31 março 2011

Do dinheiro, dos juros, da inflação e dos serviços


Dinheiro, moeda, capital, juros, empréstimos.
Sem esquecer a inflação.
Tentamos esclarecer alguns mecanismos.


Dinheiro real? Não há.

Para entender porque a moeda é tão importante, devemos primeiro entender o que uma moeda é e de como as coisas funcionam. Hoje, como sabemos, a moeda não é emitida ou controlados pelos governos.

Hoje em dia, e isso pode parecer incrível para a maioria das pessoas, quase todo o dinheiro que circula é criado de forma ilegal pelos bancos comerciais.

Na realidade, este é um segredo que segredo não é: é mais uma realidade aceite mas não oficialmente reconhecida. Como consequência, na conta bancária do leitor não há dinheiro, apenas números, que representam uma "ilusão monetária".

Com extracto bancário (acho chamar-se "declaração bancária" no Português do Brasil), a instituição de crédito informa quanto o banco deve (se o saldo for positivo, óbvio), mas apenas uma pequena parte desse dinheiro realmente existe.
Claro, até quando o leitor pode continuar a pagar as contas com este dinheiro falso, porque preocupar-se?

Um pequeno conselho de amigo

O blog amigo Prova Final realça um artigo que apareceu no passado dia 27 de Março no diário irlandês Independente.

Vale bem a pena reportar o artigo, escrito sob forma de carta enviada para um País todo: Portugal.

"Caro Portugal, daqui é a Irlanda."

Assim começa esta carta, assinada pelo colunista Brendan O'Connor e publicada na primeira página do diário.

“Não quero intrometer-me mas tenho lido sobre vocês nos jornais e acho que estou em condições de vos dar alguns conselhos sobre o que têm pela frente”.

O poder político é um dos temas fortes. “Sei que estão sob pressão para aceitar um resgate e que os vossos políticos dizem estar determinados em o recusar. Eles dirão que nem por cima dos seus cadáveres. Segundo a minha experiência, isso significa que serão resgatados muito em breve, provavelmente num domingo”, antecipa.

Dois Leitores

Dois leitores, dois comentários, em ordem de chegada.

Vitor em Fantasmas:

[...]
As consequências que hora enfrentamos, provenientes de nossa ausência ou pouco caso de nossa parte, refletem senão as nossas atitudes perante a sociedade, sejam elas pequenas ou grandes. O afastamento de nossos deveres, voluntário ou não implica em grandes consequências em diferentes níveis, mas de toda forma percetíveis.

Relegamos nossos deveres devidamente orquestrados por uma estrutura cujo objetivo é a alienação, sem a qual a sociedade orquestrada ruiria.

Mas também de nada valem rios de informações sem análise, sem o confronto, a busca... a maneira com que a informação nos apresenta é tentadora, devido a simplicidade e frieza, que por fim termina por nos iludir. Dando a impressão que vivemos sempre em um estado onde tudo já está consumado, passado de um presente que não quer passar.

Imersos no passado ou alavancados ao futuro, o presente já não se faz presente... as palavras que hoje nos trazem conforto, amanhã nos farão sofrer se deixarmos nos aliciar pela ilusória segurança destas...

O fato de já nos encontrarmos aqui, já é um indicativo positivo, mesmo que a insegurança ainda ofusque a ação. Sempre procuro calcar minhas palavras com ações, para que estas não destoem, pois palavras sem atitudes é como uma casa sem alicerce...

E a maneira que encontrei de agir, foi em tomar parte no que aqui chamamos de "Associação de Bairros".

E para que possamos agir devemos enfrentar o medo.

O medo, paralisante, assaz cruel... 


R. Saraiva em Death Zone:

Desejar a morte de alguém, é um acto tão condenável como matar alguém.

A humanidade está em tempos de transição e é necessário fazermos grandes reformas íntimas para mudarmos a nossa forma de ser e estar com o outros e com o planeta.

As nossas crianças devem ser educadas sobre a égide de uma bandeira de caridade, Amor ao próximo, paz e civismo; e não se deve negligenciar essa educação, pois elas são o nosso futuro. Boa educação não é só ter boas notas, é ensinar também os bons princípios, principalmente do respeito pelo próximo e este ensinamentos devem ser transmitidos tanto nas escolas como em casa.
Sem isso, as crianças nascem desviadas com tendências más que podem até não ter sido incutidas, mas muitas vezes não foram contrariadas. Mas num Mundo onde o professor tem cada vez menos autoridade dentro de uma sala de aula e onde os pais são cada vez mais ausentes, as crianças nascem no limbo, auto-educando-se naquilo que acham ser o melhor para elas e, numa atitude egoísta, não percebem o seu papel numa sociedade cada vez mais necessitada de bons princípios.

Este vídeo reflecte militares sem escrúpulos, e os comentários revelam pessoas iguais a eles.

Acredito que a Paz, a Caridade Mundial e o tão esperado Mundo Novo só podem ser possíveis se todos acreditarmos nisso e fizermos a nossa parte da sementeira...cultivando os bons princípios nos mais novos, na família, nos amigos, etc.

Obrigado Max, por seres uma pessoa que não acredita em tudo o que se vê e se diz.

Obrigado ao leitores por cada vez se inconformarem mais e questionarem o porquê das coisas, buscando soluções não-utópicas e praticando uma parte da solução junto daqueles que lhe são próximos.

O Mundo precisa de histórias felizes.


PS: O meu captha diz begin (começar), e eu digo: É sempre tempo de recomeçar - só é precisa a força de vontade.

Há outros comentários que gostaria de realçar, mas o espaço é o que é.
Apenas uma observação: é ao receber comentários como este que percebo que abrir o blog valeu a pena.


Ipse dixit.

Fukushima: a hora do plutónio

Boas notícias!

Lembram do xénon 133 e do césio 137, os dois elementos radioactivos libertados pela central nuclear de Fukushima? A boa notícia é a seguinte: agora já não são o principal problema. Isso é, representam o mal menor.

Pois foi encontrado plutónio.


Plutónio, este desconhecido

Plutónio 238
O plutónio é um elemento químico, um metal, cujo símbolo é Pu. Como Peru, só sem o "er" no meio, e é o elemento mais utilizado na produção das bombas nucleares. Já isso faz dele um elemento particularmente útil e simpático.

É definido muitas vezes como "o elemento conhecido mais tóxico", o que não é correcto: o plutónio é apenas "extremamente" perigoso e nada mais. De facto, este material causa tumores nos pulmões, no fígado e danos nos ossos, em particular se é ingerido. Ou inspirado.

Por isso basta não comer ou respirar plutónio para viver felizes (o que não é verdade: é preciso também evitar o xénon 133, o césio 137...mas enfim, não complicamos).

O problema nasce quando o plutónio entra na cadeia alimentar. Ou se for disperso pelos ventos. Aqui a coisa fica mais feia, pois o plutónio é casmurro, não desaparece tão cedo: a sua meia-vida é de 24.200 anos. Ventiquatromiladuzentoanos.

30 março 2011

Quantitative Sushi


Só uma breve nota. E aborrecida, pois falamos de mercados.

Desfrutando a emergência terramoto, o Banco Central do Japão acaba de lançar no mercado 600 mil milhões de Dólares. Um Quantitative Sushi efectuado no prazo de 20 dias.

Na prática, desde o terramoto, mais ou menos.

"Causa ou efeito?" diz uma pequena voz maligna escondida entre os poucos neurónios do pobre blogueiro.
Por enquanto, ignoramos.

O Japão tem uma dívida pública perto de 200%, um deficit de 9%: se fosse um País europeu seria indicado como a vergonha da humanidade, um Super-Pig, aliás, "o" Pig por excelência.
Mas é o Japão, caramba.

Death Zone

Às vezes é difícil não pensar na nossa extinção como um justo desfecho.

A seguir um vídeo gravado por alguns soldados americanos empenhados no Afeganistão. Nas imagens, alguns talibãs enquanto preparam uma alegada explosão. "Alegada" mas sempre suficiente para permitir uma rápida intervenção aérea que, na dúvida, mata tudo o que está a mexer-se.

Vídeo gravado e também "musicado" com as notas dos Apocalyptica.
Um troféu que agora é visível na web.

No YouTube, por enquanto, um único comentário de tal KoranimalAbuser: 

Fuck ya! Kill those talibunnies!



Fonte: YouTube


No inferno de Fukushima

T.Hirose: Time Bomb Reactor
Ao procurar o nome Takashi Hirose no Wikipedia, encontramos a seguinte definição:
Takashi "Taka" Hirose, nascido 28 de Julho de 1967, Mizuho, Japão) é um musico japonês que actualmente toca o baixo na banda rock Feeder.
E uma nota: 
(Takashi Hirose é também o nome dum activista anti-nuclear)
Interessante.
Gosto do rock, e muito. Mas acho engraçado conceder espaço a um fulano que toca numa pouca conhecida banda do Gales, com tanto de biografia pessoal, e apenas uma linha para quem já escreveu uma prateleira de livros acerca dum assunto tão delicado como o nuclear.

É uma questão de prioridade, sem dúvida.

