07 fevereiro 2012

Popcorn e efeitos hepatorrenais

Eu sei, eu sei: depois haverá alguém que acusa este blog de ser "sensacionalista", como já aconteceu.
Pois é assim, ao falar da Monsanto ficamos logo rotulados: sensacionalistas.
Organismos geneticamente modificados? Sensacionalistas.
Uma pesquisa publicada no International Journal of Biological Sciences?
Sensacionalistas.
Também no caso duma pesquisa científica?
Sim, sensacionalistas.

Tudo o que tem a ver com os aspectos menos claros da saúde fica no âmbito do sensacionalismo. O blog não sensacionalista? Aquele que não dúvida e nem trata de determinados assuntos.

Paciência, acontece. Aqui falamos de Monsanto, de OGM e duma pesquisa cientifica publicada numa conceituada revista médica. Porque ser sensacionalista é uma coisa, ser obtuso é outra. 


Até agora ninguém tinha provado os efeitos dos OGM sobre a saúde humana: os dedos estavam apontados principalmente contra os prejuízos económicos para os agricultores e os problemas da biodiversidade. Mas agora chega este novo estudo publicado no International Journal of Biological Sciences, que destaca como o milho OGM produzido pela multinacional pode ser prejudicial para a saúde dos mamíferos e, portanto, para os seres humanos.

Segundo o estudo existem três variedades de milho transgénico aprovado para o consumo nos Estados Unidos, na Europa e em muitos outros Países: MON863, MON810 e NK603. E todos provocam graves danos aos nossos órgãos.Um dos autores da pesquisa, Gilles-Eric Séralini, afirma: 

Os efeitos são concentrados nas funções hepática e renal, os dois principais órgãos de desintoxicação, mas diferiram em detalhe para cada tipo de OGM.
Mas em alguns casos foram também identificados problemas no coração e no baço:
Os nossos dados sugerem decididamente que essas variedades distintas de milho OGM induzem um estado de toxicidade hepatorrenal. Estas substâncias nunca foram parte da dieta humana ou animal e as implicações para a saúde de quem os consome, especialmente no longo prazo, são ainda desconhecidas.
Mas vamos ler as conclusões do estudo, conduzido pelo pesquisadores Joël Spiroux de Vendômois, François Roullier, Dominique Cellier e o já citado Gilles-Eric Séralini:
Os perfis fisiopatológicas são únicos para cada cultura OGM, sublinhando a necessidade duma avaliação caso a caso, da sua segurança, como é amplamente admitido e pelos órgãos reguladores. Não é possível fazer comentários sobre qualquer geral efeito subcrônico tóxico, similar para todos os alimentos OGM.
No entanto, nas três variedades de milho OGM que formaram a base desta investigação, novos efeitos colaterais associados ao consumo desses cereais foram revelados, que eram dependente do sexo e muitas vezes da dose. Os efeitos foram concentrados na função renal e hepática, os dois principais órgãos de desintoxicação, mas diferiram em detalhe com cada tipo de OGM. Além disso, alguns efeitos sobre o baço, o coração, rins e células de sangue foram também frequentemente observados.
Como não existem diferenças sexuais no fígado e no metabolismo renal, os distúrbios altamente e estatisticamente significativos na função destes órgãos, observados entre ratos machos e fêmeas, não podem ser descartados como biologicamente insignificantes, tal como proposto por outros.
Concluímos, portanto, que os nossos dados sugerem fortemente que estas variedades de milho OGM induzem um estado de toxicidade hepatorrenal. Isto pode ser devido aos novos pesticidas (herbicidas ou insecticidas) presentes especificamente em cada tipo de milho OGM, embora não possam ser excluídos efeitos metabólicos desconhecidos devidos às propriedades mutagénicas dos OGM.
Todas as três variedades de milho geneticamente modificado contêm um resíduo de pesticida distintamente diferente, associado com o seu evento especial (glifosato e AMPA em NK 603, Cry1Ab modificado no MON 810, Cry3Bb1 modificado no MON 863). Estas substâncias nunca antes foram parte integrante da dieta humana ou animal e, portanto, as suas consequências para a saúde de quem as consome, especialmente durante longos períodos de tempo, são actualmente desconhecidas.
Além disso, qualquer efeito colateral ligado aos OGM será único em cada caso, dependendo do local de inserção do transgene e o espectro de mutações do genoma irá diferir nos três tipos de milho modificado.
Em conclusão, os dados aqui apresentados recomendam que um estudo adicional de longo prazo (até 2 anos) da alimentação animal deve ser realizado em pelo menos três espécies, de preferência também multi-geracional, para fornecer dados cientificamente válidos sobre os efeitos tóxicos agudos e crónicos das culturas OGM.
A nossa análise destaca que os rins e o fígado como alvos particularmente importantes em que centrar a investigação, pois houve um claro impacto negativo sobre a função destes órgãos nos ratos que consumiram as variedades de milho OGM num período de apenas 90 dias.
Esta pesquisa confirma os resultados já encontrados na investigação New Analysis of a Rat Feeding Study with a Genetically Modified Maize Reveals Signs of Hepatorenal Toxicityde, conduzida pelo Criigen (Committee for Research and Independent Information on Genetic Engineering) acerca do OGM MON 863 em 2007.
  
E a Monsanto?
Segundo a empresa
"a investigação foi baseada em métodos de análise e de raciocínio imprecisos que não põe em causa a segurança dos produtos".


Mas a equipa de investigação não concorda; é o mesmo Séralini que responde:
O nosso estudo contradiz as conclusões da Monsanto, porque a Monsanto sistematicamente negligencia os efeitos significativos para a saúde dos mamíferos que são diferentes em homens e mulheres e que não são proporcionais à dose. Este é um erro muito grave, dramático para a saúde pública. Esta é a principal conclusão revelada pelo nosso trabalho.

Pfff, sensacionalistas...


Ipse dixit.

Fontes: International Journal of Biological Sciences, Food Freedom, Criigen,  

1 comentário:

  1. Max e amigos,
    recomendo ...

    O MOVIMENTO DO AQUECIMENTO GLOBAL ALEMÃO SOFREU UM GOLPE MUITO DURO. A GRANDE MÍDIA DESCARREGOU EM CIMA DAS MENTIRAS DO CO2

    http://terrorismoclimatico.blogspot.com/2012/02/o-movimento-do-aquecimento-global.html

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