31 maio 2011

A verdade, toda a verdade, nada mais do que a verdade

Genova: casa de C. Colombo (à direita)
Hoje uma Informação Incorrecta com menos notícias. Então aproveito para responder a dois comentários que apareceram nos últimos dias.

O primeiro é dum leitor Anónimo que pergunta:
Em primeiro lugar, eu gostaria de saber de onde você tira tantas coisas interessantes. Você é uma pessoa só ou são mais??? Gosto de saber mais sobre quem eu leio. Quem é Max???
Ok, Talvez após mais de um ano de blog, um mínimo de apresentação é justa.

Começamos pelo fim.


Max e a conquista de Portugal

Max (Massimo o verdadeiro nome) é um rapazito (lolololol) italiano (ou melhor: de Genova) que há cerca de 8 anos transferiu-se para Portugal por razões de coração. Não, não sou cardiopático, é que a minha namorada é portuguesinha. Conhecida em internet, óbvio.

Leio muito, oiço muita música também (rock, basicamente, mas não só), gosto imenso de computadores, utilizo há muito internet e sou pessoa curiosa. Por isso sempre tentei perceber algo mais acerca do mundo em que vivemos.

Após anos passados a ler tudo e mais alguma coisa, decidi abrir um blog que em princípio deveria ter sido a versão em Português dum blog italiano, Informazione Scorretta, do amigo Felice.
Só que, lentamente, a versão portuguesa começou a afastar-se do discurso meramente económico para incluir outros assuntos. Esta é Informação Incorrecta hoje.

Moro em Almada, muito perto de Lisboa (de facto, mesmo em frente, do outro lado do rio Tejo, na assim chamada "Margem Sul") e não tenho ideias políticas. Ou melhor: não me revejo em nenhum partido político, o que é bem diferente.
Mesma coisa com a religião: não posso definir-me ateu, porque não é esta a verdade. Mas também estou convencido que se Jesus voltasse à Terra, em primeiro lugar fulminaria boa parte da Igreja.

A troca. E a permuta. E o escambo. - Parte I

A seguir um artigo de Energy Bullettin, com o qual não concordo.
Mas que não deixa de ser interessante, pois mostra como as alternativas sejam possíveis. É só uma questão de querer mudar.

O resumo é o seguinte: e se deixarmos de utilizar o dinheiro? E porquê não voltar à troca?

Não concordo: o problema não é o dinheiro. Podemos deixar de utilizar notas e moedas: mas sem mudar as leis que favorecem apenas alguns em detrimento da comunidade, a situação será a mesma.

Mas disso vamos falar após a leitura.

Deixar de usar dinheiro?

A troca é mais antiga do dinheiro.

Se você tiver algo e quer algo diferente, então tem três opções: você pode simplesmente pegar o que você quer da pessoa que a possui [coisa que provavelmente deixa a segunda pessoa um pouco irritada, NDT] ou, alternativamente, você pode dar algo em troca ou, finalmente, pode vender parte do que você tem em troca de algo que não tenha valor intrínseco (moeda, ardósia, pérolas ...) mas que tenha um valor pré-determinado.

Usura?

Tanto para sofrer um bocado, vamos ver alguns dados: os rendimentos dos Títulos de Estado de alguns Países da União Europeia, PIGS, Alemanha, Italia, Bélgica e França.
Dados actualizados às 08:33 de hoje.





Que significa isso?
Significa que a Grécia, por exemplo, para obter empréstimos, é obrigada a pagar juros de 16,09% no caso do reembolso ser feito no prazo de dez anos ou de 25,02% (!!!) para os empréstimos a dois anos.

Não só a Grécia não tem dinheiro agora, mas nos próximos dois anos terá que encontrar e devolver o dinheiro que foi emprestado mais 25,02% de juros.

Simplesmente: loucura.

Irlanda e Portugal estão melhor, mas não muito: estamos a falar sempre de juros que atingem (e ultrapassam) 10%.

Podemos chamar isso "usura"?
Tecnicamente: não.
Na prática: sim.


Ipse dixit.

Fonte: Bloomberg

Grécia: vozes e notas

Como notícia começa mesmo mal: o site ZeroHedge reporta um artigo do diário turco Hurriyet, o qual relança um notícia do alemão Bild, que por sua vez fala dum alegado relatório da CIA.

O estilo é "o meu primo tem um amigo cuja namorada tem uma tia que ouviu dizer que..."; em princípio nem valeria a pena falar disso.

Mas a Grécia vive uma situação bem particular, uma espécie de beco sem saída, potencialmente explosiva: sai do Euro? Não sai do Euro? Nem sei se o problema já é este.

Talvez seja mais: explode? Não explode? O que é diferente.

Porque se até hoje falámos dos bancos, do empréstimo, do FMI, das medidas, é verdade que na Grécia há os Gregos também: e os Gregos são actualmente 11 milhões de pessoas bastante enervada. Eis que a notícia pode ser um sinal. Ou um sintoma.

Segundo tal alegado relatório da CIA, a agência americana avisa que a situação na Grécia é explosiva (mas que análise profunda...) e que será cada vez mais difícil conseguir manter sob controle a situação.
O Prefeito de Atenas,  Giorgos Kaminis, advertiu contra condições semelhantes a duma guerra civil:
É um risco, no curto prazo, ver Atenas como Beirute, como a capital do Líbano na década de setenta
 
O alegado relatório fala abertamente de conversações secretas entre grupo de rebeldes. Um golpe de Estado? Nestas condições não é uma hipótese que possa ser excluída.

Até aqui o relatório no artigo do Bild, diário que tem a mesma credibilidade dum discurso de Barack Obama.

30 maio 2011

Quem bombardeou Misurata?


Misurata, Abril de 2011
No dia 11 de Abril de 2001 houve um bombardeamento na cidade líbia de Misurata. O bombardeio de Misurata

No seguinte 15 do mesmo mês, durante o dia, foram mostradas aos homens da Human Rights Watch (HRW) e a CJ Chivers, uma repórter do New York Times, algumas sub-munições duma bomba de fragmentação modelo MAT-120.

Na parte da tarde, durante os confrontos entre rebeldes e forças legalistas, o pessoal de Human Rights Watch testemunhou a queda dum grupo de 3 ou 4 bombas nas áreas residenciais de Misurata. HRW tem observado os efeitos dos bombardeios.

Nestes ataques, alguns civis foram mortos e ao Alto Comissário para os Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou "o uso repetido de bombas de fragmentação e armas pesadas por parte do governo líbio na tentativa de recuperar o controle da cidade cercada. "

Também informou que uma bomba de fragmentação poderia ter explodido a poucas centenas de metros do hospital em Misurata, onde dois pacientes pareciam ter sido atingidos por projeteis de morteiros e de franco-atiradores:
Utilizar armas imprecisas como são as bombas de fragmentação, os lançadores múltiplos de foguetes, morteiros e outras armas pesadas em densas áreas urbanas, inevitavelmente provoca o ferimento de civis.
HRW e o repórter C.J. Chivers atribuíram de imediato esses ataques ao regime de Khadafi e a notícia ocupou as primeiras páginas dos jornais e dos telejornais de todo o Mundo.

Actiquê???


Reza o lema: a publicidade é a alma do negócio. O que faz sentido.

O problema nasce quando a publicidade se torna um sistema para espalhar ideias erradas; quando o marketing tenta vender objectos ou serviços dos quais ninguém tem necessidade; e quando chega a mentir de forma descarada para obter o efeito.

Mas o problema ainda maior é quando a sociedade aceitar tudo isso com a máxima naturalidade.
Este é o sintoma de que já não existem os anticorpos necessários para impedir a progressiva estupidificação do consumidor: é o triunfo dos "criativos" do marketing sobre a decência.

Pegamos no caso Danone e do seu produto "Actimel".

Sites na internet, publicidade nas televisões, cartazes ao longo das ruas, Europa ou América tanto faz: todos a espalhar as mágicas propriedades da ampola: Actimel não é um simples yogurt, é muito mais: Actimel reforça o sistema imunitário, tudo graças ao extraordinário fermento L. casei.

Ohhhh, o L. casei!!!
Mas que raio é este L. casei? E onde é que a Danone descobriu este elixir de longa vida?

As revoluções não são todas iguais: Geórgia

M. Saakashvili
Nem todas as revoluções são iguais.
Algumas devem ser tratadas com respeito e admiração. Outras não.

O leitor vive num País com um sistema político podre? Deseja fazer uma revolução?
Pare: antes é preciso saber qual a orientação dos Estados Unidos. Porque caso Washington decida suportar o actual sistema de governo, para o leitor não há hipótese. Vai levar na cabeça. E nem terá direito aos clássicos 15 minutos de celebridade, pois os media vão ignora-lo.
Totalmente.

É o caso da recente revolta na Geórgia.
Fartos do regime-boneco pró Estados Unidos, muitos cidadãos de Tbilisi, a capital, decidiram encenar uma série de manifestações para pedir uma mudança de leadership.

Mikheil Saakashvili, o presidente, é fortemente contestado.
É acusado de ignorar o progressivo empobrecimento da população, com desemprego cada vez mais elevado, subida dos preços, cortes nas reformas e nos serviços sociais. ...onde é que já vimos tudo isso?), de governar de forma cada vez mais autoritária e repressiva.
É também toxicodependente, mas este seria o mal menor.

