19 outubro 2011

Conhecer para ficar imóveis

Antes de traduzir o artigo de Burgos (é já a seguir) uma breve nota acerca dum comentário que recebi.
Assinado Willibert, na verdade reflecte o pensamentos de mais Leitores, pelo que a resposta interessa a mais do que uma pessoa.


Eis o comentário:
eu to com o Pedro

o max ainda ta chorando com estes negocios de dos protestos

se tu quiser ir em protesto financiado por bancos vá caramba!!

eu acho q vc é mais como estes que acredita em anonymous, em wikileaks e etc...
ou seja, que se aliena a qualquer movimento (sem ao mesmo se importar que sejam legítimos ou nao)

é brincadeira!

se tu nao gosta de ter conhecimento mais que os outros, então pare de ler livros, feche o seu blog e se inscreva no greepeace pra protestar...

vc tem mais conhecimento que os outros é justamente pra passar estes conhecimentos...... a nao ser q vc nao esteja fazendo isto... aí é problema seu....

to de saco cheio
Querido Willibert, em primeiro lugar um pedido de desculpa: de facto, atrevi-me a publicar neste blog uma minha ideia, o que reconheço ter sido uma falta de respeito.

Vou tomar medidas para que isso não volte a acontecer.


A seguir: não vou comentar a minha fé nos vários Anonymous, Wikileaks, etc.
Evidentemente Willibert é um Leitor novo que nem tentou conhecer qual a posição do blog, problema dele, não meu. No blog há amplo material acerca disso, é só consultar.

Mas o ponto mais interessante, verdadeiramente interessante, é aquele dedicado ao conhecimento:
se tu nao gosta de ter conhecimento mais que os outros, então pare de ler livros, feche o seu blog e se inscreva no greepeace pra protestar...
Gostei disso.

O conhecimento é aqui um valor absoluto, em boa parte abstracto, que não tem relacionamento com a realidade.
Podemos ter todo o conhecimento do Mundo, viver como escravos e ser felizes.
A ideia de que o conhecimento possa (e deva) ser utilizado para melhorar a nossa condição (e não apenas nossa) parece estar fora de questão.

É o conhecimento que tem como fim o conhecimento.
E ponto final.

O que traz esta situação?
Conformismo.

Esquisito, não é? Mas é assim: "eu tenho o meu conhecimento, os outros que se lixem, não vou mexer-me".
Esta é a teoria.
Agora a prática: "Continuo a não mexer-me e deixo que os outros decidam por mim, sigo a onda".

É exactamente o que a maioria da população mundial faz: não se mexe, não toma decisões, deixam que outros decidam. A única diferença é que o conhecimento cria um álibi perfeito: "Não me mexo porque sei que está tudo controlado".

Os Leitores mais antigos podem lembrar de quando, em particular no início do blog, eu queixava-me da pouca iniciativa das pessoas, da pouca participação no social.
Eu sou sempre a mesma pessoa, não mudei de ideia: para mudar algo temos de mexer-nos. Caso contrário, outros mudarão as coisas e nós vamos ficar aqui, sempre com queixas.

Queixas para as quais podemos encontrar boas justificações teóricas, pois o conhecimento faz isso também, mas sempre e apenas queixas.

Gostaria de pedir um favor: gostaria que alguns entre os que pensam que não vale a pena mexer-se explicassem se podemos mudar alguma coisa e eventualmente como. Porque eu não entendo o "ficar parado" e isso poderia ser um bom ponto de partida para uma sucessiva discussão.

Deixei bem claro que as manifestações Occupy Wall Street ou 15 de Outubro são fruto duma iniciativa oriunda não dos cidadãos mas de quem quer destruir a nossa sociedade, para substitui-la com algo não melhor (e provavelmente pior).
Quem não entender isso ou não lê ou se lê não percebe (será por causa dos erros?).
Ok, acontece, mas então perguntem antes de escrever coisas sem sentido.

