18 janeiro 2012

Outros tempos

Dizia John Swinton:
Nos Estados Unidos, neste período da história mundial, uma imprensa independente não existe. Sabemos bem disso.
Não há nenhum de vocês que se atreveria a escrever acerca das suas verdadeiras opiniões, e você já sabe de antemão que ao fazê-lo nunca seriam publicados. Eu sou pago tanto por semana para manter as minhas honestas opiniões fora do jornal com o qual tenho o relacionamento. Outros de vocês são pagos de forma semelhante para coisas semelhantes, e aqueles que fosse tão louco ao ponto de escrever opiniões honestas ficaria de imediato no meio da rua à procura de outro emprego. Se permitisse a minha real opinião num número do meu jornal, antes de 24 horas a minha profissão seria liquidada.
O trabalho do jornalista é destruir a verdade, mentir descaradamente, subornar, desprezar, abanar o rabo ao pé da riqueza, vender o seu País e o seu povo para o seu pão de cada dia. 
Você sabe isso e eu sei também. Então, que loucura é essa de brindar a uma imprensa independente?
Nós somos as ferramentas e os vassalos dos ricos homens nos bastidores. Nós somos fantoches, eles puxam as cordas e nós dançamos. Os nossos talentos, as nossas possibilidades e as nossas vidas, são todos bens dos outros. Nós somos prostitutas intelectuais.
Este é o breve discurso que Swinton, do New York Times, fez num jantar da American Press Associaton. A data? 1880.
Outros tempos, sem dúvida, a imprensa não era o que é hoje. Ainda há jantares da American Press Association, mas já ninguém tem a mesma coragem.


Ipse dixit. 

Fonte: Stampa Libera

8 comentários:

  1. A mídia dita as regras e conduz a mentalidade da população para objetivos de terceiros. Só não imaginava que isso era tão antigo.

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  2. Se em 1880 já era assim, imaginem agora...

    As vezes (quase sempre) penso que a "humanidade" não tem mais conserto.
    Espero estar completamente enganado.

    Abraços

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  3. eheh "As vezes (quase sempre) penso que a "humanidade" não tem mais conserto." ihih

    Burgos... meu Lindo...

    como costumo escrever por esta selva virtual fora

    "Ó COMETA... ESTAMOS AQUI!!!!!"

    E que se existir segunda volta... não surja nenhum animal tipo nós! No máximo tudo cães! Afinal já sabem ler e escrever... são bem melhores que os animais humanos!

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  4. Bruno António18.1.12

    Burgos , tem conserto e esta em aperfeiçoamento apesar de lento, recorda-te da marcha da evolução desde o homo de Neandertal até ao estado social, Swinton parecia sofrer á data do seu discurso do “síndrome do agente infiltrado” que no cansaço da sua demanda já se questiona se é policia ou é bandido, mas é policia! É e será sempre dos bons enquanto se questionar, ainda que exista apenas um jornalista honesto haverá imprensa livre , nunca se pode confundir a parte com o todo por mais pequena que seja essa parte.

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  5. Vozzzzzz

    "Ó COMETA... ESTAMOS AQUI!!!!!" ???

    Tá doido? Eu não quero estar aqui sózinho na segunda volta.
    O que vai ser de mim sem vocês?

    Para com isso meu amigo!

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  6. É verdade Bruno, a excessão é que me dá ânimo e esperança.
    Enquanto houver um bom ainda existe possibilidade de conserto.

    Um abraço meu amigo

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  7. Anónimo20.1.12

    Max e amigos,
    (tirando o atraso)

    Ontem estava a ler no meu canto, quando escuto ao longe, vindo do televisor da sala, onde estavam meus 3 filhos a assistir um programa na TV Brasil, antiga TV Educativa (não sei ao certo, se pública ou estatal), no qual se rendiam loas as sementes transgênicas que vinham para incrementar a parca renda do pequeno agricultor. Canonizava-se o poder destas e sua total falta de necessidade de aditivos químicos no cuidado das plantações transgênicas. Uma panacéia

    Ora, aqui no Brasil temos um cineasta competentíssimo, um grande documentarista: Silvio Tendler. Este grande profissional fez algo chamado: O Veneno Está Na Mesa. Nada do que está presente na obra é novidade. Há muita coisa vinda de outros países que tratam do mesmo assunto. Lembro de Tendler, por se tratar de um brasileiro, falando das atrocidades das multinacionais da bioengenharia que aqui encontraram campo fértil. Posso citar também um ótimo documentário chamado: Food Inc. Creio que ninguém da produção do tal programa, tenha dado uma espiada no veneno do Tendler e, tampouco, no resumo da ópera. Os respingos daquela aberração perduram por muito tempo na vida daquelas pessoas e ninguém atentou para o alerta lançado pelo documentarista.

    Minha pergunta é: quem assina a carteira de trabalho destes caras da TV Brasil? Swinton lança um olhar, sobre o sórdido mundo da informação mainstream, numa época em que os meios de comunicação não tinham uma dependência tão enraizada, não eram sustentados de forma tão ostensiva por seus anunciantes (corporações). Será que temos hoje o mesmo painel? Será que algo melhorou no comportamento jornalístico, nos meios de informação? Quantos Murdochs haviam nos tempos de Swinton? Hoje, me arrisco a dizer: todos são Murdochs.

    Abraços.
    Walner.

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  8. maria20.1.12

    Olá Walner: Boas vindas! Pois sabes que eu também me faço esta pergunta com relação a TV Brasil. Essa droga poderia ser um pouco menos pior, não?
    Sintonizo a Telesur (Venezuela) e a RTespañol (Moscou), vez por outra, e não vejo nenhum motivo para pelo menos a TV Brasil ter um padrâo assim, que não é nenhuma maravilha...mas tem gente boa aqui, é só se empenhar numa programação decente, né? Já escrevi pro Dienes perguntando se lá na Tv Brasil, eles não se deram conta ainda que esta estratégia é vital nas comunicações no Brasil. Como sou metida em certas coisas que considero vitais para o país, também meti a boca no ministro Bernardo. Da assessoria deste último recebi um mail delicado, mas puro padrão que não responde coisa alguma. E do Dienes da TV Brasil, nada.Brasil, país do futuro...longe, né? Abraços

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