07 novembro 2011

Guerra no Irão: fase de preparação - II

E no interior de israel, qual a situação? Todos com a faca entre os dentes?
Obviamente não.

Segundo Nahum Barnea, jornalista do principal diário israelita, Yedioth Ahronot, existem actualmente quatro facções:
  • a primeira inclui os exponentes das "sanções até o fim", que excluem a intervenção armada por medo da retaliação com mísseis do Irão e do Líbano;
  • a segunda deseja uma mudança de regime em Teheran, na onda da "primavera árabe", tal como aconteceu no Egipto, na Tunísia, na Líbia e , em breve, na Síria;
  • a terceira, formada basicamente pelo militares e serviços de segurança, está contra um ataque preventivo, sobretudo por causa das dificuldades técnicas e das dúvidas acerca da eficácia duma tal acção;
  • a quarta facção, a última, é formada pelos adeptos da guerra, pelo quais as oportunidades dum ataque estão a diminuir e, portanto, deve ser guerra e já. Limite máximo para o eventual ataque: a próxima Primavera.


Também os israelitas estão divididos: segundo uma sondagem do diário Haaretz, 41 % dos entrevistados considera razoável atacar as usinas nucleares do Irão, 39% é contrário e 20% não sabe o que dizer.
Em qualquer caso, 52% está confiante na avaliação e nas decisões de Netanyahu e Barak. 

Entretanto, israel prepara-se: no dia 3 de Novembro 4 horas de exercitação e, todo o país, com simulações de ataques de mísseis estrangeiros e avaliação dos sistemas de segurança e defesa. As forças armadas experimentaram também um novo tipo de foguete capaz de atingir o Irão.

E sempre na passada semana, outra exercitação, desta vez na base Nato de Decimomannu, Sardegna: 6 esquadras de bombardeiros empenhados em simulações com reabastecimento em voo e monitorização de eventuais defesas radar inimigas.

Um papel importante é também aquele da AIEA, a Agência Atómica Internacional.
Segundo antecipações acerca do relatório que será apresentado na próxima semana, a AIEA acusa agora o Irão de querer construir uma bomba atómica. Isso apesar das continuas inspecções e controles, desenvolvidas com o apoio das autoridades iranianas, não conseguirem encontrar prova nenhuma.

Porque os factos são os seguintes: embora as continuas  acusações ocidentais, ninguém conseguiu até agora apresentar provas de que Teheran esteja a quebrar os protocolos do TNP, o Tratado de Não Proliferação Nucleares. TNP que, lembramos, nunca foi aceite por israel. Mas, claro está, ninguém pensa em inspeccionar os 200 misseis nucleares com potência superior aos 50 megatones na posse de Tel Avive.

As vozes, pelo contrário, falam de centrifugações mais eficientes no enriquecimento do urânio nas instalações subterrâneas de Qom, 150 km a sudoeste de Teheran. O que determina o prazo de 12 meses antes que o Irão possa utilizar as primeiras armas nucleares.

Por esta razão os Estados Unidos posiciona as próprias forças na região do Médio Oriente.
No final de Outubro, o New York Times anunciava a intenção do general Karl Host de activar a operação Regresso ao Futuro: a ideia é compensar o retiro das tropas do Iraque com a implementação de novas bases ou com o reforço das que já existem, no Kuwait, na Arábia Saudita, nos Emirados e com novas esquadras navais perto das costas e Teheran.

Isso porque, apesar dos problemas económicos, Washington não quer reduzir a própria presença na área, bem pelo contrário. Objectivo final é a criação duma aliança estratégica dos Países o Golfo Pérsico: Bahrein, Qatar, Oman, Emirados, Kuwait, Arábia), uma espécie de Nato do Médio Oriente que possa vigiar as escolhas do Irão.

A intenção é aumentar a pressão de forma que uma intervenção armada seja encarada quase como algo de natural e inevitável. Nesta óptica vão as recentes declarações do chefe de estado hebraico, Shimon Peres.

Ao falar numa estação televisiva, Canal 2, no passado 4 de Novembro, Peres afirmou:
Os serviços de segurança de todos os Países compreendem que o tempo é pouco e advertem os respectivos dirigentes.[...] Ao que parece, o Irão aproxima-se às armas nucleares. No tempo que sobrar, temos de exigir que os Países do mundo actuem e dizer que eles têm de respeitar os empenhos e enfrentar as próprias responsabilidades: sejam sanções mais severas, seja uma operação militar.

Ipse dixit

Fonte: Clarissa, Ansa

4 comentários:

  1. Anónimo7.11.11

    Tudo muito bonito.
    Mas onde a China e a Rússia se encaixam nisso tudo?

    Terão ou não seus papéis na próxima grande guerra? Ou vão ficar atrás da bancada?

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  2. Anónimo7.11.11

    Para haver uma 3a. grande guerra de fato, estes dois atores, como lembrado pelo anônimo, têm que atuar, e à favor do Irã, como parece ser o indicado. Senão, poderemos ter uma guerra nuclear restrita àquela área. Se é que isso é possível. Deve sobrar resíduos radiativos pra todos.

    Walner.

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  3. maria7.11.11

    Olá Max, e todos: se uma agressão grande, constante da agenda do império norte-americano contra o Irã, está sendo preparada, então isso vem desde 1979, quando o Irã voltou a ser "do mal", e nunca mais deixou de ser.
    Tu deves ter tuas razões (que com certeza vais desenvolver) para acreditar que há sinais de fumaça no horizonte, e eu respeito muito a tua opinão. Sobre o passado, até a gente atesta, mas sobre o futuro, é preciso saber mais do que eu sei, mesmo para levantar hipóteses.
    Desde a agressão a Líbia, eu tenho como certa a imersão na terceira guerra mundial por um motivo simples: o imperio que até então não ousava chamar a si próprio como imperio, o fez com todas as letras, e como tal, desempenha suas funções, ou seja, agride, conquista e domina. Como bem disse a senhora Clinton em viagem as hostes vencidas: viemos, vimos e dominamos. (se não foi exatamente com essas palavras, queria dizer exatamente isso )
    Mas, para todos os leitores de Max, justamente preocupados com uma terceira guerra mundial desencadeada pelo império e aliados, gostaria de chamar a atenção para a história dos impérios:em geral, eles de destróem a partir de dentro. Vejam que Oklaoma e as Torres Gêmeas são típicas incursões terroristas, a base de explosões nucleares, orquestradas pelo próprio império contra si mesmo, para justificar iniciativas de agressão interna e externa. E isto já é história comprovada. Só é suposição ou ficção para quem espera a explicação da media para entender o que se passa.

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  4. http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/11/israel-contra-o-ira.html

    Achei interessante o texto do link acima, contrapõe a ideia de que o Irã será atacado. O que achas, Max? Faz sentido?

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