14 novembro 2011

Zona Euro? Não é connosco...

Europa...bla bla...Zona Euro...bla bla bla...mas afinal, estamos certos de que uma crise europeia (uma crise ainda maior entendo) poderia desencadear dificuldades em outras partes do mundo?

Quem está estendido ao sol de Copacabana que tem a ver com os problemas do conjunto de Países que ficam do outro lado do planeta?
Não será mais uma vez uma visão eurocentrista, que esquece a realidade dos outros continentes?

Resposta: não. Que como resposta não é grande coisa, considerado que provem dum europeu.

Então vamos reflectir.


A palavrinha mágica: "interligação"

Em primeiro lugar: pensar no mundo feito de muitos Países, cada um dos quais autónomos e independentes é mera ilusão. A crise da Bolsa de Taiwan tem consequências (graves) no resto da Ásia, mas também na América do Norte, do Sul, na Europa...

A crise de 1997 começou na Tailândia, mas cedo contagiou os outros mercados asiáticos e não ficou por aí, envolvendo todas as principais praças mundiais.

Um pouco mais atrás: Segunda-feira negra de 1987, queda de Hong Kong que arrasta Estados Unidos e Europa também.

Esta é a globalização dos mercados, que estão todos interligados. Não é possível pensar em áreas compartimentadas, não funciona assim.

Enquanto os líderes europeus ainda estão a lutar para encontrar uma resposta credível para a crise, a perspectiva dum ou mais Países (em condição de falência ou não) fora da Zona Euro é considerado cada vez mais plausível.

De repente, os especialistas, os políticos e outros observadores tiveram que pôr em causa um dos principais pontos de referência, ou seja, uma Europa unida qual parte fundamental dum mundo multipolar.

Diz Thomas Barnett, estrategista-chefe para o grupo dos EUA de consultores de risco Wikistrat:
Um dos grandes pilares da globalização, os Estados Unidos, entraram num um período difícil. Agora, um dos outros pilares, a Europa, parece prestes a implodir.

Isso é: o Velho Continente, que até alguns anos atrás formava o maior  grupo das economias do G7, está cada vez mais perto das potências emergentes, quais China, Índia e Brasil.


Thomas Kleine-Brokhoff, especialista em estratégia do think tank de Washington, George C. Marshall Foundation:
Mesmo que por alguma mágica a crise desaparecessem amanhã, os outros jogadores estratégicos no mundo já estão começando a rever as opiniões sobre a Europa. A mesma consideração que a Europa está pronta para integrar ainda mais e tornar-se um único actor já se foi.

Isto levanta questões interessantes para outras áreas do mundo, onde muitos esperam o surgimento de blocos regionais como a UE, em vista de maiores integrações.
Nikolas Gvosdev, professor de Estudos de Segurança Nacional no U. S. Naval War College:

Acreditava-se que a Europa fosse o modelo a seguir, agora isso será posto em discussão.

Declínio do Ocidente?

Para alguns, qualquer desgaste da Zona Euro, com ou sem o colapso da União, pode ser considerado mais um sinal do declínio do mundo ocidental, mais rápido do que o esperado.


Para alguns, qualquer desgaste da Zona Euro, com ou sem o colapso da União, pode ser considerado mais um sinal do declínio do mundo ocidental, mais rápido do que o esperado.

Kleine-Brokhoff:
Índia, China e muitas outras novas potências simplesmente não vê uma crise da Zona Euro, vêem uma crise do mundo rico,o que faz acreditar que a hora deles chegou.

Mas essa interpretação poderia ser uma decepção.

Michael Denison, ex-assessor do Ministro do Exterior britânico David Miliband e agora director de pesquisa Control Risk:
Ninguém pode rir, não acho que haverá um vencedor. Haveria uma crise da dívida soberana e dos bancos que seria mal para todos.

A empresa de consultoria de intelligence Stratfor, que avalia a possibilidade duma quebra da Zona Euro este ano de, pelo menos, 90 por cento, acredita que a China vai sofrer o maior golpe:
Será possível observar um colapso de capitais para o Vietnam, o Brasil e para partes da África. Também será o fim do milagre económico chinês. O maior mercado para a China é a Europa. Isto poderia ter um enorme efeito destrutivo na China, que poderia levara a uma revolução social.
Mas também há outros perigos: alguns Países, num planeta cada vez mais fragmentado e sem liderança, poderiam decidir escolher por conta própria. O que pode ser muito bom por um lado, mas muito arriscado por outros.
Exemplo prático: Israel e Irão. E se um dos dois escolhesse agir sozinho, sem os "aconselhamentos" dos aliados ou simpatizantes?

A Europa não estará em condição de propor-se como actor no panorama geo-estratégico mundial e isso numa altura em que os Estado Unidos enfrentam graves problemas e contavam mesmo com o protagonismo do Velho Continente. A aventura líbia ensina.

Paul Cornish, professor de política internacional da Universidade de Bath, Reino Unido: a falência da Zona Euro poderia implicar uma forte instabilidade política, que poderia levar a tensões e até conflitos. Estamso mal preparados perante o que acontecerá.