Takashi Hirose é bem conhecido no seu País, assim como reconhecida é a competência dele no sector nuclear e militar-industrial. Por isso foi entrevistado pela Asashi New Star, no dia 17 de Março.

A seguir, a tradução do encontro.
Vale a pena ler.

29 março 2011

Lula e a Nova Ordem Mundial

Gostam da ideia da Nova Ordem Mundial?
Então eis as palavras de Lula da Silva, hoje, em Lisboa:

Reformar as Nações Unidas "e o seu Conselho de Segurança" e "forjar uma ordem económica mundial menos desigual" são passos fundamentais para a "construção de uma ordem mundial que traduza as nossas aspirações de liberdade e de justiça social", defendeu o ex-Presidente do Brasil, Lula da Silva, no discurso com que recebeu na Assembleia da República em Lisboa o Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa.

Fantasmas

As coisas acontecem. É normal.
Assim como é normal para o Homem tentar individuar padrões. Sem um padrão, o Homem é obrigado a reconhecer que as coisas acontecem de forma aleatória. E o Homem não gosta do aleatório.


Aleatório

O aleatório não se pode controlar nem prever. O aleatório é desconhecido.
E o Homem tem medo do desconhecido, sempre teve.

Isso para dizer que se olharmos em redor, podemos observar diversos acontecimentos, aparentemente desligados, que definimos como "emergências".

A emergência nuclear no Japão, a emergência dos mercados económicos, a emergência das revoltas na África do Norte e no Médio Oriente, a emergência do clima, a emergência do fim do mundo em 2012.

E não é difícil poder encontrar outras emergências que andam por ai.
Há emergências para todos os gostos.

É aqui que o Homem tenta individuar um padrão. Pode ser tudo isso fruto do acaso?

Fofocas

Meus queridos leitores, é altura de fofocas.

Não sei se repararam, mas nas últimas horas Portugal tornou-se o "umbigo" do mundo, o Paraíso do Jet-Set-Jet-Lag do planeta, o centro das atenções: o Príncipe Carlos, a consorte Camilla, o ex Presidente Lula da Silva, a actual presidente Dilam Rousseff, todos juntos, aqui, com o autor de Informação Incorrecta!
Sim, tudo bem, não propriamente comigo, é verdade, mas enfim...

Vamos ver, vamos ver.

Algo está a acontecer

Algo está a acontecer.
O difícil é perceber o que.

Vamos ver os sintomas.

1. A Federal Reserve pensa acabar mais cedo com o Quantitative Easing 2.

Excelente. A economia dos Estados Unidos melhor das expectativas? Basta de QE 2 e nada de QE 3?
Talvez, mas ainda não é certo.
A economia melhora unicamente porque ajudada. E é bom não confundir a economia "real" com a finança "virtual" de Wall Street: são duas coisas bem diferentes.

Então? Terá a operação Quantitative Easing atingido o limite?

Japão: Cronologia duma catástrofe

A nuvem de radioactividade lançada pela central nuclear de Fukushima já está sobre Portugal, mas em quantidades mínimas, sem riscos para a saúde.

Afirma o diário Público:
Este é o resultado indicado por um modelo de dispersão atmosférica aplicado por investigadores portugueses, com base em dados disponíveis no Japão e noutros Países.

O arquipélago dos Açores é o primeiro a ser atingido pela nuvem, mas apenas em altitudes elevadas. O modelo sugere a presença dos elementos radioactivos xénon 133 e césio 137 a mais de 2000 metros de altitude. “Na pior das hipóteses, o que estará a chegar aos Açores é milhões de vezes inferior ao que se observa no Japão”, afirma o investigador Félix Rodrigues, acrescentando que não há quaisquer riscos para a saúde humana ou para os ecossistemas.
Um exercício semelhante realizado na semana passada pela agência francesa de meteorologia mostra a expectável dispersão da radiação de Fukushima por praticamente todo o hemisfério Norte. Em França, o resultado dos modelos foi confirmado por análises a partículas atmosféricas, que revelaram a presença de vestígios de iodo radioactivo em Paris, mas igualmente sem riscos para a saúde.
No Diário de Notícias mais algusn pormenores acerca das partículas radioactivas:
"A modelação baseou-se nos dados disponibilizados pelos EUA e Europa do Norte", que indicam ter sido o 'Xenon 131' o primeiro a chegar, mas sem consequências para a saúde, porque "as quantidades são mínimas e desfazem-se em meia dúzia de dias".
Mais perigosos são o 'Césio 137' e o 'Estrôncio 90', que se "depositam no solo e cuja radioactividade só se reduz a metade passados trinta anos". O investigador frisou, no entanto, que "a modelação efectuada a uma altitude de 2.500 metros indica que está a chegar (o Césio 137) em pequenas quantidades e não aponta para que venha a descer para o solo".
Félix Rodrigues adiantou que, "quando se analisam os dados a uma altitude de 5000 metros percebemos que, neste momento, esses elementos estão a atingir a Península Ibérica e, de uma forma geral, a Europa".
Ainda bem. Pelo vistos estamos perante uma partícula que costuma depositar-se no chão mas que neste caso não vai descer ao solo. De facto, hoje em dia há escolha melhores de que Portugal.
A partícula será pequena, mas não é estúpida. 

Pena, pois um pouco de Césio 137 na cadeia alimentar só poderia fazer bem, sobretudo à saúde de dentes e gengivas, mas enfim.

Vamos, pelo contrário, fazer uma cronologia dos acontecimentos. Comprida, mas importante para tentar perceber o que se passou e ainda se passa nas centrais nucleares do Japão. 

28 março 2011

Vetiver?

Não costumo fazer publicidade: e fazer publicidade gratuita nem me deveria passar pela cabeça.
Mas neste caso eis uma excepção.

O leitor Cele enviou o link dum vídeo do YouTube, cujo título é um pomposo: Desastres Ecológicos - Vetiver a solução natural.

Vetiver é uma planta e na verdade não acaba com os desastres ecológicos. Mas ajuda, o que não é pouco.
Vamos ver o que diz Wikipedia:
Vetiver (Vetiveria zizanioides (L.) Nash) recentemente reclassificado como "Chrysopogon zizanioides (L.) Roberty", é uma planta da Família das gramíneas (Poaceae), herbácea, perene, cespitosa (em moita) que chega a atingir cerca de 2 m de altura e com raízes que podem penetrar até 6 m de profundidade. [...]

É uma planta próxima de outras ervas aromáticas como o capim-limão (Cymbopogon citratus) e a Palmarosa (Cymbopogon martinii). Propaga-se principalmente de forma vegetativa (assexuada) já que a maior parte das variantes cultivares produzem pequenas quantidades de semente ou, simplesmente, não a produzem.

Desta forma, o capim-vetiver é considerada uma espécie muito segura para se utilizar, não existindo o risco dela se tornar invasora. Pode ter uma longevidade de séculos.

Por estas razões, na Índia o vetiver vêm sendo utilizado há séculos para delimitar fronteira de terrenos, pois ele permanece exatamente onde foi plantado. É também conhecida como capim-vetiver, capim-de-cheiro, grama-cheirosa, grama-das-índias, falso-pachuli (ou, simplesmente, pachuli) e raiz-de-cheiro.

...zzzzzzzzz...eh? Acabou?
Ora bem, esta Vetiver parece uma planta simpática: não é invasora e segura os terrenos. Uma boa solução para evitar desmoronamentos após a insensata  desflorestação?
Assim parece. Não a única solução, mas uma boa solução.

Emergências

A palavra de ordem é "emergência".
Vale a pena começar esta semana com um breve resumo, tanto para não perder de vista a situação.

Japão? Fukushima? Um mar de mentiras. África do Norte, Médio Oriente, Líbia? Mesma coisa. União Europeia? Nem falar. E os Estados Unidos, o Dólar? A confiança dos consumidores americanos?

Ordem, ordem. Boa ideia.
Emergência Fukushima

Difícil encontrar palavras para descrever o que se passa no Japão.

Não falo do terramoto, do tsunami ou do incidente nuclear, mas de como está a ser gerida esta situação.

A empresa gestora da central de Fukushima mentiu. Antes do incidente (o que é muito grave), depois do incidente (o que é gravíssimo). Com o resultado de expor dezenas de milhares de pessoas aos efeitos das radiações.

Mas o pior é que o corrupto governo japonês também mentiu. E que um governo submeta os cidadãos aos perigos letais duma emergência nuclear apenas para salvaguardar os interesses duma companhia privada (além da própria imagem), não encontra justificação nem um adequado adjectivo.

27 março 2011

Causas dos terramotos : 4. HAARP e guerra meteoreológica

E começamos uma nova parte, a quarta, dedicada às teóricas causas dos terramotos.

E a quarta parte é sem dúvida a mais polémica, mas que merece ser apresentada.


Owning the Weather

Owning the Weather in 2025, dominar o mundo atmosférico em 2025: este é o título dum artigo publicado no dia 17 de Abril de 1996 pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que considera as possibilidades da guerra meteorológica e  os impactos das tecnologias de controle do clima nos conflitos.

