24 outubro 2011

O emaranhado

Até que enfim.
Alguém pensou: que acontece ao analisar os relacionamentos que decorrem entre as empresas de todo o mundo?

Quem costuma ler informação alternativa já conhece a resposta. Mas agora, surpresa!, temos a confirmação oficial . E, sobretudo, científica.

Um grupo de pesquisa do Politécnico Federal de Zurique, liderado por James Glattfelder, decidiu estudar os pontos de contacto, por assim dizer, existentes entre um total de 43.000 empresas transnacionais: ao fazer isso, individuaram um sub-grupo relativamente pequeno composto por outras empresas que têm um poder desproporcionado na economia mundial.

Entrevistados pela revista New Scientist, os pesquisadores descreveram qual o objectivo: uma análise livre de ideologias, um esforço que tem como fim estudar os relacionamentos entre um número muito elevado de empresas para decifrar a complexa rede de poder. Para isso, a pesquisa combina a matemática experimentada para moldar os sistemas naturais com dados empresariais completos.


Afirma Glattfelder:
A realidade é tão complexa que devemos evitar os dogmas, sejam teorias da conspiração ou do livre mercado: a nossa análise é baseada em realidade.
Estudos anteriores descobriram que um pequeno grupo de empresas multinacionais possuem grandes fatias da economia mundial, mas incluíam na pesquisa apenas um número limitado de empresas e omitiam formas de propriedade indirecta, por isso não foram capazes de descrever os efeitos sobre o conjunto da economia global.

A equipe de Zurique, pelo contrário, é capaz disso: extraíram de Orbis 2007 (uma base de dados que classifica 37 milhões entre empresas e investidores de todo o mundo) as 43.060 multinacionais e participações cruzadas que as interligam.
Então construíram um modelo que representa quais sociedades controlam outras empresas, através do capital ou da rede das acções, e combinado isso com as receitas para mapear a estrutura do poder económico.

O trabalho, que será publicado na "PLoS One", identificou um grupo de 1.318 empresas com propriedades cruzadas. Cada uma das 1.318 tem ligações com pelo menos mais duas ou três outras empresas, e, em média, tem ligações com outras 20.

Além disso, embora representem "apenas" 20% do facturado global, as 1.318 empresas detêm a maioria da propriedade imobiliária global e das empresas manufactureiras. O que representa outro 60% da receita operacional global.

Quando os estudiosos começaram a a analisar estas 1.318 empresas, conseguiram individuar um novo sub-grupo, composto por 147 sociedades mais estreitamente ligadas umas às outras que controlam 40% de toda a riqueza.

Afirma Glatterfelder:
Na verdade, menos de 1 por cento das empresas é capaz de controlar 40 por cento de todo o "enredo"
Vamos conhecer pelo menos as primeiras 50 destas "super-sociedades"?
Vamos. Mas não esperem surpresas.

1. Barclays plc
2. Capital Group Companies Inc
3. FMR Corporation
4. AXA
5. State Street Corporation
6. JP Morgan Chase & Co
7. Legal & General Group plc
8. Vanguard Group Inc
9. UBS AG
10. Merrill Lynch & Co Inc
11. Wellington Management Co LLP
12. Deutsche Bank AG
13. Franklin Resources Inc
14. Credit Suisse Group
15. Walton Enterprises LLC
16. Bank of New York Mellon Corp
17. Natixis
18. Goldman Sachs Group Inc
19. T Rowe Price Group Inc
20. Legg Mason Inc
21. Morgan Stanley
22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
23. Northern Trust Corporation
24. Société Générale
25. Bank of America Corporation
26. Lloyds TSB Group plc
27. Invesco plc
28. Allianz SE
29. TIAA
30. Old Mutual Public Limited Company
31. Aviva plc
32. Schroders plc
33. Dodge & Cox
34. Lehman Brothers Holdings Inc*
35. Sun Life Financial Inc
36. Standard Life plc
37. CNCE
38. Nomura Holdings Inc
39. The Depository Trust Company
40. Massachusetts Mutual Life Insurance
41. ING Groep NV
42. Brandes Investment Partners LP
43. Unicredito Italiano SPA
44. Deposit Insurance Corporation of Japan
45. Vereniging Aegon
46. BNP Paribas
47. Affiliated Managers Group Inc
48. Resona Holdings Inc
49. Capital Group International Inc
50. China Petrochemical Group Company

Nota: Os dados são de 2007 e Lehman Brothers ainda existia.

Para ter uma ideia da realidade empresarial do planeta, eis a seguinte imagem, onde os pontos amarelos representam as sociedades muito interligadas enquanto os pontos vermelhos representam as sociedades super-interligadas. A dimensão do ponto indica o volume do facturado.

