20 setembro 2011

O 194º Estado


O Estado palestiniano vai nascer? Ou nem por isso?

Após 60 anos de guerras, conflitos de alta e baixa intensidade, ataques, repercussões, represálias, ocupações militares, negociações falhadas, acordos ignorados, será desta vez a luz verde?

Um passo concreto poderá ser dado no próximo dia 23 de Setembro, quando Abu Mazen pedirá que o Estado da Palestina seja reconhecido como 194º Estado-Membro das Nações Unidas, limitado pelas fronteiras estabelecidas no dia 4 de Junho de 1967 (incluindo os territórios ocupados) e Jerusalém Oriental como capital.

Então, finalmente, teremos um Estado palestino? Difícil, muito difícil.
O pedido de Abu Mazen não será suficiente só por si, apesar de serem 126 os Países que já reconheceram a Palestina e , no total, cerca de 140 estariam prontos para aceitar o pedido na Onu; onde a maioria de dois terços será necessária para entrar como Estado observador.

O problema será a atitude dos Estados Unidos: apenas um veto dos cinco grandes Países do Conselho de Segurança é suficiente para afundar a proposta.
Na verdade, o Secretário do Departamento de Estados Dos EUA, Victoria Nuland, já disse que os Estados Unidos vão colocar o veto: isso significa que a Palestina como Estado independente não vai nascer.

Por agora.
Pode o povo palestiniano, a comunidade árabe e todo o mundo aceitar outros de 44 anos de assédio da Palestina?


Sim, claro que pode: é o que tem acontecido até hoje.

Mas um Estado da Palestina é uma necessidade. Para o bem de todos, israel, em primeiro lugar. Não é por acaso, na verdade, que nestes dias de negociações diplomáticas e ameaças de retaliação, uma organização de paz israelita publicou uma lista de 50 razões pelas quais israel deve aceitar a criação dum Estado palestiniano.

A verdade é que um governo apoiado pela extrema direita israelita nunca aceitará a criação dum outro Estado, apesar deste ser previsto por todos os acordos de paz, no interior dos limites "bíblicos".

A política unilateral e míope de Netanyahu conduziu israel num canto escuro, cada vez mais isolado internacionalmente e incapaz de enfrentar a mais grave crise diplomática da sua história.

israel, na verdade, nunca tinha ficado tão isolado como agora: não tem mais o seu fiel aliado, o Egipto, perdeu o aliado turco, a fronteira norte está cada vez mais nas mãos do Hezbollah, as pessoas protestam contra a embaixada de Ammã e a distância com Washington nunca foi tão profunda.

No entanto, Obama não abandona o seu aliado e impede o surgimento dum Estado palestiniano, mesmo que isso seja contrário aos interesses dos Estados Unidos; e sem esquecer que isso significa assumir perante o Mundo a responsabilidade de não ter dado à luz a Palestina, como repetidamente prometido.

Ele, Barack Obama, Prémio Nobel da Paz.

O caminho para a criação dum Estado palestiniano, princípio essencial para reduzir as tensões no Médio Oriente, está repleta de dificuldades, tal como era antes.

São muitos os acordos de paz, as negociações e as promessas quebradas. Entre as muitas, é importante lembrar o acordo de paz assinado com o Egipto em 1978, quando israel assinou para reconhecer os legítimos direitos do povo palestiniano. O acordo previa o estabelecimento duma autoridade autónoma nos territórios ocupados e na Faixa de Gaza dentro de cinco anos, mas nada disso aconteceu.

Depois de 15 anos, foi Clinton que tentou alcançar um acordo de paz.

Era o ano 1993, exatamente o dia 20 de Agosto, quando israel e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) assinaram uma série de acordos (os Acordos de Oslo) que, pelo menos na intenção, teriam implicado uma resolução do conflicto, selados por um aperto de mão histórico entre Yitzhak Rabin, primeiro-ministro israelita, e Arafat Yesser, o representante da OLP.

Esses acordos têm permanecido letra morta. Por um lado, as negociações fracassarem, enquanto a ocupação ilegal dos territórios palestinianos continua.

Apesar dos apelos internacionais (até Obama se manifestou contra as colónias de israel) e os acordos de paz que preveem o total congelamento da construção de novos assentamentos, o primeiro-ministro Netanyahu disse que o seu governo vai continuar a concordar com novas construções para ajudar o "crescimento natural".

As colónias, tanto para ser claros, são aqueles assentamentos muitas vezes ocupados por extremistas religiosos que a comunidade internacional considera ilegais. As colónias variam em tamanho e podem chegar a ser verdadeiras cidades, com dezenas de milhares de habitantes, construídas no coração da Palestina. Além disso, para proteger estes lugares, israel militarizada a zona em redor, tornando a vida impossível para aqueles que, até então, tinha vivido naquelas terras.

Na Cisjordânia, na parte onde deveria nascer o Estado palestiniano, vivem cerca de meio milhão de israelitas. Cerca de 300 mil vivem nas centenas de assentamentos ilegais e os restantes 200 mil em Jerusalém Oriental (também militarmente e ilegalmente ocupada após a "Guerra dos Seis Dias"). Somente em Julho de 2011 foi aprovada a construção de 700 novas unidades habitacionais para os colonos israelitas em assentamentos ilegais de Gilo, na Jerusalém ocupada, onde já vivem 40 mil colonos.

É bom lembrar que todos os assentamentos israelitas construídos no território palestiniano ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, são uma violação do direito internacional e da IV Convenção de Genebra, onde podemos ler no artigo 49:
A potência ocupante nunca poderá deslocar ou transferir partes da sua própria população civil no território que ocupa. 
Isso diz a comunidade internacional. Mas israel considera-se superior e nem respeita os acordos de paz, imaginem uma Convenção de Genebra...

Mas a realidade não muda: os assentamentos ilegais são uma clara afronta à comunidade internacional, à paz e representam o combustível para as tensões do Médio Oriente.

A Direita israelita não quer a paz: quer manter os Palestinianos numa condição miserável e, ao mesmo tempo, quer que os próprios habitantes continuem expostos ao risco do terrorismo árabe, até no interior das fronteiras.

O povo israelita, é bom não esquecer, é a outra vítima deste eterno conflicto.

Pssst! As legendas estão invertidas, como reparou Tony; israel em branco, a Palestina em verde. Lamento, culpa do aquecimento global que sobrecarregou os meus neurónios.


Ipse dixit.

Fonte: Tiscali,


2 comentários:

  1. Vamo de se a Dilminha vai ter peito pra defender o estado palestino na abertura da sessão da Onu.

    Max, pensando aqui com meus neurônios (que andam a sumir a cada dia), é impressão minha ou as legendas (Israel e Palestina) do último gráfico está invertida?

    Abraços!

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  2. Obrigado Tony, era uma forma para não discriminar os daltónico mas de facto é melhor avisar...

    Abraçoooo!

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