É este um sonho antigo que está a tornar-se realidade, desde as primeiras tentativas de provocar chuva ao longo da guerra do Vietnam, com a ideia de quebrar a resistência dos Vietcong. A partir desses primeiros esforços, outro foram encorajados em seguida; assim nasceram o cloud seeding,  a comprovada tecnologia para a semeação de nuvens, a indução de chuva com iodeto de prata.

Outras tentativas, ainda no Vietnam, foram feitas, mas semear sal para dispersar o nevoeiro não funcionou.

Tentativas um pouco desajeitadas, que todavia mostra como o interesse do exército na modificação do tempo sempre foi muito alta.

26 março 2011

Exclusivo: a segunda não-entrevista!

A não-capa
Sentado numa esplanada em frente da Torre Eiffel, o puzzle metálico símbolo de Paris, saboreava um crème glacée au lard et poissons, enquanto esperava pelo jornalista. 

A segunda falsa entrevista de Informação Incorrecta, totalmente inventada. Qual emoção! 

E a falsa presença em Paris não era um acaso: tinha acontecido algo nesta cidade. Mas por enquanto a única dúvida era a seguinte: quem será o jornalista?

Angelina: Cucú!
Max: Tu? Outra vez?!?
A: Ah, pois, eu mesma. Contente?
M:...eh,sim...mais ou menos...
A: Então começamos, que está frio. Espera que ligo o gravador...como é que funciona este coiso?
M: ...é a tecla "On"...
A: Raio de coiso, não funciona...
M: Puseste as pilhas?
A: Pilhas? Quais pilhas?
M: Deixa, toma os meus papeis e a caneta aqui...
A: Ah, obrigada! Sempre super-inteligente, não é Max?
M: ...pois...

25 março 2011

A Internacional Marciana de Chavez

O Presidente da Venezuela é uma fonte de surpresas.

Não apenas percebe de política e economia como poucos, mas aproveitou o Dia Mundial da Água (22 de Março) para incluir no próprio discurso oficial uma luta de classe já não internacional, mas interplanetária.

Por isso, quem imaginava um leader empenhado só na leitura dos vários livros vermelhos, bom, está redondamente enganado. Exobiologia e História do Sistema Solar fazem também parte da sua bagagem cultural.
 
Chavez, no discurso transmitido obrigatoriamente por todas as televisões e rádios da Venezuela (justo, a cultura não pode ser para poucos), explicou que:
eu sempre disse e ouvi dizer que não seria estranho ter havido uma civilização em Marte. Mas chegou o Capitalismo, chegou o Imperialismo e acabaram com o planeta.

E aqui a ironia do bom blogueiro pára, derrotada pela realidade. Não é possível ir além, já foi atingido o limite.
Por isso a coisa melhor é analisar as palavras de Chavez com o máximo da seriedade.

Causas dos terramotos: 3. Gravidade, Bendandi, Sistema Solar

E vamos ver a terceira teórica causa dos terramotos. Repito: teórica.

Já vimos que a hipótese tradicional baseada nas placas tectónicas como única causa dos terramotos tem como principal consequência a impossibilidade de prever terremotos. O que é bastante aborrecido

E se fosse possível prevê-los? Isso seria muito menos aborrecido. Aliás, teria alguma graça. E neste caso, as hipótese das placas tectónicas não seria suficiente para explicar a dinâmica de terramotos.

Mas alguém conseguiu tal façanha? Por incrível que possa parecer, a resposta é "sim". No passado e até hoje.

Além disso, temos observado que nos últimos anos tem havido mais terramotos de gravidade crescente, como se alguma coisa estivesse a acontecer.

E mais: é fácil constatar como após um terramoto, há outros que atingem outras partes do mundo, como se um enxame de sismos "atropelasse" o planeta no espaço de poucos dias ou semanas.

Como se a causa dos terramotos fosse de natureza planetária? Possível? 

Bem. Vamos começar com os quem conseguiu prever os terramotos.

Estranha sensação

"Quem sabe como viviam no ano 999?"
Este era o meu pensamento enquanto o professor de História tentava desesperadamente que algo ficasse preso aos poucos neurónios acordados dos estudantes.

Os meus neurónios não tinham nada de especial e por isso comportavam-se da mesma forma dos outros.

Todos juntos, esforçavam-se por concentrar-se, mas cedo sucumbiam perante tamanha empresa.
Assim, na espasmódica procura de algo interessante, acabavam com o focalizar-se em pormenores.
Como uma data, por exemplo.

E 999 era uma boa data.
Ainda hoje não é claro se a Humanidade estava à beira duma crise histérica ou se a maior parte das pessoas nem ligavam ao assunto. Vamos tomar como boa a primeira versão, muito mais espetacular.

24 março 2011

Essa agora...

Leitores! Blogueiros! Amigos! Cidadãos! Compatriotas! Adeptos!
...quem mais?...boh, para já não lembro.
Não faz mal: Todos!

Informação Incorrecta está preste a comemorar o seu primeiro aniversário!
(Utilizo muitos pontos de exclamação para dar mais ênfase)

E agora?! Agora em frente!
Num ano muitas coisas aconteceram! Muitos os argumentos tratados! Muitas as ideias! Muitas as discussões! Eu pergunto: não será chegada a hora de fazer algo?!

Sim!
Então eis o que penso!
Penso que Informação Incorrecta pode (e deve!) fazer algo mais! Informação Incorrecta pode traçar o rumo! Qual rumo?! Não importa! O rumo!
Desenvolver um papel activo! Onde?! Na nossa sociedade!
Como?! Sei lá eu!

Epá, todas estas exclamações são cansativas. Voltamos à normalidade.

Portugal para estrangeiros: A Crise!

Até que enfim.

Ontem o Pec (Pacto de Estabilidade e Crescimento) ditado pela União Europeia e escrito pelo Primeiro Ministro José Sócrates não foi aceite na Assembleia da República. A seguir, Sócrates apresentou as demissões. É crise!

Todos felizes. Acabamos com um Primeiro Ministro que não deixa saudade. Mas agora?
Agora começa a parte mais divertida.

O outro lado




O desastre nuclear do Japão podes ser uma boa ocasião para algumas reflexões acerca do homem. Nada mais, nada menos. Seria possível falar de coisas um pouco menos empenhadas, tipo a chegada da Primavera, mas não: vamos falar da Humanidade.


Energia, a qualquer custo

Nos últimos séculos, o Homem tem confiado com entusiasmo na tecnologia. Não é preciso lembrar todas as realizações que isso comportou: já o facto de poder ler num ecrã estas palavras, mesmo ficando a milhares de quilómetros de distancia, é um bom indicador das coisas positivas que a tecnologia conseguiu.

Este processo também trouxe factores negativos, tal como a poluição, o stress, a alienação entre outros. Mas o objectivo deste escrito é outro: entre o Homem moderno e as suas criações nasceu um relacionamentos novo e esquisito.

Causas dos terramotos: 2. Explosões nucleares subterrâneas

Continuamos com o segundo post sobre as causas dos terremotos.



Realmente a Terra trabalha como um carro, na lógica sequência mecanicista? O interior da Terra é realmente feito da forma como pensamos? O homem foi incapaz de penetrar mais do que poucos quilómetros de profundidade na terra (e ao ir mais fundo, provavelmente seria cozido pelas altas temperaturas), realmente as lógicas deduções e as razoáveis ​​assunções feitas com base nas medições instrumentais são confiáveis?

Porque, na realidade, acredita-se que o núcleo da Terra seja é feito de metal líquido. Mais do que tudo, sabemos que o núcleo interno não é sólido, porque as ondas de choque dum terramoto não se propagam através da terra como quando uma bola de madeira for batida com um martelo, mas comportam-se mais como se a bola fosse oca .

Mas como é teorizado já que também que o eixo magnético da Terra é determinado pela presença de ferro no núcleo, que ao girar (para simplificar) gera um eixo magnético, então o núcleo deve conter o líquido. Assim, ferro (e outros) líquidos.

Ok, é verdade. Mas se assim não fosse, e se os dados instrumentais fossem confirmados por uma teoria mais ampla e mais complexa da que temos hoje?

Ou se pudessem ser enriquecidos com outros dados, maiores e mais complexos (ou talvez mais simples) para explicar tudo de forma melhor?

De momento não sabemos. No entanto, a teoria implica que a natureza artificial de alguns terramotos começou a dar os primeiros passos com as intervenções humanas e o uso extensivo de testes nucleares subterrâneos.

23 março 2011

Causas dos terramotos - 1. Falhas e placas tectónicas

Terramotos: naturais ou artificiais?

É possível que os vários sismos dos últimos tempo (Japão, Nova Zelândia, mas também Haiti) tenham uma causa diferente da oficial?

Existe uma hipótese que circula com insistência na internet: o terramoto do Japão foi provocado pelos Estados Unidos, com o sistema Haarp. Se assim for, estamos perante uma nova arma que pode ser determinante para o futuro da Humanidade.

Mas, na verdade, esta não é a única possibilidade, há outras. Pelo que, a coisa melhor parece ser analisar as hipótese disponíveis. Será pois o leitor a escolher a que considerar mais adequada. 

