17 janeiro 2012

Barco, Autocarro, Pulgas e falta de inspiração

Hoje em Lisboa. Sem corrector ortográfico. Ops...tá bom, problema do Leitor que deverá tentar entender o sentido das frases entre um acentos que falta e uma cedilha desaparecida. Assim aprendem a ler blogues escritos por estrangeiros.

Bom, dizia: Lisboa.
Almada fica à beira do Tejo, mesmo na frente da capital. Há várias maneiras para atravessar o rio. Nadando, de comboio, com a ponte 25 de Abril (ex ponte Salazar), de barco, de barco com carro.

Nadar é saudável mas admito que atravessar 3 quilómetros de rio às 8 de manhã pode não ser o ideal. Além, disso, há sempre o perigo de ser atropelado por um navio, deve ser por isso que como solução é a menos utilizada.

Comboio: sem considerar as assinaturas mensais, um bilhete para duas pessoas custa um total de 3 Euros, mais a deslocação para chegar até a estação (do centro de Almada devem ser uns três quilómetros). E hoje não havia o cão ("Não, obrigado, não gosto do trânsito da capital, prefiro ficar aqui"). Além disso, há o custo para os transportes públicos uma vez chegados em Lisboa.


Ponte 25 de Abril: a portagem é de 1,55 Euros, mas não podemos esquecer o custo da gasolina e as longas filas de espera que podem facilmente atingir os 40 minutos-1 hora. E esta é outra gasolina que desaparece.

De barco: 2,10 Euros mais o preço do metropolitano ou de outro transporte na cidade, pois nem todos trabalham perto do embarcadouro.

De barco com o carro: 2,60 Euros, mais a gasolina para chegar até o embarcadouro (mas fica muito próximo do centro de Almada). Este é o meio de transporte que mais aprecio. Caro? Nem por isso, contas feitas é poupado.

Não há filas, não hã trânsito, não há gasto de gasolina (é o barco que anda, o carro fica parado), é rápido (12/13 minutos) e enquanto o rio é atravessado podemos descer do carro para ver as gaivotas no mar e ficar com uma pneumonia por causa do frio (no Verão é melhor, acreditem). Acho isso muito relaxante. Não a pneumonia, a travessia entendo.

Mesmo assim, os utentes que utilizam este serviços são poucos. Mesmo poucos e há até um certo desconforto: "Porquê não está ninguém? Estou a fazer algo de errado? É justo eu poupar gasolina e não poluir enquanto todos os outros desperdiçam o precioso líquido, ajudam o Estado com os impostos e engordam aquela bonita nuvem castanha que estaciona nos céus da capital?".

Pelo contrário, para aceder à ponte as filas nunca acabam. Percebo: quem morar longe do rio encontra dificuldades para chegar até o embarcadouro, verdade. Mas não é esta a razão principal: porque também os habitantes de Almada que de manhã escolhem passar um bom bocado parados no trânsito não são poucos.

Então temos que pensar: porquê? Qual a graça de ficar no meio de outros carros, a respirar compostos aromáticos, dióxido de carbono e outras porcarias enquanto a nossa tensão arterial aumenta? E aumenta mesmo sem estar enervado, cientificamente provado.

Eu fico satisfeito assim, ora essa: chego até o embarcadouro, embarco e pronto, sem estresse. Aliás, quanto a mim espero que a maioria das pessoas continue a ficar enlatada na ponte e deixar o barco livre. Mas não seria mal pensar um pouco nestas e em outras atitudes masoquistas que parecem ser a regra.

Pode pensar o Leitor: "Ehi Max, mas o máximo seria usar o barco sem carro, de pé: isso sim que seria poupar". Justo. Mas aqui surgem problemas.

Não gosto de perturbar os outros, mesmo que estes outros sejam as pulgas que moram no barco dos peões. É uma questão de respeito, também as pulgas têm direitos.

