06 janeiro 2012

O Aviso de Kennebunkport

O ex vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, publicou a sua autobiografia, In My Time. Sem dúvida uma obra prima.

No livro Cheney conta a história de quando, em Junho de 2007, tentou convencer George Bush a bombardear a Síria com base (adivinhem?) no alegado programa nuclear sírio.

Cheney afirma ter sido ele a levantar a questão durante uma reunião do Conselho de Segurança Nacional (NSC). Bush perguntou se alguém mais estivesse inclinado na mesma linha, mas todos ficaram calados.

Desta forma, então, Cheney falhou na primeira tentativa de lançar um ataque à Síria através dos canais legais e institucionais.
 

Pouco mal, afinal era apenas uma tentativa e outras teriam surgido em breve, porque a Síria tem de ser atacada.
Relata o simpático Cheney:
Mais uma vez defendi a ideia de uma acção militar contra o reactor nuclear. Mas a minha era uma voz solitária. Quando terminei, o Presidente disse: 'Alguém está de acordo com o vice-presidente?'. No outro lado da sala não se levantou uma mão. Na verdade, três meses depois o local foi destruído por aviões israelitas.
Não sei o Leitor, mas eu fico comovido perante a ideia do pobre Cheney sozinho e abandonado no meio duma grande sala: afinal não pedia muito, apenas atacar um pequeno País que nada tinha feito contra os Estados Unidos.


No livro, Cheney não diz o que aconteceu depois daquela reunião. Pena, pois aqui começa a parte mais divertida.

Dada a rejeição do legítimo governo dos Estados Unidos, entrou em acção o "outro" governo, aquele definido como "paralelo", "secreto", "profundo", do qual Cheney era o porta-voz. Porque a Síria tinha que ser atacada, a qualquer custo, e não podem existir dúvidas em relação a isso.

O Aviso de Kennebunkport 

O Aviso Kennebunkport foi escrito na tarde de 24 de Agosto de 2007. Os apoiantes assinaram o documento em Kennebunkport, uma pequena aldeia de 3.000 habitantes no Maine, Estados Unidos.

O documento foi enviado no dia seguinte para uma lista de destinatários dos EUA e do estrangeiro. Jeff Rense foi o primeiro a publica-lo no seu site, onde apareceu no mesmo dia.

Mas que dizia este aviso? Eis a tradução:
Ao povo americano e a todos os indivíduos que amam a paz no mundo:

Temos conhecimento de graves indícios que sugerem como os apoiantes, os controladores e os aliados do vice-presidente Dick Cheney tenham intenção de preparar e actuar um novo evento terrorista como o 11 de Setembro e/ou uma nova provocação bélica, parecida com o Golfo do Tonkin, nas próximas semanas ou meses.

Tais eventos seriam utilizados pela Administração Bush como pretexto para desencadear uma guerra de agressão contra o Irão, muito provavelmente com armas nucleares, e para impor um regime de lei marcial nos Estados Unidos.[...]

Avisemos de maneira firme as pessoas de todo o mundo que qualquer ataque terrorista com armas de destruição maciça que venha a ter lugar no futuro próximo, nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar do mundo, deverá ser automaticamente relacionado (prima facie) aos homens de Cheney.

Convidemos os líderes políticos mais responsáveis, em qualquer lugar do mundo, a preparar a opinião pública do País deles  perante estas ameaçadas acções terroristas sob falsa bandeira (false flag).

Assinado: um grupo de líderes políticos americanos da oposição, reunidos em protesto no Bush Compound de Kennebunkport, Estado do Maine.

24-25 de Agosto de 2007

Cynthia McKinney,, ex-deputata da Geórgia no Parlamento americano.
Cindy Sheehan, candidata da Califórnia ao Parlamento americano.
Jamilla-el-Shafei, Departamento de Paz de Kennebunk
Ann Wright, ex-diplomatica dos EUA, Coronel da Reserva do Exército americano
Dr. Dahlia Wasfi, de Liberatethis
John Kaminsky, advogado, presidente da Associação Legais para a Democracia do Maine
George Paz Martin
Webster G. Tarpley, escritor
Craig Hill, candidato do Vermont ao Parlamento americano (Green Party)
Bruce Marshall, Philadelphia Platform

Interessante.

Dois dias mais tarde, 28 de Agosto, num delirante discurso na frente da American Legion no Kansas, Bush realça o aumento das tensões com o Irão.

Naquela ocasião, alertou para o facto do Médio Oriente estar ameaçado por um "holocausto nuclear" devido ao programa nuclear iraniano; acusou o Irão de apoiar o terrorismo e actuar contra as forças dos EUA no Iraque, e também declarou que o Irão apoiava Hezbollah e Hamas. Um discurso que constituiu uma importante intensificação das ameaças dos EUA contra Teheran.