Eu achava bastante claro que participar no 15 de Outubro não significava abraçar as mentiras apresentadas, mas era uma ocasião para sair, encontrar pessoas fartas, tal como nós, talvez organizar algo, sei lá.
Mas, pelo visto, nada disso foi recebido: "Participas no 15 de Outubro? Então és como eles, aliás, se calhar pior".
Fogo, fui descoberto: o meu nome é Max Rothschild. eu bem disse que a minha avó era alemã...

Meus senhores, participem ou não, que eu perco ou ganho com isso?

Só que agora gostaria de perceber: porque se estiver tudo já planeado, se mexer-se é inútil, se nada valer a pena, então alguém consegue explicar-me este famoso conhecimento para que serve?
Não é melhor viver ignorantes e felizes?
Ou será que o escravo "conhecedor" recebe um prémio?

Dá imunidade? Descontos no IRS?

Muitos entre os Leitores deste blog são de Esquerda (e não percebo bem por qual razão, mas isso não interessa agora):
Vocês, que estão embebidos das teorias de Carlitos Marx, do revolucionário Lenin, do revolucionário Che, do revolucionário Fidel,
Vocês que admiram estes homens que lutaram de forma activa para mudar o mundo,
Vocês que têm todos estes conhecimentos duma Esquerda feita de ícones revolucionárias,
Vocês são por acaso os mesmos que agora dizem "melhor não mexer-se"?
Vocês são os mesmos que nesta altura, na qual chegou a hora de fazer algo, afirmam: "Está tudo controlado, nem vale a pena"?

Porque se forem, então a coisa fica bem divertida, não acham?
E os outros, os que não se reconhecem nesta ideologia: ficam aí, a ver o que os outros conseguem fazer? É isso?

Eu continuo a achar que o conhecimento sem saídas práticas é não apenas inútil mas até frustrante: sobretudo quando o conhecimento fornece material para tentar soluções mas, pelo contrário, é utilizado apenas como razão de queixa e desespero.
Ou como um bom álibi.

Como ninguém aqui tem a verdade no bolso, e como também gosto de aprender, reitero o meu pedido:
Gostaria de pedir um favor: gostaria que alguns entre os que pensam que não vale a pena mexer-se explicassem se podemos mudar alguma coisa e eventualmente como.
Obrigado desde já.


Ipse dixit.

25 comentários:

  1. Anónimo19.10.11

    Desculpe, mas movimentos de cunho esquerdista possuem uma tendência mais focada a "destruição" de velhos valores do que a "criação" de novos.

    Marx, Lenin, Che, entre outros não podem nem devem ser exemplos a serem seguidos. Ha sim, proveito a ser tirado do movimento comunista, mas não é um exemplo a ser seguido. Quem estudou e leu a vida e biografia de Marx e Lenin sabe disso. Não são bons exemplos, diziam uma coisa, faziam outra. E falharam em suas iniciativas em tentar fazer justiça. Estudem, busquem informação, o movimento comunista matou mais gente do que qualquer guerra até hoje. E isso mudou alguma coisa pra melhor? Não! Piorou, causou mortes e ainda influenciou seguidores.

    Não precisamos de mais destruição, mas sim de criação e mudanças de valores, as pessoas precisam mudar suas atitudes e rever seus conceitos éticos e morais.

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  2. Anónimo19.10.11

    Anónimo,

    O Max nunca leva desaforo pra casa! hahaha

    Acho que devem ter sim protestos e movimentos! Mas sem ligações com qualquer ideologia capitalista ou comunista. No máximo uma fusão dessas 2 talvez. Mas fanatismo nunca é bom. Não concordo "em parte" nem com o comunismo, nem com o capitalismo, talvez deveríamos achar outra alternativa, criar outro método, outra ideia. E isso eu também não sei se a melhor forma de fazer é com protestos. Antes é preciso pensar muito, depois sim protestar seus ideais.

    abraços

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  3. Max, não gosto de ti por um simples motivo: Tenho minha ideias, gosto delas, acredito estar certo. Até o ponto em que venho aqui e leio algo que tu escreve e a ideia faz sentido!
    Tu me faz ver por outro angulo.
    Mas ainda assim, acho que não é questão de mexer-se ou ficar parado, até acredito que as pessoas queiram mexer-se, o problema está em mexer-se para que? entende? faltam motivos, motivos reais, falta vontade, vontade real.
    Mudar as coisas? é muito abstrato, mudar o que? como? e no que vai dar?
    No fundo são estas as perguntas que as pessoas fazem.
    Elas não veem motivo, eu não vejo elas se erguendo, faço cálculos em minha cabeça e chego a seguinte conclusão:
    Uma andorinha só não faz verão.