Assim como não gosto de deixar mal os ciganos que tentam continuamente vender alguns pensos, estão a trabalhar e não é justo que percam tempo com péssimos clientes como sou eu.

E uma vez chegados em Lisboa há a aventura dos transportes públicos: o Metro funciona hoje? Não, há greve. Não, há um problema com o computador central. Não, há um problema com a sinalização. Não, e ponto final. E depois é outro Euros e 10 cêntimos que desaparece (2,20 se a intenção for ir e voltar, porque eu gosto de voltar para dormir).

Dos autocarros nem falo, têm um aspecto que intimida. Se aproxima com um ar tipo "Ah, queres entrar, não é? Mas tu já viste como sou velho? Já viste que saltos que dou cada vez que encontrar um buraco? Eh? Horário? Qual horário? Ahahahahah, "horário" diz o estúpido!..."
Bilhetes? 1,75 Euros no caso dum autocarro normal, 2,85 no caso do eléctrico (é mais caro porque polui menos, a lógica deve ser esta: "Queres ajudar o ambiente? Então paga").

Há alguns anos (dois ou três) li as conclusões dum relatório da União Europeia acerca dos transportes públicos em Lisboa. A conclusão dizia que os transportes públicos deveriam ser gratuitos.
Parece um disparate, não é? Mas não é.

Pensem na poupança. Pensem em toda a gasolina/gasóleo poupado. Pensem na diminuição da poluição. Pensem no menor número de acidentes. Pensem isso na vossa cidade.

Qual o objectivo dum serviço público? O lucro ou atender às necessidades dos cidadãos? Então qual o problema em ter uma Carris (transportes públicos em Lisboa) em perda?

A Carris deveria dobrar, triplicar ou quadruplicar as próprias perdas e ser gratuita: o País iria ganhar na mesma perante a enorme poupança dos carburantes, trânsito e saúde. O escândalo é ver uma Carris em perda, um serviço público vergonhoso e uma cidade entupida de carros.

Temos uma ideia de "serviço público" totalmente errada. Se o serviço for público deve simplificar a vida do cidadão, melhorar a qualidade de vida, resolver os problemas dele. Obter lucros? Mas o lucro do serviço público é o bem do cidadão e da sociedade, não se pode medir com uma conta bancária. É por isso que o serviço é definido como "público", caso contrário não haveria diferença entre público e privado.

Se o serviço for público e como objectivo tiver o lucro, então é um serviço privado que como gestor há o Estado, nada mais do que isso. Pior: é um serviço privado pago com os impostos dos cidadãos.
Mas um serviço público obrigado a obtenção dos lucros terá necessariamente que aplicar tarefas mais caras, tal como acontece com os serviços privados. Então o cidadão terá pago (com os impostos) para um serviço que depois terá que pagar outra vez (com o bilhete) até de forma cara.

O lucro fica em favor do serviço? Sim? Então porquê temos que pagá-lo com os impostos?

(E aqui paro: este é um dos piores posts que alguma vez escrevi. É o tal dia no qual falta tempo e inspiração. Mais valia não ter escrito nada. Eu sei. Paciência. Como disse Rossella O'Hara: "Amanhã é outro dia". E fiquem descansados: amanhã não vou de barco)

2 comentários:

