14 novembro 2011

Irão: a guerra já começou

A notícia não é nova: esta é apenas uma confirmação.

Os Estados Unidos perpetram uma série de ataques terroristas no território do Irão na tentativa de desestabilizar o regime de Ahmadinejad.

"O quê? Os Estados Unidos, inimigos do terrorismo e paladinos da Democracia, que utilizam o terrorismo como arma? Impossível." pensará o Leitor.

Mas, querido Leitor, esta não é uma afirmação do pobre blogueiro: é a mesma CIA que admite.

Vamos com ordem? E vamos.


Saeed Jalili, Secretário do Conselho Supremo de Segurança Iraniano, promete enviar para a ONU as provas do terrorismo apoiado pelos EUA:
O Irão dispõe de provas irrefutáveis que revelam o envolvimento oficial do governo dos Estados Unidos na planificação em função anti-Irão e no envio de elementos para actos de sabotagem e de terror no Irão e em outros Países da região. 
Uh...palavras pesadas, sem dúvida. Apoiadas pelo Líder Supremo da Revolução Islâmica, o Ayatollah Seyed Ali Khamenei:
Temos 100 provas irrefutáveis que desvendam o papel dos Estados Unidos na guia dos terroristas para a actuação de actos terroristas no Irão e na região.
Afirmações alegremente ignoradas pelos media ocidentais. Muito mais importante dar espaço às palavras da AIEA, a agência nuclear internacional, segundo a qual o Irão está prestes a desenvolver uma arma nuclear.
Provas? Nem no primeiro caso nem no segundo temos provas, apenas palavras. Mas as palavras do Ocidente valem, as outras não, este é o teorema.

Então continuemos com as palavras; mas não do Irão, palavras ocidentais.

O ex-veterano da CIA, Robert Baer, no documentário Vanguard: a guerra secreta dos Estados Unidos contra o Irão, explica que a guerra de Washington contra Teheran começou já há alguns anos, com a subversão e violência. Os Americanos apoiam activamente o grupo nacionalista curdo PJAK, o mesmo acusado de muitos ataques terroristas no Irão.

Come já referido pelo Telegraph em 2007, os EUA utilizam também o grupo terrorista sunita Jundullah, parceiro de Al-Qaeda, para ataques suicidas e outras operações de desestabilização no Irão, uma operação começada com a administração Bush (o filho) e continuada com o simpático Obama (que não acaso é Prémio Nobel da Paz).

Fontes de intelligence recolhidas pelo Telegraph revelam que o Presidente George Bush deu a aprovação para que a CIA começasse operações sob cobertura para obter uma mudança de regime. Bush assinou um documento oficial com o qual os planos da CIA foram aprovados, isso para uma campanha de propaganda e desinformação, tendo como objectivo final a desestabilização e a substituição do regime em Teheran.

Parte desta campanha incluía o suporte com armas e dinheiro para o grupo militante Jundullah, que actua das bases do Paquistão no território do Irão. Mais notícias acerca deste grupo podem ser encontradas no artigo Os bons terroristas. Aqui importa realçar que Jundullah, ramo sunita de Al-Qaeda, era anteriormente liderado por Khalid Sheikh Mohammed, alegado "cérebro" dos ataques terroristas do 11/9...

Em Maio de 2008, ABC News referiu que o Paquistão ameaçava entregar seis membros do Jundullah ao Irão. E a televisão recolheu as afirmações dalguns "funcionários americanos, segundo os quais oficiais da intelligence encontram e aconselham muitas vezes os lideres do grupo Jundullah, e trabalham para impedir que os seis homens sejam enviados para o Irão".
O que evidencia, mais uma vez, colaboração entre terroristas e administração americana.

Em Julho de 2009, Abdolhamid Rigi, membro do grupo, e Abdolmalek Rigi, irmão do líder (e um dos seis membros presos pelo Paquistão), confirmaram ao tribunal de Zahedan que Jundullah era treinado e financiado pelos Estados Unidos e por israel. E confirmaram que o grupo tinha recebido ordens para intensificar a actividade contra o Irão.

Mas Jundullah não é o único grupo terrorista anti-iraniano que o governo dos Estado Unidos utiliza.
Também a organização de direita, Mujahedeen-e-Khalq (MEK), uma vez ao serviço de Saddam Hussein, agora trabalha em exclusivo para a Direção das Operações da CIA.

Ainda o Telegraph em 2007 revelava que um alto funcionário da CIA denunciava o financiamento dos terroristas, especificando que o dinheiro tinha como origem "o orçamento classificado da CIA", facto que já nem é "grande segredo".


Ipse dixit.

Relacionado: Os bons terroristas

Fontes: GlobalPostThe Telegraph, The Telegraph (2), DailyMotion (este é link não activo para os não residentes nos EUA; a não ser que com um pequeno truque...)   

2 comentários:

  1. E agora vem o nosso MNE dizer na Antena1, que é necessário impor ou reforçar, mais sanções à Síria e ao Irão. Já se vê o que andou ele com o PR a fazer nos EUA. Autênticos cães de fila de Obama em benefício próprio.

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  2. Olá Max: a finalidade é a mesma, as estratégias são as mesmas, e até mesmo as táticas são as mesmas.
    -alcançar a economia dos países do oriente médio e torná-la igual ao ocidente, o que alguns chamam de "calvinização do islã", para totalizar a tirania corporativa.
    -gestar o desentendimento e ódio entre grupos étnicos e religiosos, despistando a justificativa da manutenção ad eternun dos negócios da guerra e fracionando estados.
    - pulverizar estados fortes, e evitar solidariedades multilaterais.
    - inverter a ordem do entendimento sobre o terrorismo, ou seja, provocar o grande terrorismo global, acusando outros de terroristas.
    - infantilizar o mundo inteiro através da midia, entretenimento, intelectualidade majoritariamente corrompida, políticos subservientes, istituições de fachada, como a ONU, e similares
    - conter os desajustados a essa ordem pela militarização, encarceramento, policiamento, medo generalizado.
    Mandar provas para a ONU, para que?
    Mande provas para as forças de resistência mundiais que ainda existem, e que o serviço secreto e de segurança do Irâ devem saber muito bem onde estão.Se até eu, uma idosa no meio do mato, sabe que os órgãos instituidos servem ao sistema dominante e só os instituintes têm chance de ser foco de resistência e reação... Abraços

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