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  4. Anónimo19.10.11

    Como? Não percebes?

    Esperando que apareça o duobilionésimo macaco. Não que a teoria esteja errada. Acredito na força do pensamento, mas achar que vamos fazer a diferença cada um de nós trancados nos nossos mundinhos... Ou, esperar que a blogosfera nos convoque para uma meditação transcedental em mutirão universal... Naquela manifestação (Wall Street) existe consciências das mais variadas formas. Afirmar que tudo não passa de uma concentração de escravos alienados, está a léguas de distância da verdade.

    O problema que eu identifico no nosso meio, é que somos suspeitos uns para os outros. Se alguém fala "A", outro vem e diz: "Porque será que este cara falou a maiúsculo? À serviço de quem ele disse a maiúsculo?" Lógico, sabemos das obras secretas, mas estamos a rotular tudo que não combina com nosso senso conspiracionista. Assim entramos numa espiral. Cada ato, cada gesto é confrontado pelo contrapeso da questão conspiratória que nos domina. Reconheço em mim mesmo esta bifurcação dos pensamentos. Procuro combater isto, com um pouco de patrulha interna. Nada exagerado. Ainda não encontrei forma melhor de sair à rua e não ter que ficar procurando simbolismo em tudo, analisando cada gesto dos transeuntes, procurando coerência nas atitudes das pessoas. Ninguém as tem. Infelizmente é com isso que nossos senhores contam, com as nossas incoerências. De qualquer forma, gostaria de me desculpar por qualquer desentendimento, neste ou em qualquer outro comentário. Penso que aqui, mais do que nunca temos que agir com honestidade de sentimentos e procurar acrescentar na obra que acho que estamos empreendendo no espaço que Max nos oferece com sua pesquisa e seu tempo. Aqui a quantidade de macacos só faz aumentar.

    Walner.

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  5. Anónimo19.10.11

    Oi anônimo do primeiro comentário; a respeito de número de assassinatos, que tal a trajetória da igreja católica com sua história milenar?
    Perto dela o "paizinho dos povos" parecia escoteiro e o Pol Pot era coroinha...

    ; )

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  6. Anônimo, Pedro H e Max

    Três frases do CHE, que considero muito.

    "Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida"

    "Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros".

    "Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário".

    Na minha singela opinião Revolucionário não significa ir a luta literalmente, significa que devemos abominar a injustiça, seja ela onde for.
    Irei fazer manifestações contra qualquer injustiça.
    Jamais ocuparia Wall Street, se pudesse iria acampar em frente a Casa Branca para mostrar minha indgnação pelas mortes de milhões de crianças, pelos Líbios, Iraquianos, Somálianos, Palestinos e tantos outros que vemos sendo massacrados.
    Mas o povo está preocupado mais com a economia e enquanto isso, mais crianças vão morrendo ou ficando orfãos, e o mundo fica falando de manifestação contra o sistema econômico, várias partes do mundo estão pedindo socorro, a mídia desgraçada não mostra, mas nós aqui sabemos disso.
    Existe um "eco" de lamentos por famílias destruidas, mas enquanto estiverem fazendo manifestações em Wall Street, eles continuam massacrando algum povo.
    Sou contra ir as ruas por causa de um sistema financeiro que sabemos não vamos conseguir mudar, sou a favor de ir para as ruas para acabar com a guerra em uma manifestação totalmente pacífica mas persistente, incomodativa até eles cansarem, mostrando as atrocidades para todos, dizendo chega ao Império americano que impõe ao mundo sua democracia que só trás sangue e destruição a anos.

    Desculpem, agora fui eu que desabafei.

    Essa sería a revolução que eu gostaria.

