05 dezembro 2011

O creme e a sopa

Surpresa. Espanto.
Mas como? Quem são estes? Donde vieram?

Após as eleições no Egipto, o dado que mais merece ser realçado é a vitória dos Salafitas.
Wikipedia, onde estás?
O objectivo primário do movimento era reformar a doutrina islâmica de forma a adaptá-la aos novos tempos, foi um produto do intenso contacto que começou, desde os inícios do século XIX, entre o mundo islâmico e o mundo ocidental e pretendia chamar a atenção para uma via de desenvolvimento especificamente islâmica.
Este movimento não se colocava somente contra doutrinas que estabeleciam uma identificação entre a modernização e a ocidentalização dos costumes culturais e sociais islâmicos de então [...] , como também é contra o tradicionalismo mais fechado que abafa toda e qualquer modernidade procedente das influências ocidentais como algo que destrói tudo o que é islâmico.
..."era", "foi", "pretendia"...os Salafitas acabaram de ganhar as eleições e Wikipedia parece falar de arqueologia.
Wikipedia, sempre muito à frente,   


Mas como podemos interpretar esta vitória? Não deveriam ter ganho as forças progressistas, pró-ocidentais? Afinal este era o resultado esperado aqui no Ocidente: não foi o Ocidente que inspirou a revolução? Não foi o valor tipicamente ocidental de Democracia que conduziu à derrota de Mubarak? O que aconteceu?

Para perceber como se vive em Roma, perguntem a um Romano.
Neste caso seria melhor um Egípcio. E, olha a nossa sorte, eis Sherif El Sebaje, do blog Salamelik:
Eu posso prever já agora que a minoria secular irá sucumbir, não tenho certeza se eleitoralmente ou fisicamente, no confronto que inevitavelmente vai acontecer se continuar a acreditar que os Salafistas são apenas um "bicho-papão" anti-ocidental e que não tenham nada a ver com a sociedade.
Isto escrevia Sherif no seu blog no passado dia 31 de Julho.
Chegaram as eleições e a previsão foi confirmada.

Explicação?
Os "revolucionários de Praça Tahrir" eram só úteis idiotas: não fizeram a revolução, apenas aceleraram um processo que estava em andamento e que sem a sua generosa e inconsciente contribuição talvez teria levado mais alguns anos.
São os mesmos factos que o abaixo-assinado apresentava neste blog, enquanto algum idiota escrevia eu ser um "agente do regime de Mubarak que odeia os jovens da classe média do Cairo".
Na verdade eu não fiz nada, a não ser descrever com um pouco de antecedência a situação de agora Le Monde num editorial intitulado "A grande solidão dos progressistas"constata: o bloco laico progressista saiu das eleições com os ossos quebrados. Nenhum dos representantes ou candidatos apoiados pelos "filhos de Praça Tahrir" e os movimentos históricos de oposição conseguiu passar a primeira rodada. O Egipto votou por esmagadora maioria a favor dos movimentos islâmicos e um bom 20% foi para os Salafistas. E como se isso não bastasse, 90% dos Egípcios está ao lado do conselho supremo das forças armadas. Em outras palavras, os progressistas e os manifestantes de Praça Tahrir continuam a ser afastados da realidade exactamente como dantes, se não em grau maior, quando afirmavam que os islâmicos "ficaram bastante enfraquecidos". [...] Ainda pergunto onde estas viviam ao longo dos últimos anos pessoas, cujos jornais no Egipto falam de "Surpresa Salafita".

O Egipto tem foi como uma grande panela colocada em fogo baixo. Por longo tempo, na superfície flutuou um creme saboroso: intelectuais e escritores de best-seller que criticavam o regime, realizadores de filmes que concorriam nos festivais internacionais com as queixas contra o regime, a classe média que enviava os seus filhos para as faculdades Americanas, jovens que faziam a revolução no Facebook.

Debaixo de creme há a sopa, feita de camponeses, trabalhadores, pessoas comuns que lutam na pobreza e no analfabetismo, que procura ganhar a vida e sobreviver dia após dia.

