesa na América do Norte, que levou ao tratado de 10 de Fevereiro de 1763, pode ser considerada como o nascimento e o crescimento da oligarquia britânica. De facto, a perda da Nova França em favor da Coroa britânica entregou a esta um inteiro continente, cheio de imensa riqueza e quase vazio de habitantes.
 A incapacidade da monarquia francesa em povoar vastas áreas e integrá-las na esfera da civilização greco-romana faz com que toda esta área passe sob o controle anglo-saxão.

 Ao contrário, a elite norte-americana, em colaboração com a homóloga britânica, está sempre pronta para impor o seu modelo no mundo. Após as guerras da Revolução e da derrota de Napoleão I em 1815, o poder Anglo-saxónico não tem rivais nos mares.

Potência demográfica, população de vastos territórios na América do Norte, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, controle de pontos estratégicos em todo o mundo (Gibraltar, Hong Kong ...), conquista de terras em quase todos os continentes, tecnologia avançada e desempenho bancário permitem que estes comerciantes aristocratas de Londres e New York sonhem de dominar o mundo a partir da City e de Wall Street.

Um homem foi a imagem deste ideal: Cecil Rhodes.
Quem era este? É o que vamos ver.
Mas não agora, no próximo episódio.
Certeza?
Absoluta.
Ok... 


Ipse dixit.

6 comentários:

  1. Anónimo12.9.11

    Muito bom!
    "Sempre é bom manter os pés no chão."

    Max e todos que quiserem entender melhor sobre o assunto, com uma visão realista e extremamente inteligente aconselho verem esta sequencia de vídeo/audios que vão do 1 ao 31, SIM!
    Do 1 ao 31, é bastante informação, na verdade, informações valiosíssimas:

    http://www.youtube.com/watch?v=ppdA45V39lo

    até mais

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  2. AAHAHAHAHAHA!!! MAX :))
    Farto-me de rir da forma como expõe as teorias!ahahha e as fotos tão sugestivas! :)

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  3. maria12.9.11

    olá Max: o mundo tá cheio de radicais (que vão às raízes das coisas). Infelizmente nem sempre pegam a raíz mais adequada para desenvolver seus raciocínios e crenças. Mas felizmente, encontramos a ti que te dás ao trabalho de usar tua inteligência radical para agarrar a história pela raíz adequada: finanças, media, poder de dominação, se metamorfoseando e atualizando desde a idade média. Estou ansiosa pelo segundo capítulo!
    Tem um sujeito que escreveu kilômetros de frases metafóricas para dizer o que poderia ter dito em 10 páginas, mas que fazer!? Deleuze era francês e antes de se matar, teve algumas idéias bem interessantes em torno de uma sociedade de controle, sob estados policiais, financeirização global, endividamento sistemático das sociedades e dos indivíduos, homogeneização do pensamento, excesso de comunicação, ausência de informação, vida social em espaços abertos de educação (não presencial), de saúde(não hospitalar), de contenção de delitos (não prisional) porque dispensáveis já que todos seremos um autocontrolado e não precisaremos mais de espaços fechados para nos disciplinar a cabeça (escola), o corpo (hospital, manicômio), o desejo (prisão). Não sei se isso corresponde a uma nova ordem mundial, que faz funcionar o controle no lugar da disciplina, mas de qualquer forma tudo indica que está em curso...e depois?
    Espero as tuas pistas, Max, sempre bem orientadas pelo faro do Leo.
    Quanto á saídas...Bem, pessoalmente segui em parte o conselho de Deleuze, só em parte, porque não me mato, isso de jeito nenhum, e apesar de jurar ficar quieta (vacúolos de silêncio na linguagem do Deleuze), ainda acabo encontrando uma informação incorrecta para me cutucar.Abraços

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  4. Excelente colocação, bem realista, fora das muitas loucuras que vemos por blogs conspiracionistas.
    Totalmente dentro de nossa realidade.

    Obrigada Max

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  5. NunoSav13.9.11

    Concordo e o Sr. deputado Gerard Batten também:

    http://www.youtube.com/watch?v=nwUAt5rnzo4&feature=feedu

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  6. Belo artigo!

    Gostei da tradução para o italiano. Embora eu não saiba falar. Somente agora percebi ao acaso.

    :D

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