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  7. Falou e disse Burgos!

    Tem muita gente se preocupando com as coisas erradas ao invés de agirem ou pensarem de uma forma diferente.

    Wake up!!!

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  8. Boa noite a todos os interessados! Tendo prestado muita atenção a este blog, gostaria de juntar a minha voz à do Max. Em relação a mudanças temos duas essenciais - a criação de um partido político que possa ser uma opção ao actual estado das coisas e a instrução local das pessoas que nós conhecemos. É bem possível que estejamos a viver uma janela de oportunidade como não existirá outra em muitas décadas, não teremos nós a obrigação moral de tentar escolher o caminho?

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  9. Anónimo19.10.11

    Anonimo do 5ºcomentário.

    Cuidado com a lavagem cerebral dos "cabeças" esquerdistas. Leia sobre a vida e os costumes de Marx, Lenin e o sanguinário Stalin (muito pior que Hitler). Tenho quase certeza de que "o movimento" matou muito mais pessoas do que a trajetória da Igreja Cristã. Confesso que não sou religioso nem fanático, sou um humilde agnóstico. Não leio a bíblia muito menos vou a Igreja.

    Estude as verdadeiras raízes do movimento revolucionário e vai saber do que estou falando, comece pela idade média, no surgimento das ideias e tudo mais. Quando descobrir a essência do comunismo, vai se sentir traído assim como eu me senti. Gostava muito do esquerdismo até começar a estudar sua história seriamente através dos livros. Tem muita coisa que se pode aproveitar da esquerda sim, mas sua grande parte é ruim e não se aplica, é falha...

    abraço

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  10. Prezados, "em casa que falta pão todo mundo briga e ninguém tem razão". O mais legal neste blog do Max é que as diferentes idéias e pontos de vista produzem uma certa fricção, produzem a chispa necessária para produzir "luz". Contando com a boa vontade dos leitores vou discorrer sobre a minha opinião. Entendo que a revolução é necessária,mas não aos moldes comunistas ou outros "istas", acho que tudo já foi tentado, e não deu certo para pudéssemos ser felizes enquanto seres humanos, quero crer que a melhor coisa que podemos fazer e agir não agindo. É muito simples o Sistema sabe das nossas idiosincrasias e nós alimentamos tudo isto, acho que se as pessoas deixassem por um dia para nada fazer, não comprar, não sair à rua,não ligar TV, não usar o carro, não ir ao banco, não usar a internet...enfim fazer o mais absoluto silêncio, quem sabe seríamos ouvidos e poderíamos nos dar conta do nosso poder e desfrutaríamos com certeza de uma "revolução".

    Abraços

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  11. Max pergunta: O escravo "conhecedor" recebe um prêmio?
    Maria responde e acha que o grande Leonardo concorda: Sim, muitos prêmios, como diploma, salário e reverência garantidos.
    Se êste Willibert é o que eu suponho que seja, breve receberá o seu prêmio de doutor, mais um phd latino da vida formatado nos states. Se não for dá na mesma, breve receberá o seu, pois convenhamos, ele merece...

    Agora, Max, passando ao resultado do teu trabalho neste blog, creio já que se pode reunir algumas idéias muito interessantes como possibilidades pensáveis, o que é meio caminho para ser "desencadeáveis". Sugiro que tu revejas os comentários das últimas semanas, e que tal um resumo do "coletivo" que sabiamente reunistes?

    Imediatamente me vem a mente:
    O André a sugerir aquelas 3 vigas mestras dos movimentos de rua; vários elencando atitudes bem realizáveis em relação aos bancos;aquela menção aos paraisos fiscais, quem sabe poderia se tornar algo mais desenvolvido...enfim, apenas uma sugestão.Abraços

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  12. @Tibiriça:

    É engraçado... em 01Out11 respondi assim a uma pergunta que me fizeram lá no meu espaço de insanidade virtual:
    "A minha opção no Estado actual das Sociedades é apenas uma: Imobilidade em Casa. Em vez de combinarem ir para a zona 'x' reunirem-se e manifestarem-se... organizem-se por forma a ficarem todos os que pretendem sossegados em casa por 2 ou 3 dias (ou quantos quiserem)... Começam logo a ganhar pois já não levam porrada, nem gás pimenta, nem lacrimogéneo, nem são detidos, nem interrogados, nem são conduzidos e encarcerados tal MANADA para depois levarem no corpinho...