Em primeiro lugar, podemos afirmar que você não existe uma resposta certa: existem "palpites", o que é bem diferente. Ou seja, não há evidências que indique de forma absoluta a veridicidade duma teoria entre as apresentadas.

Há, no entanto, as quatro principais hipóteses que acreditamos serem dignas de investigação.
  1. Causas naturais dos sismos: falhas e placas tectónicas, a teoria tradicional 
  2. Causas artificias: explosões nucleares subterrâneas e correlação com os terremotos 
  3. Causas naturais: a gravidade e o sistema solar, a hipótese Bendandi 
  4. Causas artificiais: Haarp, Japão e tempo de guerra
Começamos com a primeira hipótese.

Comunicação de serviço: e os Rothschild?

Alguns leitores escreveram perguntando aquando o próximo artigo dedicado aos Rothschild.

É assim: trata-se dum artigo interessante, sem dúvida. Todavia nestes últimos dias somos rodeados de notícias igualmente interessantes e, sobretudo, "novas": terramotos e crise nuclear no Japão, a Cruzada da Democracia na Líbia, as revoltas nos Países do Médio Oriente, a crise e a provável intervenção do FMI em Portugal entre outras.

O da simpática Dinastia Rothschild é um assunto mais "velho" (com aspas, claro), menos urgente na minha óptica. E que obriga o autor (eu!) a efectuar muitas pesquisas e verificações na tentativa de não escrever idiotices. O que significa ter muito tempo à disposição, coisa que não sempre tenho, e negligenciar um pouco a actualidade. Coisa que não me parece justa nesta altura.

Por isso: os leitores interessados podem ficar descansados, a saga da simpática dinastia continua. Mas só após uma breve pausa.

Fica prometido.

Ipse dixit.

O mágico resgate e a fuga da justiça

Antes de abandonar a novela dos PIGS (que, lembramos, são os Países da União Europeia em maior dificuldades: Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda), uma notícia de Dublin: os juros dos Títulos de Estado saltam até a assinalável quota de 10%. Aliás, ultrapassam 10%.



Mas esperem: a Irlanda não tinha sido "resgatada" pela Dupla Maravilha, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional? Pois tinha!

Portugal para estrangeiros: Provas Técnicas de Crise

É hoje? Amanhã?
seja como for, parecer uma questão de horas.

Portugal, um dos muitos Países tecnicamente falidos, está preste a perder o governo e entrar numa espiral de...nada. Pois sem um governo tudo pára.

Tudo? Não é bem assim.
Os mercados, por exemplo, não param. Aliás, observam e compram. Comprar a dívida dum País tecnicamente falido e sem um governo? Possível, mas tem riscos.
E riscos significa juros mais altos.
E juros demasiado altos significam ajuda da Dupla Maravilha: Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

22 março 2011

Os medíocres e a normalização

Alt, pára tudo.

As revoltas na Africa do Norte, o terramoto do Japão, o pesadelo nuclear, a guerra na Líbia. A Esquerda que vota a favor da intervenção. E Israel que bombardeia a Palestina. E a intelligence dos Estados Unidos que admite que o nuclear iraniano tem finalidades pacificas (notícia que ninguém divulga). E o Bahrein. E a Síria. A explosão de H1N1 na Venezuela. E Dilma com amuletos maçónicos.


Bla-bla-bla

Um constante bla-bla-bla televisivo onde todos choram, mas nada tem um impacto na realidade.
Porque a opinião pública já não existe.

Não sabemos se uma coisa for verdadeira ou não, hoje são os media que dizem quais os factos e quais as alucinações.

O mundo árabe está em chamas: Iemen, Bahrein, Oman, Síria, Emirados Árabes. Já não é África, mas nesta aparente democracia as notícias não chegam, ou chegam em "pedaços", oportunamente tratadas.

Israel bombardeia Gaza. No Fly Zone? Não.
No Barhein as forças de segurança atacam os rebeldes. No Fly Zone? Não.
No Iemen está em curso uma guerra civil. No Fly Zone? Não.

Na África os "rebeldes" têm que ser protegidos e ajudados. No Médio Oriente não.

Khadafi mata? Com certeza, e não desde hoje. Mas há outros lugares onde as pessoas são presas, torturadas ou mortas. Então porque não uma série de intervenções em nos Países em sofrimento?

Fukushima mon amour

Como estão as coisas no Japão?

Difícil responder.

A versão oficial do governo deixa muitas dúvidas. Esquisito, certas coisas não aconteciam apenas na URSS? Até os Estados Unidos parecem ter abandonado o executivo de Tokio e agora avançam com dúvidas e acusações.

Breve resumo? Boa, vamos com o breve resumo.

Privada

A central nuclear de Fukushima é privada. Privada? Pois é, pertence à Tokio Electric Power (Tepco), uma das principais empresas do sector a nível mundial, avaliada em mais de  67.000.000.000 Euros.

Difícil confiar num logo assim...
A Tepco tem (ou melhor, tinha) uma capacidade de produção de mais de 64,487 GW (Giga-Watts), a maior parte da qual produzida em centrais termoeléctricas (38,189 GW), mais 17,308 GW das centrais nucleares e uns miseráveis 4 MW de energias renováveis.

Em 2009 vendeu mais de 280 GW-hora de eletricidade.

A empresa japonesa atravessa ora uma fase de grande dificuldade, mas não é a primeira vez: em Julho de 2007, um terramoto de magnitude 6,8 Richter atingiu o Japão e a central nuclear de Kashiwazaki Kariwa, a maior do mundo, ficou danificada. Houve um incêndio e mais de 1.000 litros de água radioactiva foram deitadas no mar.

Diário de guerra

Bom, queridos leitores: a verdade é que temos uma guerra aqui, mesmo no quintal. Não podemos ignora-la, seria um desperdício. Então vamos ver algumas notícias.


A Cruzada Democrática: actualização  

Domingo era um lindo dia de sol, altura ideal para começar a nova época dos bombardeamentos. Eu teria esperado até o dia 21: começa a Primavera, voltam as andorinhas e os misseis inteligentes.

Mas a ONU tinha pressa e podemos entender: um inteiro povo vive fechado num Estado-prisão, com bens de primeira necessidade racionados, com as próprias terras ocupadas por estrangeiros arrogantes?
A ONU não podia ficar calada.

"Ehi, mas esta é a Palestina!"

21 março 2011

Um terramoto, uma seguradora, o sexto sentido (corrigido)

Update:
Nova versão do artigo!

Um mero acaso? Sem dúvida.
Mas vale a pena oberva-lo de perto.

A tragédia do Japão, o terramoto e o tsunami, as dezenas de milhares de mortos, o pesadelo nuclear.

Para alguns, tudo isso é dinheiro.
Há pessoas satisfeitas que já conseguem antever os grandes lucros derivados da reconstrução.
As seguradoras deveriam encontrar-se na situação oposta, dado o próximo pagamento de quantias astronómicas.

Os leves cofres de Washington


Michael R. Kratka, membro do Conselho Editorial da SINPERMISO, é professor de Economia e Direito Tributário da Universidade de Amesterdão, pesquisador do Instituto de História Social Internacional na mesma cidade, professor e diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.

De Kratka é esta visão acerca da actual situação económica dos Estados Unidos.


Parecia impossível...

O FMI e as agências de notação parecem ter percebido que a crise da dívida é mais grave nos os EUA de que na Zona Euro: o orçamento de 2011-2012 espera-se um endividamento médio dobro da União Europeia.

Vale a pena espreitar: que acontece no outro lado do Atlântico.

Esquisito: há muitos mecanismo que em teorias deveriam impedir um descarrilamento da dívida e do défice. Muito mais aqui que no Velho Continente.

Desde 1917 existe um quadro jurídico para a dívida federal, todos os estados (excepto Vermont) são obrigados a apresentar um orçamento equilibrado. No entanto, os Estados Unidos estão a afundar cada vez mais nas dívidas, como a Irlanda, a Grécia e Portugal.  Aliás: pior.

O mercado da fome

Tem 59 anos e nunca dá entrevistas. O seu nome ou o da sua empresa não dizem nada de especial. No entanto, nas suas mãos passa a maior parte dos alimentos que podemos imaginar.

A Cargill é uma das quatro empresas que controlam 70% do comércio mundial de alimentos. Enquanto o mundo enfrenta a maior crise de alimentos nas últimas décadas, eles fazem dinheiro com a "leitura do mercado".

Vamos ver como funciona.

Cargill ao pequeno almoço

O leitor não costuma pensar nisso, mas o pão do seu pequeno almoço é um produto mais valioso que o petróleo. A farinha com a qual é feito tem um nome:  Cargill.
E Cargill é também o nome da gordura da manteiga que suaviza a fatia e o glicose da compota.

Cargill é a alimentação que engorda a vaca e a galinha que fez os ovos prontos para ser fritos.
Cargill é o grão de café e a semente de cacau, a fibra dos biscoitos, assim como o óleo de soja. E o adoçante das bebidas não alcoólicas, a carne dos hambúrguer, a farinha da massa.
Cargill.
E o milho dos nachos, o óleo de girassol, os fertilizantes fosfatados?
E o amido que as indústrias do petróleo refinam para converte-lo em etanol e mistura-lo com a gasolina? Adivinhem. 