Na praça muitos jovens, mas ainda mais pessoas de meia idade e reformados: por isso esta tinha sido definida como a "revolução prateada", pela cor dos cabelos.

Na passada Quarta-feira o ponto de viragem.
Centenas de policias, apoiados por blindados, atacam os demonstrantes de dois lados: e são só tareias. A policia não é racista: jovens, menos jovens, idosos, todos têm direito a própria dose de tareia, mesmo uma vez caídos no chão.

Dezenas os feridos, centenas os presos.
Nos noticiários ocidentais é o silêncio.
Acontece.

Christine: La Gard. De la banque.

Com Dominique Strauss-Khan empenhado em conversações com os juízes americanos e no controle dos próprios instintos sexuais ("Volta para o teu lugar!", "Sou eu que mando, não tu!" são os gritos que é possível ouvir à noite na casa-prisão onde o bom Dominique vive sozinho), a sucessora mais provável para o cargo do Director do Fundo Monetário Internacional parece ser uma mulher, ou algo de muito parecido: Christine Lagarde.

Vamos conhece-la melhor.

Francesa (começamos logo com os defeitos), 55 anos, é ex membro da nacional francesa de natação. Se é que isso interessa.
E para continuar com as trivialidades, é divorciada e tem dois filhos, nenhum dos quais herdou os característicos cabelos em liga leve.
Seu companheiro é o empresário Xavier Giocanti, é vegetariana e nunca bebe álcool
As suas paixões são yoga, mergulho, natação e jardinagem.
Como passatempo é Ministro das Finanças.

29 maio 2011

Visões do futuro: A Estrada da Pérsia - Parte III

E vamos, meus senhores, vamos ler a última parte deste Which Path to Persia que eu achava ser um pouco menos comprido mas afinal era bem longo não faz mal eu sei que traduzir é um pouco uma seca mas é sempre um prazer fogo da próxima vez será melhor contar bem as linhas e só depois eventualmente começar a tradução porque estou mesmo farto disso.

Como dizia: vamos ler.

27 maio 2011

Faltavam os Ufo agora...


Vamos enfrentar um assunto "escabroso"?
Um argumento que nem deveria encontrar espaço num blog sério?
Algo que assusta grandes e pequenos?
Vamos.

O assunto é: UFO!!!

Minhanossasenhoradailhadocabodesãovicente! Mas este é um assunto ridículo!!! Este é um blog de geopolítica, economia, não de fofocas!

"Palhaço!"

Pois.
O argumento discos voadores é algo de totalmente desacreditado. E não importa o que dizem as associações de adeptos, os blogues da irmandade cósmica e outros ainda: para a maioria das pessoas, os Ufo são uma anedota ou pouco mais.

E este post não é dedicado a quem já acredita no tal fenómeno, pois aqui não encontrará nada de novo. Aliás, vai achar isso amplamente incompleto e pode não concordar com muitas das afirmações. De facto, vou tentar abordar o assunto do ponto de vista "racional".

É possível falar de Ufo de forma racional? Sim, é possível. Mais: é um dever. Caso contrário, acabamos por cair na armadilha em que muitos, mesmo em boa fé, acabam por tropeçar.

Algo acerca do meu ponto de vista pode ser encontrado neste velho post. Mas disso vamos falar depois. Agora reflectimos.

O Homem vê fenómenos estranhos no céu desde sempre. O relâmpago era algo de incompreensível e assim permaneceu ao longo de séculos. Com o tempo muitos destes acontecimentos obtiveram uma explicação científica: hoje sabemos que o relâmpago não é a manifestação dum Deus enervado, mas um mero fenómeno físico.

Pergunta: todos os fenómenos do céu têm uma explicação? Resposta: não. A ciência oficial gostaria de responder que sim, e de facto tenta espalhar esta visão. Mas assim não é. O mesmo relâmpago tem ainda lados obscuros, não desvendados.

Sabia o leitor que o relâmpago atinge o para-raios mas que do para-raios partem relâmpagos em direcção ao céu também? Esta é apenas a última das descobertas, ainda sem explicação.

Tudo bem, mas afirmar que o relâmpago ainda tem mistérios não significa que os Ufo existam. Claro que não. Mas nunca temos de esquecer que, tal como a nossa ciência é o ponto de chegada de séculos de experiências, da mesma forma é o ponto de partida da ciência de amanhã.

Tal como há uma ciência do século XXI, haverá uma ciência dos séculos XXII, XXIII, XXIV (o leitor pode continuar)...
Mas é importante assumir que não sabemos tudo.

O Homem, como afirmado, vê coisas esquisitas no Céu desde sempre. Algumas observações podem ser explicadas hoje com o conhecimento moderno. Todas?

Os "Grandes" ao pé de casa


Não costumo perder tempo nos comícios políticos, em particular naqueles pré-eleitorais. As minhas ideias políticas (ou melhor: as minhas não-ideias políticas) tornam estes espetáculos bastante deprimentes.

Além disso, como já afirmei, o único programa eleitoral sério, aquele que será implementado, é o do FMI, que podem encontrar neste mesmo blog.
Tudo o resto é treta.

Mas neste caso quase que não podia recusar: é que dois dos "grandes" (por assim dizer) protagonistas da política portuguesa foram falar mesmo ao lado da minha casa, em Almada.

Foi assim que, no prazo de poucos dias, fui ver e ouvir Pedro Olha Que Passa um Coelho (ou algo de parecido) do Partido Social Democrata, e Francisco Louçã do Bloco de Esquerda.
Centro-Direita e Esquerda.
Interessante.

Grécia vende ilhas

Breve actualização da situação da Grécia.

Atenas precisa de 50 mil milhões de Euros nos próximos três anos. Caso contrário é bancarrota.
Mas onde encontrar 50 mil milhões? Cortar salários? Pensões? Gastos? Reduzir serviços? Privatizar? Já feito, tudo. Está complicado, de facto.

Calma: o FMI está aqui e já preparou um plano genial. E o plano é o seguinte: privatizar ainda mais. Vender tudo, mas tudo mesmo. Nada tem que ficar nas mãos dos Gregos. Nem a terra. Literalmente.

Vamos ver quais as divertidas medidas predispostas.
Concessões de portos e aeroportos de longo prazo.
Extensão da concessão do aeroporto internacional de Atenas.
Venda da empresa do gás.
Venda de 49% do casino de Monte Parnes.
Privatização das lotarias do Estado.
Venda da Ote (telecomunicações).
Venda do Hellenic Defence System (armas).
Venda da Larco (minerais).
Privatização das licenças de apostas online e slot machine.
Concessão da autoestrada Egnatia Odos.
Vendas das ferrovias.
Vendas das participações estatais nos bancos (Hellenic Postbanck, Atebank, Consignment and Loans Fund)
Privatização das empresas de fornecimento hídrico.

Só isso? Não, não é só isso: o próximo passo é a venda de ilhas. E não é uma anedota. A Grécia tem 6.000 ilhas, parte das quais podem ser vendidas para tentar uma bancarrota que todos já sabem ser inevitável. Este é o projecto.

26 maio 2011

Visões do futuro: A Estrada da Pérsia - Parte II


Terceira parte destas Visões do Futuro e segunda parte do Wich Path to Persia?

Confuso? Um bocado.
Poderia ter feito Wich Path to Persia 1 e 2 e dedicar à entrevista com Massimo Fini um post separado? Poderia. Mas não seria a mesma coisa. Ficaria mais ordenado.

Ok, já percebi, vou renomear tudo. Mas por enquanto eis a terceira parte.
Ou segunda. Façam vocês.  

Dedicado a Suzete e a todos aqueles que apenas traduzem.

Os pombos chineses

Imaginem um pombo.
Que faz o pombo? Nada de especial: voa, procura comida, molesta os turistas, constrói o ninho.
Como passatempo gosta de sujar os transeuntes, assim, para divertir-se um bocado. Coitado do pombo, merece um pouco de diversão.

Agora, imaginem o pombo que começa a construir não um mas 20 ninhos, 19 dos quais ficam vazios.
O que podemos pensar? Pensamos: "Coitado do pombinho, tem uma pancada qualquer".

Agora imaginem muitos pombos que constroem 64 milhões de ninhos, que ficam vazios.
"A raça dos pombos tem uma pancada grave mesmo. Estará perto da extinção?".

E agora, como último esforço, substituam os pombos com os homens. Preocupante, não é?
Mas é mesmo isso que acontece.

Na China existem actualmente 64 milhões de casa vazias. São cidades modernas, dotadas de todos os serviços necessários. Têm lojas, transportes, escritórios, escolas, bibliotecas, até centros comercias. Tudo pronto para acolher dezenas de milhões de habitantes.

Nestas cidades poderiam caber todos os Portugueses, e ainda sobraria espaço para Espanhóis, Gregos e Irlandeses. As cidades dos PIGS.
Ao considerar três moradores por cada apartamento, estas casas dariam para acolher todo o Brasil.

Quem tem ouro e quem não

O ouro. Um metal.
O homem. Um coitado.

Só assim podemos explicar o perverso relacionamento entre o metal amarelo e o bípede evoluído.
O Homem emprega recursos e energias para cavar buracos, no fundo dos quais encontra o ouro.
Então pega no ouro e corre a fecha-lo num outro buraco, a cave dum banco.
É um bocado paranoico, não é?
Pois.