Sempre divertiu-me muito o facto de Washington acusar os outros acerca da utilização das armas nucleares quando foram os Estados Unidos os únicos, até hoje, a massacrar centenas de milhares de civis com bombas nucleares, em Hiroshima e Nagasaki. Mas estas são apenas considerações pessoais. Voltemos ao assunto principal.

O B-52 

Na Quarta-feira, 29 de Agosto, começa a parte verdadeiramente hilariante.

Naquele dia, o pessoal da aviação militar dos EUA carrega seis mísseis de cruzeiro nas asas de um bombardeiro intercontinental estratégico B-52 em Minot, Dakota do Norte. Cada míssil está equipado com uma ogiva nuclear com uma potência explosiva entre 5 e 150 mil kiloton.
Em comparação, Little Boy, a bomba de Hiroshima, tinha uma potência de 16 kilotones (um kiloton indica a energia libertada pela explosão duma quantidade igual a mil toneladas de tnt). 

Na Quinta-feira, 30 Agosto, o B-52 com a sua carga mortal de seis mísseis nucleares voou nos céus dos Estados Unidos por três horas e meia com destino Barksdale, Louisiana, o segundo quartel-geral para conflitos nucleares dos EUA, após Offutt, em Nebraska. Barksdale é também o local de lançamento dos bombardeiros B-52 para o Oriente Médio, como no caso da Primavera de 2003 com a operação Shock and Awe (Shock e Terror) contra o Iraque.

Quando o B-52 chegam em Barksdale, a catástrofe estava mesmo ao virar da esquina. Exactamente o tipo de situação antecipada pelo Aviso de Kennebunkport, posto a circular na internet nos três dias e meio anteriores.

E aqui a situação fica confusa: o B-52 e a sua carga foram travados. Entre o final da tarde de 30 de Agosto e o anúncio público do incidente do B-52, na tarde de 05 de Setembro, entrámos numa área cinzenta que requer investigação mais aprofundada.

De acordo com Wayne Madsen, jornalista investigador especializado em intelligence e relacionamentos internacionais, houve uma espécie de rebelião do pessoal da aviação americana que tentou evitar um ataque nuclear no Médio Oriente; rebelião apoiada por alguns membros da intelligence. Teriam sido militares e parte dos serviços secretos fieis que se recusaram obedecer a ordens ilegais. Como escreve Madsen:
Os elementos da aviação dos EUA, apoiados por pessoal das agências de intelligence, descobriram e revelaram qual o destino final do B-52 e a missão fracassou devido à oposição interna.

Objectivo final: sempre o Irão

No dia
5 de Setembro, a Força Aérea dos Estados Unidos fez uma declaração pública sobre o B-52: tratou-se, como é óbvio, duma versão soft e amplamente incompleta.


A imprensa mostrou interesse, mas aparentemente nenhum membro do Congresso ou candidato presidencial dos maiores partidos levantou um dedo para pedir investigações mais aprofundadas, mesmo perante o anormal número de mortes que a história apresentava:
  • o militar Todd Blue, 20 anos, morto em Wytheville, Virgínia, no dia 12 de Setembro
  • duas pessoas da base aérea de Barksdale, mortas em Caddo Parish, Louisiana, em 15 de Setembro;
  • o militar Adam Barrs, 20 anos, morto numa acidente rodoviário em Minot, no dia 5 de Julho;
  • o militar Weston Kissel, 28 anos, piloto de B-52 no 23rd Bomb Wing da base de Minot, morto num acidente rodoviário no Tennessee;
  • o capitão John Frueh, encontrado morto em Skamania, Washington, no dia  2 de Setembro..

No dia  6 de Setembro, a agência de imprensa síria SANA anunciou que a aviação israelita tinha organizado uma incursão no espaço aéreo da Síria do Norte, tendo descarregado bombas na região de fronteira com a Turquia (facto confirmado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Ankara).

Israel antes desmentiu, mas a seguir admitiu a incursão, provavelmente um teste para avaliar as defesas aéreas da Síria e do Irão. Israel afirmou que a operação tinha sido necessária para destruir a central nuclear de Dayr-az-Zwar que a Síria tinha alegadamente construído com a ajuda da Coreia do Norte; idiotice que foi mais tarde repetida por John Bolton (Republicano) e a simpática Hillary Clinton.

Obviamente ainda estamos à espera da nuvem radioactiva que todas as centrais nucleares lançam na atmosfera quando gravemente danificadas (como no caso de Fukushima em 2011).

