23 setembro 2011

O Furher e a crise

É crise. Ah, pois é.

É nesta altura que vamos até o estante dos livros, sopramos para afastar o pó, e descobrimos que já no passado houve crises. Que como consolação não é muita.

Mais do que isso: como fizeram para ultrapassar um período tão infeliz?


O New Deal de Hitler

Ao falar de crise económica a imagem que temos é aquela da Grande Depressão e do subsequente New Deal do Presidente Roosvelt.

Mas Roosvelt não tinha sido o primeiro a enfrentar e resolver uma grave crise: antes dele, na Alemanha, tal Adolf Hitler teve de enfrentar problemas bem mais graves. E resolve-los.

Como? É o que vamos ver.

Quando Hitler tomou o poder em 1933, na Alemanha havia mais de 6 milhões de desempregados (20 da força-trabalho), muitas delas num estado de mal nutrição: isso enquanto o Estado encontrava-se preso pelas dívida e com reservas monetárias perto do zero.

Não era uma boa situação.

Para resolver os problemas, Hitler convocou um hebreu (isso mesmo!): Hjalmar Schacht, Ministro da Economia e Presidente do Banco Central do Reich.

A ideia de Schacht era simples: as notas podem ser criadas à vontade, desde que os preços sejam mantidos constantes: e o único motor necessário é a confiança. É suficiente criar e manter a confiança, com a sugestão ou com a força.


"Mas como?" perguntará agora o astuto Leitor do blog: " Criar moeda não gera inflação? E a inflação não gera subida dos preços?".
Sim, de facto é assim. É isso que torna a obra de Schacht interessante. E melhor do New Dial.

Na área do comercio com os Países estrangeiros, Schascht inventou um sistema para transformar a aquisição de matérias primas em ordens para a industrial alemã: os fornecedores eram pagos em moeda que podia ser gasta exclusivamente na compra de mercadorias feitas na Alemanha.
Na prática, um mecanismo de troca: tu dar barril, eu dar salsicha.

Funcionava? Sim, funcionava. O que traduziu-se num forte estímulo para a industria manufactureira do Reich. E, alem disso, evitava a intermediação financeira e a saída dos capitais: a moeda, gasta nas matérias primas voltava logo para a aquisição dos produtos alemães.

O controle nazista do comercio com o estrangeiro e do câmbio forneceu à economia de Berlim uma nova liberdade: em primeiro lugar porque o valor da moeda (o Marco) não é dependente do seu valor no estrangeiro (as Bolsas inglesas e americanas).

O Estado podia criar a moeda necessária para adquirir matérias e desenvolver novas actividades económicas: isso sem criar dívida externa. E sem que a moeda fosse punida nos mercados internacionais com a perda de valor, causado da desconfiança dos investidores.

Claro, era um sistema parecido com um "mercado fechado": para fazer negócios com a Alemanha era preciso aceitar estas condições. Mas com os estímulos no sector manufactureiro a produção melhorou, não apenas em quantidades mas também em qualidades, e cliente não faltavam.


Os Metallurgische Forschungsgesellschaft  

"E a inflação?, Eh?" insiste o sagaz Leitor.

Schacht não era parvo e como todos os hebreus, quando houver dinheiro sabe bem o que fazer. Na verdade não foram imprimidas muitas notas, pois a principal medida foi a criação dos MEFO, os Metallurgische Forschungsgesellschaft, m.b.H.

Atrás deste nome assustador escondiam-se normais obrigações, verdadeiros títulos emitidos no mercado interno para financiar o desenvolvimento.

Na prática, o Estado autorizou as empresas a emitir títulos garantidos pelo Estado: é com os MEFO que as empresas pagavam os fornecedores,não com dinheiro eventualmente imprimido pelo Banco Central.

O MEFO incluíam um risco: e se todos os detentores dos MEFO fossem até o Banco Central da Alemanha para exigir o pagamento em dinheiro, todos ao mesmo tempo? Porque um título garantido pelo Estado significa isso:em qualquer altura o dono do título pode ir até o Banco Central e pedir "O meu dinheiro, s.f.f.".

Neste caso sim: o Reich teria sido obrigado a imprimir muito dinheiro e a inflação teria explodido. Mas isso nunca aconteceu. Aliás, os MEFO eram utilizados pelas empresas alemãs como forma de pagamentos entre elas: de facto, tornaram-se uma forma de moeda (exclusiva para as empresas), mas sem o risco de criar a inflação.