  (clicar para magicamente ampliar!)

E ainda há alguém com a coragem de chamar isso "Capitalismo"...

Ipse dixit.

Fonte: New Scientist

8 comentários:

  1. Estes ai levaram o "jogo monopoly" a sério.

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  2. E é capitalismo mas na versão Comusocialcentrista

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  3. Fontes já agora:

    http://www.newscientist.com/article/mg21228354.500-revealed--the-capitalist-network-that-runs-the-world.html

    Namaste

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  4. NunoSav25.10.11

    Para complementar o documentário "The Corporation Nation":

    http://www.youtube.com/watch?v=QkfMuvVuETQ

    Explica a ligaçao das grandes corporações com o "estado" Norte Americano.

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  5. Olá Max: com certeza vistes que metade das pessoas que se manifestaram na tua sondagem responderam "só com uso da força para mudar o rumo dos acontecimentos"
    Fico me perguntando como que essas pessoas pensam poder usar a força, e que força poderia ser usada para alterar o estado do emaranhado da exploração e dominação global neste estágio da globalização do poder esclarecido neste teu post.

    Aqui, eu estou solicitando que alguem destas 106 pessoas me ajude a compreender como a opção que assinalaram como solução pode funcionar, ou seja, pode ser posta em prática.

    Por favor!! Me atendam. Se 10% de vocês me responderem com estratégias claras e exequíveis, estou disposta a participar da solução, mesmo tendo votado em outras iniciativas. Abraços

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  6. Maria, não há necessidade de ser a força física, podemos jogar o jogo deles, o jogo do dinheiro. Mas vá falar para 4 bilhões de mimados no mundo pararem de comprar, você sabe que nunca vai acontecer, é um plano claro e exequível, e mesmo assim não veremos isto se realizando. O fato mesmo é que somos minoria, não temos poder e milhares de escravos controlados e como esta mudança só viria pela força, seria uma guerra civil de qualquer maneira, pois no momento que atacássemos a fonte de poder deles, eles nos atacariam.
    É claro que isso tudo é no mundo da minha imaginação, não há mudança, nunca houve e nunca haverá.
    P.S: seu plano de mudar ai ao seu redor pelo modo de viver é muito bom sim, mas me diga honestamente o que aconteceria se isso se alastrasse e começasse a incomodar quem está no poder do dinheiro? o que? vais me dizer que adotariam a sua ideia e salvariam o planeta? :D
    Não há registro na história de uma minoria sem poder ter se dado bem,
    sinto muito, o ser humano é assim.
    E eu votei no uso da força, mesmo que a física, se morresse pelo menos morreria pelo que acho certo e não de enfarto/câncer dentro de casa/hospital, que é o provável uma vez que nada irá mudar.
    Não é questão de negativismo é a simples e pura realidade, tentarei multiplicar pessoas com pensamento crítico acerca da realidade do mundo, quem sabe em algumas gerações algo mude, o nosso round já perdemos antes mesmo de entrar no tabuleiro.

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  7. olá Pedro H.: tudo que dizes faz muito sentido para mim, e compreendo perfeitamente tuas posições.
    1. Como tu, não acredito na transformação da sociedade como um todo, nem nas intenções solidáriaas da maioria das pessoas.
    2. Também como tu, sinto que é impossível não lutar.Por isso, faz tempo venho definindo minha estratégia, e a experimento com determinação porque considero que é uma, entre muitas, também funcional. E porquê?
    Porque trabalho minhas táticas no anonimato. E não há nada que perturbe mais a sociedade de controle do que as ações de insubordinação, organizadas em redes anônimas, que se inserem no tecido social e o contamina, pacífica e pacientemente, fazendo viver o que os poderosos tentam esmagar.
    Mas eu sei que o que vocês chamam simpáticamente de meu estilo de vida, mesmo que teça redes, não da conta de enredar o poder instituido, mas o enfraquece porque não lhe permite a onipotência, o domínio da totalidade.
    Pensa que a existência de milhares como eu...e existem...e se alastram, como dissestes, são feridas abertas na sociedade de controle que vivemos, feridas que não saram nunca. Nós somos "a peste" na pele dos poderosos.
    Uma das minhas preocupações é alertar aqueles que, como nós, foram mordidos pela dúvida, pela dor das injustiças, e pela compaixão pelos desgraçados da terra, para a conveniência de inventar estratégias concretas de luta, e experimentá-las na ação como um processo de vida.Abraços

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  8. Excelente sua resposta.
    Como já esperava, você me parece uma mulher que não se deixará enfraquecer, meus parabéns!

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