Segundo Madsen, os misseis do B-52 estavam relacionados com o ataque de israel:
O Wayne Madsen Report descobriu que os Estados Unidos tinham previsto um ataque contra o Irão com armas nucleares e convencionais em contemporânea com o ataque israelita do dia 6 de Setembro contra uma alegada central nuclear síria na zona de Dayr-az-Zwar, perto da aldeia de Tal Abyad, Síria do Norte, não longe da fronteira turca. O ataque israelita, nome em código Operação Orchard, deveria ter fornecido aos Estados Unidos uma razão para um consequente ataque contra o Irão.
No dia 7 de Setembro, Joseph Cirincione é entrevistado no programa de Bill Press da emissora Air America.
Cirincione afirma que o transporte de misseis nucleares com meios aéreos é coisa extremamente rara. De facto, a aviação dos EUA oficialmente abandonou o transporte aéreo das armas nucleares desde o longínquo 1968, em parte como consequência dos acidentes e das bombas perdidas nos Estados Unidos e em outras partes do mundo (como no caso das bombas "espanholas").

Poucos dias depois, a aviação militar dos Estados Unidos anuncia o 14 de Setembro como data para rever os procedimentos e as medidas de segurança relativas às armas nucleares.

Madsen acaba o artigo com uma curiosidade: um dos seis misseis nucleares do B-52 andou "perdido". Falamos dum míssil stealth AGM-129, armado com ogivas nucleares W80-1. Um míssil "invisível" aos olhos dum radar, mais de seis metros de comprimento, com capacidade para alcançar 800 km/hora.

E, sempre como curiosidade, não será mal lembrar as afirmações do "Grande Velho" Zbigniew Brzezinski perante a Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado, segundo as quais um ataque dos Estados Unidos contra o Irão com base num ataque false flag no interior dos EUA seria apresentado como puramente defensivo.


Ipse dixit.

Fontes: The Independent, Arianna Editrice, Tarpley.net, Wayne Madsen Report, Nexus

5 comentários:

  1. maria6.1.12

    Olá Max e todos: o povo norte americano tem tido muita sorte, na última década, de escapar de explosões nucleares de grande envergadura, por falsa bandeira. Entre as que se consumaram, total ou parcialmente, e as que falharam, e somam-se as dezenas, haja serviço ativo de contra espionagem, haja consciência de alguns poucos militares (já falecidos,naturalmente).
    Entre as explosões atômicas parcialmente consumadas, exemplifique-se com Oklahoma, entre as frustadas, a palhaçada do Pentágono no 11 de setembro. Como se costuma dizer: com os "líderes" que tem, aquele povo tem mais sorte do que juízo. Excelente post,Max, grandes lições de história contemporânea continuas nos oferecendo. Abraços

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  2. Maria e todos

    (Como se costuma dizer: com os "líderes" que tem, aquele povo tem mais sorte do que juízo.)

    Sorte do povo americano e infelicidade do restante do mundo, talvez se bombardeassem o próprio país mesmo que fosse falsa bandeira, sería sorte do mundo, um povo tão idiota como os americanos devem se afogar em suas armas nucleares.
    Me desculpem, quem pensa o contrário, mas não tenho pena de um povo que só leva sofrimento ao restante do mundo, são arrogantes com sua "democracia" demoníaca, acham que vivem em liberdade, um povo totalmente burro, que nasceu achando que o restante do mundo lhe deve reverência.
    Agora estão a nadar em sua própria desgraça financeira, e haverá de chegar o dia em que terão que se ajoelhar para o restante do mundo, e finalmente aprender a respeitar as culturas alheias, sei que antes disso muitos povos ainda sofrerão, mas tenho fé de que esse dia chegará.

    Abraços

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  3. Anónimo6.1.12

    Acalme sua raiva Burgos.

    O problema são os líderes, não o povo. O povo dos EUA é um dos que possui o maior número de turistas e estrangeiros naturalizados. É uma grande mistura. Você está culpando eles sem pensar. Mas também não o culpo, a estratégia do plano oriental de campanha anti-americana existe ha mais de 1 seculo, só não me recordo agora o nome correto.

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  4. Anônimo

    Faz muito tempo que o povo americano vê seus líderes destruirem outros países e não fazem nada, sabemos muito bem que a maioria do povo americano idolatra uma guerra, é um patriotismo fanático.
    É engraçado quando vemos alguém falar que a culpa é dos líderes, pois a "democracia" não impera naquele país???
    Não são "livres" para escolherem seus líderes???
    Vou corrigir o que eu disse. A maioria do povo americano é conivente com o governo belicista.
    Só estão a fazer manifestos porque a situação financeira está mal no país, quando era o contrário nunca se preocuparam com o restante do mundo.
    Eu não estou fazendo campanha anti-americana, nem muito menos caindo na "estratégia" (se é que existe isso) do plano oriental (?), o que digo aqui é o que mostra o histórico desse povo que plantou por muito tempo o ódio no mundo, e agora está colhendo os frutos.

    Um abraço

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  5. Anónimo6.1.12

    como a encenação da morte do bin laden... as forças especiais de elite americanas e afegãs responsáveis pela suposta captura/morte de bin laden morrem todos num acidente de avião... não restando ninguém para poder testemunhar ao contrário. Infelizemente é só uma questão de tempo para um ataque de falsa bandeira... EDGE

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