17 novembro 2011

Competição

Breve actualização portuguesinha.
Os enviados da Dupla Maravilha FMI-BCE (os homens da Troika) acabaram a avaliação acerca do País. Avaliação positiva, sem dúvida.
A fim de melhorar a competitividade dos custos da mão-de-obra, os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções sustentadas [...] Os exportadores portugueses têm de concorrer com países onde custo de mão-de-obra é mais baixo.

Palavras de Jürgen Kröger, um dos vampiros da Troika, que salienta também que a competitividade só se consegue por duas vias: ou pagando menos pela mão-de-obra ou aumentando a produtividade e estimulando o crescimento.

Três considerações:
  1. o salário mínimo na China é de 148 Euros, em Portugal de 485 Euros: se a ideia é competir, há ainda margem para uns 300 Euros de cortes.
  2. a ideia de que a competitividade só se consegue com salários mais reduzidos ou mais crescimento é fundamentalmente errada. Desde que aqui cheguei reparei nas seguintes anomalias: os Portugueses têm o vício de comer duas vezes por dia e não existe uma taxa para as pessoas que morrem. Só apenas dois simples exemplos que demonstram como ainda haja espaço para melhorias.
  3. dúvida: mas o problema não era a dívida pública?

Ipse dixit.

Fontes: Diário Económico, Público

7 comentários:

  1. Boas Max, Burgos e restantes,

    como têm observado, n tenho tido muito tempo para escrever. Nem para pensar qto mais...
    Entretanto, enquanto as coisas n "folgam" mais aqui na labuta, quero-vos só deixar este pequena filme, de Nigel Farage, no parlamento europeu. Ilustra o meu estado de espírito e creio q o vosso tb. Mais, mostra q não é so nop I.I. q as pessoas conseguem ver as coidas...

    http://www.youtube.com/watch?v=ULns-cSUeVs&sns=fb

    Um grd abc e até breve,

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  2. se na china é 148€ então para sermos competitivos devemos é pagar apenas 74€... isso é que vai levar Portugal para a vanguarda!!! Só falta é definir qual...

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  3. Augusto18.11.11

    Incrível o que está acontecendo. Já vi esse filme. Esta crise na verdade é proposital. Ela vai permitir destruir os direitos dos cidadãos europeus.
    Eu me lembro bem, no governo de FHC, houve a mesma coisa. Vivíamos uma crise de dívida. A solução proposta por FHC foi: privatizações, arrocho dos salários, eliminação dos direitos trabalhistas e previdenciários.
    A agenda não chegou a ser completada totalmente no Brasil, posto que a eleição de Lula interrompeu o processo. As privatizações, por exemplo, foram algo escandaloso. As estatais foram vendidas a preços de banana. Cada Estado tinha pelo menos um banco estatal, alguns chegavam a ter três bancos estatais. Todos foram privatizados. Havia pelo menos uns cinquenta bancos estatais no Brasil. Restaram o Banco do Brasil e a Caixa Federal.
    A antiga Telesp foi vendida para a Telefônica da Espanha por um preço irrisório. Tão baixo que em poucos meses a Telefônica já havia lucrado mais do que pagara pela empresa. E o mais estarrecedor: o dinheiro usado para comprar as empresas era emprestado pelo próprio governo federal, via BNDES, em suaves prestações a perder de vista. Foi uma das páginas mais escandalosas que já houve na história do Brasil. Corrupção até não poder mais. Todos os integrantes do governo FHC hoje são multimilionários, alguns donos de bancos.
    Na época, falava-se no fim das leis trabalhistas, no previdência social. Na privatização da Petrobrás, que era chamada de "Petrossauro". Mais um pouco e isso teria acontecido.
    Mas infelizmente as pessoas se esquecem rápido. Hoje as pessoas praticamente nem se lembram mais desses episódios insanos.
    Essa crise é uma maneira de conduzir os cidadãos a uma situação supostamente sem saída: ou se faz isso, ou se quebra. O mesmo que foi feito no Brasil.
    Espero que os cidadãos europeus reajam, porque se nem os europeus reagirem, então não há mais o que fazer no mundo.
    Apesar de trabalhar para o grupo Globo, o jornalista Paulo Moreira Leite de vez em quando escreve alguma coisa boa, mesmo com ressalvas. Acho que vale a pena dar uma olhada:

    http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2011/11/15/3943/

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  4. vanessa18.11.11

    caro max,

    gostaria de ver debatido 2 assuntos que me parecem importantes:
    1.º comparação entre os ordenados da função pública e nivel da europa e o ordenados minimos e médios.
    2.º António Borges, (parece-me ser o próximo ditador portugues, é absurdo??) - bildberg, goldman sachs ...

    Cump.

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  5. Olá Augusto: muito bom teres lembrado isso nessa altura. Só não mencionastes a VALE, o pior descalabro privativista de todos, só comparável a PETROBRAS, que se escapou apenas por uma questão de meses.
    Mas, bem ou mal, o Brasil caiu fora dessa situação (por um tempo, não se sabe até quando) e seria bem interessante que o Max explorasse no blog precisamente as iniciativas que inverteram provisoriamente essa situação em países latino americanos como Equador, Argentina, Brasil, Venezuela, Bolívia...não são poucos. Abraços

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  6. Augusto18.11.11

    Maria, seu eu fosse mencionar todos os casos, teria de escrever uma enciclopédia. Aqui no estado de São Paulo havia uma empresa ferroviária famosa, a Fepasa. O estado inteiro foi construído às margens dos trilhos dessa companhia. Foi sucateada a ponto que hoje só existem os trilhos, tomados pelo matagal, e as estações, abandonas. Depois, foi privatizada e até hoje continua inoperante. E o que aconteceu com o transporte? Hoje tudo é transportado por caminhões. Não há uma única companhia ferroviária no Brasil que mereça destaque.
    Não sou radical, acho que havia muita coisa que tinha de ser privatizada mesmo. Havia um exagero sem dúvida alguma, pois até o estado tinha até hotéis. Mas privatizar a infra-estrutura do país é o fim.

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  7. Eis porque digo que a verdade tem dois lados,vender tudo (dar mole) foi o FIM pra uns e o COMEÇO pra outros que estão achando certíssimo terem comprado baratinho e fiado.

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