Não só: mas o ouro implica diversos problemas.
Custa muito extrai-lo, as minas poluem ao longo de décadas. Não pode ser comido (é um pouco rijo) nem bebido (demasiado denso), se plantado num campo não dá frutos. Nem como combustível é eficiente.

Mas tem um mérito: a sua posse justifica o facto de atacar o próximo, matá-lo se for o caso. O ouro garante desigualdade e violência. E começou a desenvolver este papel muito antes de qualquer outro recurso (expecto a comida). Nada mal.

Ficar na posse de ouro deveria constituir motivo de vergonha. Mas não, pelo contrário, é sinónimo de riqueza e poder.
Por isso vamos ver quem no Mundo possui mais ouro.

25 maio 2011

In Gold We Trust

Heinrich Wohlmeyer, como todos os Alemães, tem um nome difícil de pronunciar, mas diz coisas engraçadas.
De facto, Wohlmeyer, agrónomo, fala de moedas.

"Um agrónomo que fala de moedas? E porque não um carpinteiro que fale de física quântica? E este seria um blog sério? Palhaço!"

Em verdade, em verdade vós digo: leitores de pouca fé. Nem tudo o que parece é. Gaivotas em terra, tempestade no mar. Que não tem nada a ver, mas gosto muito de gaivotas.  

O bom Heinrich é também professor de Direito da Universidade de Viena. Ele sabe. E nós também. Nós também? Sim, porque vamos ler o que ele diz.

Como eu não percebo um palavra de Francês (e estou orgulhoso disso), confio na tradução publicada pelo site Voci dalla Strada.

O Velho Continente e os Novos Dados

The Economist publica uma série de gráficos interessantes.
Dá para fazer o ponto da situação no Velho Continente. Sim, porque os problemas da Europa não são apenas os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), há mais do que isso.

A seguir a aplicação que magicamente reúne os vários gráficos.
Dica: passem o rato nas palavras Currency, Economy, Debt e Growth.





Simpático, não é?
O quê? Está tudo em Inglês? Eu sei que está em Inglês, que posso fazer? Foi feito pelo "The Economist", não pelo "O Economista Aqui da Esquina".
Nunca satisfeitos.

Mas vamos ver alguns destes dados. Em bom Português. "Bom", enfim...o meu Português...
Começamos com o primeiro gráfico. Tranquilos, é inócuo: mostra a situação relativa às moedas utilizadas nos vários Países europeus.

Visões do futuro: A Estrada da Pérsia - Parte I

E vamos ver qual o futuro.
Outra vez?
Outra vez.
Só que agora vamos falar dum futuro muito mais próximo.

Breve resumo da situação.

O planeta está a viver uma das alturas mais felizes. Isso admitindo que o planeta goste do caos.
Caso contrário não há muito para rir.

As revoltas na África do Norte e no Médio Oriente; a crise da economia ocidental; o surgimento de novas potências "locais" (China, Índia); sem contar as catástrofes naturais, sobre as quais pesam inquietantes dúvidas.
Da Europa melhor nem falar.

E estes, claro, são apenas os últimos acontecimentos, pois a lista poderia continuar.

Mas quem segue os acontecimentos da geopolítica, sabe quanta importância têm o Médio Oriente e a Ásia do ponto de vista estratégico. E não é apenas "culpa" de Israel: Afeganistão e Paquistão pouco têm a ver com a Terra de Rei David. Mas as tropas americanas lá estão.
E as já citadas revoltas da África do Norte? Começadas na Tunísia, agora afectam Países do Vizinho Oriente também.

Mas esperem um segundo. Todas estas revoltas, todas ao mesmo tempo...a subida dos preços dos géneros alimentares básicos, todos e tudo ao mesmo tempo...não será por acaso uma peça dum desenho maior? Bem maior? Um desenho que tem como pano de fundo o Médio Oriente e ainda mais?

Quem segue Informação Incorrecta:
1. é uma pessoa particularmente inteligente e merece os meus obséquios
2. já sabe qual o ponto de vista do blog acerca das revoltas. E da "espontaneidade" delas.

Agora chega um curioso documento, cujo título é: Which Path to Persia? (Qual estrada para a Persia?). E se o leitor achar tratar-se dum guia turístico para alcançar Teheran, então retiro os obséquios. Todos.

Wich Path to Pérsia  é um documento que num primeiro tempo foi publicado sob sigilo, mas que depois apareceu como público.
Doutro lado, censurar para quê? O bom cidadão está a beber-se tudo e mais alguma coisa: democracia representativa, ataque contra as Torres Gémeas, guerra ao terrorismo, invasão do Iraque para ocupar os campos petrolíferos, guerra no Afeganistão nem se percebe bem por qual razão, as 7 mortes de Bin Laden.... O sigilo não faz sentido, é só uma perda de tempo.

Esquerda: Brezinski  Direita: Bin Laden
E ainda bem. Porque este documento indica qual o futuro do planeta ao longo dos próximos anos. Isso, claro, se a sociedade não colapsar antes.

E não foi escrito por qualquer astrólogo ou sensitivo.
Os autores pertencem ao Brookings Institute, com agradecimentos para a Smith Richardson Foundation, enquanto presidente dela era nada mais nada menos que o Grande Velho: Zbigniew Brezinski.

Para quem conhece Brezinski não é preciso acrescentar nada.
E quem não conhece Brezinski? Bom, podemos dizer isso: o bom Barack Obama não sabe, Vladimir Putin não sabe, a Rainha da Inglaterra até pode não saber. Mas Brezinski sabe, sempre e tudo.

Mas há mais: o mesmo Brookings Institute outra coisa não é a não ser uma criação da elite globalizadora: nomes como Rockefeler Foundation ou Ford Foundation dizem alguma coisa?
E talvez ajude a perceber ainda melhor o facto da Brookings Foundation receber gordos cheques das maiores corporações americanas. Alguns nomes? Goldaman Sachs, the Carlyle Group, Pepsi, Alcoa, McKinsey...chega, não é? Pois.

Então vamos ler este documento.
Que ajuda a perceber o presente e também o futuro. Não um futuro certo ao 100%. Mas sem dúvida o futuro que, entre todos os futuros, tem mais possibilidade de tornar-se realidade.
Porque assim manda quem pode mandar.

24 maio 2011

Esquecimentos de Nobel

Barack O'Bama falou.

O Prémio Nobel da Paz de clara origem irlandesa falou da situação de Israel e da Palestina. Com objectividade e coragem.
Talvez sem muita objectividade.
Talvez com bem pouca coragem.
Mas enfim: ao sempre  as palavras do Nobel da Paz, um pouco de respeito, e que raio.

O bom Barack disse que Israel tem que voltar ás fronteiras de 1967.
Obviamente Netanyahu e Hamas começaram às gargalhadas, embora por diferentes motivos.
Mas não é isso que interessa. E nem vamos perder tempo acerca da questão dum Estado palestiniano sem exército: sem exército porquê? Israel está disposto ao mesmo?.

Não, o que interessa são outras coisas. Coisas que preocupam.

Como pode o bom O'Bama definir "ditadores" o ex Presidente egípcio Mubarak e o homologo da Tunísia, Ben Ali? Não eram eles os leaders autoritários que os Estados Unidos protegeram ao longo das décadas? Não falamos de séculos atrás, falamos do passado Dezembro.

Onde o bom O'Bama fez o seu discurso histórico acerca do Islão? Não foi no Cairo? Pois foi. Então como é que o Nobel da Paz escolheu o País dum feroz ditador sem mostrar na altura algum desconforto? Sei lá, uma pequena critica, uma "indirecta" contra a falta de liberdade no Egipto...mas nada. Na altura Mubarak era bom.

A morte dos partidos ocidentais


Espanha, Italia, mas não só: os rapazes da Puerta del Sol e de Milão são apenas a ponta do icebergue, pois há um profundo mau estar na Europa. Estamos a observar o fim da pacto social.


O pacto

Ao longo dos anos, este pacto fez a fortuna de muitos Países, na prática de todos os Países que hoje são parte da União Europeia.
Mas agora o sistema deixou de funcionar. E não apenas no âmbito europeu, mas também num nível mais baixo, o nível nacional.

Pacto social. Porque de facto havia um pacto; nunca abertamente declarado, mas existia. E era o seguinte: uma parte dos nossos proventos são destinados para a formação da classe média, que representa o futuro do continente.
Eis o simples acesso à escola e à universidade. Eis uma série de "paraquedas" sociais para que o espectro da pobreza ficasse afastado. Eis os olhos fechados perante condutas empresariais não propriamente limpas, sobretudo nas mais pequenas das sociedades.

Assim nasceram os milagres económicos italiano, franceses, alemão, espanhol.
E assim, mais tarde, nasceu a União Europeia, quando ainda o nome dela era CEE.
Querem construir uma autoestrada? Peçam 100 e Bruxelas responderá com 150.

Esta riqueza tinha um custo, que era projectado para o exterior. Pois o nosso crescimento fazia vítimas nos Países mais pobres, o chamado "Terceiro Mundo". As riquezas eram literalmente rapinada na África ou na Ásia e depois distribuídas no mundo ocidental.
Problemas? Não muitos. Até a classe dos trabalhadores participava neste roubo, mas o facto de votar na Esquerda ajudava a limpar as consciências.

