16 janeiro 2012

Os perigos de 2012

Joseph Stiglitz é um economistas e escritor dos Estados Unidos.

Figura esquisita esta: trabalhou no Banco Mundial antes de ser corrido pelo Secretário do tesouro americano Lawrence Summers. Depois começou a criticar o Fundo Monetário Internacional, afirmando que não faz os interesses dos Países mais desfavorecidos.

Quase quase pode ser definido como "simpático".

Eis um artigo dele, do passado dia 13 de Janeiro, onde fala da situação actual e dos próximos 12 meses. 

Os perigos de 2012: quando a austeridade ainda morde 

O ano de 2011 será lembrado como o período em que muitos ultra-otimistas americanos começaram a perder a esperança. O Presidente John F. Kennedy disse uma vez que é a maré crescente que levanta todos os barcos. Ma os Americanos estão a ver que muitos dos barcos já foram partidos nesta espera mortífera.
Naquele breve momento, quando a maré estava realmente a levantar-se, milhões de pessoas pensaram ter uma boa chance de realizar o próprio "sonho americano". Agora esse sonho também estão a recuar. Em 2011, as poupanças daqueles que haviam perdido os empregos em 2008 ou 2009 foram-se. Como também os subsídios de desemprego. A manchete dos jornal que anunciam novas contratações, ainda não suficientes para manter o ritmo com o número daqueles que normalmente teriam entrado no mundo do trabalho, pouco significam para quem com cinquenta anos têm pouca esperança de recuperar um emprego.
Em vez disso, as pessoas de meia idade que pensavam ficar desempregadas durante alguns meses perceberam que forma aposentados, forçadamente. Jovens que se formaram com dezenas de milhares de Dólares de dívida gastos na educação não conseguem encontrar nada. Os bens adquiridos durante o boom da propriedade ainda estão no mercado ou foram vendidos em uma perda. Mais de sete milhões de famílias americanas perderam as suas casas.
O ponto fraco do boom financeiro dos últimos dez anos foi descoberto também na Europa. Grécia, Irlanda, Portugal: o contágio espalhou-se para a Itália. O desemprego em Espanha, que era cerca de 20% desde o início da recessão, aumentou ainda mais. O impensável, o fim do Euro, começa a parecer uma possibilidade real.
Este ano poderia ser ainda pior. Podemos pensar que os Estados Unidos conseguirão resolver os seus problemas políticos e, finalmente, encontrar o estímulo de que precisam para reduzir o desemprego até 6% ou 7% (o nível pré-crise, de 4% ou 5%, é uma esperança excessiva). Mas isso é improvável como o facto da Europa entender que a austeridade por si só não vai resolver os seus problemas.
Pelo contrário, a austeridade vai agravar a crise económica. Sem crescimento, a crise da dívida (e o Euro) só vai piorar. E a longa crise que começou com o colapso da bolha imobiliária e a subsequente recessão em 2007 vai continuar.
Além disso, os Países emergentes mais importantes, que conseguiram, com sucesso, evitar as tempestades de 2008 e 2009, podem falhar com os problemas que temos pela frente. O crescimento do Brasil já parou, alimentando a ansiedade entre os vizinhos da América Latina.
Enquanto isso, os problemas de longo prazo, incluindo as alterações climáticas, outras ameaças ambientais e a crescente desigualdade na maioria dos Países do mundo, não desapareceram. Alguns tornaram-se mais graves. Por exemplo, o elevado nível de desemprego tem deprimidos os salários e aumentado a pobreza.
A boa notícia é que lidar com esses problemas de longo prazo pode ajudar a resolvê-los no curto prazo. O aumento do investimento para purificar a economia devido ao aquecimento global ajudaria a estimular a actividade económica, o crescimento e a criação de empregos. Uma política de tributação mais progressiva, uma redistribuição dos rendimentos a partir do cima em direcção do centro e do fundo iria reduzir a desigualdade e aumentar o emprego através do aumento da procura global. Impostos mais altos para os ricos poderiam gerar receitas para financiar os gastos públicos e para fornecer protecção social para as pessoas desfavorecidas, incluindo os desempregados.
Mesmo sem aumentar o deficit fiscal, o aumento das receita e das despesas dum tal "orçamento equilibrado" teria como efeito a diminuição do desemprego e o aumento da produção. No entanto, a preocupação é que a política e a ideologia em ambos os lados do Atlântico, mas especialmente nos EUA, não permitirá que isso aconteça. A paranóia do défice vai pressionar por reduções nos gastos sociais e agravamento da desigualdade. Da mesma forma, a atracção duradoura para a economia supply side (focalizada no aumento da oferta e não na demanda), apesar de todas as evidências em contrário (especialmente num período onde o desemprego é alto) irá impedir o aumento dos impostos para os ricos.
Mesmo antes da crise, houve um reequilíbrio do poder económico, uma correcção de uma anomalia de 200 anos, onde a participação da Ásia no PIB global tinha caído desde quase 50% até menos de 10%. O compromisso pragmático para o da procura pode ser visto na Ásia e nos outros mercados emergentes, onde contrasta com as políticas enganosas do Ocidente, que, solicitado por uma combinação de ideologia e interesses especiais, parece quase reflectir o compromisso de não crescer.
Consequentemente, e reequilíbrio económico global pode acelerar, aumentando quase inevitavelmente a possibilidade de tensões políticas. Com todos os problemas que desafiam a economia global, será sorte se esses contrastes não começam a se manifestar ao longo dos próximos doze meses.

