21 novembro 2011

Pacific Trash Vortex

E depois dizem que o Homem só é capaz de destruir.
Falso: sabe também construir. Por exemplo uma nova ilha no Oceano Pacífico. Toda feita de lixo. E já tem um nome: Pacific Trash Vortex.

Ok, ok, é uma exageração: na verdade não há uma ilha formada por lixo, mas é realidade o facto que se todo o lixo daquele oceano fosse reunido, nesta altura já atingiria um tamanho dobro dos Estados Unidos.
Nada mal.

E o Pacific Trash Vortex, este acumulo de resíduos plásticos que flutuam no Oceano Pacífico, está a crescer, constantemente. Com dezenas de milhões de toneladas de detritos que navegam alegremente entre as costas do Japão e dos EUA, é de facto o maior aterro sanitário do mundo.
De acordo com o oceanógrafo Marcus Eriksen, director de pesquisa da Algalita Marine Research Foundation, a extensão já atingiu "níveis alarmantes", provavelmente "o dobro dos Estados Unidos."

Mas como pode ser tão grande? Atingido por telefone pelo site Il Fatto Quotidiano, o Dr Eriksen explica que o Vortex "não forma uma ilha ou um acumulação densa de fragmentos. A densidade é semelhante à duma colher de confeitos espalhados num campo de futebol." Mas, uma vez reunido o material plástico, o tamanho é enorme.

Entre as soluções sugeridas pelos especialistas, destaca-se a necessidade de abandonar os sacos de plásticos descartáveis. A escolha já feita pela  Itália, agora o resto da Europa quer implementar a mesma medida. Mas os outros Países?

Bolas de futebol, peças de Lego, sapatos, bolsas, caiaques e milhões de sacos descartáveis. Estes são os ingredientes da "sopa de plástico" que ano após ano está a ocupar a superfície do Pacífico. Um quinto deles, de acordo com os estudos, provêm de objectos deitados dos navios ou das plataformas petrolíferas, o resto é originário dos continentes.

Este imenso vórtice de resíduos, no entanto, só é visível a partir dos navios, não dos satélites: isso porque está localizado abaixo da superfície do mar, entre alguns centímetros e os 10 metros de profundidade.

Descoberto em finais dos anos 80 pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), feito conhecer principalmente graças ao trabalho de Charles Moore, o Great Pacific Garbage Patch (outro nome do Vortex Trash) é dividido em dois blocos principais, como explica ainda Eriksen:
Um fica a cerca 500 milhas náuticas a partir da costa da Califórnia, outro ao largo das costas do Japão e estão ligados por correntes que giram no sentido horário em torno deles.
Nesta área do Pacífico Setentrional, as correntes do Oceano a cada ano acumulam grandes quantidades de detritos marinhos e resíduos, compostos por 90% de plástico, no maio dos quais é possível até encontrar peças fabricadas na década de 50. As matérias plásticas, de facto, podem foto-degradar-se com a acção da luz solar, podem partir-se em pedaços muito pequenos, mas basicamente não são biodegradáveis.

Os polímeros que constituem esta matéria podem assim acabar na cadeia alimentar, pois estas partículas são confundias com o fitoplâncton ou outros tipos de alimento por parte de muitos animais marinhos. Um problema comum também no Mar Mediterrâneo, que, no entanto, não atinge as preocupantes dimensões do Oceano Pacífico.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP), em 2006 cada milha quadrada de oceano continha 46.000 pedaços de plástico flutuante. Hoje, segundo os últimos cálculos, só o Trash Vortex atinge 100 milhões de toneladas.

Segundo Charles Moore, o problema é principalmente devido à enorme propagação dos sacos de plástico. Se o consumo não for reduzido, adverte Moore, "essa massa flutuante pode dobrar de tamanho na próxima década."

Mas o Pacific Trash Vortex não é um caso único. Após 20 anos de pesquisa, a pesquisadora Kara Lavender encontrou também no Oceano Atlântico uma elevada concentração de fragmentos plásticos, numa zona incluída entre as latitudes 22ºN e 38ºN, o que corresponde mais ou menos à área do Mar dos Sargaços.

Simulações ao computador,baseadas no estudo das correntes marinhas, individuaram também outras duas possíveis zona de acumulação: uma ao largo das costas do Chile e outra entre a Argentina e a África do Sul.


Ipse dixit.

Fontes: Il Fatto Quotidiano, Algalita, Wikipedia versão italiana

5 comentários:

  1. Se quiserem ler algo mais... cliquem aqui

    UMA VERDADEIRA MISÉRIA... Mas sempre pode ser que daqui por uns anos o nosso sistema digestivo se adapte para digerir "sopa de plástico"... assim já não morremos de fome.

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  2. Se nós já estamos a sofrer, coitado das próximas gerações...

    Precisamos achar um substituto efetivo do plástico e implantá-lo na consciência coletiva como bom produto, para aí conseguir se livrar dessa tranqueira.

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  3. olá Voz e Tony: sabemos que as alternativas que vocês propõem não são rentáveis e/ou possíveis "metabólicamente"
    Pior, sabemos que iniciativas decentes de pequeno porte não dão nem darão conta de solucionar este problema, nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo.
    Então sabemos, que pelos próximos 500 ou mais anos, o túmulo dos civilizados, que criaram isso, e dos não civilizados e animais, que não tem nada a ver com isso, mas têm de engulir...será devidamente plas-ti-fi-ca-do. Abraços

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  4. olá maria... então agora é assim?!?

    "sabemos que as alternativas que vocês propõem não são rentáveis e/ou possíveis "metabólicamente""

    Achas que este louco ia escrever algo que não tivesse suporte em dados manifestamente alucinados?!?

    Os peixinhos que muitos comem já têm plástico nos seus tecidos... o zé animal humano vai e pesca um peixinho plastificado, e come-o... está a comer plástico... provavelmente para já o plástico ainda é descartado e segue viagem nas fezes, mas o organismo já deve de estar a arranjar forma de aproveitar o novo ingrediente... é tudo uma questão de tempo, pois se os peixes já arranjaram forma de o incorporar, porque raio nós não seremos capazes de no futuro o aproveitar, nem que seja para capa de unhas!

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  5. Olá Voz: adorei!! Mas não tem nem dúvida, guri!!

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