A diferença entre "Se" e "Quando"

E se a Grécia...? Não! Impossível!!!
Impossível? Possível. Aliás, provável.
Ou seja: certo.

Nos mercados financeiros, a dúvida não é "se" mas "quando". A Grécia é mantida em vida artificialmente, mas de facto morreu há um ano, na altura do resgate.

O caso de Atenas é um óptimo exemplo de como foi formada a União Europeia.  Hoje é contado que o Governo grego mentiu para poder fazer parte do Euro; que recebeu a ajuda ilegal da Goldman Sachs e que ninguém, mas ninguém mesmo sabia o que se estava a passar.
Com certeza.

Perante indicadores económicos fracos e orçamentos alterados, ninguém teve a mais pequena dúvida, nem os verificadores da Zona Euro.
A verdade é que era imperioso introduzir a moeda única, com todos os Países da União Europeia incluídos. Então, porquê perder tempo em inúteis pormenores?

Isso é passado. O que interessa é o presente. E o presente diz que a Grécia vai falir. Não "se" mas "quando".

23 maio 2011

Visões do futuro - Prólogo: Massimo Fini

Como será o nosso futuro?
Boa pergunta, parabéns Max. Tens a resposta também?
Não, não tenho.
Mau Max.
Tá bom, não tenho mas posso sempre dar uma dica, não é? Posso apresentar dois artigos que tratam mesmo disso: do futuro.
De quem?
Nosso.
Ah.

Ambos os artigos não são "bonitos", no sentido que não preveem coisas alegres.

Doutro lado, a maioria das "profecias" implica sempre uma série de desgraças sem fim: guerras, epidemias e cataclismos parecem ser destinados a ser o nosso pão quotidiano nos próximos anos. Podem ler Nostradamus, a Freira de Dresda, a Aranha Negra e outros ainda, mas o cenário não muda: desgraça após desgraça.

Não seria mal ter um "profeta" com algumas notícias boas de vez em quando.
Assim, só para quebrar a rotina.

E mesmo quem profeta não é (e este é o caso dos dois artigos), não foge à regra: desgraças.
Conseguem imaginar uma maneira melhor de começar uma nova semana?

No primeiro artigo encontramos uma entrevista com um dos melhores jornalistas italianos, Massimo Fini.
Não são muitos os bons jornalistas italianos (aliás, são poucos, mas poucos mesmo), por isso seria bom ler com atenção.
Fini não lê fundos de café, não entra em trance, não tem visões: simplesmente observa a actual situação e tenta perceber quais os possíveis desenvolvimentos.
Sem esquecer a Mãe de todos os mestres: a História.

O segundo artigo fala dum documento, o Which Path to Persia?, que foi escrito por quem sabia o que escrever; e, sobretudo, gostaria de implementar um determinado projecto, talvez mais conhecido com o termo de "Globalização".

Implementação que, até aqui, procede com um certo sucesso.

Yes, we Irish.

Então, acabou o fim de semana, eh?

Mas enquanto o leitor gastava o seu tempo com um inútil descanso e o bom Max acabava de pôr o chão flutuante (olé!), o Mundo não parava. E a seguir eis as últimas novidades.
Em exclusiva, mais ou menos.
E em directo. Ou quase. 

Barack O'Bama

Começamos com o o actual Rei do Mundo, Barack Obama.
O bom Obama, na tentativa de dissipar as dúvidas acerca da sua nacionalidade, apresentou a certidão de nascimento, com a qual podemos perceber que:
- o bom Obama é cidadão dos Estados Unidos, ao 100%.
- o bom Obama, em verdade, nem é preto, mas muito bronzeado.

Por isso começou uma visita na Europa, com primeira paragem na Irlanda.
Mas porque a Irlanda? Simples: o bom Obama tem origem irlandesa!
E demonstra-lo é simples.

Observem a seguinte imagem e tentem dizer qual dos dois é o Presidente dos Estados Unidos:

20 maio 2011

Fukushima e a Síndrome Chinesa

Apesar dos media ter quase deixado de tratar do assunto,a situação de Fukushima está longe de estar resolvida.
Aliás, é exactamente o contrário: estamos numa fase na qual ninguém pode dizer com certeza o que se passa e, sobretudo, qual a futura evolução.
Mas uma coisa parece clara: Fukushima tem ainda algo para dizer.
E estas não são boas notícias.

A Síndrome Chinesa

Em 1979, James Bridges realizou um filme com Jane Fonda, Jack Lemmon e Michael Douglas. Título: The China Syndrome, A Síndrome Chinesa.

Ambientado numa central nuclear, o filme trazia pretexto duma teoria segundo a qual, em caso de fusão do "core", o núcleo da central, este teria começado a fundir o chão e penetrar a terra sem que nada pudesse para-lo.
Teria saído do outro lado do planeta, "na China".

A teoria não está correcta, pois o núcleo não atravessaria o planeta. Mas as eventuais consequências duma fusão seriam catastróficas.

Mas que tem isso a ver com Fukushima? A resposta é simples: segundo os cálculos dos engenheiros da Tepco (a sociedade que gere as usinas), todo o núcleo está fundido.

Ninguém pode ter a certeza, pois entrar nas ruínas da central é impossível; mas os milhares de toneladas de água injectados até agora já deveriam ter enchido o que resta da usina. E tal não aconteceu.
Explicação: a água encontrou uma via de fuga; mas onde?
Resposta mais provável: através do cháo, onde o núcleo fundido abriu uma abertura no chão.

A Doutrina do Choque

O cinema! O cinema! Em 3D!!!

Não, nada disso: o leitor Senam, que agradeço, apresenta um vídeo interessante, "A Doutrina do Choque".

Não é curto, por isso ficam avisados: sentem-se de forma confortável, peguem nas pipocas e observem.
Vale a pena.

Quem costuma seguir este blog já conhece o assunto. Mas os novos???
Os leitores mais recentes podem consultar outras pérolas de infinita sabedoria que Informação Incorrecta já espalhou:

Técnicas de manipulação mental
Pensar de pensar

E mais não digo.
Também porque de facto não há nada mais para dizer.

E agora: boa visão!

Nós e os outros: a armadilha da diversidade

Na escola muitas vezes é ensinado que as guerras do passado tinham como razão a Fé.

É esta uma maneira simples e rápida para resolver assuntos bem mais complicados: pegamos numa briga entre homens, inserimos um Deus qualquer, e pronto, eis a razão do conflito. Não são precisas outras explicações, está tudo dito.

Esta versão tem também outra vantagem: cria barreiras. As quais, como sabemos, podem ser habilmente desfrutadas para outros fins

As revoltas na África do Norte.
Começaram com um "input" estrangeiro? Bem provável.
Foram exasperadas com o aumento indiscriminado dos bens essenciais? Quase certo.
Mas a seguir surgiu outra explicação, segundo a qual, atrás dos manifestantes de Tunisi ou do Cario, havia mais: havia o fundamentalismo islâmico. Nomeadamente a Irmandade Islâmica.

Esta "explicação" é particularmente pérfida. Além de errada. Apenas 10% dos Egípcios declara-se disposta a votar no grupo radical numa futura eleição. 10%? E os outros? Os outros não contam, pois estamos perante um duplo objectivo:

1. em primeiro lugar, inserir nas nossas mentes mal informadas o medo do terrorismo. Porque é melhor ser claros: ao falar de fundamentalismo islâmico, as primeiras imagens que lembramos são as de aviões despenhados no chão, cabeças cortadas, mulheres segregadas e outras amenidades do mesmo estilo.
2. a seguir, realçar a diversidade entre as nossas sociedades. O que pode parecer secundário, mas não é.

19 maio 2011

O discurso de JFK

No dia 27 de Abril de 1961, John F. Kennedy fez um conhecido discurso perante os membros da American Newspaper Publishers Association. Conhecido e "estranho", por assim dizer.

Informação Incorrecta propõe o áudio original  e a tradução daquelas palavras. JFK foi sem dúvida um político sobrestimado, cujo assassinado criou o mito e deixou em aberto muitas perguntas: o que poderia ter feito o Presidente ao completar ao seu mandado? E, obviamente, quem matou JFK?

Este discurso, juntamente com outros factos e palavras, podem fornecer um vislumbre das razões que levaram à morte do 35º Presidente dos Estados Unidos?

Uma coisa é certa: se em vez de Presidente JKF tivesse sido um blogueiro de hoje, seria apelidado de conspiracionista e visionário.

GEAB nº 55: A Crise Sistémica Global

Mais curta a parte pública do relatório Geab neste número 55.
Que, no geral, confirma todas as previsões anteriormente feitas.

E os "defeitos" também: na Europa tudo funcionaria bem, pois os políticos é que sabem. Pena só os banqueiros, que são "loucos".

Os rapazes do Geab deveriam explicar como é possível que, apesar destes grandes estadistas do Velho Continente (Merkel e Sarkozy os pontos de referência neste caso), a Europa continua numa situação tão miserável.

Mas estes são pormenores: a substância é outra e está bem vista.
A substância é dum mundo que marcha com determinação e alegria na direcção da "tempestade perfeita".
Não esqueçam o guarda-chuva

O vento de Espanha

O que acontece em Madrid?