    Aproveitam os 2 3 dias para falar com os vizinhos e amigos na zona onde habitam por forma a não terem que utilizar transportes quer privados quer públicos. A altura ideal para uma manif deste género é o início dos meses pois assim ninguém renova assinaturas de passes, nem abastece combustível...

    Enquanto pensarem que com estas manifestações se safam... não se safam. E uma coisa o "ESTADO" está sempre a contar: é com este tipo de manifestações pois assim pode introduzir no meio das MANADAS membros policiais que provocam tumultos e assim podem partir para a porrada... Basta ver os vídeos do que fizeram no Canadá em 2010.

    Mas como o POVO não anda muito virado para pensar... prefere levar no lombo...

    Se acham que isto também não serve... então a outra opção é a inversa! "

    Também estou como tu: Ou Silêncio e Imobilidade Total... ou o Totalmente Oposto!

    Esta forma actual está obsoleta...

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  13. Anónimo19.10.11

    o que é feito do artigo "o velho parte I"

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  14. André20.10.11

    Oi "galera"
    Penso que pudemos mudar tudo e está tudo ao nosso alcançe, o objeCtivo é comum a todas as pessoas, culturas, povos, sociedades...o inconformismo perante a aCtual situação, um buraco que parece não ter fundo. O que devemos mudar?! Talvez tudo. Por onde começar, talvez seja o mais importante! A resposta a essa pergunta não é facil, nem neste momento podemos vislumbrar qualquer sentido, contudo não importa muito para onde vamos, mas sim como vamos...e única certeza é que o caminho é árduo e o futuro incerto.
    A humanidade vive naquele momento abissal, em que parece colapsar sobre o seu próprio peso, determinado em grande parte pelos valores e crenças que sustentaram o seu pretenso desenvolvimento até aos dias de hoje, em que vamos tomando consciencia de que nada pode ser igual.
    “A Guerra das Estrelas” constitui-se uma boa imagem do mundo de hoje!
    Retomando o apelo do Max.
    O problema da inacção de alguns e a inoperância de outros, explica-se objeCtivamente pela falta de uma luz orientadora, centrada num objectivo comum; e as perguntas e dúvidas avolumam-se sem existir respostas esclarecedoras.
    Admiro profundamente todas as pessoas que se manifestaram, eu também fui no dia 12M, mas desiludi-me profundamente, quando me apercebi o nível de instrumentalização, quer ao nivel politico ou ideológico que se apresentou na praça pública, apesar de ser de direita, acredito e reconheço a importancia dos valores ideológicos da esquerda (sou um daqueles casos raros), contudo não acredito que solução para o problema esteja ou na esquerda ou na direita, porque são eles o problema em si mesmo. E porque fundamentalmente, essa solução não é algo que se entregue nas mãos de outro para que tome decisões por nós...essa solução deve emergir clara e naturalmente, de um consenso global dentro de cada sociedade, e no tempo de cada sociedade.
    Mais uma vez reafirmo, devemos começar por aquilo que nos une, e depois perceber aquilo que nos separa...e nessa altura poderemos perceber que afinal não somos tão diferentes.
    Devemos pôr um fim a este estado de coisas, um fim a esta democracia partidarizada, que se acha investida das decisões individuais.