20 março 2011

A simpática dinastia Rothschild - Parte I



Rothschild. Wow...

Este é um nome fácil de encontrar mas ao mesmo tempo pouco sabemos acerca desta família.

Segundo alguns, Rothschild é sinónimo de muitas coisas: um poder excepcional, decisões que abalam inteiras nações, Nova Ordem Mundial e mais ainda.

Talvez a família hebraica-alemã não represente o Mal absoluto: mas com certeza não estamos perante uma linhagem de santos. E, sobretudo, é inegável que os Rothschild possam contar com interesses que abrangem a maioria dos aspectos da nossa sociedade. O que não é pouco.

Vamos conhecer um pouco melhor esta simpática dinastia. Começamos com um pouco de história: donde surgem os Rothschild?

19 março 2011

Manual de sobrevivência - Vídeo em anexo

E para completar, alguns dos melhores políticos portugueses:


Comunismo em Portugal

O nobre Nuno comenta o post acerca dos partidos políticos portugueses. E critica. Ainda bem. Vamos ver porquê. Começamos pelo fim:

Habituaste-nos a posts mais elaborados, este foi um pouco simplista :P

Verdade. Eu mesmo não fiquei particularmente satisfeito com o que escrevi: mas o objectivo era um rápido resumo acerca da situação política deste País. Como todos os resumos, também este ficou incompleto e, além disso, reflecte a minha visão: tento esforçar-me para ser sempre objectivo, às vezes consigo, às vezes nem por isso.
Desta vez, ao que parece, não.
Achei o post injusto para com PCP e BE, tendo por hábito assistir a mais das sessões na AR do que nos mostram nos noticiários penso que o que escreveste é a ideia populista que persiste, pelo menos, entre os mais idosos deste país que votam num partido toda a sua vida, desprovido de lógica, razão ou qualquer tipo de pensamento critico!

De facto o post foi bastante injusto: acho que deveria ter sido um pouco mais mau.


Manual de sobrevivência - Parte III

E avançamos com a última parte desta espécie de manual. A parte mais complicada.

Até agora vimos o que fazer para nós: em primeiro lugar um esforço para manter (ou alcançar) uma independência  intelectual, procurando a "nossa" verdade e, coisa mais importante, fazendo funcionar os neurónios.
Já isso não é nada fácil, cúmplices as constantes estimulações exteriores  a que somos submetidos.

Mas agora chega a parte mais complicada: desenvolver um papel no âmbito da nossa sociedade.
O leitor quer tornar-se o próximo Presidente da República? E porque não?

Verdade, há um problema: os leitores deste blogue começam a ser muitos, é difícil que haja lugares de Presidente para todos.

18 março 2011

A Nova Cruzada Democrática

Tinha que ser.

Nas próximas horas, talvez mesmo nestes minutos, as forças dos Países Ocidentais podem intervir na Líbia.
Com que direito? Nenhum.

A ONU autorizou o uso da força. A resolução não foi votada pela Alemanha, Índia, Brasil, Rússia e China, que todavia não tiveram a coragem de vetar ou votar contra. Parabéns a todos.

Doutro lado, a ONU tornou-se uma espécie de Departamento da Legalidade que os Estados Unidos e os Países Ocidentais utilizam para justificar as próprias agressões militares.
Já tinha funcionado com o Iraque e com o Afeganistão, porque não deveria ter funcionado agora?

De facto, a situação na Líbia tinha-se tornado delicada.
A operação de revolta suportada pela intelligence ocidental estava a falir miseramente.
Khadafi estava perto de reconquistar o terreno perdido.
A implementação da Democracia ficava em risco.
Inaceitável. A Democracia é um dos principais dogmas da nossa sociedade, talvez o primeiro. Sobretudo em Países com petróleo e gás.

Roger Waters e o Muro

Carta de Roger Waters, fundador dos Pink Floys e defensor dos direitos dos Palestinianos, apoiante da iniciativa para o Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS):


Em 1980 escrevi uma canção, "Another Brick no Wall Part 2", que foi criticada pelo governo sul-Africano, porque usada pelas crianças negras sul-Africana na defesa dos seus direitos à educação igualitária. O governo do apartheid tinha imposto um bloqueio da cultura, por assim dizer, acerca de algumas canções, incluindo a minha.

Vinte e cinco anos depois, em 2005, as crianças palestinianas que participavam num festival na Cisjordânia, usaram a música para protestar contra o muro do apartheid israelita. Cantaram "Nós não precisamos de ocupação! Nós não precisamos do muro racista". Naquela época eu não tinha visto com os meus próprios olhos o que as crianças cantavam.

Um ano depois, em 2006, programei um concerto em Tel Aviv.

17 março 2011

Portugal para estrangeiros: os partidos

Muitos dos leitores deste blog não são Portugueses. Nem o autor é, se for por isso. Mas eu vivo "aqui" e posso ver o que se passa, enquanto os leitores vivem "aí" e podem perguntar: "Mas como é que se vive no longínquo Portugal? Passam a vida a cantar Fado ou fazem algo mais?".

Interessante, não é?
Não? Estão a borrifar-se?
Não faz mal, já comecei a escrever, por isso vamos em frente.

As próximas semanas serão decisivas para o País. O actual governo irá cair, haverá eleições, o risco é de precipitar numa crise com poucas soluções à vista: o que pode ter consequências até fora dos confins, pois Portugal é um dos Países da Zona Euro.

Por isso, vamos ver em primeiro lugar "Quem é quem" no mundo político deste País.
Começamos com os partidos com representação parlamentar. 

Portugal tem seis formações políticas na Assembleia da República (o Parlamento).
De Esquerda para Direita:

Boa notícia: as catástrofes naturais acabaram

Circulam vozes na internet. Suspeitas. O terramoto no Japão é apenas o último elo duma série de acontecimentos que fazem pensar.

Será que o que está a acontecer no mundo é normal? Absolutamente normal?
Será que a velocidade com a qual viajam as informações contribui para a sensação dum planeta mais perigoso?
 
Gostaria de deixar clara a minha posição desde já: os fenómenos naturais acontecem, está na natureza das coisas. Sempre aconteceram e continuarão a acontecer. E no passado o planeta sofreu episódios bem piores, tais como a queda de asteroides mortíferos e a quase extinção da vida.

Os dois últimos grandes terramotos tiveram lugar em Haiti e Japão: são estas duas localidades que apresentam um risco sísmico particularmente elevado.

Se um terramoto devastador atingisse a Suécia, por exemplo, ficaria muito suspeitoso, pois este País apresenta um risco telúrico muito baixo.

Mas Haiti e Japão estão sentados em cima de falhas tectónicas, zonas extremamente problemáticas do planeta. O Japão, em particular, convive com os terramotos desde sempre.

Paradoxalmente, em ambos os casos as vozes na internet falaram logo de conspiração, de operação dos Estados Unidos, de HAARP. Significa isso que as catástrofes naturais já não podem existir? O terramoto de Lisboa, ano 1755 afinal não passou duma operação americana?

Porque o nível agora é este. Na internet há relatos segundo os quais não apenas o do Japão e de Haiti, mas também o terramoto de Sumatra foi responsabilidade do HAARP, assim como a grande seca na Rússia (porventura, o único caso que pode ter algum sentido).
 
O telemóvel fica sem rede? Chove um pouco mais? Apanhei uma multa por excesso de velocidade? Culpa do HAARP.

Obviamente não pode ser assim, o nosso é um planeta "vivo", em contínua embora lenta transformação.

Mas vamos analisar alguns dados. As desgraças acontecem, é claro, mas é sempre bom tentar perceber algo mais. Afinal, é o único planeta que temos, melhor vigia-lo. E pode sempre haver algo de interessante. Se calhar não uma conspiração, mas algo de interessante na mesma.

16 março 2011

Manual de sobrevivência - Parte II

Bla, bla, bla...mas não se pode fazer um exemplo concreto?
Sim, claro.

Um exemplo, talvez um pouco antipático, mas necessário. E, por uma vez, fora do âmbito económico: falamos de religião, algo de muito intimo.

Não é um acaso: a religião, tal como a fé política, pode representar uma das convicções mais fortes.

Calma, não vou aqui tentar convencer o leitor a abandonar as próprias crenças, claro: só realçar como estas podem ser desfrutadas para condicionar as nossas escolhas, para enganar-nos.

Nota importante

O respeito para os crentes, tal como os não crentes, está fora da discussão. Por isso este não pode ser lido como algo contra a religião. O que é aqui criticado não é a Fé mas os homens, e espero que ninguém possa sentir-se ofendido com quanto segue. Isso tanto para que fique claro.


Doces catástrofes

Terramoto no Japão? Tsunami? Perigo nuclear? Dezenas de milhares de vítimas?

Vender. Tudo e mais alguma coisa.
E a retoma? Esqueçam, não é altura para brincadeiras.

É desta forma que os mercado respondem perante a crise atómica de Tokio.
É triste falar de economia perante tamanha desgraça? Se calhar é.