Acontece a mesma coisa que se passa em Granada. E Barcelona. E talvez em outros lugares de Espanha.
Pois por enquanto é só Espanha.

Milhares de pessoas reunidas nas praças, e isso apesar dos avisos das forças de segurança pública.

Outra vez: Facebook, Twitter, passa-palavra, vozes, rumores. Onde é que já vimos tudo isso? Talvez não tão longe, apenas do outro lado do mesmo mar.

Diferença? Sim, uma por enquanto: não é exigida uma mudança de regime, aqui não há uma tirania oficialmente reconhecida.
O alvo é a direcção, não o condutor.
Por enquanto é assim. 

Mas são rumores sinistros, como quando passarmos numa tábua de madeira já desgastada pela humidade e pelo tempo: ainda um passo e pode partir-se. Talvez nem seja preciso um outro passo, talvez é apenas questão de esperar que a gravidade faça o próprio trabalho.

18 maio 2011

As marcas da liberdade

Após um ano de post, reparei nisto: é cada vez mais difícil encontrar algo para escrever.
Falta de assunto? Não, há assuntos: só que são sempre os mesmos.

Ao observar com atenção o que foi publicado por este blog até hoje, reparamos que os temas de fundo muitas vezes são os mesmos. Parte-se dum assunto qualquer e acaba-se invariavelmente com o falar de: bancos e multinacionais. Que depois são a mesma coisa.

Há uma guerra? Atrás poderão encontrar um banco e/ou uma multinacional.
Droga? Com certeza há um banco envolvido.
Política (mas qual???): bancos e multinacionais.

Mercados? Saúde? Trabalho? Bancos e multinacionais.

Aborrecido.
Mas verdadeiro, pois esta é a nossa realidade. O que se passa no blog é o espelho do que acontece na vida do dia a dia. Seria possível pensar na nossa existência como uma forma de dar lucros a bancos e multinacionais: esqueçam a reprodução da espécie, não é este o nosso fim.

Exagerado?
Talvez.

Água, mas não para todos

A notícia certamente não é inesperada. A Nestlé (sempre seja louvada) propôs para a região canadense de Alberta de criar uma Bolsa Valores...da água.

Da água??? Isso mesmo.

E, na óptica doentia dum Mundo regulado pelas desreguladas leis do mercado, faz sentido. Na região da Alberta há um problema de concorrência: a água é utilizada pelos agricultores locais para irrigar os campos (água deitada no chão? Não é este desperdício?) e por companhias petrolíferas, tais como Syncrude ou Suncor, pois para a extração do ouro negro são precisas grandes quantidades de líquido.

Numa entrevista à Reuters, o presidente da Nestlé, Peter Brabeck, basicamente disse que a água deveria ser tratada "como o petróleo". E com o petróleo "é claro o que acontece quando a demanda aumentar: o mercado reage e as pessoas começam a usa-lo de forma mais eficiente".

Mais eficiente.
Utilizar a água para extrair um liquido do solo e queima-lo com um rendimento energético de 30% (motores à combustão), significa utiliza-la de forma eficiente.
Utilizar a água para dar alimentos às pessoas já é um pouco menos eficiente.

Mas vamos além disso. Vamos considerar a água como o petróleo, com os mesmos mecanismos.
Extrair o petróleo custa cada vez mais, por várias razões (explorações cada vez mais profundas, guerras, etc.), enquanto a procura cresce e as nossas sociedade continuam a funcionar com base neste hidrocarboneto.

17 maio 2011

Já falámos disso. Vou ao dentista.

Imaginem um mar de nevoeiro. Nós tentamos obter uma orientação, mas nada é possível ver. De vez em quando aparece uma ilha: pequena, nem muito bonita, mas é sempre uma ilha. Nem o tempo de posar o pé e já ouvimos gritos no ar: "Não é aí, não é aí! Não é uma ilha, é uma cilada, está preste a mergulhar!". Então voltamos no nosso pequeno parco e começamos, outra vez, a procurar um pedaço de verdadeira terra. E a cena repete-se dez, cem, mil vezes.

Estes somos nós confrontados com o mundo da informação. Que depois é o espelho do mundo onde vivemos.

Surge uma notícia e logo a seguir a contra-notícia. E o leitor fica com dúvidas: qual será a versão correcta?

O caso Strauss-Khan, por exemplo.
O chefe do Fundo Monetário Internacional, uma organização criminal com estatuto de oficialidade, é preso enquanto tenta fugir de avião após ter tentado violar uma mulher.

16 maio 2011

A Nato e o massacre da Líbia


Innocenzo Martinelli
Desinformação, vítimas inocentes, mulheres, crianças e idosos e um País onde a vida social foi destruída. Em Trípoli não se consegue dormir por causa do bombardeio constante e indiscriminado: as bombas explodem perto das casas e dos hospitais.

O Arcebispo Martinelli, o bispo da capital líbia, conta a resistência desesperada da população presa entre as bombas da Nato e o aperto dum regime que ainda está de pé e não parece estar prestes a cair.


O que está a acontecer na Líbia? 

O que acontece é o que a Nato faz aconteça. As bombas caem sem parar. Podem imaginar o que dizem os jornais e a televisão: a TV da Líbia mostra as mortes dos civis em Brega, Tripoli, em todas as partes da Líbia. A Europa está a destruir a vida social de um País.

As vítimas mostradas na televisão são verdadeiras? Não são uma farsa? 

São verdadeiras! As bombas caem sobre as casas e eu tenho que pensar em vítimas falsas? As bombas caem nos hospitais. Diga aos responsáveis para virem e ver o que estão a fazer as bombas deles. Morrem crianças, morrem idosos.

Ontem em Marsa El Brega morreram sessenta imam, homens de religião. Não são invenções, é suficiente vir e ver para constatar. A televisão está constantemente a documentar o que acontece, as mortes dos inocentes.

15 maio 2011

O tarado sexual

O Director do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, foi preso ontem à noite em New York sob a acusação de assédio sexual contra a empregada dum hotel.

Nestas horas, Strauss-Kahn, 62 anos, está a ser interrogado em relação a uma tentativa de estupro duma garçonete de 32 anos, que fugiu do quarto ocupado pelo Director do FMI.
E também este tentou fugir do Hotel Sofitel, 44th Street, perto de Times Square. Só que foi preso no aeroporto JFK, quando já se encontrava no avião da Air France, destino Paris.

Segundo o relato da policia, a empregada tinha entrado na suite do Director do FMI (suite de 3.000 Euros por noite) e este, uma vez atirada a mulher ao chão, tentou viola-la. Mas a rapariga fugiu, arruinando a festa privada do bom Strauss-Kahn. Que, como dito, foi para o aeroporto, provavelmente pensando nas infundadas vozes acerca da hospitalidade americana.

Strauss-Kahn era esperado em Atenas, para falar dos problemas da Zona Euro. Mas também era esperado na central da policia, para falar dos problemas de outras zonas. E Atenas terá agora que esperar.

14 maio 2011

Uma Copa, um tijolo, as favelas (Update)


Nota previa

Continuo a receber, agora sobretudo via e-mail, criticas não ao seguinte artigo mas contra mim.

Pessoal, vamos ver se conseguirmos interpretar o que está aqui escrito, pode ser? 

"Factos relatados por Al Jazeera" significa que quem fez esta descrição não fui eu, mas Al Jazeera, que não é minha irmã mas uma emissora de televisão jornalística do Catar, que transmite em língua árabe e inglês. 
Eu traduzi este artigo.


"São um exagero ou uma descrição fiel?" é uma pergunta, e significa: "será que os factos que Al Jazeera conta são verdade ou não?"

"E agora a palavra é dos leitores." é um convite à discussão, não é uma admissão de culpa do género: "Pronto escrevi um disparate, agora podem começar a ofender-me sem limites" 

Ficou um pouco mais claro? É só ler as palavras que aparecem, ninguém neste blog está a atacar a honra do Brasil, podem ficar descansados. 

Obrigado pela atenção.


Uma Copa, um tijolo, as favelas

Eis um artigo para os leitores do Brasil.

O que acham desta situação?
Os factos relatados por Al Jazeera são um exagero ou uma descrição fiel?
E quais as eventuais consequências? Pois a situação parece complicada...

Vamos ver o artigo.


A Copa e o Tijolo

O Brasil será a sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. 

No nosso século, estes eventos desportivos exigem estádios e hotéis. 
O País anfitrião tem de fornecer um aparato de segurança enorme, a disponibilidade em negar os direitos civis e a vontade de criar o tipo de infra-estrutura que estes jogos exigem. 

O que não significa apenas estádios, mas estádios de sonho.  
Isso não significa apenas segurança, mas o uso das últimas tecnologias anti-terrorismo. 
Isso significa não apenas novas linhas de transporte, mas também esconder a pobreza daqueles que viajam para assistir aos jogos.  
Isso significa a intenção de gastar bilhões de Dólares na criação dum paraíso para os turistas internacionais e os patrocinadores das multinacionais.

Última hora: Obi-Wan Kenobi é morto

A conferência de imprensa
Obi-Wan Kenobi, mente de alguns dos ataques mais devastadores contra o Império Galáctico e homem mais procurado da galáxia, foi morto num tiroteio com as forças imperiais perto de Alderaan.