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  15. André20.10.11

    Não se trata de um fim em si mesmo, mas um fim e um começo, talvez o próximo passo evolutivo do sistema democrático, fundamentado na verdadeira igualdade.
    Devemos antes de mais questionar o sistema em si mesmo, porque se não o fizermos, de uma maneira ou de outra, estamos a perpetuá-lo. Naturalmente, esse questionamento tem que ser feito em praça pública sobre o mesmo principio de igualdade, sem ideologias de qualquer cor, porque também elas nos manipulam, e manipulam aquilo que são aspectos essenciais e subliminares de uma sociedade perfeita. Mas para chegarmos até esse momento, temos que partir para as manifestção com um sentido e objectivo comum, se o nosso objectivo é denunciar o nosso descontentamento, a nossa inconformidade, e até mesmo a nossa revolta contra os agentes políticos, economicos e financeiros que nos colocaram neste estado de coisas, então não devemos de fazer passeatas com o caraCter de um festejo democrático, de uma democracia que está podre e cheira mal, se calhar a melhor forma de apresentar o nosso descontentamento, seria vestidos a preceito e de vela na mão, expressar a morte daquilo que não nos permite progredir, pensar e repensar.
    Se o objectivo comum, é exigir responsáveis, então vamos para a rua, mas em vez de fazer apanágio à renegociação da divida, devemos de exigir resposta, responsáveis, justiça, enfim exigir, exigir, exigir e exigir. E porque o devemos fazer? Porque na actual democracia, o poder politico-partidário , investido do poder decisório, deve ser ele (partidos) a dar a resposta de forma esclarecedora às nossas perguntas, às nossas dúvidas e às nossas exigências. E porque principalmente, o fundamento da Democracia somos nós, CADA UM DE NÓS, na sua individualidade, e globalidade, então devemos ser nós a encontrar as respostas, não figuras mitificadas na televisão, nos jornais, ou nos corredores da politica e da economia.
    Abreijos.

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  16. Oi de novo anônimo do primeiro;

    Pra que lavagem cerebral se eu nasci numa família comunista? E até hoje meu pai não me responde sobre a revolta de Kronstadt, mas essa é outra história...

    Algo muito pior que o imperialismo de estado implantado a partir de 1921-1922 na Rússia, é o anti-comunismo insuflado pelo Vaticano e pela política dos diversos governos ocidentais desde que o Marx era vivo.

    Esse mesmo que você dá vazão com tua verve.

    ; )


    P.S. - Se você tiver a pachorra de procurar vai achar um comentário meu aqui no Max falando do assalto e do estrago que os comunistas fizeram na liderança dos diversos movimentos europeus de contestação ao sistema econônomico-social do século XIX. Quer algo positivo? Procure entender a fundo a etmologia da palavra comunismo.

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  17. Rui Dias20.10.11

    o mundo vai acabar mesmo


    prefiro assistir as novelas da rede Globo comendo Ruffles e bebendo Coca-Cola

    vcs se estressam à toa!

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  18. Anónimo20.10.11

    Legal,
    muitos comentários, e em especial, desta vez, por muitas pessoas diferentes.

    :]

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  19. Anónimo20.10.11

    Para os defensores do Comunismo.
    Façam o favor.

    Vão lá visitar Cuba e depois nos contem aqui no blog sobre "maravilhosa sociedade" que existe lá.

    Visitem os "não-turistas" e os "não-políticos" e relatem depois. Cubano não pode ter amigo estrangeiro, cubano se prostitui para conseguir uma esmola. Homossexual lá então não tem vez, se for pego já era. Censura? Total!!

    É a maravilha da esquerda!
    Pelo menos o povo ainda tem intelectualidade e saúde.

    ResponderEliminar
  20. Sobre Cuba: semana passada tive uma palestra numa aula de Espanhol com uma professora cubana. Antes disso. tinha lido uma entrevista de uma jogadora de basquete cubana que joga no Brasil. As duas falam a mesma coisa, defendem a ilha e responsabilizam os problemas devido ao embargo imposto pelos EUA. A internet lá é "discada", devido ao embargo. Os carros lá são os mesmos de 50, por causa do embargo.

    Enquanto isso, em todas as piores condições financeiras, lá eles tem um dos melhores índices de alfabetização do mundo. Coincidência? A ilha também sofre com a contrainformação, vcs não acham?

    Vejam bem, não sou comuna, mas também não sou hipócrita. Falei com gente comum de lá e não obtive uma resposta tipo: "não vá lá, é o inferno". Inclusive a professora me ofertou uma bolsa de intercâmbio para lá.