  1. maria17.1.12

    Pois olha Max, eu gostei...já li piores...ihihihih!! Seriamente falando, talvez porque aborda um assunto que eu tenho especial apreço: estratégias de equilíbrio (e desequilíbrio) de gestão. Em âmbito doméstico aprendi que o mutualismo favorece os dois ou mais lados contratantes de um contrato público ou privado. Porque não a nível nacional?
    Vê só alguns dos problemas brasileiros na área: aqui o serviço público de saúde é sobrecarregado e custa muito aos cofres do Estado. Porque? A formação dos médicos é aterradoramente deficiente e não dá conta de doenças dos trabalhadores (apesar de farmácias populares e remédios gratuitos, em funcionamento nos últimos anos),e de acidentes de trabalho ( malgrado alguns poucos centros de traumatologia que funcionam bem). As empresas e também os empregados "detestam" uma coisa chamada segurança no trabalho, o número de acidentes de trabalho, acidentes de trânsito e domésticos equivale a uma guerra civil. Em consequência, o número de trabalhadores em licença de saúde, em seguro desemprego, e aposentadoria por invalidez é muito maior do que poderia ser, tudo por carência de gestão integrada de serviços públicos em favor da qualidade de vida do trabalhador brasileiro que poderia em muito diminuir o gasto estatal nos serviços públicos de saúde e diminuir substancialmente a demanda. Como consequência, avoluma-se o contingente de trabalhadores jovens na dependência da previdência social, com baixa expectativa de progresso pessoal e familiar.Claro que privatizados esses serviços funcionam muito pior porque além dos problemas de gestão são acrescentados a extração do lucro exacerbado a qualquer preço. Do meu ponto de vista, é apenas um exemplo (sem os dados estatísticos que existem, mas que não fui registrar porque não alteraria o teor do comentário)de como se gere mal os assuntos de administração e gestão entre nós.Se houvesse outro entendimento mais civilizado do significado de serviço público ( como aponta o Max no comentário), aliado a estratégia de gestão com ênfase no mutualismo, onde na troca todos se beneficiam, a situação poderia ser bem diferente. Abraços

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  2. Alem de apontar os erros de gestão da saúde, os quais Maria apontou de leve e eu apóio, ainda me causa um profundo nojo mesmo quando vejo falar em pedágio (portagem)porque por aqui se gasta o dinheiro público(nossos impostos) para construir ou reformar completamente uma estrada ou trecho para depois passar à iniciativa privada que não investiu nada e ainda é o BNDES( Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social quem entra com o financiamento (com nosso imposto) com juros bem LIGHT e prazo a perder de vista e depois as obras de manutenção são feitas com outros milhões do BNDES no mesmo esquema. A iniciativa privada só faz administrar e desfrutar. Só pra ter um exemplo, a ponte RIO-NITEROI de 14 KM de extensão na época da sua contrução foi programado um pedágio para pagar a ponte em 10 anos, mas se pagou em 4 anos e o pedágio não baixou um centimo e hoje passam mais de 200 mil veículos por dia e na concessionária é só alegria. Imagina um pedágio...Todos esses reajustes são anuais.

    Na ponte Rio-Niterói a tarifa básica passa de R$ 4,30 para R$ 4,60. Motocicletas pagarão R$ 2,30, carro e caminhonete com semirreboque, R$ 6,90. Caminhão leve, ônibus, furgão e carro com reboque vão pagar R$ 9,20. Para veículos de carga com três eixos a tarifa passa a ser de R$ 13,80; com quatro eixos, R$ 18,40; cinco eixos, R$ 23 e, seis eixos, R$ 27,60. O reajuste da ponte foi autorizado pela ANTT (Agencia Nacional de Transportes Terrestres)... isso em 28/07/11 breve aumenta de novo e onde vai todo esse dinheiro. Vê-se que lucro dá, e muito só que se estiver na mão do governo o dinheiro desaparece e depois nem pra manutenção tem. É mesmo vergonhoso para toda a NAÇÃO, alias para toda e qualquer nação que faça isso com seu povo. É só tristeza. Para modificar isso teria que haver uma PROFUNDA CONSCIÊNCIA POLITICA para conhecer a Lei Eleitoral a fundo e saber que não se muda isso com o voto, mais se muda pela ausência do voto pois se quisermos não votar, tera que ser feita uma nova votação com novos candidatos poia a lista anterior não pode concorrer e assim se mudariam TODOS OS POLITICOS ( ISSO SIM SERIA UMA MUDANÇA E UM RECADO).
    ABRAÇO.

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