Este foi o anuncio de Darth Vader no passado domingo.

Perto do final da noite, no Salão Leste do Palácio Imperial, Lord Vader disse que "a justiça foi feita", explicando que os agentes do Exército Imperial e os soldados da 501ª Legião finalmente conseguiram encontrar Kenobi, um dos líderes da rebelião Jedi, que havia evitado as forças do Império durante quase duas décadas.

Funcionários do funcionários relataram que Kenobi resistiu e que abatido pela espada laser do mesmo Lord Vader. O seu corpo foi em seguida lançado no espaço.

A notícia provocou emoção extraordinária.
Multidões de pessoas reuniram-se no distrito senatorial e fora do Palácio Imperial, com bandeiras do Império, aplaudindo, gritando, rindo e cantando o slogan "Viva o Imperador! Viva Lord Vader ".
Na zona de protecção aliena, a multidão cantou "O Império dos Dez Mil Anos".
No distrito de Sah'c, os aerocarros buzinaram até noite funda.

13 maio 2011

O incerto presente de Greenpeace




Este artigo é retirado do próximo livro GreenScare: the new war on environmentalism de Jeffrey St. Clair e Frank Josué.
Uma visão acerca de Greenpeace.
E não é uma boa visão.


A nova guerra dos ambientalistas

Durante o último quarto de século, Greenpeace deixou de ser um dos grupos mais radicais do ambiente para tornar-se a porta de entrada para o mundo das multinacionais. 

Ter trabalhado ao longo dalguns tempos em Greenpeace parece tornar-se cada vez mais um requisito exigido pelos gestores das agências de publicidade. 

Greenpeace já viu a deserção do seu líder, Patrick Moore, que mudou para as Timber Industries (grande empresa no sector da madeira), Canadá, e Paul Gilding, ex-director de Greenpeace Internacional, fundou uma agência de consultoria para empresas multinacionais cujos nomes dizem tudo: DuPont, Monsanto, Placer Dome Minimo (empresa de extracção mineraria).

O mais ilustre membro de Greenpeace a aportar no dinheiro foi Peter Melchett, um Lord já à frente de Greenpeace do Reino Unido: em 2002 passou a ocupar um lugar na Burson-Marsteller, uma conhecida agência de publicidade. 


Enquanto trabalhava no Greenpeace, Lord Melchett tinha conduzido a grande campanha contra os organismos geneticamente modificados nos alimentos, o que apontava o dedo em especial contra os produtos da Monsanto, cliente da Burson-Marsteller.

Num comunicado à imprensa, a empresa informou que Lord Melchett vai chefiar um comité de aconselhamento as empresas sobre a gestão de temas quentes como os OGM, resíduos tóxicos, exploração de petróleo, energia nuclear, trabalho infantil e exploração dos Países em desenvolvimento. 


Alguns líderes da Burson-Marsteller disseram ao jornal londrino The Guardian que o Lord também vai dar conselhos aos clientes da Burson-Marsteller sobre como lidar com os protestos dos ambientalistas.

The Quake Machine - Parte II (Reloaded)

Um gerador MHD (gerador também chamado de plasma), alimentado com explosivo sólido de césio (propergol), ou de sódio (substâncias com potencial de ionização baixa). O gases ionizados são expelidos a 3000 ° entre dois ou mais eletroímans desenvolve 4,8 tesla, e os eléctrodos coletam a corrente gerada durante alguns segundos (15000-25000 A de 1000V).

Isso é o que dizem os textos sagrados, mas não peçam para explicar. Aliás, se o leitor encontrar um gerador MHD com propergol, faça o favor de enviar uma fotografia, assim ficamos a saber de que raio estamos a falar.


Pamir, a arma sísmica (!)

Um espremedor de laranjas? Não, é o Pamir
Testemunhas afirmar ter observados uma misteriosa arma a base de plasma pouco antes do terremoto de Nigarta, no Japão, em Julho de 2007.

As mesmas luzes vermelhas, azuis e brancas refletida nas nuvens foram observadas e filmadas pouco antes do recente terremoto na China.

Mas como deveria funcionar este Pamir?
Através do solo, em correspondência duma falha tectónica e uma curso subterrâneo de água, a máquina vai "injectar" a descarga eletromagnética.

A passagem de corrente vaporiza a água e produz um efeito de elevação ou de divisão da placa.

Este efeito pode propagar-se a grandes distâncias e até mesmo desencadear um terremoto longe da zona afectada.

Grécia: a 9ª Festa Geral (Reloaded)

Uma dica para os leitores portugueses: abram as páginas on-line dos principais diários nacionais e procurem notícias acerca do que se passou ontem na Grécia. Complicado, não é? Pois. Quem sabe qual a razão.

Mas não há crise: aqui está Informação Incorrecta que relata tudo acerca da grande festa.
Festa? Isso mesmo, festa. E quais proporções!

O Gregos voltaram nas ruas para manifestar a própria felicidade, sem esquecer um especial agradecimento ao Governo.
Dois sindicatos, o Adedy (trabalhadores do sector público) e a Gsee (sector privado) chamaram os Gregos todos: "Venham, participem nesta grande manifestação de apoio ao nosso amado Governo". E os Gregos participaram. E muito.

Mas quais as razões de tanta felicidade?
Um ano de Fundo Monetário Internacional transformaram o País: de pobre até miserável, e tudo em apenas 12 meses. É obra.

A Maçã do Chile (Reloaded)

Blogger inacessível ao longo do dia todo.
Blogger com problemas.
Acontece quando a conta da electricidade não é paga.
Blogger volta on-line.
Blogger apaga todos os artigos de ontem.
Obrigado Blogger.

Max, sempre esperto como um javali do Alentejo, já tinha feito o backup.
Max re-publica os artigos perdidos.
Isso para o benefício do leitor que ainda não tivesse lido.
O que seria muito, mas muito mal mesmo. 
Obrigado Max.
De nada.
Posted: 12 May 2011 06:08 AM PDT

Ao entrarem Portugal pela fronteira espanhola, no Alentejo, deparamos com dezenas de quilómetros de campos não cultivados.

Imensas áreas onde pastam calmamente vacas, que com ar preguiçoso observam os raros carros passarem.

Milhas de campos, intervalados por pequenas manchas brancas feitas de casas, e a seguir ainda espaços verdes com vacas preguiçosas.

Enquanto o carro avança debaixo dum calor arrasador (no Verão, claro: no Inverno é um frio arrasador), surge a pergunta: e se eu desejar um alface? Pois se também os vegetais forem comidos, o mistério é saber onde podem ser cultivados.

Ao entrar num supermercado, eis a resposta. Nas prateleiras encontramos grandes variedades de vegetais e frutas, e se lermos a origem podemos ver: Espanha, Argentina, Chile, China. Se for manga ou abacaxi então é Brasil.
Tudo bem: é normal que frutos exóticos não sejam cultivados aqui, o clima não é propício.
Mas alface? Os tomates? As maçãs? Os espargos? As laranjas? Os morangos? Todos itens "exóticos"? Não parece.

O que se passa em Portugal é um bom exemplo da "globalização", um processo lento começado há algumas décadas atrás, e ao qual a União Europeia contribuiu não pouco. Neste aspecto, Portugal representa um caso ainda mais especial, pois os seus produtos nem conseguem competir com os da vizinha Espanha.

11 maio 2011

Terramoto em Espanha e The Quake Machine - Parte I

Nota previa

Tinha começado a escrever este artigo antes de receber as notícias acerca do terramoto em Espanha. Por enquanto parece ter sido um abalo com pouco mais de 5 graus de magnitude (5,3).

Como dito muitas vezes, os terramotos acontecem. Mas não deixa de ser curiosa a coincidencia: um terramoto em Espanha enquanto é esperado um sismo na área do Mediterraneo (em Roma). E na altura em que os gráficos do Haarp mostram as conhecidas "bandas brancas".

Nesta altura, na região de Múrcia, contam-se 10 vítimas.O sismo foi sentido também em outras zonas, como Sevilha ou Granada,

Há material para reflectir....


The Quake Machine

Existe a arma sísmica? Uma arma capaz de provocar terramotos? E eu como posso saber isso? Acham que tenho um fio directo com a Casa Branca?

De facto não tenho. E ainda bem, pois seria bastante aborrecido.
- Quem é?
- Sou eu, sou Barack!
- Opá, mas são três da manhã...
- Sim, desculpa, mas as minhas forças especiais dizem ter morto outro Bin Laden...e agora, que faço?
- Sei lá, diz para deitar o corpo no mar...
- Outra vez?
- Ah, pois...está muito rijo?
- Eh, bastante, parece um bacalhau...
- Ok, então diz para corta-lhe barba e bigodes, tirar-lhe o turbante e manda-lo para Portugal, que pode sempre dar uma boa contrafigura para o Presidente.

Aborrecido, sem dúvida.

Exclusivo: a terceira não-entrevista!

Sentado na minha nova vivenda em Abbottabad, aprecio o panorama e penso nos pequenos trabalhos que ainda estão para fazer: apagar as manchas de ketchup, mandar retirar a cauda do helicóptero (mas porque raio enfiar a cauda dum helicóptero numa vivenda?), dar uma demão de branco no interior...ainda bem que deixaram a antena parabólica, dá jeito para seguir as minha novelas favoritas.