Os economistas perguntam: mas como foi possível que este sistema funcionasse?
Resposta: funcionou.

A base deve ser procurada na imensa confiança que o regime espalhava e recebia. Não apenas entre as empresas, mas também entre os cidadãos.

Os MEFO constituíram um sistema de moeda circulante paralelo que, de facto, tornou invisível a inflação.
Mais tarde, Schacht explicou de ter pensado o seguinte: se houverem empresas, trabalhadores, maquinas paradas, então deve existir também capital parado. Os MEFO foram a maneira utilizada para que este capital voltasse a circular, sem os riscos inflacionários.

Schacht conhecia bem a fraude fundamental na qual é baseado o sistema do crédito e os lucros que derivam do abuso da confianças dos consumidores, que com o verdadeiro dinheiro deles enchem as contas vazias dos bancos. E sabia que a prosperidade financeira internacional depende da emissão de empréstimos com elevados interesses, em particular para aqueles Países em dificuldade económica.

O economista britânico C.W.Guillebaud explicou o mecanismo de Schacht com estas palavras:
No Terceiro Reich, em princípio as encomendas do Estado fornecem a procura de trabalho, isso numa altura em que a procura está de facto paralisada. O Reichbank (O Banco Central da Alemanha) fornece os fundos necessários para os investimentos (com os MEFO), o investimento faz trabalhar os desempregados, o trabalho gera rendimentos e a seguir poupanças: com estas, a dívida anteriormente criada pode ser paga.

E o ciclo recomeça. Só que desta vez o Reichbank não tem de "inventar" uma moeda (o MEFO), desta vez há o dinheiro dos cidadãos que funcionam como base.

Desta forma Hitler conseguiu o objectivo primário: eliminar o desemprego e fazer crescer os ordenados das famílias alemãs sem criar inflação.
E os resultados, temos de admitir, foram espectaculares em amplitude e rapidez.

Em Janeiro de 1933, quando Hitler ocupou o poder, os desempregados eram mais de 6 milhões; em Janeiro de 1934 eram 3,7 milhões; em janeiro de 1936 eram 1,6 milhões e em 1938 eram 400.000.

E não foram as empresas de armas que ajudaram: é a construção, em particular os grandes projectos públicos, inclusive a grande rede rodoviária (autoestradas) que ainda hoje representa a espinha dorsal da Alemanha. Este sector conseguiu absorver a maior parte dos desempregados (+209%), seguido pelo sector dos automoveis (+117%) e pelo metalúrgico (+83%).


Nota:
É o mesmo Hjalmar Schacht que pode ser encontrado no artigo Nova Ordem Mundial? Parte III


Ipse dixit.

Fontes: Megachip, Wikipedia

13 comentários:

  1. Entender o jogo, gostar de jogar e ter poderes no jogo faz literalmente "milagres"!

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  2. onde posso encontrar a informação que Hjalmar Schacht era hebreu? seria muito interessante se me pudesses confirmar isso...

    já agora max gostava também de saber a tua opinião acerca das teorias revisionistas (e digo revisionistas e não negacionistas atenção...) do holocausto... desculpa se estou enganado mas desde que sigo o blog não me lembro de ter visto nenhuma abordagem a esse assunto...

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  3. Ola´Pedro!

    A informação de que Hjalmar fosse hebreu foi encontrada no texto original do artigo, que pode ser encontrado no link "Megachip" (literalmente: "um homem de origem hebraica").

    Megachip é um site sério e confio bastante nas afirmações dele.

    Na internet não encontrei nada para confirmar esta hipótese, mas na Jewish Virtual Library (http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/Holocaust/Schacht.html) confirma-se que Hjalmar fosse criticado na Alemanha nazista por causa da sua posição contra os hebreus, posição não propriamente "rigorosa" como o Reich teria pretendido.

    Se encontrar mais alguma coisa, aviso.

    Quanto ao Holocausto...até hoje evitei o assunto, pois realmente não sei. Já li muito acerca disso e ainda estou na dúvida.

    Houve persecução na Alemanha nazista contra os Hebreus? Sim, houve e isso está comprovado.
    Houve lugares como Auschwitz, por exemplo? Sim, houve.

    Mas acerca do extermínio não sei mesmo que dizer.
    Mesmo assim acho a revisão importante: não podemos esquecer que o risco é cair na propaganda sionista pura e simples.