Então duas as alternativas:
a) concentrar-se na infelicidade dos Japoneses e ignorar o mercado. Que, entretanto, continua a funcionar.
b) concentrar-se na infelicidade dos Japoneses e observar quais as reacções do mercado. Que, entretanto, continua a funcionar.

Escolho a resposta b).

15 março 2011

Manual de sobrevivência - Parte I


[…] desafio-o a publicar um texto com os melhores caminhos a serem percorridos futuramente por todos nós. Um texto explicativo da melhor forma de "sobrevivência" aos tempos tempestuosos que se avizinham.
Arcane_delight
Justo.

Sabemos que a nossa sociedade não é exactamente como costuma ser descrita.
Sabemos que os Estados perderam algumas das funções mais importantes para as quais foram criados.
Sabemos que as nossas economias são geridas de forma duvidosa, no mínimo.
Sabemos que o nosso papel enquanto cidadãos foi reduzido, e muito.
Sabemos também que o caminho traçado é, na melhore das hipóteses, incerto e arriscado.

Então?

Japão: hipóteses e ajuda

O amigo Mário Nunes, de Kafe Kultura, realça um facto interessante: o terramoto que atingiu o Japão aconteceu no dia 11 de Março. 11.03.2011 é a data. Tal como o ataque às Torres Gémeas aconteceu num outro dia 11, 11.09.2001.
HAARP? Maya? Ou algo mais?

Em primeiro lugar, o Japão está sentado num dos pontos mais desgraçados do planeta, e não podemos esquecer isso.
As ilhas japonesas são parte do Ring of Fire, o Anel de Fogo do Pacífico, caracterizado pelo choque das placas tectónicas e consequentes terramotos e actividade vulcânica.



Em particular, o Japão é o lugar mais desgraçados entre todos os lugares desgraçados, pois surge no ponto de encontro de três placas: a Euroasiatica, a do Pacífico e a das Filipinas. A placa do Pacífico está a "deslizar" por baixo das outras, o que provoca violentos movimentos conhecidos como terramotos (além da intensa actividade vulcânica). 

Tudo "normal" então?
Talvez.

14 março 2011

Um comentário

A coisa mais bonita dum blog, de qualquer blog, são os comentários: é aí que podem nascer as discussões e as ideias. Sem comentários, um blog é um monólogo.
Aborrecido.

Um comentário

Escreve Xenofonte ao comentar A Grande Mentira:
Dada a espiral da dívida e o respectivo acumulamento desta, quando é que isto termina?
Resposta: nunca.
O actual sistema, como a maioria dos sistemas, não é pensado para evoluir, mas para funcionar assim como foi projectado. Sem alterações, o sistema não tem a capacidade para mudar: só com uma intervenção interna (por exemplo uma decisão) ou externa (um evento traumático, tipo uma guerra) as coisas podem tomar outro rumo.

No caso específico, seria ingénuo pensar que o actual estado das coisas possa ser apenas uma consequência causal de decisões tomadas há 10, 20, 30 ou mais anos.
Embora possa não parecer (e, sobretudo, possa não ser feito parecer), a economia é uma ciência. Para cada acção existe uma determinada reacção.
Ao ver o comportamento das Bolsas, por exemplo, podemos pensar que tudo está nas mãos dos investidores: são eles que, com base nas decisões pessoais e empresariais, determinam o que irá acontecer.

A Grande Mentira - Parte II

Um breve ponto da situação.

Jigsaw

Temos em cima da mesa algumas peças soltas, mas ainda não é possível observar o desenho completo: é como um puzzle, um jigsaw como dizem os Ingleses.

Até agora temos algumas peças e outras aparecem nos lugares mais estranhos e chamam a nossa atenção.

É preciso cuidado: algumas peças são boas, algumas não. Algumas encaixam, outras forma construídas para ser encaixadas mas não fazem parte do desenho original.

Há informação e contra-informação. Há contra-informação criada para nós, cidadãos, há contra-informação criada para outras pessoas.

Por exemplo: algumas peças falam de Illuminati, de Maçonaria, de tradições milenárias, de estranhos rituais, duma estirpe real que conserva terríveis secretos. Contra-informação? Não necessariamente.

Pode ser tudo verdadeiro, mas não é este o problema. O que não podemos perder de vista é o objectivo final, que sempre foi, ainda é e sempre será apenas um: o dinheiro. Porque o dinheiro é poder, quem deter a maior riqueza, detém o maior poder.

Neste aspecto, e para ter uma ideia do desenho, precisamos de pelos menos outras duas peças.
Vamos vê-las.

13 março 2011

A Grande Mentira - Parte I



O leitor deseja fazer algo de útil e inteligente? Agora mesmo?

Então é só seguir as indicações:
1. Pegue nos livros de História que estão na sua casa.
2. Individue os últimos capítulos, os que falam da história moderna, desde 1970 até hoje.
3. Rasgue e deite no lixo.

Já está. O leitor acabou de fazer uma coisa muito inteligente: porque a História como foi contada desde a década dos anos '70 até hoje é apenas mentira.

O leitor continua com dúvida? Pegou nos livros mas ainda não tem a coragem para estragar uma edição tão bonita?

Então venha comigo, siga-me nesta curta viagem, no final da qual perceberá porque o que ensinaram nas escolas, a versão oficial, não passa duma piedosa mentira que tem um único objectivo: impedir que o cidadão possa perceber que o Estado, assim como contado, foi destruído há muito tempo.


A data

Se o leitor tivesse que escolher uma data importante após o fim da Segunda Guerra Mundial, que data escolheria?
Falamos, óbvio, duma data que marcou de maneira indelével a nossa sociedade, que mudou o rumo dos acontecimentos.

20 de Julho de 1969, o Homem na Lua?
9 de Novembro de 1989, a queda do Muro de Berlim?
1990, a Primeira Guerra do Iraque?

Todos acontecimentos importantes, sem dúvidas. Mas a data que deveria merecer o destaque maior seria outra: 15 de Agosto de 1971.

Naquele dia, o então Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon,decretou o fim da convertibilidade entre Dólar e ouro. Em breve, todos os outros Países fizeram o mesmo.

O que significa isso?


A nota

Observem a seguinte imagem:



Nesta antiga nota da República Italiana é possível encontrar a seguinte frase: "Pagabili a vista al portatore", que podemos traduzir como "Pagáveis à vista ao portador".
Uma nota pagável? Qual o sentido? Uma nota já é dinheiro, com que se pode pagar uma nota?

Estas perguntas parecem óbvias: e isso já é um preocupante indício do estado no qual a nossa sociedade se encontra e do condicionamento ao qual somos submetidos.

Por isso, parece normal o facto desta frase ter desaparecido: já não pode ser encontrada em nota nenhuma. Normal? Absolutamente não, vamos ver porquê.

O dinheiro, em teoria, é uma forma de pagamento, nada mais do que um meio de pagamento: o dinheiro não é riqueza, deveria representar a riqueza. Complicado? Nem por isso.

É mais prático comprar 6 ovos com barras de ouro ou com notas? Com notas, evidente. Por isso foi inventado o dinheiro: uma nota representa uma determinada quantia de ouro, uma riqueza real.

Até 1971, o portador duma nota de 1.000 Lire, a mesma da figura anterior, poderia entrar em qualquer banco, público ou privado, e exigir o pagamento da nota. Como? Com ouro.
O portador apresenta a nota e o banco troca a nota (o meio de pagamento) com a riqueza real, o ouro (do qual a nota é apenas uma representação).

"Pagáveis à vista ao portador" significa isso mesmo: a nota é um meio de pagamento que representa a riqueza, o ouro, guardado nos bancos. Simples, não é?


O papel

Isso, tal como dito, até 1971 (em verdade a Lira perdeu a convertibilidade mais tarde, e o mesmo aconteceu com o dinheiro dos outros Países: mas vamos simplificar).

A partir da decisão de Nixon, já não é possível entrar num banco e pedir para que a nota seja paga: o banco não vai trocar a nota do leitor com ouro. Isso porque o Dólar e as outras notas já não representam uma riqueza real. Porquê?

A convertibilidade (uma nota = uma determinada quantia de ouro) implica que por cada nota emitida exista o correspondente valor em ouro.
Eu, Estado, tenho 1.000 quilogramas de ouro; cada quilogramas vale 1 Dólar, então vou emitir 1.000 Dólares em notas. Assim, cada Dólar representa exactamente 1 quilo de ouro.

Mas quando a convertibilidade já não for a regra? Acontece uma coisa espantosa: o Estado pode emitir um número ilimitado de notas, pois estas já não representam a real quantia de ouro na posse do Estado.
Então representam o quê?

Este é o problema: representam nada, nada mais do que o papel das quais são feitas.

Com convertibilidade: 1 Dólar = 1 Quilo de ouro
Sem convertibilidade: 1 Dólar = papel e nada mais.

"Tá bom", pode pensar o leitor, "afinal esta não passa duma questão de contabilidade, um mero aspecto financeiro".
Não, não é assim: a diferença entre um sistema baseado na convertibilidade e um sistema sem a convertibilidade tem implicações extremamente profundas: tão profundas que abalam os alicerces da nossa sociedade e põem em discussão o nosso papel enquanto cidadãos.