Fonte: Common Dreams
Tradução: Informação Incorrecta 

2 comentários:

  1. Robson - Londrina, Pr.16.1.12

    Ora, ora, a crise bate à porta... Seria o caso de implantarmos algum plano de austeridade aqui no Brasil? Um plano menos ortodoxo, talvez. Quem sabe fecharmos as nossas fronteiras? Quem sabe estatizar as mega-propriedades privadas nas mãos de corporações estrangeiras que aqui plantam cana? Que tal mandar as proteções ao Real às favas e deixar que o Dólar chegue a 20 centavos de Real? Não seria melhor investirmos no mercado interno brasileiro do que temer por uma balança de comércio exterior desfavorável? Usemos, quem sabe, a técnica americana: que tal arrumarmos umas tretas falsas com Chavez e Morales, acusando-os de tramar terrorismos em Brasília, justificando invadirmos a Venezuela e a Bolívia para tomar deles os seus hidrocarbonetos? São índios. Para quê querem viver bem? Cortemos as exportações de jogadores de futebol à Europa (não, isso não nos faz falta alguma, muito pelo contrário, podem ir todos e nem carecem de voltar). Talvez devamos mudar o nosso idioma oficial de Português para o Esperanto, a fim de tentarmos superar esse complexo de inferioridade arraigado na mistura do sangue bom bugre-nativo com o sangue ruim lusitano-marrano-moçárabe? E se Alencar estivesse certo, e o Brasil devesse mesmo abrir o jogo, parando de agir à la Israel safado (tautologia?), e se declarar potência nuclear? Afinal, bombas nucleares podem estar em conformidade com a Constituição, se considerarmos que elas são para fins de dissuasão e, portanto, numa lógica “quase” perfeita, para fins pacíficos. São todas idéias simpáticas, mas creio mesmo que a solução está em fazermos uma campanha bélica-xenófobo-imperialista, modelo americano-europeu: és brasileiro, de corpo, coração e alma (na verdade não damos a mínima para o seu corpo, seu coração e sua alma, pois o que queremos mesmo são as suas terras e as suas riquezas) ou não és ninguém.

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  2. Bruno António16.1.12

    O Sr. Joseph Stiglitz faz com poucas palavras e sem paixões nem ódios um bom resumo da situação actual e das suas causas, muito bem, porém …(isto deve ser defeito meu) não sabemos exactamente que cenários potenciais o Sr. Joseph Stiglitz consegue conjecturar suportados pela sua peculiar experiencia, e muito menos … (isto é definitivamente defeito meu!) o que fazer para evitar as piores possibilidades? Afinal ele foi um “insider” ou se calhar estou a ficar viciado em planos de contingência.

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