    Não é um problema de números: 600.000 ou 6 milhões faz muitas diferença? Sempre massacre é.

    Mas é a forma como este massacre é explorado que irrita: os Hebreus não foram os únicos que sofreram perdas humanas, a Segunda Guerra Mundial custou 62 milhões de mortos e não percebo porque israel tem que considerar-se mais vitima do que os outros...

    Abraço!!!

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  4. Max
    Poderia me falar sobre os meios de comunicação da Alemanha, na época de Hitler que eram comandados pelos sionistas. Como Hitler se saiu dessa?

    Abraços

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  5. Ricardo23.9.11

    "Schacht conhecia bem a fraude fundamenta"

    Não entendi... dessa forma ele trabalhou contra a fraude e não à favor, correto?

    Holocausto... 10% verdade, 90% propaganda...

    AH MAX: E os Greenbacks dos EUA? É de uma depressão mais antiga do que essa e, na base da confiança no estado, os EUA se recuperaram, não? Ah meu ver também contra a fraude e não à favor dela!

    Gostaria de uma análise sua (que preso muito) quanto aos greenbacks! :)

    [ ]s

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  6. MAX... eu não costumo ser alarmista. O que acontece é que sigo o Frederico há anos e tem acertado sempre. O problema é que o que está AQUI vai de encontro ao que andam por aí a dizer, os blogues anti NOM e ele não tem muito esse costume, o de dar alarmes, pelo contrário.
    Tenha atenção aos comentários para ver se se consegue discernir algo em especial aos links que lá coloquei...

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  7. Olá Fada!

    Respondo com as mesmas palavras que utilizei para comentar o blog de Frederico:

    "Sou um leitor novo e gostei deste post. Que resultou, no sentido que fez preocupar alguns e trouxe-me até aqui.

    Quanto ao resto...acho que há problemas no mundo, alguns verdadeiros outros criados para manter as mentes ocupadas.

    Nestas últimas semanas tivemos:
    - Elenin o cometa assassino que com os seus alinhamentos provoca terremotos, tsunami e entope os esgotos;
    - Um satélite da Nasa que decide voltar para a Terra mais cedo (experimentem vocês ficarem sozinhos o tempo todo no espaço)
    - O Presidente Barack Obama que fica escondido no mega-bunker de Denver enquanto fora a Terra passa pelos restos do já citado Elenin e, já que não tem nada para fazer, proclama o Defcon 1 (o que é falso).

    Agora, de facto, faltava o terremoto criado para atingir Portugal (que já tem os seus bons problemas).

    Pergunto: mas não será demais?

    É que anda por aí uma atmosfera de estilo "Ano Mil" um pouco esquisita, que não percebo.

    A não ser que a ideia seja fazer subir a tensão em vista de algo..."

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  8. Hitler disse: "Estamos lutando contra dinastias financeiras, lutamos contra a plutocracia. O mundo pode escolher: ou todo o poder ao capital, ou a vitória do trabalho."

    Escolheram o capital, com uma grande guerra para mostrar ao mundo que as coisas devem ser do jeito que o Império quer e ponto final. O holocausto é a arma de guerra (propaganda) perfeita para os plutocratas, basta tentar demonstrar algo de positivo a respeito do Nacional Socialismo (ex.: economia, ciência, tecnologia, proteção ao meio-ambiente...) e em seguida surge o holocausto para acabar com o assunto.

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  9. maria29.9.11

    ola Max e todos: me junto aos interesses do Pedro. Gostaris queMax explorasse mais este assunto.
    Estou esperando em um aeroporto argentino que as cinzas de um vulao mudem de direcao para entrar na Patagonia. E como os jornais daqui sao muito parecidos com os nossos no Brasil, nada como ler a palavra incorrecta para saber o que vai pelo mundo. Abracos (ta faltando uns acentinhos que nao tem no teclado)

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  10. Mária!

    Que fazes na Patagónia? Volta já para casa, está frio na Patagónia, está cheio de Patagónicos!!! Mordem, arranham, é gente perigosa!

    Ora essa, era só que faltava...

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  11. Anónimo8.6.12

    Qual o nome da empresa que forneceu gás toxico ao Hitler.

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  12. Anónimo8.6.12

    Empresa? O gás tóxico era simplesmente um inseticida (ou um produto de limpeza, não sei bem), era "zyclon-b", acho eu. Deve ter sido uma empresa de inseticidas e de produtos de limpeza...

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