16 fevereiro 2012

Fukushima: quase um ano depois...

Fukushima, o terremoto, o tsunami, o nuclear...num mundo que vai depressa, a história de Fukushima teve a honra duma cobertura mediática prolongada. Mas há limites: o nuclear sim, tudo bem, mas agora nas primeira páginas dos jornais encontramos as agências que cortam o rating dos Países em crise.

Desde a catástrofe nuclear até a catástrofe dos nossos cérebros. E Fukushima já não tem espaço.
Pena, porque passam-se coisas interessantes naquele lugar.

11 meses depois da emergência, no interior do Reactor nº 2 continuam as reacções fora de controle.
Até agora as autoridades tinham falado de quatro reactores com danos e fase de desligamento controlado. Mas ao que parece as coisas não estão mesmo assim.

As agência de imprensa Yomiuri e Jiji relatam que o termómetro do reactor nº 2 alcançou os 400 ºC antes de partir-se: e partiu-se porque 400º C representa o valor limite da medição neste instrumento. De facto ninguém sabe qual o valor certo que foi alcançado.

A Tepco (mas ainda existe? Não estão todos presos?) afirma que o desligamento frio só poderia continuar com temperaturas abaixo dos 100 graus Celsius. Mas o termómetro está a mostrar temperaturas quatro vezes mais elevadas.


A realidade é que após quase um ano, os reactores ainda não estão desligados.
E dado que as más notícias nunca chegam sozinha, eis que os cientistas avisam: Fukushima está em risco de novos terremotos.

A pesquisa, com dados de mais de 6.000 recentes tremores, determinou que o desastre do ano passado reactivou uma falha sísmica praticamente debaixo da estação nuclear. Por isso, segundos o pesquisadores, a prioridade não é apenas desligar os reactores mas também fortifica-los.

Agora os cientistas estão dizendo autoridades japonesas urgentemente fortalecer o reactor danificado na expectativa de mais maciças dos terremotos.
Dapeng Zhao, professor de geofísica da Universidade de Tohoku no Japão, afirma:
Há algumas falhas activas na área da central nuclear e os nossos resultados mostram a existência de anomalias estruturais semelhantes abaixo de Iwaki e Daiichi.
Dado que um grande terremoto ocorreu em Iwaki não muito tempo atrás, acho possível um terremoto igualmente forte na área de Fukushima.
O terremoto em questão é aquele do passado  11 de Abril de 2011, terremoto de magnitude 7, que ocorreu 37 quilómetros a sul-oeste da central de Fukushima, longe do epicentro do grande terremoto do dia 11 de Março.

A pesquisa, publicada no jornal europeu de geociências (European Geosciences Union's open-access Solid Earth), mostra que o terremoto foi provocado em Iwaki por fluidos que subiram a partir da placa do Pacífico.

A placa do Pacífico move-se debaixo do nordeste do Japão, o que aumenta a temperatura e a pressão da zona. Esta movimentação gera fluidos que são menos denso do que a rocha circundante. Esses fluidos deslocam-se até a camada superior e podem alterar as falhas sísmicas. "Reactiva-las", como afirmado.

Ping Tong, principal autor do estudo:
Os fluidos ascendente podem reduzir a fricção numa parte duma falha activa, e ao fazer isso provocam terremotos. Foi isso, juntamente com as variações de tensão causadas ​​pelo evento de 11 de Março, que provocou o tremor de Iwaki.
A área de Iwaki sofreu mais de 24.000 tremores desde 11 de Março de 2011 até 27 de Outubro de 2011, contra os 1.300 tremores detectados nos nove anos anteriores.

Os cientistas não podem prever quando um terremoto atingirá Fukushima Daiichi, afirmam que os fluidos ascendentes observados na área indicam que tal evento pode ocorrer no futuro próximo e alertam que mais atenção deve ser dada à capacidade do lugar para resistir aos terremotos fortes, reduzindo assim o risco dum desastre nuclear.

Os cientistas também realçam como os resultados podem ser úteis para analisar a segurança sísmica em outras instalações nucleares no Japão, como a vizinha Fukushima Daini, Onagawa (no norte de Fukushima) e Tokai (sul).

Definitivamente, a estrada até a normalidade é ainda comprida.


Ipse dixit.

Fontes: Daily Mail, Enenews, The Big Picture
Imagens: Huffingtonpost

1 comentário:

  1. Por falares em Nuclear...

    Nunca mais se constrói uma destas belezas da engenharia hiper-moderna cá por estas bandas (Portugal)... estranho não é?

    ResponderEliminar

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...