Exagerado? Vamos em frente.


Salários de papel

Se uma moeda perder a convertibilidade, como vimos, deixa de representar a real riqueza, o ouro. De facto, deixa de representar qualquer coisa: num sistema sem convertibilidade a moeda torna-se a real riqueza.
Mais moedas? Mais riqueza. Menos moedas? Menos riqueza.

Mas será mesmo assim? Não, não é assim. Esta é a versão que os Estados querem transmitir. A verdade é bem diferente.

Se a moeda fosse a verdadeira riqueza, seria suficiente que um Estado tivesse os cofres cheios de notas para ser um Estado rico. Mas ainda hoje, a riqueza dum Estado é calculada com base na reserva áurea, isso é, na quantia de ouro que efectivamente detém.

Mais ouro? Mais riqueza. Menos ouro? Menos riqueza.

Mas então a moeda, as notas, quanto valem? Resposta: nada.
Esta é uma das realidades que bancos e Estados não querem divulgar.

Até 1971, cada trabalhador era pago com notas que representavam uma riqueza real, mantida nos cofres dos Estados. No final do mês, o trabalhador recebia como salário uma pequena percentagem da riqueza do próprio País, pois cada nota representava uma riqueza real.

Depois de 1971, cada trabalhador recebe papel, que já não representa nada, ao não ser o papel da qual a nota é feita. Hoje trabalhamos e no final do mês somos "premiados" com papel.

Acham isso um factor secundários? Se o leitor pensar isso, então tente responder à seguinte pergunta: para onde foi todo o ouro, a verdadeira riqueza?
Mas disso vamos falar mais à frente. Por enquanto vamos ver um dos outros efeito da perda da convertibilidade.


A Res Publica

Um salto atrás.
O termo "República" deriva do Latim Res Publica, isso é, "coisa pública, de todos". É uma ideia bastante antiga que remonta aos tempos dos Gregos clássicos, pois foram eles os primeiros a utilizar o conceito.

Passados mais de 2.000 anos, hoje a maioria dos Países são Repúblicas e mesmo os Estados de tipo monárquico têm constituições que permitem a decisiva participação dos povos nas decisões do próprio País.

Uma maravilha, não é?
Agora, pensamos nisso: numa República, o Estado gere a res publica, isso é, a coisa pública, de todos. Como a riqueza, por exemplo.

De facto, um dos deveres de qualquer Estado é a administração dos recursos de todos os cidadãos para o fornecimento de serviços em favor de todos os cidadãos.

Mas se o Estado deixar de gerir tas recursos? Se o Estado deixar de administrar a real riqueza dos cidadãos? Se o Estado começar a utilizar uma outra fonte de riqueza, não criada pelos cidadãos? E se os cidadãos não estiverem devidamente informados acerca da real situação? Podemos ainda falar em res publica?

Vamos ainda mais em frente: se o Estado criar dinheiro a partir do nada?


Dinheiro do nada

Pois é isso que acontece. Os últimos Quantitative Easing da Federal Reserve foram exactamente isso: centenas de milhões de Dólares criados a partir do nada, literalmente.

O que a Federal Reserve fez foi ligar as impressoras, deixar secar a tinta, e pronto, eis criados rios de notas: quanto ouro representa cada nota assim criada? Zero. Só papel.

Mesmo sistema utilizado na mesma altura pela Bank of England, pelo Bank of Japan, pelo Banco Central Europeu.

Todas notas criadas a partir do nada e distribuídas nos vários Países. Que, desta forma, aceitam, utilizam e fazem utilizar dinheiro que não pode representar a real riqueza do País: representam outra coisa.

Mas que coisa?

Não vamos responder a esta pergunta já. O que interessa agora é o seguinte: um Estado que aceita, utiliza e faz utilizar pelos próprios cidadãos uma riqueza que riqueza não é, pode ainda ser considerado uma República?

Vimos que as notas são imprimidas a partir do nada, não representam riqueza.

Mas nós trabalhamos: então para onde foi a real riqueza produzida pelos cidadãos? Onde está a res publica?


O perigo inflação

Um passo atrás, outra vez.
Após 1971, os Estados ficaram numa situação muito particular: pela primeira vez na história do homem, era possível criar dinheiro de forma totalmente independente da riqueza realmente possuída (o ouro).

É claro, não se pode ligar a impressora e começar a distribuir notas como se nada fosse. As operações de Quantitative Easing têm custos: quantas mais notas houver em circulação, tanto menor será o valor atribuído a cada nota. Isso tem um nome: inflação.

A Federal Reserve e os outros bancos, ao utilizar este sistema, criaram as bases para uma futura vaga inflacionária. Que não acaso começa a surgir. Não há maneira de evitar esta que é uma lei básica da economia e não só.

Por isso, não podemos imaginar Estados que a partir de 1971 começassem a imprimir notas e a distribui-las aos cidadãos de graça.
Cada cidadão teria ficado com quantias enormes de dinheiro, teoricamente ilimitadas: mas teria sido uma falsa riqueza e, sobretudo, de breve duração. Logo os preços teriam começado a subir de forma vertiginosa e a alegada vantagem de ter muitas notas teria sido compensada pela subida dos preços.

É uma situação que já aconteceu: na Alemanha dos anos '20, por exemplo.

Para pagar as dívidas da Primeira Guerra Mundial, o Estado começou a imprimir notas sem ter em conta a real riqueza em ouro; desta forma as dívidas foram pagas, mas o País entrou numa fase de hiper-inflação.

Os preços subiram de forma exponencial e o Estado teve que imprimir notas com valores cada vez mais elevados para permitir que os cidadãos tivessem notas suficientes para efectuar compras. Foram imprimidas até notas com o valor de 100.000.000.000.000 Marcos. De facto, a economia colapsou.

Outros exemplos de hiper-inflação tiveram lugar em alguns Países da América do Sul nos anos '90 e actualmente o Zimbabwe apresenta uma taxa de inflação de 231.000.000% .

Por isso, imprimir dinheiro sem cuidado é uma  medida que não faz sentido.


O Estado como família

Todavia pensamos no seguinte: se o Estado deixar de limitar a emissão de dinheiro consoante a quantia de real riqueza possuída (o ouro), então isso significa que o Estado terá oportunidade de empregar mais dinheiro em bens a favor dos cidadãos. Não de forma descontrolada (perigo inflação), mas de maneira cuidadosa e rentável.

Com o passar do tempo, os investimentos (na educação, na saúde, na formação, nas infraestruturas) começarão a devolver os capitais investidos e com os interesses também.

Com o passar das gerações, os Países poderiam ter-se tornado algo de muito diferente, no sentido melhor.

O caso de Portugal, por exemplo.
O País é obrigado a mendigar dinheiro no mercado dos investimentos, pagando juros altíssimos.

Mas porquê? Porque Portugal não imprime as próprias notas e, sem cair nos erros da hiper-inflação, não alivia assim a situação?

Porque, é explicado, o Estado é como uma família: não pode gastar mais do que ganha. Portugal produz e ganha pouco, por isso pode gastar pouco. Se gastar mais, então são precisos cortes. O mesmo, naturalmente, acontece com todos os Países em dificuldades, começando com os PIGS europeus.

O raciocínio é perfeito, não é possível encontrar falhas. Não acaso é dito e repetido inúmeras vezes.
Bom, se calhar uma falha existe; pequena, mas existe: Portugal e os outros Países não gastam a riqueza que produzem.

Uma vez, com a convertibilidade nota-ouro, era assim de facto (nota: em boa verdade, um País com moeda própria pode gastar até o infinito, sem limites de deficit: mas aqui o discurso é mais complexo e afastado do tema principal) . Mas já não é: como vimos, a moeda já está totalmente "desligada" da verdadeira riqueza, que continua a ser o ouro.

Estes Países gastam outras coisas: simulacros de riqueza, isso é, dinheiro que já não está relacionado com algum valor; dinheiro que pode ser criado a partir do nada; dinheiro que vale nada.


Perguntas

Chegou a altura de fazer algumas perguntas, não é?

Se o Estado pode imprimir dinheiro a partir do nada, como pode o Estado queixar-se do facto de ter pouco dinheiro?

Se o Estado pode imprimir dinheiro a partir do nada, como pode ter dívidas?

Porque o Estado corta os salários, os serviços, os investimentos se o que falta afinal é uma coisa que pode ser imprimida a partir do nada?

Porque o Estado não imprime e investe dinheiro (de forma cautelosa) para criar trabalho e aumentar o nível de vida dos próprios cidadãos?

Se o Estado deixou de desenvolver o próprio papel "republicano", o que é hoje?

Porque o Estado não diz aos cidadãos que o dinheiro utilizado já não é a real riqueza produzida com o trabalho?

Que aconteceu com a verdadeira riqueza, o ouro? Onde está, quem ficou com ele?

Boas perguntas.
E na segunda parte do artigo vamos procurar as respostas.


Ipse dixit.