    Acho sinceramente que viver em Cuba deve ser melhor do que viver na antiga Líbia (e com certeza na nova Líbia). Diz o amigo anônimo em cima que lá o homossexualismo é um tabu; não sei se é. Mas na Líbia era tranquilo então, visto que não vi ninguém falando isso da Líbia.

    O horizonte que vejo é o seguinte: aqui falamos mal dos ocidentais que estão contra a Líbia, por isso não exploramos os lados ruins do Kaddafi. Mas de Cuba, não, lá é o inferno. Esperaremos o ocidente invadir lá para dizer que "nossa, Cuba não era um lugar tão ruim assim?"

    P.S.: Não sou comunista! E diferente de outros, também não tenho preconceito com quem seja. O comunismo tem idéias maravilhosas, como o capitalismo clássico e o anarquismo.

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  21. Ah, anônimo, esqueci de dizer que aqui no Brasil não temos prostitutas, aqui ninguém vende o órgão sexual por dinheiro...

    A realidade é que realmente em Cuba se alugam até os quartos se for necessário. A professora falou a nós que em Cuba começa a existir uma modalidade chamada Paladar (diz ela que o nome vem da novela Roque Santeiro?!?!), e diz que os moradores agora podem vender sua comida dentro de suas casas para outras pessoas, algo como um restaurante caseiro. E não só isso, agora pequenos negócios são autorizados pelos moradores.

    Já que vcs gostam apenas de destacar os lados ruins de onde lhes interessam, vou destacar somente os bons de onde me interessa. [maquiavelismo modo on]

    ResponderEliminar
  22. Anónimo:
    "Legal,
    muitos comentários, e em especial, desta vez, por muitas pessoas diferentes."

    Isso mesmo, o blog no seu melhor. Este é o objectivo de quem escreve e de quem frequenta um blog: troca de ideias, de opiniões, de informações.

    Nada melhor do que isso.

    Gostaria de agradecer todas as pessoas que lêem e que comentam: é isso que dá um sentido ao blog.

    Não há "excessos" de comentários, todos são bem vindos na medida em que exprimem uma visão pessoal da realidade. Só assim podemos aprender e, quem sabe?, até crescer.

    Muito, muito, muito obrigado.

    Max

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  23. esse max tem uma cara de velho

    parece o Cristóvão Colombo

    kkkkk

    ResponderEliminar
  24. Ricardo20.10.11

    Falaram, falaram... e não disseram nada...

    Afinal, e aí? Ninguém respondeu... para que serve o conhecimento se não podemos usá-lo? Vaidade? Egoísmo?

    Estive na manifestação de 15 de outurbro... e inclusive aqui na minha cidade, os Anonymous acamparam até hoje na rua. Ainda fui lá hoje levar pão e água para os moleques!

    Enfim... fui... fiz minha parte... debati... conversei... perguntei o que os trazia lá... "indignação... está tudo errado".

    Afirmei para eles que eles só estavam lá por causa do apelo comercial das manifestações... não para ofender... mas algo saudável... alguns sabiam... mas aproveitaram a "moda" para conseguir um maior número de pessoas...

    Vamos destruir o sistema... mas tomar o poder e não deixar espaço para o cartel atualmente no poder decidir o futuro... façamos nós mesmos!!!

    Não sentados em casa lendo o blog, porém invadindo o senado no momento da derrubada do poder!!! Só assim nossa opnião poderá ser ouvida e teremos chance de mudar algo!

    PS: em alguns meses não estarei mais vivendo nesse país... estou dando as costas para ele e não voltarei... mas mesmo assim acho importante lutar contra a ganância e a tirania... por mais que isso seja clichê e piegas! :)

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  25. Frase importante essa...Vocês que admiram estes homens que lutaram de forma activa para mudar o mundo,... e ha de convir que só mudaram algo porque se mexeram,por isso deveriam ser admirados POR se MEXEREM e não por terem conhecimento. Max, estais certo, se não nos mexemos delegamos a outros qualquer decisão. Penso assim ( posso estar errado)ja que noutras epocas também tudo estava controlado...pero no mucho e hoje somos em numeros bem maiores.

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