E ainda mais abaixo, depositado no fundo, um sedimento de fundamentalismo e intolerância: controlado pelo aparato repressivo até o outro dia, aparentemente imóvel, mas muito envolvidos no social. Em contraste com o creme que, na verdade, permaneceu separada da sopa como o óleo fica separado da água, o substrato aparentemente imóvel afectava a sopa com o passar dos dias, com o aumento da temperatura.

Era apenas uma questão de tempo, e todos sabiam disso: mais cedo ou mais tarde o substrato teria subido para a superfície e o creme teria afundado. O que ninguém esperava, entretanto, era que o creme fizesse todo o possível para acelerar este processo, aumentando a temperatura e colocando a panela em ebulição, na crença, ingénua e errada, de que isso teria afectado a sopa, que permaneceu isolada.

O dia em que a "nata" da sociedade egípcia decidiu descer nas ruas foi o mesmo dia em que inconscientemente e heroicamente decidiu afundar. Agora, exactamente como previsto, os membros do "creme" estão prestes a  abandonar o barco e a sair do País. E, como esperado, as consequências cairão  sobre os desgraçados que não podem permitir-se esse luxo.
Como escreveu Miguel Martinez, "qualquer um que tenha estudado um pouco de história, sabe que um dos resultados inevitáveis ​​do que está a acontecer é um genocídio, no sentido da destruição de todas as comunidades humanas cujas origens remontam a séculos atrás. Já aconteceu com Arménios, Assírios e Gregos na Turquia, judeus no Iraque, Líbia e Marrocos, está a acontecer agora aos Cristãos no Iraque (e também aos Sunitas), os negros na Líbia, e vai acontecer com os Coptas no Egipto; e em seguida serão os Alevitas e os Cristãos da Síria.
Pergunta: mas os Estados Unidos, que ajudaram esta "revolução", não imaginavam isso?
Imaginavam sim.

O autor do blog Salamelik, Sherif El Sebaje, é um diplomata que já trabalhou para o Departamento de Estado dos EUA, comentador televisivo e radiofónico, que em 2010 recebeu um Certificado de Mérito e Gratidão da Embaixada Egípcia em Roma.

Os Estados Unidos sabiam, deixaram fazer e até ajudaram.
Porquê?

A resposta é complexa mas podemos perguntar: porque os Senhores do Mal dos últimos anos foram todos islâmicos?
Os defuntos, Bin Laden, Saddam Hussein, Mubarak e Khadafi eram islâmicos.
O actual, al-Asad da Síria, é islâmico.
Os próximos, Suleiman do Líbano e sobretudo Ahmadinejad do Irão são islâmicos.

Isso algo significa, ou acham ser um mero acaso?


Ipse dixit.

Fontes: Wikipedia, Salamelik

4 comentários:

  1. Está aqui a resposta e aconselho uma pesquisa pormenorizada a este site.

    O fim programado da democracia e outros temas interessantes para quem quer entender a dinâmica do mundo.
    Entretanto a engenharia social da Nova Ordem Mundial vai de vento em popa, infelizmente.
    Claro que o Islão é o inimigo nº1, basta ver este vídeo e vê-se logo, porque perpretam o genocídio islâmico. A França não tarda muito e será uma República muçulmana!

    http://www.youtube.com/watch?v=1-cIz1tKjOc&feature=related

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  2. Muito ilustrativo, fada e assim vamos colaborando uns com os outros, para tentar juntar os pedaços.
    Abraço.

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  3. "Wikipedia, sempre muito à frente" sem dúvida... por isso é que já está, também, em pré-valência e à rasca!!!

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  4. Os EUA gostam dos "bons" islâmicos... que são aqueles que paguem a devida contribuição aos EUA... se deixam de pagar então passam a ser "maus" islâmicos e: pendura na corda, ou espanca e mata a tiro, ou mata a tiro e deita ao mar, ou ignora e deixa se chacinado/corrido pelo "POVO"...

    Sempre fácil... sempre rápido... sempre eficaz...

    O pior é que o esquema está a tornar-se muito evidente... e está a ficar difícil a sua replicação.

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