11 março 2011

Lethal Warriors














"Lá eu vi coisas que ninguém jamais deveria ver"
Devil (história de M. Night Shyamalan)


A cada noite da sua vida desde que voltou do Iraque, Sheldon T. Plummer (de Olympia, Washington) acordava de repente às três horas. Pensava fosse culpa do diabo e até deixou isso bem escrito num fórum dedicado a este assunto.

Existem vários destes fóruns, falam de narcolepsia, de Old Hag (a Velha Sob o Lençol), de despertar súbitos às 3:33 (a metade do número diabólico), de raptores alienígenas do outro lado da janela.
Acordo todas as noites às 3.33. Estremeço e o quarto está frio, e esta coisa não tem explicação porque o sistema de aquecimento funciona perfeitamente. Nem sequer há explicação para essa precisão horária: se colocar o relógio para trás meia hora, abro os olhos às 3:03.
Jesus morreu às 3:00 e as bruxas fazem o próprio trabalho sujo naquela hora.
Não acordo todas as noites mesmo às 03:00. Mas acordo muitas vezes. E uma noite vi acima de mim uma figura escura, com a textura da neblina, alta até o tecto. Estava prestes a levantar-me e correr para ligar a luz, mas a coisa voou acima de mim, mais rápido que uma bala. E sussurrou no meu ouvido palavras que realmente não quero lembrar.

Tudo junto

Ora essa.

Uma pessoa nem pode navegar na internet com um pouco de tranquilidade. Acontece tudo hoje?
Vamos ver quais as notícias do dia. São muitas, sem dúvida.


Japão: terramoto

Esta não seria uma grande notícia: o Japão está sentado acima duma panela de pressão e de vez em quando o vapor tem que sair. Mas desta vez a violência do sismo é notável: 8,9 graus da Escala Richter.
Se tivesse acontecido em Portugal agora as contas seriam de dezenas de milhares de mortos, centenas de milhares de feridos, uma hecatombe.
No Japão, até agora, "apenas" 38 mortos. É obra.

A seguir, dois vídeos de Russian Today:

10 março 2011

Portugal, Grécia, Europa, América...uuuuhhhh...

Portugal está a pagar juros cada vez mais elevados, perto do 8%. Encontrar dinheiro fica cada vez mais caro, por isso fala-se novamente da "ajuda" do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.

Nestas condições, seria lógico observar o que aconteceu no primeiro dos Países que foi "ajudado", a Grécia.
Mas esta comparação não é feita.
Pelo contrário, ignora-se totalmente o que se passa, como se os problemas de Atenas não fossem os próximos problemas de Lisboa.

Fala-se em "ajuda" como se esta fosse uma medida dolorosa mas resolutiva: sim, verdade, custa, mas depois, uuuhhh!!!...

As Máfias

Máfia? Informação Incorrecta fala de Máfia agora?
Pois, tem que ser.

As Máfias (pois são várias) entram com razão no elenco das empresas mais bem sucedidas: gostem ou não, são empresas de sucesso por várias razões.

Economicamente, são verdadeiros impérios, em muitos casos representando a actividade principal dum inteiro País.
Politicamente, conseguem condicionar as escolhas dos partidos.
Socialmente, propõem-se como uma alternativa à ordem oficial, difundido modelos negativos mas funcionais.

Mas o que são as Máfias?

On The Road Again


Derrotada a terrível doença, 

afastados os maus espíritos, 

recuperadas as forças 

e o uso da (pouca) razão, 

Max retorna ao mundo dos vivos.

Ai de vós!

07 março 2011

04 março 2011

Post estúpido

Obama em favor do nuclear? Não, impossível: o bom Obama é dos "nossos", é um democrático, está do lado do povo, nunca faria uma coisa destas. O bom Obama é a favor da energia limpa, do ecológico, do renovável. Yes, we clean.

A energia nuclear comporta riscos.
Chernobyl ficou ultrapassada, as novas centrais estão mais seguras, o problema não está ai.
Os problemas, como visto no artigo Nuclear: compensa?, são outros: enormes custos de manutenção e, sobretudo, de desactivação: parece paradoxal, mas hoje fechar uma central nuclear significa anular os benefícios económicos derivados da sua utilização.

Post negro

Ando um pouco em baixo. Será que comi demais?
Não é bem isso.

Acabei de ler os comentários, que agradeço ainda uma vez (e amanhã vou responder): é bom ver que há pessoas, e muitas, que querem ir além do óbvio. Não importa se as ideias são diferentes, até acho bem melhor assim: um mundo onde todos pensam da mesma forma seria pior do que o Inferno.

E depois eu não ofereço verdade, nada de dogmas nos quais é obrigatório acreditar.tento apenas realçar algumas informações que às vezes, com o ritmo e o estilo das nossas vidas, podem passar despercebidas.

Então porque estou em baixo? Porque entre todos os comentários havia um, de Tony, o seguinte:
A história é sempre a mesma, muda local, data e personagem (ou não). Fico surpreso como a maioria engole os medias e desvaloriza a própria sabedoria, a história. A poucos anos atrás vimos eles forçarem guerra, veremos de novo e futuramente também.
Quando li estas palavras, de repente, senti um sentido de tristeza descer.
Fogo, Tony tem razão, é assim mesmo: mudam os actores (até um certo ponto), mudam os lugares, mas a história nunca muda.

03 março 2011

Os segredos das Pirâmides, mais ou menos - Parte I

Basta com esta Líbia...por enquanto esperamos a intervenção da Nato,ou se calhar dos Estados Unidos, depois vamos ver.

Mudamos de assunto, mas ficamos na África do Norte, para ser mais precisos num País que confina com a Líbia e que já foi "libertado".
Calma, nada de Mubarak e companhia.
Falamos de coisas velhas. Muito velhas. Dum tempo em que ainda não havia telemóveis.
Ohhhh...

O nobre Nuno, não acaso já parte da Sagrada Ordem dos Cavaleiros Incorrectos, envia um mail bem interessante, que me permito transcrever em parte:
O fascínio na história acaba por ser o uso dado às pirâmides.
Obviamente não foram construídas como nos ensinam na escola e nos filmes, matematicamente é impossível, exemplo:

Pirâmide de Giza supôs-se ter levado 14-24 (Wikipedia diz 14-20, estou a ser simpático) anos a ser construída, levou aproximadamente 2.3 milhões de blocos ("It is estimated that 5.5 million tons of limestone, 8,000 tons of granite imported from Aswan, and 500,000 tons of mortar were used in the construction of the Great Pyramid").

Agora imaginemos que trabalharam durante 24 anos, 10 horas por dia, 365 dias por ano e que os blocos estavam todos no local prestes a ser postos no sitio.

10 x 365 = 3.650 (horas por ano de trabalho)
3650 x 24 = 87.600 (horas de trabalho total)
~26,256 blocos por hora (qualquer coisa como 1 bloco a cada 2 minutos e x segundos)

Pesando cada bloco toneladas e tendo a pirâmide um altura superior a 100 metros...

O futuro da banana

Já viram o que é cultivar os próprios alimentos?

Além da trabalheira, temos que considerar a sujidade: terra, lama, pó.
E o clima: o vento, a chuva, o sol.
E que tal os bichos? Ahi que nojo!
Sem falar das doenças. Quais? Não sei, as doenças no geral.

Pensar que o Homem conseguiu sobreviver até hoje com estas práticas primitivas e anti-higiénicas é realmente assustador.

Na Europa a desintegração da agricultura está a bom ponto, mas como sempre são os Países anglo-saxónicos que já vivem no futuro.

Uma carta, um vídeo, uma razão



Extremamente interessante observar o que se passa na Líbia. Por varias razões, a mais importante das quais é o facto de ninguém poder afirmar com certeza qual o ponto da situação; o que não deixa de ser curioso considerada a proximidade do País ou o número de trabalhadores estrangeiros ali empregados, por exemplo.

A seguir: quais as razões da revolta?
Atenção, pois a resposta não é tão óbvia.

Aqui não houve social network a criar uma "consciência revolucionária", importada ou não: aqui não há reuniões oceânicas nas maiores praças do País, não há Al-Jazeera com dezenas de jornalistas no terreno.

Aqui fala-se de uma guerra entre duas facções, os Bons (os revoltosos) e os Maus (as tropas de Khadafi). Só por curiosidade: donde chegam as armas dos revoltosos? Ou temos de pensar que as tropas do "feroz" ditador foram derrotadas (?) com canivetes?

02 março 2011

O que é a censura?

Censura: o que será isso?

Eis um breve curso, no fim do qual será mais simples perceber qual o sentido deste termo.
Como material didácticos teremos alguns diários árabes.

Prontos?
Então começamos.

Lição 1: como se diz "censura" no Barhein

Diário Alayam, do Barhein.
Houve mortos nos protestos dos passados dias, a situação é confusa.

E o Alayam dedica os títulos ao que mais interessa:
Reforma da educação solicita nas escolas a fim de evitar disputas políticas

Amplio sit-in e demonstrações nas universidades e nas escolas secundárias, especialmente nas províncias da capital, onde centenas de estudante reuniram-se à porta do Ministério da Educação....

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