06 fevereiro 2012

Grécia: é toda culpa deles

Será desta? Assim parece.

As negociações por enquanto não registam avanços. Pelo contrário: nenhum acordo após a última reunião com o primeiro ministro Lucas Papademos e os líderes dos principais partidos gregos.

O problema? Simples: as Mentes Pensantes de Bruxelas, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu querem novos cortes, caso contrário nada de ajudas.

Porque é assim: após resgates e ainda resgates, a Grécia precisa de outro dinheiro, e não pouco. Em Março Atenas terá que reembolsar alguns títulos, um total de 14.5 biliões de Euros. E, claro está, não tem fundos, pelo que precisa dum novo empréstimo.


Após quase dois anos de continuas ajudas, a Grécia está ainda à beira da falência. Um País há dois anos tecnicamente falido é hoje um morto-vivente, mantido em vida apenas com injecções de dinheiro. Pelo que, uma pessoa normal nesta altura pensaria: "Mas não é que esta estratégia não funciona?".

Mas as nem as Mentes Pensantes nem os amiguinhos delas parecem pessoas normais e continuam com a receita de sempre: cortes, austeridades, mais cortes, mais austeridade. Errare humanum est, perseverare autem diabolicum, escrevia Séneca: cometer erros é humano, ma perseverar é diabólico. Ou profundamente estúpido.

"Não vamos permitir permitir que as medidas conduzam a uma maior austeridade", diz a oposição no parlamento grego, "não queremos contribuir para a explosão duma revolução". Doutro lado, o primeiro ministro propõe a redução dos salários mínimos, a remoção da décima terceira mensalidade, cortes nas reformas, tanto no sector público como no privado. Previstos também cortes no orçamento da Saúde.

E que dizem as Mentes Pensantes?
Jean-Claude Junker, presidente do Eurogrupo, numa entrevista ao semanal alemão Der Spiegel:
No caso de chegarmos à conclusão que as culpas são todas da Grécia, não haverá um novo programa [de ajudas], o que significa que em Março se produzirá a declaração de quebra
As culpas todas da Grécia. Pois.

Seria interessante que o Der Spiegel perguntasse onde estavam Junkers e os colegas deles quando Atenas falsificava as contas com a ajuda da Goldman Sachs para entrar na Zona Euro. E também onde estavam Junker e companhia depois, quando ao longo de anos os fantasiosos orçamentos gregos eram ratificados no seio da União Europeia, sem um controle sério. Porque a Grécia errou (disso não há dúvidas), mas não foi a única. 

Mas estas são perguntas antipáticas, mais simples dizer que a culpa de tudo é dos Gregos.

Mais simples e mais cómodo. Porque a Grécia é um caso sem esperança, este blog afirma o mesmo há dois anos: a Grécia irá falir e sairá da Zona Euro. Há boas probabilidades disso acontecer em Março, mas se assim não fosse a questão será apenas adiada.

Nesta altura será prático repetir o mantra "Toda culpa deles" e não ter de justificar uma política que fracassou por completo. É a política que foi imposta aos Gregos pelas Mentes Pensantes. 


Ipse dixit.

Fontes: Il Corriere della Sera

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