Mas foi um bom negócio, sem dúvida.
"Vivenda remodelada e fortificada, zona turística do Paquistão, poucos quilómetros da capital, perto das lojas e do quartel, ocasião. Tel. +1-202-465-1414, perguntar por Barack", dizia o anuncio.
E não foi "gato por lebre", foi uma ocasião mesmo.

- كنت ماكس معلومات غير صحيحة؟
- Eh? Desculpe, não falo árabe, no arab, sorry...
- Maaaaaaaax! Sou eu, a tua jornalista favorita!
- Em nome de Allah e de Maomé...até aqui?!?
- Ah pois, como a nova enviada especial do National Geographic, não é brincadeira!
- Fogo...
- Mas agora: tá-taaaaam! Vamos com a entrevista: o Grande Max, do Enorme Informação Incorrecta, desvenda outro aspecto exclusivo e misterioso do mundo económico-financista.
- "Financeiro"...sim, mas olha, não achas que os leitores começam a ficar fartos destas coisas? Que dizer, sempre tu e eu, sempre as mesma coisas...
- Fartos? Fartooooooooos? Mas tu sabes que encontrei uma folha de jornal com a nossa última entrevista a ser utilizada como prato para a comida das galinhas em Nova Delhi? Na Índia, Max, na Índia!!! Então fala, fala Grande Max.
- Falo o quê?
- Sei lá, fala.
- Ok, ok , falo...olha, posso contar uma história?
- Um história! Uma história!!! Sabes que adoro históriaaaaaaas!
- Sim, mas pode deixar de gritar? Bom, estava pensar publicar isso no blog.
- Uma antevisão mundiaaaaaaaaaal!
- E não gritar!
- Desculpa Max. Continua.
- Dizia: estava a pensar publicar isso. Sabes o que é?

Não é tempo de heróis

O que falta na nossa sociedade?
Faltam heróis.

Alguém uma vez escreveu "Triste o povo que precisa de heróis", ou algo de parecido: e a ideia é correcta, pois quando temos que esperar a intervenção de alguém "superior" para resolver algo, significa que as normais medidas não resultaram.

Ao longo da última década aconteceram coisas surpreendentes: o 11 de Setembro de 2001, a luta contra o terrorismo, os atentados em Madrid e Londres; a guerra no Iraque; a guerra no Afeganistão; o terramoto-tsunami no Japão, a consequente emergência nuclear.

Mas houve também coisas "surpreendentes" e menos espectaculares, mas nem por isso menos importantes.
A crise económica começada em 2008; a novela do aquecimento global; a gasolina que custa como o whisky. Aqui na Europa, o multiculturalismo e uma moeda sem valor.

Vivemos anos tão anónimos que são definidos como "complexos": idiotices, pois vivemos anos que não têm ninguém que possa representa-los. E que por isso não ficarão na História, a não ser como curiosidade estatística. A História é feita de rostos e sem rostos não há historias.

É um tempo sem heróis.

Roma, Haarp e umas ilhas no meio do Pacífico

O amigo Gilson (Gilson Sampaio) escreve e pergunta: "E Bendandi? E Roma? E o terramoto? E o dia 11 de Maio?".
De facto, circulam vozes segundo as quais Raffaele Bendandi teria previsto um catastrófico terramoto para o dia de hoje, localizado na área de Roma. Horror.

Mas Paola Lagorio, que trata dos arquivos da Associação Bendandiana, afirma: "Nos papeis de Bendandi não existe uma previsão acerca dum sismo em Roma, nem no dia 11 de Maio nem numa outra data".

É uma resposta incompleta, pois a verdade é ligeiramente diferente (nem todos os papeis de Bendandi chegaram até hoje em condições); mas acerca do terramoto de hoje, a resposta parece inequívoca: não.

Por isso, se o leitor planeava ir e passear entre as ruínas do Colosseo ou ouvir a Missa em Praça San Pedro, pode ir sem grandes preocupações. E envie um postal, não seja forreta.

Agora, nada de sismos em Roma não significa nada de sismos em outros pontos do planeta. E aqui o panorama é um pouco diferente.

A seguir, os gráficos do Haarp, actualizados e uma notícia: terramoto de magnitude 6.8 nas Loyalty Islands, Oeste da Austrália, às 19:55 hora local.

10 maio 2011

Uma guerra? Minha Nossa, e onde?

Pois é: havia uma guerra no Mediterrâneo, mas onde?
Em Espanha? Não, não era a Espanha...na Ilha de Malta? Não, nem Malta...Líbia, isso mesmo, era a Líbia!

Tentamos recapitular: o Povo, que é sempre Bom, decide revoltar-se contra o poder do Mal, que depois é Khadafi. Mas Khadafi, que não acaso é mau, bombardeia os inocentes civis.

Um pouco como fazem os Israelitas com os Palestinianos. Só que neste último caso estamos perante "legítima defesa", no caso de Khadafi é maldade pura.

Pode o avançado mundo ocidental ficar parado perante os gritos das pobres crianças líbias? Claro que não.
Há todavia um problema: é preciso legitimar uma intervenção armada.

Problema? Em verdade não, há muito foi criada uma instituição cujo tarefa é legitimar as invasões "amigas": esta instituição é a benemérita ONU.
Com a resolução nº 1976 chega o sinal verde: as Forças do bem podem ser enviadas la onde não são chamadas.

Os feiticeiros de Teheran


Até bem pouco tempo, o Mundo parecia estar à beira duma nova guerra mundial: dum lado as Forças do Bem (sempre as mesmas, Estados Unidos, Israel, etc.), doutro as Forças do Mal (o Irão). Parecem anos, mas aconteceu há bem poucos meses.

A seguir foram criadas novas emergências: as revoltas na África do Norte, o terramoto-tsunami no Japão (com corolário nuclear), a guerra na Líbia, a morte de Bin Laden (a propósito:...não, se calhar já sabem...).

Assim, aos saltos duma grave crise até a outra, o Irão passou para a prateleira das crises esquecidas. Ou melhor: em fase de espera.

Um dia voltará a dar jeito, mas por enquanto encontra-se em stand-by.

Melhor assim. Seria difícil apresentar ao mundo o Irão como a maior ameaça nuclear do planeta enquanto do outro lado do globo o pacifico e amigo Japão arrisca desaparecer num mar de átomos zangados.

O Irão simplesmente desapareceu dos media. O que é pena, pois no País dos ayatollahs acontecem coisas interessantes.

Novidades? Poucas.

Mesmo ontem Informação Incorrecta referiu das vozes acerca da Grécia, que poderia (o condicional é obrigatório) abandonar a Zona Euro. Ou enfrentar uma reestruturação.

E, logo a seguir, chega a resposta das agência de rating: Standard and Poor's baixa o nível da dívida de Atenas: antes B, agora BB-, isso é, lixo.

Moral: não se brinca com o dinheiro dos bancos. Dinheiro que os bancos livremente investiram na dívida grega, com o único objectivo de obter lucros graças à elevadas taxas de juro, óbvio. Mas sempre dinheiro dos bancos e, por isso, sagrado.

Entretanto a Grécia responde ás acusações da Alemanha, que antevê uma saída da Zona Euro.
Atenas não gosta e abre um inquérito contra a revista Der Spiegel. A qual evidentemente não fica assustada e responde que Atenas não conseguirá recuperar uma situação económica decente e nunca será capaz de pagar a própria enorme dívida.


Investigamos!

E agora que fará Atenas? Abrirá uma nova investigação?
Não, é Lisboa que investiga. E o alvo são as agências de rating.
O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) decidiu abrir um inquérito contra três agências de "rating" internacionais, depois das queixas apresentadas por quatro economistas.
No início de Abril, os economistas José Reis e José Manuel Pureza, da Universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), pediram a abertura de um inquérito contra as agências, alegando que estão a cometer crime de manipulação do mercado.
O DCIAP analisou os argumentos expostos nas queixas e considerou haver elementos suficientes para abrir um inquérito-crime às agências de "rating" Moody's, Standard & Poor's e Fitch.[...] Na altura da entrega da queixa na Procuradoria-Geral da República, José Reis afirmou que as agências que "intervêm no mercado português dominam mais de 90 por cento do mercado" internacional, pelo que "é preciso saber se as leis da concorrência são respeitadas".
Duas dessas agências têm inclusive um "mesmo fundo de investimento como proprietário", advertiu o economista, e as decisões que tomam, que "influenciam as taxas de juro", têm um impacto significativo no endividamento dos países, "podendo afectar a sua estabilidade" financeira e económica. 
Tudo bem, não servirá para nada: e a investigação será abafada em qualquer escritório do Ministério da Justiça. Mas é bom que o assunto comece a sair do "círculo das pessoas que sabem", que seja notícia, até nos diários nacionais.
Parabéns aos investigadores da Universidade de Coimbra, vamos seguir os desenvolvimentos.

09 maio 2011

Água, muita água...

Japão...nuclear...não sei se estas palavras dizem alguma coisa.

É que internet tem apenas um assunto nestes dias: a morte de Bin Laden e os divertidos vídeos difundidos pela Administração dos Estados Unidos (a propósito: Bin Laden morreu, tinham reparado?).