As alternativas e a dança

O problema é que não é apenas a Zona Euro a estar em discussão: é todo o sistema, que é igual, com poucas diferenças, em todo o mundo ocidental: Europa, Américas, parte da Ásia, Oceânia, parte da África.

Pensar que uma área possa ruir deixando intactas as outras partes é pura ilusão: ao longo das décadas, o sistema ficou cada vez mais interligado.

Claro está: haveria zonas mais atingidas, com consequências mais graves, sem dúvida.
Mas não haverá "ilhas felizes".

É um sistema que demonstra agora todos os seus limites, mas para o qual não existe uma séria alternativa. Simplesmente porque não foi preparada.

O mundo ocidental, no amplo sentido, decidiu entrar numa única estrada, com a certeza de que era o caminho certo. Seria possível perguntar "quem" de facto escolheu a estrada, mas não é isso que está em questão agora.

Foi escolhida uma forma doentia de Capitalismo, definido também como turbo-capitalismo ou capitalismo financeiro. Seja qual for o nome, é um sistema que foi implementado em todo o mundo ocidental. E na Zona Euro, como já afirmado em outros artigos, foi decidido ir além disso, com a criação dum laboratório que ajudasse na percepção dos possíveis futuros desenvolvimentos.

Agora o laboratório está prestes a explodir e o resto do mundo pergunta: "E agora?"
Agora é Danse Macabre.

(Psssst! Sim, eu sei, o fim é demasiado trágico e pessimista. Mas fez-me lembrar um conto de Edgar Allan Poe e ficava bem!).


Ipse dixit.

Fontes: Reuters

1 comentário:

  1. «pensar no mundo feito de muitos Países, cada um dos quais autónomos e independentes é mera ilusão»


    -> As famílias não são independentes/autónomas... todavia, devem as famílias abdicar da sua Identidade?... Resposta: Nâo!
    -> As Nações não são independentes/autónomas... todavia, devem as Nacões abdicar da sua Identidade?... Resposta: Não!
    --->>> Apesar de os portugueses não serem a nação mais antiga da História... será que os portugueses devem abdicar da existência duma Pátria sua?
    RESPOSTA: NÃO!!!

    -> Muito muito mais importante do que a crise... é o DIREITO À SOBREVIVÊNCIA!!!
    Resumindo e concluindo: Não vamos ser uns 'parvinhos-à-Sérvia'.... antes que seja tarde demais, há que mobilizar aquela minoria de europeus que possui disponibilidade emocional para se envolver num projecto de luta pela sobrevivência... e SEPARATISMO!...


    ANEXO:
    1.
    -> Quando se fala em SEPARATISMO-50-50... não se está a falar em apartheid, mas sim, em LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA, ou seja, separatismo puro e duro: uma Nação, uma Pátria, um Estado.
    2.
    -> Uma NAÇÃO é uma comunidade de indivíduos de uma mesma matriz racial que partilham laços de sangue, com um património etno-cultural comum.
    -> Uma PÁTRIA é a realização e autodeterminação de uma Nação num determinado espaço.
    -> Ora, existindo não-nativos JÁ NATURALIZADOS com uma demografia imparável em relação aos nativos... como seria de esperar, abunda por aí muita conversa para 'parvinhos-à-Sérvia'.
    3.
    -> Como é óbvio, a Nação mais antiga da História - os Judeus - não abdica duma Pátria sua.
    -> Ao contrário dos Judeus que fizeram uma TRANSIÇÃO BRUSCA... eu penso que a transição para o separatismo-50-50 deveria ser uma TRANSIÇÃO GRADUAL (de algumas décadas).
    4.
    -> Sem dúvida que o objectivo final de tudo isto [Biliões para os banqueiros = Dívidas para as populações] é a implosão das soberanias!
    -> A superclasse (alta finança internacional - capital global, e suas corporações) não só pretende conduzir os países à IMPLOSÃO da sua Identidade (dividir/dissolver identidades para reinar)... como também... pretende conduzir os países à IMPLOSÃO económica/financeira.
    -> Só não vê quem não quer: está na forja um caos organizado por alguns - a superclasse: uma nova ordem a seguir ao caos... a superclasse ambiciona um neo-feudalismo.
    5.
    -> Nazis na desmultiplicação: o que caracteriza o Nazismo não é o ser 'alto e louro'... mas sim a busca de pretextos (adoram evocar/inventar pretextos) com o objectivo de negar o Direito à Sobrevivência de outros!...
    -> Manobrados pela superclasse, andam por aí muitos nazis na desmultiplicação: quer na forma falada quer na forma escrita, eles desmultiplicam-se na busca de pretextos... com o objectivo de negar o Direito à Sobrevivência de outros... nomeadamente, as Identidades Étnicas Autóctones.
    --->>> Já ninguém dúvida que os capitalistas selvagens são uns nazis muito activos:
    - promoveram a exploração de escravos... para benefício do desenvolvimento económico...
    - promoveram holocaustos massivos sobre povos economicamente pouco rentáveis (ex: alguns povos nativos da América)... para benefício do desenvolvimento económico...
    - hoje em dia já andam por aí a ameaçar países que tenham políticas proteccionistas... pois isso é considerado um entrave ao desenvolvimento económico global....

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