25 outubro 2011

Soros: Sete Passos para a Forca

Amanhã, as Mentes Pensantes mais Pensantes de toda a Europa vão reunir-se para tomar as decisões necessárias à solução da crise do Euro. Que, depois, é a crise sistémica global.

Já no passado fim-de-semana as Mentes estiveram reunidas ao longo de três dias, no fim dos quais tinham decidido que as decisões teriam sido tomadas na Quarta-feira.

Três dias para decidir de decidir na semana seguinte?
Acontece quando quem pensa são as Mentes Pensantes.

Entretanto há outras pessoas que pensam. Uma delas é o filantropo George Soros, um dos indivíduos mais ricos do planeta, director do Council on Foreign Relations.

Pensa e pensa, eis que nascem 7 propostas para resolver a crise. Vamos vê-las.


1. Criação de um “Tesouro comum” no qual seriam chamados a participar o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

Pergunta: com o dinheiro de quem seria criado este "Tesouro comum"? Contribuintes ou Quantitative Easing em molho Europeu? Eu tenho algumas suspeitas...mas gosto disso.

2. FEEF assuma os títulos de dívida grega detidos pelo BCE e pelo Fundo Monetário Internacional, para que, reestabelecendo a cooperação entre o BCE e os Governos, houvesse uma “redução voluntária significativa da dívida grega com a participação do FEEF”.

O FEEF é o Fundo de Resgate Europeu, dinheiro dos contribuintes tanto para ser claro. Assim, a ideia de Soros é que o Fundo de Resgate (constituído pelo dinheiro dos contribuintes) assuma os Títulos da dívida grega actualmente nas mãos do Banco Central Europeu (que é privado) e do Fundo Monetário Internacional (outra entidade na qual participam activamente os bancos).

Síntese: a dívida grega das mãos dos bancos privados às dos contribuintes. Gosto disso.

3. O fundo de resgate do Euro deve ser “usado para garantir o sistema bancário” e não a dívida pública dos Estados-membros da Zona Euro.

E como não concordar? Os bancos antes de tudo o resto, máxima prioridade, os Países que se lixem. Afinal "viveram acima das possibilidades", é justo que sofram.
Gosto disso também.

4. Os maiores bancos deveriam “aceitar receber instruções do BCE em nome dos Governos”. Aos que se recusarem a isso, acentua, seria negado acesso à “janela de desconto do BCE”.

Ponto interessante: uma vez que o dinheiro dos contribuintes for depositado no "Tesouro comum", qual seria o banco tão estúpido de recusar as recomendações do BCE? Que, lembramos, não recebe ordens dos governos pois o que se passa é exactamente o contrário?

5. A autoridade monetária da Zona Euro deve “manter as linhas de crédito e as carteiras de empréstimos”, ao mesmo tempo que cada instituição reforçaria por si própria o controlo de risco dos bancos.

"Manter"? Querido Soros, manter o quê? Os bancos não emprestam, esta é a crua realidade. Seria preciso "estimular" (eufemismo) os bancos de forma a conceder mais empréstimos.
Mas também não seria mal controlar as instituições bancárias. Que tal alguns inúteis stress-test?

6. O BCE deve baixar as taxas de desconto, de forma a encorajar os Governos a privilegiarem a emissão de Bilhetes do Tesouro e os bancos “a manter a sua liquidez, na forma desses Bilhetes do Tesouro em vez de depósitos no BCE”.

O triunfo da dívida.
Os Países estão submergidos pela dívida: a solução é baixar as taxa de desconto (já baixa) para que os Estados possam emitir ainda mais dívida. E os bancos? Simples, comprariam estes Títulos, de forma a aumentar o poder deles.
Gosto muito desta medida.

7. Os problemas da crise da dívida seriam ultrapassados se os líderes mostrarem unidade política e vontade de resolver a situação europeia.

Uma medida inteligente e original que podemos resumir desta forma: se a minha avó tivesse tido as rodas teria sido um trolley.

Mas há algo no discurso de Soros que tem de ser realçado:
[As Mentes Pensantes] falam em recapitalizar o sistema bancário, em vez de lhe dar garantias. E querem fazê-lo país por país e não na Zona Euro como um todo. Há uma boa razão para esta opção: a Alemanha não quer pagar a recapitalização dos bancos franceses. Apesar de ser compreensível que Merkel insista nesta opção, isso está a levá-la na direcção errada.

Permitam-me analisar com mais precisão o estreito caminho que a Europa precisa de percorrer para atravessar este campo minado. Primeiro, o sistema bancário precisa de receber garantias e só depois recapitalizado. Os governos não se podem dar ao luxo de recapitalizar os bancos nesta altura; ficariam sem fundos suficientes para enfrentar a crise da dívida soberana.
Justo.
Mas quais a garantia para os bancos? Novos Títulos de Estado destinados aos institutos de crédito? Ou o "Tesouro comum"?

É que num caso e no outro a impressão é da corda estar a apertar-se à volta do pescoço: pois não sabemos se a crise poderia estar resolvida com estas medidas (e há muito espaço para dúvidas), mas com certeza alguém ficaria muito beneficiado: os bancos e, em medida ainda maior, o Banco Central Europeu que ganharia mais poder..


Ipse dixit.

Fonte: Público , Jornal de Negócios

3 comentários:

  1. Anónimo25.10.11

    pais não pode quebrar.
    tem os seus bens, entre eles o território nacional. pais só pode ter deficiência temporária de fluxo de caixa.
    banco que investiu mal deve quebrar, como toda gente.
    os governos e a justiça devem garantir os depósitos a vista e as poupanças. o patrimônio dos banqueiros garante isto.
    o resto é aplicação de risco.
    quando o aplicador em risco ganha muito, ele não socializa os ganhos.
    agora que perca.
    emerson57

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  2. Diretrizes perfeitas para quem quer prosseguir na cimentação da Nova Ordem Mundial.


    Abraço,
    --
    R. Saraiva

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