Mas há mais no mundo. No Japão, por exemplo, houve um terramoto, um tsunami e uma consequente crise nuclear. E a situação está longe de ser resolvida. Vamos ver a razão.

Os últimos problemas em ordem de tempo surgiram na central de Tsuruga, que foi parada por causa duma "inspecção não de rotina". Na realidade, as barras de combustível parecem ter ficado danificadas, ainda não existe uma explicação, e difundem cada vez mais radioactividade na água do reactor. Não no ambiente, para boa sorte.

Mesmo assim os Japoneses deveriam pensar seriamente nas energias alternativas, pois o nuclear parece trazer um certo azar.

Quase 30% da energia utilizada pelos Japoneses é de origem nuclear (dados de 2009) mas agora, devido a avarias e acidentes, a energia nuclear atinge apenas 42% do potencial. Racionamento dos consumos em vistas?

Lembramos que o terremoto-tsunami do 11 de Março provocou o fecho das centrais de Fukushima I (6 reactores no total), Fujushima II (4 reactores), Onagawa (3), Higashidori I e Tokai II. Todas usinas que ainda não voltaram em funcionamento. E o Ministro Japonês da Industria quer o fecho definitivo de Hamaoka, construída em cima duma falha tectónica (um golpe de génio, evidentemente).

De direita para esquerda: Hamaoka, Onagawa, Higashidori e Tokai

Carta aos Portugueses



Portugal continua a surpreender-me. Cada vez mais.
Após alguns anos de vida passada neste bonito cantinho de terra "à beira mar plantado", já deveria estar vacinado. Mas admito: não estou.

Chegou o Fundo Monetário Internacional; foi divulgado o documento de entendimento assinado pelo Governo, pelos "especialistas" do FMI e futuramente viabilizado por boa parte da oposição. No documento é patente a venda do País, do inteiro "sistema Portugal", a perda da soberania económica e financeira (o que ainda sobrava, claro), a entrada dos privados (leia-se: bancos) em todos os serviços do Estado, a perda irremediável de património.

Reacções? Zero.

Uma manifestação aí, um dia de greve (uma Sexta-feira, naturalmente) nem directamente ligado à questão, mais nada. Os Portugueses assistem com a máxima descontracção à destruição do próprio País.

Verdade: nesta altura há argumentos importantes no ar:  a final da Liga Europa será jogada entre duas equipas portuguesas e na SIC começou um programa cultural, "Peso Pesado", no qual alguns concorrentes lutam para emagrecer.
Enfim, não são brincadeiras.

Surge uma pergunta: mas os Portugueses são mesmo assim ou há outra explicação? Porque, por exemplo, em Atenas descem nas ruas para gritar a própria raiva enquanto em Lisboa saem de casa apenas para enfiar-se num centro comercial?

Acreditem, a resposta não é simples. E seria preciso muito mais do que um simples post para explicar as razões: ou melhor, as razões que eu percebi, pois haverá outras que nem tenho a capacidade de considerar.


A "liberdade"; a tristeza, a desconfiança...

Para começar, é necessário lembrar que os Portugueses têm de si próprios uma péssima imagem.
Isso torna este povo bastante triste, aliás, esta foi uma das primeiras coisas em que reparei uma vez aqui chegado e que mais me impressionou (lembrem que moro bem perto de Lisboa, e isso faz toda a diferença). Ao entrar numa loja, a vontade é de pedir desculpa por incomodar, pois um sorriso é coisa rara.

Falta de consideração e tristeza levam facilmente à desconfiança e a inacção.

Além disso, o País ainda não ultrapassou o trauma do 25 de Abril 1974, dia da "libertação": que não foi uma revolução popular, mas uma mudança de regime conduzida basicamente pelos elementos de Esquerda das Forças Armadas (uma visão muito redutora, admito, mas é para simplificar ao máximo).
Após uma ditadura de quase 50 anos, os Portugueses acordaram um dia com uma notícia esquisita: "Estão livres!". E ainda hoje não é claro o que isso possa significar.

A maior parte das pessoas, pelo que posso observar, interpretou isso como um "Estão livres de fazer o que lhes apetecer". Só assim pode ser explicada, por exemplo, a total falta de organização que é possível encontrar.

Uma das outras coisas que marcaram os meus primeiros dias neste País, foi constatar como as coisas tinham sido construídas: ao calhas, sem que tivesse sido seguido um aparente plano. As casas, por exemplo: ninguém pensou em preservar os traços típicos das construções portuguesas, cada um construiu a própria habitação onde quis ("Fica no interior dum parque natural? Paciência"), com um estilo próprio, sem ter em conta a integração estética, urbana e logística (construir a casa significa ligar-se à rede eléctrica, por exemplo).

Acho isso bastante sintomático de como foi interpretado o 25 de Abril: não liberdade de participar activamente nas escolhas do País, mas liberdade e ponto final, quase no limite da anarquia.

O mesmo, obviamente, aconteceu com o Estado.
Assumir pessoal para ser inserido na Função Pública ficou como útil estratagema para conseguir votos. Ninguém pensou que cedo ou tarde isso teria representado um custo enorme. e insustentável.

Os sindicatos também fizeram a própria parte: hoje falam em "direitos adquiridos" como autênticos dogmas, sem perceber que estes direitos foram os frutos duma época de excesso. E que foram também estes mesmos excessos que tornaram as empresas cada vez menos competitivas.

Nunca conheci tantos dias feriados como desde quando cheguei em Portugal. No resto da Europa as coisas não funcionam assim.

Seria possível continuar com muitos outros exemplos, mas quero aqui concentrar-me apenas num deles: a propaganda que criou um País que não existe, que nunca existiu e que agora será enterrado de forma
definitiva.


A reforma do senhor F.

Há alguns dias estava a falar com uma pessoa conhecida, o senhor F., acerca do problema das reformas.
Numa certa altura, perguntei: "Mas quem é que paga as vossas reformas?". Resposta: "Nós já pagámos as nossas reformas!".

Descobri assim que o senhor F., tal como a maior parte dos reformados, vive num mundo muito particular. É um mundo que foi criado ao longo das décadas, através da já citada propaganda, a utilizada pelos partidos políticos.

Neste mundo, o senhor F. trabalhava e, no final de cada mês, havia um funcionário da Função Pública que guardava o dinheiro de cada trabalhador. Provavelmente havia pilhas de notas, em cima um papel com o nome do trabalhador escrito à mão. No dia da reforma, a mesma pilha passava para outro escritório, o dos pensionistas, que assim passavam a receber o dinheiro anteriormente guardado.

Esta é uma visão. Depois há outra, um pouco mais avançada.
Nesta segunda versão, o dinheiro dos trabalhadores não era guardado pelo funcionário mas investido em património e serviços. Ao fim da vida útil do trabalhador, este começava a receber os interesses no entretanto maturados, isso é, a reforma.

Não há nada para rir: é isso que pensam os reformados em Portugal. A maioria deles.

Ambas as versões, é óbvio, são pura fantasia e foram utilizadas pelos vários exponentes políticos ao longo das décadas para justificar uma realidade muito mais prosaica: o dinheiro sempre foi e ainda é utilizado para fazer funcionar uma gigantesca máquina pública que mais parece um enorme funil do que um Estado.

Isso acontece aqui, em Portugal, mas também em outros Países europeus, a maioria deles. É por isso que hoje cada vez mais se fala de crise do sistema pensionista: nenhum dinheiro foi guardado (a não ser em mínima parte) e hoje quem paga as reformas são os trabalhadores no activo. Que cada vez mais são menos.

O sistema até poderia funcionar se Portugal fosse um País com uma real soberania monetária. Neste caso, não tendo limites de deficit, o Estado poderia continuar a pagar as reformas e ao mesmo tempo investir e melhorar os serviços públicos.

Mas Portugal, tal como a maioria dos Países europeus, perdeu a soberania monetária. Hoje o deficit é controlado pelas severas normas de Bruxelas, tal como a dívida pública. E aqui começam os grandes problemas. O dinheiro não chega.

O começo da semana

Continue o Circo de Washington: desta vez  foi publicado um vídeo de Osama Bin Laden que observa a televisão onde aparece...Osama Bin Laden.

O vídeo é genial. Pensem nisso: perante as criticas pela faltas de provas, Washington responde com um vídeo onde aparecem não um mas dois Bin Laden ao mesmo tempo. O primeiro na televisão, o segundo enquanto observa a televisão.

Quem entre os leitores não possui um vídeo do mesmo leitor enquanto observa um próprio vídeo? É uma experiência agradável e gratificante, ninguém consegue resistir.

Ah, obviamente no vídeo aparece uma pessoa envolvida num cobertor de lã e um gorro na cabeça, de costas. Não é a avó de Bin Laden, segundo Washington é Bin Laden mesmo. Não acreditam? Pois, os conspiracionistas de costume.
Tudo numa casa que parece uma taberna da zona portuária.
Como assim? Não é este o interior da luxuosa vivenda, com tanto de super-antena parabólica no jardim? Mas explicar isso é simples: Bin Laden sentia falta das grutas onde tinha passado os últimos 9-10 anos e quis recriar o ambiente hi-tech "grutesco" tão familiar e confortável.
Deve ter sido isso.

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