16 dezembro 2011

A bolha chinesa

China. E Brasil. E Rússia. E Índia também.
Resumindo: Bric.

Tudo bem?
Mais ou menos. Talvez. Ou nem por isso.
Da China já dissemos: há sinais. Pequenos-grandes sinais que dizem que sim, está tudo bem mas nem por isso.

É difícil obter dados fiáveis ​​da China. Mas abrir o site das propriedades imobiliárias Homelink significa encontrar a queda de 35 por cento do preço das novas casas em Pequim no mês de Novembro face ao mês anterior. Será verdade?


Acrescentamos a queda da oferta monetária ao longo do mesmo período (-12,7 por cento, a mais baixa dos últimos 10 anos: há menos dinheiro em circulação). E a queda dos novos empréstimos - 5%.
A Bolsa? O índice Xangai caiu 30% desde Maio. É inferior a 60% do de 2008, uma diminuição semelhante ao que aconteceu em Wall Street no período 1929-1933.

Que fique claro: não é uma tragédia, nada em comparação com a novela dos Países da Zona Euro. E depois não podemos esquecer que o mercado chinês trabalha muito com as exportações e se os outros mercados forem menos receptivos então é inevitável uma repercussão nas contas de Pequim.
Mas isso não explica tudo e já não é suficiente para entender o que se passa.

Albert Edwards da Societe Generale:
Os Bric estão a cair e as crises têm origens internas, causada pelos ciclos do crédito boom & bust [um episódio caracterizado por um crescimento dos indicadores económicos seguido por uma rápida contracção, ndt]). A produção industrial já está em declínio na Índia, e o Brasil terá o mesmo destino.
Começarão a fazer dumping [venda de bens com preços inferiores aos do mercado ou até de produção, ndt], há um risco de choque deflacionário no resto do mundo. Não é nenhuma surpresa que a China impôs impostos sobre a importação dos carros da General Motors. Acho altamente provável a desvalorização do Yuan no próximo ano, o que pode levar até uma guerra comercial.

As reservas exteriores chinesas de 3,2 triliões de Dólares estão em queda há três meses, apesar do activo comercial. O dinheiro está a sair do País.
Li Yang, do banco central chinês:
Os fluxos de capitais de sentido único ou a apostas numa subida do Yuan agora fazem parte da história. As nossas reservas estrangeiras estão realmente a cair dia após dia.

Dito de outra forma: antes o dinheiro entrava na China, agora entra mas sais também. E fazer subir o valor do Yuan está fora de questão, isso significaria complicar ainda mais as exportações (se a moeda for mais forte, os preços dos bens produzidos serão mais altos).

E a perda das reservas? É o contrário do boom: o dinheiro não pode ser utilizado para sustentar o mercado bancário interior. E fazer voltar capital agora no estrangeiro (por exemplo, investidos nos Títulos de Estado de Washington ou da Europa) significaria tornar o Yuan mais forte, coisa absolutamente não desejada nesta altura.

A economia já não é o que era: os consumos caíram de 48 para 36% do PIB desde o final dos anos 90 e os investimentos aumentaram até 50% do PIB. Muito, demais. Fitch Ratings informa que a China está agarrada ao crédito, mas recebe cada vez menos impulsionamento: em 2007 um Dólar de empréstimo aumentava o PIL de 0.77, agora apenas de 0.44.
Charlene Chu, analista:
A realidade é que hoje a economia chinesa requer um financiamento significativamente maior do que no passado para alcançar o mesmo nível de crescimento.

Os investidores pensavam que a China fosse imune ao colapso do imobiliário porque a finança dos mútuos é apenas 19% do PIB. Os Chineses ricos costumam comprar dois, três ou mais apartamentos para "estacionar" o dinheiro, porque não podem investir no exterior e as taxas dos depósitos bancários foram -3% em termos reais este ano.

Mas agora os apartamentos são muitas vezes deixados vazios, tornaram-se um comércio perigoso.

O Professor Patrick Chovanec da Tsinghua School of Economics afirma que o declínio do imobiliário na China começou em Agosto, quando as empresas de construção têm relatado que o inventário não vendido era de 50 biliões de Dólares. Agora estamos a observar uma "espiral de expectativas de queda.

Há liquidações acontecendo nas cidades costeiras, os construtores de Xangai cortaram os preços em 25% no mês de Novembro: e os compradores anteriores agora esperam reembolsos. A coisa está a espalhar-se. As vendas de imóveis caíram 70% na cidade de Changsa, no interior. Os preços devem ser reduzidos em 70% na "cidade fantasma" de Ordos, na Mongólia Interior. Enquanto isso, a desaceleração filtra para outros sectores: a produção de aço cedeu.

Pequim tem sido esperta em contrariar a contracção global em 2008-2009 ao libertar o crédito, funcionando como "almofada" para o mundo inteiro. Poderá Pequim repetir o truque pela segunda vez?

Mark Williams, de Capital Economics, disse que a grande esperança era que a China utilizasse a política do crédito para transitar dum modelo de hiper-investimento para um de crescimento controlado:
Não funcionou como o esperado. As próximas semanas podem revelar quantos poucos progressos foram feitos. A China pode sair da tempestade nos próximos meses, mas os perigos do excesso de produção e da má dívida só vão intensificar-se.

É na natureza das bolhas explodir...


Ipse dixit.


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Fontes: The Telegraph

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